LEI 8.
112/90
Lei nº 8.112/1990 II
LEI Nº 8.112/1990 II
Nesta aula serão tratadas as proibições, isto é, aquilo que o servidor público não pode
fazer, deve se abster de fazer.
TÓPICO 2 – PROIBIÇÕES (ART. 117)
DISPOSITIVOS LEGAIS (CONFORME EDITAL)
Art. 117. Ao servidor é proibido:
I – ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
II – retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da
repartição;
III – recusar fé a documentos públicos;
Por exemplo, se um cidadão apresentar uma CNH Digital (por meio do aplicativo), e,
nesse caso, o servidor público recusar o referido documento, exigindo a CNH física. Assim, ao
visualizar um documento público em um aplicativo oficial é dever do servidor o reconhecer
como verdadeiro.
IV – opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;
V – promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
Ressalta-se, com isso, que o servidor deve prestar, juntamente com os seus pares/
colegas, dentro da repartição pública, um serviço público de qualidade e eficiente. Portanto,
prezando pela harmonia e pela atuação coesa.
VI – cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho
de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
Por exemplo, solicitar ao primo ou ao irmão do servidor público que realize as suas
atividades em determinado dia, ou, até mesmo, levar consigo o filho para trabalhar um
dia na repartição pública.
IX – valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade
da função pública;
Veda-se, de tal maneira, a utilização do cargo para obter proveito pessoal ou de outrem,
em detrimento da dignidade da função pública, por exemplo, anotar o telefone de uma
pessoa cadastrada no banco de dados da Administração Pública e se valer do cargo para
tentar agendar um encontro amoroso.
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X – participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário
(Redação dada pela Lei n. 11.784, de 2008);
Obs.: O Microempreendedor Individual (MEI) é o administrador da empresa, logo.,
consiste em atuação vedada ao servidor público, nos termos do art. 117, X, da
Lei n. 8.112/1990. Por seu turno, permite-se a atuação na qualidade de acionista,
cotista ou comanditário.
XI – atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando
se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de
cônjuge ou companheiro;
De tal modo, é vedado ao servidor público ser representante ou intermediário junto
a repartições públicas. Ressalva-se, contudo, os casos de benefícios previdenciários ou
assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro, por exemplo,
aposentadorias.
Obs.: O pai em relação ao filho é parente de primeiro grau; o pai em relação ao neto é
parente de segundo grau. Além disso, os irmãos são parentes de segundo grau.
Por exemplo, para fins de cobrança de pensão alimentícia (natureza civil), não é possível
ao servidor público atuar como procurador ou intermediário junto a repartições públicas
de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro.
XII – receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
atribuições;
XIII – aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
XIV – praticar usura sob qualquer de suas formas;
Obs.: A usura consiste na prática de emprestar dinheiro a juros.
XV – proceder de forma desidiosa;
XVI – utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;
XVII – cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações
de emergência e transitórias;
Destarte, regra geral, não se pode atribuir a outro servidor competências que não são
deles, excetuados os casos emergenciais.
XVIII – exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou
função e com o horário de trabalho;
XIX – recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.
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De tal maneira, é vedada a recusa em realizar a atualização dos dados cadastrais,
inclusive tendo em vista que por meio das referidas atualizações se torna possível averiguar
a permanência de compatibilidade para o exercício da função e a ausência de acumulação
ilícita de cargos públicos.
MNEMÔNICO PARA PROIBIÇÕES (ARUVA-3PR)
• Ausentar-se sem autorização
• Retirar documentos sem permissão
• Usar cargo para proveito próprio
• Vantagens indevidas (propina, presentes)
• Atividades incompatíveis
• Promover manifestações na repartição
• Participação em gerência empresarial
• Procurador/intermediário (salvo exceções)
• 3R: Recusar fé, Recursos materiais indevidos, Recusar atualização cadastral
EXPLICAÇÃO DETALHADA
• Ausência não autorizada (I): sair do trabalho sem permissão, mesmo por minutos,
é vedado. Faltas reiteradas caracterizam abandono de cargo ou inassiduidade.
• Retirar documentos (II): remover processos, arquivos ou objetos do local de trabalho
sem autorização formal é infração disciplinar.
− Portanto, faz-se necessária autorização formal.
• Recusar fé a documentos públicos (III): documentos oficiais (certidões, declarações)
têm presunção de veracidade. Recusar-se a aceitá-los sem motivo legal é ato de
insubordinação.
• Opor resistência (IV): retardar propositalmente o andamento de processos ou serviços
configura sabotagem administrativa.
• Manifestações políticas ou corporativas (V): greves, protestos, aplausos exagerados
ou vaias dentro da repartição são vedados. O ambiente público exige neutralidade
e decoro.
Obs.: Assim, a greve é permitida, desde que em consonância com as previsões legais.
• Delegar irregularmente (VI e XVII): não se pode transferir atribuições a terceiros
ou a servidores de outros cargos, salvo em emergências.
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• Uso do cargo para proveito próprio (IX): “vender” influência, intermediar
favorecimentos, usar o cargo para obter vantagens: todas são condutas gravíssimas
que podem configurar improbidade administrativa.
• Participar de gerência empresarial (X): o servidor pode ser acionista ou cotista, mas
não pode gerir empresas privadas enquanto em atividade pública, salvo exceções
legais.
• Atuar como procurador (XI): é proibido representar terceiros em órgãos públicos,
salvo em benefícios previdenciários para parentes até 2º grau, cônjuge ou companheiro.
• Propina, presentes, vantagens (XII): receber qualquer tipo de presente, comissão ou
vantagem em razão do cargo é crime (art. 317 do Código Penal – corrupção passiva)
e infração administrativa.
• Aceitar comissão estrangeira (XIII): sem autorização, servidor brasileiro não pode
receber remuneração ou nomeação de governo estrangeiro.
• Usura (XIV): emprestar dinheiro a juros abusivos ou explorar financeiramente colegas
e subordinados é vedado.
• Desídia (XV): negligência habitual, desleixo reiterado, falta de atenção contínua.
Segundo o STJ, desídia justifica demissão se for grave e recorrente.
EXEMPLOS PRÁTICOS
• Servidor aceita presente de fornecedor que presta serviços ao IBGE → viola o
inciso XII (receber vantagem).
• Agente sai do trabalho 1h antes, sem avisar, para resolver assunto pessoal → viola
o inciso I (ausentar-se).
• Supervisor usa carro oficial para passeio no fim de semana → viola o inciso XVI
(usar recursos materiais indevidamente).
• Funcionário se recusa a atualizar endereço e telefone no cadastro → viola o inciso
XIX.
JURISPRUDÊNCIA (STJ)
STJ
Súmula n. 650: A autoridade administrativa não dispõe de discricionariedade para
aplicar ao servidor pena diversa de demissão quando caracterizadas as hipóteses
previstas no art. 132 da Lei n. 8.112/1990.
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Com efeito, tratando-se de um caso em que, de acordo com a lei, é aplicável a pena
de demissão, não pode a autoridade aplicar a pena de suspensão por vontade própria,
por exemplo.
• Caso concreto: servidor que recebe propina (art. 117, XII) está sujeito a demissão
(art. 132, XI). A autoridade não pode abrandar a pena para suspensão, pois a demissão
é ato vinculado.
• Desídia (XV): o STJ decidiu que a pena de demissão por desídia é justificada se o
comportamento for reiterado e/ou as consequências forem graves. Caso contrário,
ofende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade (Lei n. 9.784/1999, art. 2º).
01. É vedado ao servidor do IBGE receber presente de qualquer espécie em razão de suas
atribuições, ainda que seja de pequeno valor.
O art. 117, XII, proíbe receber presente, vantagem ou comissão em razão do cargo,
independentemente do valor.
02. O servidor pode ausentar-se do serviço durante o expediente, desde que retorne antes
do final do turno, mesmo sem autorização prévia.
É proibido ausentar-se sem prévia autorização do chefe imediato (art. 117, I).
03. Constitui proibição ao servidor público temporário do IBGE:
a) Ser leal às instituições a que servir.
b) Atender com presteza ao público.
c) Utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços particulares.
d) Zelar pela economia do material público.
e) Levar irregularidades ao conhecimento da autoridade superior.
a, b, c, e) Trata-se de um dever do servidor público.
c) O art. 117, XVI veda expressamente o uso de recursos públicos para fins privados.
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04. Sobre as proibições ao servidor, assinale a alternativa CORRETA:
a) Pode atuar como procurador junto a repartições públicas em qualquer situação.
b) Pode participar de gerência de sociedade privada, desde que não haja conflito de interesses.
c) Pode receber presentes simbólicos em razão do cargo.
d) Pode recusar-se a atualizar dados cadastrais se entender desnecessário.
e) Pode atuar como procurador junto a repartições públicas apenas em benefícios
previdenciários de parentes até 2º grau, cônjuge ou companheiro.
a) Não é permitida a atuação como procurador junto a repartições públicas em qualquer
situação, mas, tão somente, quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais
de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro.
b) O servidor público só pode ser sócio-cotista.
c) O servidor público não pode receber presentes simbólicos em razão do cargo.
d) O servidor não pode se recusar a atualizar dados cadastrais.
e) Pode atuar como procurador junto a repartições públicas apenas em benefícios
previdenciários de parentes até 2º grau, cônjuge ou companheiro. O art. 117, XI permite
atuação como procurador somente nessa hipótese específica.
05. A conduta de proceder de forma desidiosa:
a) É permitida se não causar prejuízo à administração.
b) Configura proibição e pode ensejar demissão se reiterada e grave.
c) Não está prevista na Lei n. 8.112/1990.
d) É sinônimo de insubordinação grave.
e) Pode ser aplicada como medida pedagógica pela chefia
A desídia (art. 117, XV; e 132, XIII) pode motivar demissão se for reiterada e/ou graves as
consequências, segundo jurisprudência do STJ.
DISPOSITIVOS LEGAIS (CONFORME EDITAL)
Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas
atribuições.
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TRÍPLICE RESPONSABILIDADE (ART. 121)
O servidor responde em três esferas independentes:
• Civil: reparação de danos ao erário ou a terceiros (arts. 122 e 37, § 6º, CF).
• Penal: crimes e contravenções (art. 123).
• Administrativa: infrações disciplinares (art. 124).
GABARITO
01. C
02. E
03. c
04. e
05. b
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula
preparada e ministrada pelo professor Beto Fernandes.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura
exclusiva deste material.
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