Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca
de Cocalzinho de Goiás-GO
Autos nº: XXXXXXXXXXX
Embargante: João, já devidamente qualificado nos autos do
processo de número em epígrafe, cuja parte adversa é Pedro, também
devidamente qualificado, vem, respeitosamente, por seu advogado subscritor, a
Vossa Excelência, com fundamento no art. 1.022 e seguintes do Código de
Processo Civil (Lei 13.105/2015), opor os presentes EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO, em face da decisão de fls. (número da fl. da decisão
embargada), pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas.
I. DOS FATOS
O embargante promoveu ação de cobrança, cujo objeto é o
pagamento da quantia de R$ 50.000,00. Em XX/XX/XXXX, o MM. Magistrado
proferiu decisão de fls. [número da fl. da decisão embargada], que julgou
procedente o pedido do autor para condenar o réu ao pagamento de R$
50.000,00, com correção monetária e juros de mora desde a data do vencimento,
no seguinte teor:
SENTENÇA
Trata-se de ação de alimentos ajuizada por João em face de
Pedro. O autor alega que emprestou a quantia de R$ 50.000,00 ao réu e que
este não efetuou o pagamento no prazo acordado. O réu, por sua vez, alega
quitação da dívida, juntando aos autos um recibo assinado pelo autor.
Analisando os autos, verifica-se que o réu não apresentou prova da quitação do
débito, razão pela qual a dívida permanece exigível. Assim, JULGO
PROCEDENTE o pedido do autor para condenar o réu ao pagamento de R$
50.000,00, com correção monetária e juros de mora desde a data do vencimento.
Condeno o réu, ainda, ao pagamento das custas e honorários advocatícios,
arbitrados em 10% sobre o valor da condenação. Publique-se. Registre-se.
Intimem-se.
Contudo, data venia, houve omissão, contradição e erro
material na referida decisão, haja vista que não houve manifestação sobre a
reconvenção formulada pelo réu, a decisão mencionou erroneamente tratar-se
de ação de alimentos e desconsiderou o recibo apresentado pelo réu, devendo,
portanto, ser sanada.
Deste modo, não restou alternativa ao embargante senão a
oposição dos presentes embargos de declaração.
II. DO DIREITO
I- DA OMISSÃO
A sentença proferida pelo juízo não se manifestou sobre a
reconvenção formulada pelo réu, Pedro, que pediu reparação por danos morais
em razão da cobrança indevida. A ausência de análise sobre este pedido
configura omissão, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) que admite embargos de declaração para sanar omissão quando há falta
de manifestação expressa sobre algum ponto ventilado na causa.
II- DA CONTRADIÇÃO
A sentença menciona que "Trata-se de ação de alimentos
ajuizada por Ronaldo em face de Pedro", quando na verdade trata-se de ação
de cobrança ajuizada por João em face de Pedro. Esta contradição interna na
decisão deve ser corrigida, pois gera confusão sobre a natureza da ação e as
partes envolvidas. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autoriza
embargos de declaração para sanar contradições internas na decisão,
garantindo que a sentença seja clara e precisa. A correção desta contradição é
essencial para que a decisão reflita corretamente os fatos e os pedidos
formulados pelas partes, evitando prejuízos e garantindo a correta aplicação da
justiça.
III- DO ERRO MATERIAL
A sentença afirma que "o réu não apresentou prova da
quitação do débito", quando na verdade o réu apresentou um recibo assinado
pelo autor, dando quitação integral do débito. Este erro material deve ser
corrigido, pois a sentença desconsiderou uma prova documental relevante que
comprova a quitação da dívida. A doutrina admite embargos de declaração para
corrigir erros materiais evidentes, que são aqueles que podem ser verificados de
forma imediata e direta, sem necessidade de aprofundamento na análise dos
fatos. A correção deste erro é fundamental para que a decisão judicial reflita a
realidade dos autos e respeite os direitos das partes envolvidas.
Fundamento Legal:
O presente recurso de embargos de declaração encontra
amparo no Art. 1.022 do Código de Processo Civil, que prevê a possibilidade de
interposição de embargos de declaração quando houver, na decisão judicial,
obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Este dispositivo legal visa
garantir a clareza e a precisão das decisões judiciais, permitindo que as partes
possam solicitar ao juiz que esclareça ou corrija eventuais vícios que possam
comprometer a correta compreensão e execução da sentença. A jurisprudência
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforça a importância dos embargos de
declaração como instrumento para assegurar a integridade das decisões
judiciais, evitando prejuízos às partes envolvidas.
Tempestividade:
O presente recurso é tempestivo, uma vez que foi interposto
dentro do prazo legal de 5 dias, conforme dispõe o Art. 1.023 do Código de
Processo Civil. Este prazo é contado a partir da intimação da decisão que se
pretende embargar. A tempestividade é um requisito essencial para a
admissibilidade dos embargos de declaração, garantindo que a parte
interessada possa exercer seu direito de questionar eventuais vícios na decisão
judicial de forma oportuna. A doutrina e a jurisprudência destacam que o
cumprimento do prazo legal é fundamental para a efetividade do recurso,
permitindo que o juiz possa analisar e decidir sobre os pontos levantados pela
parte embargante.
III. DO PEDIDO
Diante de todo o exposto, requer sejam acolhidos os presentes embargos de
declaração para suprimento da omissão, contradição e erro material apontados,
para o fim de:
1. Corrigir a omissão referente à reconvenção formulada pelo réu, Pedro,
que pediu reparação por danos morais em razão da cobrança indevida.
2. Corrigir a contradição interna na sentença, que menciona erroneamente
tratar-se de ação de alimentos ajuizada por Ronaldo em face de Pedro,
quando na verdade trata-se de ação de cobrança ajuizada por João em
face de Pedro.
3. Corrigir o erro material que desconsiderou o recibo apresentado pelo réu,
comprovando a quitação integral do débito.
Nestes termos, pede deferimento.
Cocalzinho de Goiás - GO , xx/xx/xxxx
XXXXXXXXX OAB 000000