Inf 0876
Inf 0876
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
CORTE ESPECIAL
DESTAQUE
A homologação de ato notarial estrangeiro que versa sobre bens situados no Brasil
contraria o art. 964 do CPC, que veda a homologação de decisões estrangeiras em hipóteses de
competência exclusiva da jurisdição nacional.
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Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
964 do CPC.
De igual modo, a alegação de consenso entre as herdeiras não tem o condão de afastar o
controle jurisdicional incidente sobre o testamento hológrafo. Eventual acordo poderá ser validamente
submetido ao juízo nacional competente, que avaliará a regularidade formal do testamento e, a partir daí,
a possibilidade de inventário e partilha, seja judicial ou extrajudicial.
Dessa forma, a homologação de ato notarial estrangeiro não pode substituir o devido processo
perante a jurisdição brasileira.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 343
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
Nesse contexto, surge a necessidade de avaliar se, apesar da ausência de previsão expressa na
legislação administrativa, seria legítima a aplicação de um instituto do Direito Penal, como a continuidade
delitiva, às infrações administrativas.
É certo que o Superior Tribunal de Justiça vinha compreendendo pela possibilidade, em tese,
de aplicação da regra da continuidade delitiva no âmbito das infrações administrativas, notadamente
quando as diversas irregularidades de igual natureza eram apuradas na mesma ação fiscalizatória (AgInt
no AREsp n. 1.356.452/RJ, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 9/2/2021, DJe de
17/2/2021; e AgInt no REsp n. 1.666.784/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em
15/3/2018, DJe de 21/3/2018).
Nesse sentido, o Tribunal de origem assentou que o instituto da continuidade delitiva, previsto
no art. 71 do Código Penal, deve ser aplicado analogicamente às infrações administrativas quando houver
unidade de desígnios entre as condutas, bem como identidade de natureza e circunstâncias fáticas.
Isto é, se não houver previsão legal, não há como aplicar ao Direito Administrativo o instituto
radicado no Direito Penal.
Nesse contexto, não se mostra lógico que a compreensão do STF, mais restritiva, firmada em
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Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
precedente obrigatório, seja aplicada em demandas relativas à improbidade administrativa - cuja sanção é
muito mais grave e com consequências mais próximas às do Direito Penal -, e deixe de ser aplicada em
demandas relacionadas a infrações puramente administrativas, como fiscalização metrológica, como no
caso em exame.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 1199/STF
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 366
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
DESTAQUE
De acordo com o texto original do art. 11 da Lei n. 8.429/1992, os atos ímprobos atentatórios
aos princípios da Administração Pública constavam de rol exemplificativo, viabilizando, dessarte, que,
malgrado não expressamente contempladas, outras condutas ilícitas contrárias a preceitos basilares do
Estado - especialmente àqueles constantes do art. 37 da Constituição da República - igualmente
viabilizassem a responsabilização do agente público por meio de ação de improbidade administrativa.
Entretanto, não obstante a relevância de tal orientação para a tutela de direitos fundamentais e
a observância de tratados internacionais consagradores de direitos humanos, após as modificações
implementadas pela atual redação do art. 11, da Lei n. 8.429/1992 - aplicável aos processos em curso, à
luz da sobredita orientação do Supremo Tribunal Federal - não mais permite enquadrar a tortura, a
violência policial, a ocultação de cadáver, enfim, o justiçamento ilícito praticado por agentes do Estado
como ato de improbidade, pois ausente correlação entre tais condutas e os demais tipos legais.
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 1.199/STF.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
SEGUNDA TURMA
PROCESSO REsp 2.204.627-DF, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, por
unanimidade, julgado em 3/2/2026.
DESTAQUE
O pensionamento mensal decorrente de ato ilícito deve limitar-se a 2/3 (dois terços)
dos rendimentos auferidos pela vítima falecida ou ser equivalente a um salário mínimo se não
houver comprovação dos seus rendimentos.
De fato, o pensionamento por ato ilícito deve limitar-se a 2/3 (dois terços) dos rendimentos
auferidos pela falecida vítima, presumindo-se que 1/3 (um terço) desses rendimentos era destinado ao seu
próprio sustento.
Contudo, quando não houver comprovação dos rendimentos, como no caso dos autos, o
pensionamento pode ser fixado no valor equivalente a um salário mínimo, conforme a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 389
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
PROCESSO REsp 1.409.762-SP, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Rel. para acórdão
Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por maioria,
julgado em 3/2/2026.
DESTAQUE
O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) incide sobre as verbas recebidas a
título de participação nos lucros e resultados, bônus de performance individual, outplacement e a
compensação por stock options, pagas a executivo por ocasião da rescisão unilateral e imotivada
de seu contrato de prestação de serviços.
Prosseguindo nessa senda, é cediço que a denominação jurídica atribuída pelas partes a uma
verba ("indenização", "gratificação", "bônus") não vincula a autoridade fiscal, que deve perquirir a real
natureza econômica do fato para determinar a ocorrência do fato gerador, em observância ao princípio
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
da primazia da realidade sobre a forma, consagrado, no âmbito tributário, no §1º do art. 43 do CTN.
Dito isso, o Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e o Bônus de desempenho
individual são verbas inequivocamente atreladas ao desempenho do executivo e aos resultados
financeiros da companhia. Representam uma forma de remuneração variável, um prêmio pelo sucesso
alcançado. O seu pagamento no momento da rescisão contratual não lhes retira essa característica. Sem
dúvida alguma, esses valores servem para remunerar a perda da expectativa de auferir esses ganhos no
futuro próximo, caso o contrato tivesse prosseguido. Assim, a compensação por uma expectativa de
ganho frustrada qualifica-se como lucro cessante, configurando acréscimo patrimonial tributável.
Portanto, correta a incidência do imposto de renda sobre tais valores.
Por último, talvez o ponto mais sofisticado da controvérsia diga respeito à Compensação pela
Perda do Direito à Participação Acionária (Stock Option).
Em linhas gerais, o denominado Stock Option Plan (SOP) consiste na oferta, pela Sociedade
Anônima, de opção de compra de ações em favor de seus executivos, empregados ou prestadores de
serviços, sob determinadas condições e com preço preestabelecido (art. 168, § 3º, da Lei n. 6.404/1976).
O interessado, então, poderá aderir à opção e, a tempo e modo, efetivar a compra das respectivas ações,
por elas pagando o preço outrora definido pela companhia.
No caso, a parte não chegou a exercer a opção de compra nem a vender as ações. Ele recebeu
um valor em dinheiro como compensação pela perda da oportunidade de realizar todo esse ciclo. Ora,
este pagamento pecuniário nada mais é do que a substituição, pelo seu equivalente monetário, do ganho
de capital que ele potencialmente auferiria ao final do processo. Se o ganho na venda das ações é
tributável, a compensação que o substitui, por identidade de substância econômica, também o é.
Portanto, o valor recebido a título de compensação pelo não exercício do direito de stock options
representa um evidente acréscimo patrimonial, sendo plenamente tributável pelo Imposto de Renda, em
perfeita harmonia com o espírito do Tema 1226/STJ.
Dessa forma, tendo-se em vista que se trata de valores relativos à aplicação de cláusula penal
cível, consistentes em prefixação de perdas e danos, alinhados, sobretudo, ao conceito de lucros
cessantes, tais valores são, portanto, representativos de acréscimos patrimoniais tributáveis (renda), na
forma do art. 70, caput, da Lei n. 9.430/1996.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1226/STJ
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 825
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
No seguro de vida, apenas o suicídio ocorrido nos dois primeiros anos de vigência do
contrato é considerado agravamento intencional do risco passível de excluir a cobertura
securitária.
No seguro de vida, diferentemente do seguro de danos (ou seguro de coisas), não se busca
recomposição patrimonial, mas garantia social e protetiva aos beneficiários do segurado.
O art. 768 do Código Civil dispõe que "o segurado perderá o direito à garantia se agravar
intencionalmente o risco objeto do contrato". Ocorre que a aplicação desse dispositivo ao seguro de vida
deve ser extremamente cautelosa e excepcional, sob pena de esvaziar por completo a função social e a
própria essência dessa modalidade securitária.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
de que, no seguro de vida, o agravamento intencional do risco só pode justificar a exclusão de cobertura
quando equivaler ao próprio suicídio. Fora dessa hipótese extrema, a cobertura deve ser mantida.
Dessa forma, ocorrendo a morte do segurado e ausente sua má-fé - tal como a ocultação de
informações relevantes sobre precário estado de saúde ou doenças preexistentes - e inexistindo suicídio
durante o período de carência, a indenização securitária deve ser paga ao beneficiário.
No caso, ainda que o segurado tenha se dirigido a local perigoso, não há nenhuma evidência
de que sua intenção era morrer. A morte decorreu de ação de terceiros (traficantes), e não de ato volitivo
do segurado direcionado a acabar com a própria vida. Mesmo admitindo-se a hipótese de que o segurado
buscava adquirir substância entorpecente, essa conduta - por mais reprovável que seja do ponto de vista
moral ou legal - não se confunde com o agravamento intencional previsto no art. 768 do Código Civil.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 620/STJ
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 870
PROCESSO AREsp 2.422.049-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 3/2/2026.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
DESTAQUE
A Lei n. 8.880/1994 assim dispõe: "Art. 6º - É nula de pleno direito a contratação de reajuste
vinculado à variação cambial, exceto quando expressamente autorizado por lei federal e nos contratos de
arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no País, com base em
captação de recursos provenientes do exterior.".
O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento firmado na vertente de que, após a edição
da Lei n. 8.880/1994, não é mais permitida a utilização da variação da cotação de moeda estrangeira
(como o dólar) a título de correção monetária de contrato, com exceção: (i) às hipóteses previstas no art.
2º do Decreto-Lei n. 857/1969; (ii) à hipótese de arrendamento mercantil (leasing); ou (iii) na hipótese de
haver expressa autorização legal.
Assim, não se enquadrando em quaisquer das exceções, revelar-se-ia nula de pleno direito a
cláusula contratual de reajuste atrelada à variação cambial (art. 6º da Lei n. 8.880/1994).
Ocorre que, no caso, os recursos foram liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e captados no exterior. Nesse contexto, impõe-se a inclusão de cláusula de
paridade cambial nos contratos de repasse de recursos externos celebrados com fundamento na
Resolução do Conselho Monetário Nacional n. 63/1967, bem como em todas as posteriores que passaram
a reger a matéria.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
PROCESSO REsp 2.240.025-DF, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 16/12/2025, DJEN 19/12/2025.
DESTAQUE
No presente caso, as recorrentes pretendem que seja feita distinção com relação ao que foi
decidido na ADI 5529/DF. O seu interesse é que, afastado o direito à prorrogação automática, o Judiciário
possa, em cada caso, fazer ajuste casuístico do prazo de validade das patentes, para compensar o atraso
do INPI na análise de seus processos administrativos.
Nesse sentido, depreende-se da decisão proferida pelo Ministro Dias Toffoli na Rcl 53181/DF,
em que também se discutia o suposto desrespeito à eficácia do julgado na ADI 5529/DF, que o
entendimento do Supremo é no sentido da impossibilidade de extensão do prazo de duração das
patentes sob o fundamento de demora na análise do pedido administrativo pelo INPI. Ademais, não há
dúvidas quanto ao entendimento do STF no sentido da necessidade de critérios objetivos previstos em lei
para que seja autorizada uma análise casuística.
Assim, na ausência de lei estabelecendo critérios objetivos para eventual prorrogação do prazo
da patente, não cabe a pretendida análise casuística do pedido de extensão, com base na mera alegação
de mora administrativa.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar, isto é, aqueles prescritos pelo médico
assistente para administração em ambiente externo ao de unidade de saúde, salvo os antineoplásicos
orais (e correlacionados), a medicação assistida (home care) e os incluídos no rol da Agência Nacional de
Saúde Suplementar - (ANS) para esse fim.
Ressalta-se, ademais, que o medicamento não consta do rol estabelecido pela Resolução
Normativa ANS n. 465/2021 como de cobertura obrigatória para o tratamento da condição clínica em
questão, razão pela qual não se configura abusiva a recusa da operadora em custear sua cobertura.
Portanto, sendo o medicamento de uso domiciliar e não sendo uma das hipóteses de exceção,
não há que se falar em obrigatoriedade de custeio por parte do plano de saúde.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 990/STJ.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 20 - Edição Especial
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
PROCESSO REsp 1.876.423-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 3/2/2026.
TEMA Venda de produtos a prazo e à vista pelo mesmo valor, sem encargos
financeiros adicionais. Dever de informação observado. Liberdade de
iniciativa. Autonomia privada. Ausência de prática abusiva.
DESTAQUE
No ponto, a liberdade econômica, consagrada constitucionalmente nos arts. 1º, IV, e 170 da
Constituição Federal, assegura, ao fornecedor, a autonomia para definir sua política de preços, desde que
respeitados os limites legais e contratuais.
Por sua vez, a Lei n. 13.455/2017 autoriza a diferenciação de preços conforme o prazo ou o
instrumento de pagamento utilizado, mas não impõe a obrigatoriedade de repasse de encargos
financeiros ao consumidor final.
Assim, a fixação de preço único, ainda que aplicável indistintamente a vendas à vista ou
parceladas, insere-se no âmbito da autonomia privada do fornecedor e na livre iniciativa de organização
da política comercial, não configurando, por si só, violação ao dever de informação ou prática abusiva à
luz do CDC, devendo ser preservada, portanto, a liberdade de precificação.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Defesa do Consumidor (CDC), art. 6º, III; art. 31; art. 37, § 1º; e art. 52.
Constituição Federal (CF), art. 1º, IV; e art. 170.
Lei n. 13.455/2017.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
QUINTA TURMA
DESTAQUE
Quanto ao crime do art. 241-A do ECA, o tipo penal efetivamente descreve conduta genérica
de oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir ou publicar pornografia envolvendo "criança ou
adolescente". A amplitude dessa formulação, contudo, não impede que o julgador, ao analisar a
culpabilidade, considere a gravidade concreta revelada pelo conteúdo específico do material
compartilhado.
No caso, a perícia identificou material envolvendo sexo explícito com crianças de idade
bastante reduzida. Esse elemento não constitui simples reiteração da elementar "criança", mas
circunstância concreta que revela maior desvalor da conduta dentro do amplo espectro de condutas
abrangidas pelo tipo. Reconhecer essa gradação não implica punir duas vezes pelo mesmo fato, mas
adequar a resposta penal à gravidade específica revelada pela prova.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
substituição ao recurso de apelação, previsto no art. 593, II, do Código de Processo Penal, configura erro
grosseiro capaz de afastar o princípio da fungibilidade recursal.
No caso, o Tribunal de origem entendeu ser cabível a interposição de correição parcial contra
decisão do juízo de primeiro grau que havia indeferido pedido de liminar de busca e apreensão,
considerando: (i) a urgência da medida, cuja demora natural do trâmite processual poderia acarretar
prejuízo irreparável às investigações; e (ii) a fase incipiente do feito originário, antes mesmo do
estabelecimento de relação processual com os suspeitos, com o objetivo de colher elementos iniciais de
convicção relacionados aos crimes sob apuração.
Verifica-se que o caso em análise tratava de situação urgente e excepcional, a justificar não
apenas o cabimento da correição parcial, mas também o deferimento da medida cautelar de forma
inaudita altera pars.
Além disso, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que "A correição
parcial é espécie de impugnação de atos judiciais de natureza híbrida (administrativa/jurisdicional). Daí
não ser censurável o seu conhecimento em hipóteses que tais - à luz, ainda, da fungibilidade recursal -
não se afigurando teratologia" (HC 662.690/RJ, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe
19/5/2022).
Por fim, não se verifica qualquer prejuízo concreto à defesa, o que inviabiliza a declaração de
qualquer nulidade processual, conforme o princípio pas de nullité sans grief, inscrito no art. 563 do CPP,
já que, dentro da situação excepcional de urgência e imposição de contraditório diferido, ainda
permaneceu assegurado o direito da defesa de impugnar, a qualquer tempo, a legalidade das medidas
cautelares, inclusive via habeas corpus.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
SEXTA TURMA
DESTAQUE
Em contraste, registre-se que os depoimentos prestados em juízo pela vítima e pela sua mãe
assentaram que a adolescente já tinha 14 anos quando aconteceram as relações sexuais.
Com efeito, "para que o fato seja considerado criminalmente relevante, não basta a mera
subsunção formal a um tipo penal. Deve ser avaliado o desvalor representado pela conduta humana, bem
como a extensão da lesão causada ao bem jurídico tutelado, com o intuito de aferir se há necessidade e
merecimento da sanção, à luz dos princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade" (RHC
126.272/MG, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 15/6/2021).
Em casos análogos, este Superior Tribunal tem-se orientado no sentido de que a manutenção
da pena privativa de liberdade acabaria por deixar a jovem e o filho de ambos desamparados não apenas
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/23
Informativo de Jurisprudência n. 876 10 de fevereiro de 2026.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 820
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/23