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Inf 0877

O Informativo de Jurisprudência n. 877 destaca decisões sobre a não recusa de fiança bancária ou seguro garantia na execução fiscal, mesmo que não respeitem a ordem legal da penhora, conforme o Tema 1385. Além disso, o Tema 1390 estabelece que a base de cálculo das contribuições a terceiros não é limitada a 20 salários-mínimos, aplicando-se a diversas contribuições. O documento enfatiza a proteção ao executado e a interpretação favorável na legislação tributária.

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Inf 0877

O Informativo de Jurisprudência n. 877 destaca decisões sobre a não recusa de fiança bancária ou seguro garantia na execução fiscal, mesmo que não respeitem a ordem legal da penhora, conforme o Tema 1385. Além disso, o Tema 1390 estabelece que a base de cálculo das contribuições a terceiros não é limitada a 20 salários-mínimos, aplicando-se a diversas contribuições. O documento enfatiza a proteção ao executado e a interpretação favorável na legislação tributária.

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Informativo

de Jurisprudência

Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

RECURSOS REPETITIVOS

PROCESSO REsp 2.193.673-SC, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2026. (Tema
1385).
REsp 2.203.951-SC, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2026 (Tema
1385).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Execução fiscal. Ordem legal da penhora. Fiança bancária e seguro


garantia. Oferecimento em garantia. Possibilidade de recusa. Não
cabimento. Tema 1385.

DESTAQUE

Na execução fiscal, a fiança bancária ou o seguro garantia oferecido em garantia de


execução de crédito tributário não é recusável por inobservância à ordem legal da penhora.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 1.036
do Código de Processo Civil, para formação de precedente vinculante previsto no art. 927, III, do Código
de Processo Civil, é a seguinte: "definir se a fiança bancária ou seguro oferecido em garantia de execução
de crédito tributário são recusáveis por inobservância à ordem legal".

Os argumentos da fazenda pública vão na linha de que a ordem de preferência do art. 11 da Lei
de Execução Fiscal prevaleceria sobre a oferta. Nesse sentido, é invocado o Tema 578/STJ, segundo o
qual a oferta de bens à penhora deve obediência à ordem legal e é ônus do executado comprovar "a
imperiosa necessidade de afastá-la".

A fundamentação do julgamento do Tema 578/STJ, no entanto, não faz nenhuma referência à


fiança bancária ou ao seguro garantia. As discussões daquele tema envolviam a possibilidade de recusar
bem nomeado à penhora sem a observância à ordem legal - nos casos concretos, ofereciam-se
precatórios.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

Portanto, não há, no precedente invocado, fundamento para a solução desta controvérsia.

Afastada a invocação do precedente, a legislação favorece o executado. A interpretação literal


e teleológica leva à conclusão de que a oferta da garantia não pode ser recusada com amparo em opção
pela penhora.

A interpretação literal mostra que a garantia da execução, por iniciativa do executado, impede
a penhora, e é faculdade do executado optar, nesse momento inicial, por uma das formas de garantia
possíveis. O executado é citado para efetuar o pagamento ou garantir a execução (art. 8º, da Lei n.
6.830/1980).

A ele cabe optar por uma das formas do art. 9º, da Lei n. 6.830/1980: depósito (I), fiança
bancária ou seguro garantia (II), nomeação de bens à penhora (III), ou indicação de bens de terceiros (IV).
Note-se que apenas o inciso que prevê a nomeação de bens à penhora remete ao art. 11, que trata da
ordem de preferência.

Ou seja, o executado pode impedir a penhora de seu patrimônio, pagando a dívida ou


garantindo a execução.

A garantia da execução ocorre por iniciativa do executado, mediante depósito, fiança bancária
ou seguro garantia. Nessa linha, a doutrina aponta que "há uma sutil, mas importante distinção: as
garantias à execução são oferecidas pelo executado, enquanto a penhora é ato judicial realizado por
agentes públicos, como os oficiais de justiça ou os notários".

Apenas nas hipóteses em que o executado não garante a execução, passa-se à penhora.
Mesmo nesse caso, o devedor ainda goza da prerrogativa de nomear bens, obedecendo à ordem legal,
sob pena de que a constrição recaia sobre qualquer item do seu patrimônio (art. 10, da Lei n. 6.830/1980).

É apenas nesse ponto que entra a discussão sobre a ordem de preferência do art. 11. Caso o
bem nomeado não esteja na ordem desse artigo, o credor poderá recusar a nomeação e optar pela
penhora de outro bem, salvo se o devedor comprovar a "imperiosa necessidade" de afastar a ordem legal
(Tema 578/STJ).

Portanto, ao garantir a execução por fiança bancária ou seguro garantia, o executado está
impedindo a penhora, tal qual ocorre quando deposita o valor cobrado. Além disso, a interpretação
teleológica também favorece o executado. A fiança bancária e o seguro garantia permitem ao executado
o acesso à jurisdição, com vantagens econômicas ao réu e com suficiente segurança ao autor. Por fim,
quanto aos efeitos, são equiparados a penhora, o depósito, a fiança bancária e o seguro garantia, na
forma do art. 9º, § 3º, da Lei n. 6.830/1980.

A execução fiscal é uma execução de título extrajudicial - a presunção de certeza e de liquidez


da dívida é relativa, sendo cabível discussão sobre a existência e o valor do débito (art. 3º, caput e
parágrafo único, da Lei n. 6.830/1980). No entanto, é um pressuposto da discussão que haja patrimônio
individualizado assegurando a dívida (art. 16, § 1º). Portanto, existe uma ligação entre o acesso à jurisdição
e a segurança do juízo.

Desse modo, a impossibilidade de invocar a ordem de penhora para recusar a fiança bancária e
o seguro garantia se justifica não apenas pela interpretação literal, mas também pelas finalidades dos
institutos, ao conferir ao devedor a escolha do meio que lhe parece menos oneroso para acessar a
jurisdição e discutir o débito.

Esse entendimento foi observado no Tema 1203/STJ, no qual a tese foi enunciada no sentido
de que o credor não pode rejeitar a oferta da garantia "salvo se demonstrar insuficiência, defeito formal
ou inidoneidade".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

Naquela ocasião, tratava-se de caso circunscrito às execuções de crédito não tributário. A


mesma solução, no entanto, deve ser observada em qualquer execução fiscal, uma vez que essa é uma
questão exclusivamente processual, a ser tratada de forma idêntica, independentemente da natureza do
crédito em cobrança.

Dessa forma, a questão federal deve ser resolvida favoravelmente aos executados,
reconhecendo-se que a fiança bancária ou o seguro garantia não pode ser recusado com fundamento na
inobservância à ordem legal de penhora.

Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1385/STJ: "Na execução fiscal, a fiança
bancária ou o seguro garantia oferecido em garantia de execução de crédito tributário não é recusável
por inobservância à ordem legal da penhora".

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal), art. 3º, caput e parágrafo único; art. 8º, art. 9º, caput e § 3º;
art. 10; art. 11; e art. 16, § 1º.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 578/STJ;
Tema 1203/STJ.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 522

Informativo de Jurisprudência n. 503

Informativo de Jurisprudência n. 854

Súmula Anotada n. 406

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

PROCESSO REsp 2.187.625-RJ, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2026. (Tema
1390).
REsp 2.187.646-CE, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2026 (Tema
1390).
REsp 2.188.421-SC, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2026 (Tema
1390).
REsp 2.185.634-RS, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2026 (Tema
1390).

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Contribuições a terceiros. Base de cálculo. Limite de 20 salários-


mínimos. Inaplicabilidade. Tema 1390/STJ.

DESTAQUE

A base de cálculo das contribuições ao INCRA, salário-educação, DPC, FAER, SENAR,


SEST, SENAT, SESCOOP, SEBRAE, APEX-Brasil e ABDI não é limitada a 20 (vinte) vezes o maior
salário-mínimo vigente no país (art. 4º, parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981).

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 1.036
do Código de Processo Civil, para formação de precedente vinculante previsto no art. 927, III, do Código
de Processo Civil, é a seguinte: definir se o teto de 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no país
previsto no art. 4º, parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981, se aplica às bases de cálculo das contribuições
ao INCRA, salário-educação, DPC, FAER, SENAR, SEST, SENAT, SESCOOP, SEBRAE, APEX-Brasil e ABDI.

No Tema 1079/STJ, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o teto de
20 (vinte) salários-mínimos (art. 4º, parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981) não se aplica às contribuições
devidas ao SENAI, SESI, SESC e SENAC.

O voto da Ministra Regina Helena Costa usou dois fundamentos, cada um suficiente para levar
à conclusão adotada - o teto (I) não se aplicava às contribuições do empregador e aos adicionais a
terceiros, por ser específico de exações que têm por base o salário-de-contribuição; (II) foi tacitamente
revogado pelo Decreto-Lei n. 2.138/1986.

O voto do Ministro Mauro Campbell por outros fundamentos, concorreu para resultado
semelhante - defendeu que o teto (I) se aplicou às contribuições destinadas aos adicionais a terceiros até
1/6/1989, data da entrada em vigor do art. 5º da Medida Provisória n. 63/1989 (convertido no art. 3º da Lei
n. 7.787/1989), que passou a estabelecer a folha de pagamento como base de cálculo dessas
contribuições; (II) teve a eficácia esvaziada, mas sem revogação de sua fonte normativa base (art. 4º,
parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981), a partir da adoção da folha de salários como base de cálculo das
contribuições do empregador à previdência social (arts. 1º e 5º, da Medida Provisória n. 63/1989,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

convertidos nos arts. 1º e 3º, da Lei n. 7.787/1989, combinados com o art. 14, da Lei n. 5.890/1973).

Com efeito, as contribuições ao DPC, FAER, SEST e SENAT são uma mera destinação diversa da
arrecadação, com a base de cálculo dada pela legislação das contribuições ao SESI, SENAI e SESC. A
legislação de regência define que (a) as contribuições já existentes (SESI, SENAI e SESC), (b) terão novo
destinatário da arrecadação, (c) quando arrecadadas de contribuintes dedicados a determinadas
atividades econômicas. Assim, conforme orientação do STJ no Tema 1079, o teto não se aplica.

No seu turno, as contribuições ao SEBRAE, APEX e ABDI têm a mesma base de cálculo das
contribuições ao SESI, SENAI e SESC, sendo uma alíquota adicional sobre ela incidente. A legislação que
cria essas três contribuições afirma que: (a) as contribuições já existentes (SESI, SENAI e SESC) (b) passam
a ter adicional de alíquota (c) para o destinatário da arrecadação especificado. Portanto, a base de cálculo
é a mesma das contribuições ao SESI, SENAI e SESC. No mesmo sentido, conforme orientação do STJ no
Tema 1079/STJ, o teto não se aplica.

Além disso, as contribuições ao salário-educação, SENAR e SESCOOP têm a base de cálculo


dada pelas próprias leis de regência, sem se valer de referência à legislação de outros tributos. As leis são
supervenientes à Lei n. 6.950/1981, que tratava do teto da base de cálculo, e a ela não fazem referência.
Seguem a base de cálculo prevista no art. 195, I, da Constituição Federal, sem a limitação ou vinculação
ao salário de contribuição. Assim, o teto não se aplica.

A contribuição ao INCRA, por sua vez, tem a base de cálculo legalmente definida como a
mesma da contribuição do empregador. A discussão travada no Tema 1079/STJ se aplica à contribuição
ao INCRA, visto que ela esteve sujeita ao teto previsto no art. 4º, parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981.
Logo, o teto foi revogado ou não se aplica.

Não há, neste momento, jurisprudência dominante afirmando a aplicabilidade do teto da base
de cálculo às contribuições em questão. A orientação desfavorável aos contribuintes estabelecida no
julgamento do Tema 1079/STJ passou a ser extrapolada, pelos Tribunais Regionais Federais, às
contribuições em análise.

Tampouco é o caso de adotar o mesmo marco de modulação do Tema 1079 do STJ. Não
haveria razão para cogitar da aplicação da modulação às contribuições ao salário-educação, SENAR e
SESCOOP, que têm a base de cálculo prevista pela própria lei de regência da contribuição. Em relação às
contribuições ao DPC, FAER, SENAR, SEST, SENAT, SEBRAE, APEX, ABDI e ao INCRA, não há jurisprudência
sólida favorável aos contribuintes.

Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1390/STJ: A base de cálculo das
contribuições ao INCRA, salário-educação, DPC, FAER, SENAR, SEST, SENAT, SESCOOP, SEBRAE, APEX-
Brasil e ABDI não é limitada a 20 (vinte) vezes o maior salário mínimo vigente no país (art. 4º, parágrafo
único, da Lei n. 6.950/1981).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal, art. 195, I


Lei n. 6.950/1981, art. 4º, parágrafo único
Decreto-Lei n. 2.138/1986
Medida Provisória n. 63/1989, arts. 1º e 5º
Lei n. 7.787/1989, arts. 1º a 3º
Lei n. 5.890/1973, art. 14

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1079/STJ

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 804

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

SEGUNDA SEÇÃO

PROCESSO CC 216.258-DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, por


unanimidade, julgado em 5/2/2026, DJEN 12/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Conflito de competência. Liquidação individual de Ação Civil Pública.


Definição da sede do executado. Foro do local da obrigação.
Agência ou sucursal.

DESTAQUE

Na execução individual de sentença coletiva contra pessoa jurídica, para fins de


definição da competência territorial, considera-se domicílio do executado, quando a obrigação
for contraída por agência ou sucursal, o local da unidade em que foi celebrado o negócio jurídico.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O propósito do conflito de competência consiste em decidir se o juízo competente para julgar
a liquidação individual de sentença coletiva é o do local da sede da pessoa jurídica executada ou o do
local da agência em que foi firmado o negócio jurídico que originou a obrigação.

No caso, busca-se definir o juízo competente para processar a liquidação individual de


sentença coletiva movida contra o Banco do Brasil. Com base no entendimento de que a sede do banco é
no Distrito Federal, diversos beneficiários da ação civil pública, residentes em vários estados, passaram a
propor a liquidação perante o TJDFT, o que gerou expressivo aumento no volume de processos. Diante
disso, o Centro de Inteligência do TJDFT emitiu a Nota Técnica n. 08/2022 recomendando o
reconhecimento da incompetência territorial nos casos sem vínculo com o foro local, sob o argumento
de que a escolha aleatória do juízo sobrecarrega a estrutura judiciária e dificulta a produção de provas.

Nos termos do atual art. 63 do CPC, existe a possibilidade de o juiz afastar de ofício, como no
caso, a competência quando o juízo escolhido pela parte tiver sido aleatório ou quando a cláusula de
eleição de foro for abusiva, superando parcialmente o que dispunha a Súmula n. 33 do STJ ("a
incompetência relativa não pode ser declarada de ofício").

Ocorre que, conforme expressamente conceituado pelo legislador no art. 63, § 5º do CPC, o
juízo aleatório é aquele que não possui vinculação com o domicílio ou a residência das partes ou com o
negócio jurídico discutido na demanda. Portanto, na hipótese, nos termos dos arts. 63, § 5º e 516,
parágrafo único, do CPC, não se pode considerar abusiva ou aleatória a escolha do beneficiário de
liquidar ou executar individualmente a sentença coletiva no foro do domicílio do executado.

Segundo o art. 53, III, "a", do CPC, a pessoa jurídica deverá ser demandada no foro de sua sede
quando figurar no polo passivo da ação. Todavia, a obrigação debatida se origina em negócio jurídico
firmado na agência do réu, atraindo a previsão específica do art. 53, III, "b", do CPC, o qual determina a
competência do local da agência quanto às obrigações que tenham sido contraídas pela pessoa jurídica.

A doutrina interpreta o dispositivo de maneira que "a pessoa jurídica deve ser demandada no
local definido em seus atos constitutivos como sendo o de sua sede, e para atos próprios de suas

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

unidades descentralizadas, independentemente de nomenclatura ("sucursal", "agência", "filial" ou


"estabelecimento"), no local dessas unidades".

Com efeito, da leitura do referido dispositivo, entende-se que a determinação do art. 53, III, "a"
do CPC somente deve ser aplicada quando a demanda não envolver as obrigações que a pessoa jurídica
contraiu em sua agência ou sucursal, situação essa que atrai o art. 53, III, "b", do CPC. Assim, embora a
regra geral de competência territorial seja demandar a pessoa jurídica em sua sede, quando o debate se
refere a obrigações assumidas pela agência ou sucursal, o foro dessas últimas é o competente.

Assim, os beneficiários da ação civil pública podem ajuizar a liquidação individual no seu foro
de domicílio ou em alguma das demais hipóteses previstas no art. 516 do CPC, mas deve ser interpretado
como domicílio do executado o local da agência em que se firmou a obrigação discutida.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 53, III, "a" e "b", art. 63, §5º e art. 516, parágrafo único

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO EREsp 2.091.587-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção,


por unanimidade, julgado em 5/2/2026.

RAMO DO DIREITO RECUPERAÇÃO JUDICIAL

TEMA Crédito concursal. Habilitação. Faculdade do credor. Sujeição aos


efeitos da recuperação judicial. Obrigatoriedade. Atualização
monetária. Incidência dos limites previstos no art. 9º, II, da Lei n.
11.101/2005.

DESTAQUE

O crédito de natureza concursal não habilitado na recuperação judicial do devedor


sujeita-se aos efeitos do plano de soerguimento, inclusive no que concerne à data-limite de
atualização monetária (data do pedido de recuperação judicial), nos termos do inciso II do art. 9º
da Lei n. 11.101/2005.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O propósito recursal consiste em definir se o crédito de natureza concursal, não habilitado na
recuperação judicial do devedor, sujeita-se aos efeitos do plano de soerguimento, sobretudo no que
concerne à data-limite de atualização monetária (art. 9º, II, da Lei n. 11.101/2005).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, verifica-se, num primeiro momento, a existência de


julgados reconhecendo, na hipótese de o credor optar por não habilitar seu crédito, a impossibilidade de
limitação da atualização dos valores à data do pedido de recuperação judicial do devedor.

Com a apreciação do REsp 1.655.705/SP (Segunda Seção, DJe 25/5/2022), todavia, o


entendimento retro destacado acabou sendo superado, passando-se a adotar a orientação de que
também se submete aos efeitos da recuperação judicial o crédito, de natureza concursal, titularizado por
aquele que opta por aguardar o encerramento do processo de soerguimento para prosseguir com a
cobrança.

Após o julgamento precitado, a Terceira Turma do STJ, ao enfrentar especificamente o tema


que constitui o objeto da presente irresignação, decidiu que "inobstante não estar o crédito habilitado,
deverá o mesmo ser submetido aos efeitos da recuperação judicial, respeitando-se, em relação à
atualização monetária, a limitação imposta pela lei de regência - corrigidos até a data do pedido de
recuperação judicial (art. 9º, II, da Lei n. 11.101/2005 - LREF) - e, no período compreendido entre o pedido
de recuperação judicial e a data do efetivo pagamento, nos termos e índices deliberados no plano de
soerguimento" (REsp 2.041.721/RS, Terceira Turma, DJe 26/6/2023).

Convém mencionar que o entendimento em questão vem sendo aplicado tanto pela Terceira
quanto pela Quarta Turma do STJ.

Diante desse contexto - de consolidação da orientação jurisprudencial da Segunda Seção em


sentido diverso do acórdão embargado -, tem-se como adequada a reforma do julgado.

Isso porque, de fato, no âmbito da recuperação judicial, todos os créditos existentes na data do
pedido, ainda que não vencidos, estão sujeitos aos seus efeitos (art. 49, caput, da Lei n. 11.101/2005).

E, como visto, por ocasião do julgamento do REsp 1.655.705/SP (DJe 25/5/2022), a Segunda
Seção do STJ definiu que, apesar de a habilitação do credor não ser obrigatória, por se tratar o crédito de
direito disponível, "a ele se aplicam os efeitos da novação resultantes do deferimento do pedido de
recuperação judicial".

Conforme o julgado, a sujeição dos créditos aos efeitos da recuperação é ope legis, tornando a
submissão do credor obrigatória, independentemente da forma e do momento em que será efetivada a
cobrança da dívida.

Assim, tratando-se, na hipótese, de crédito concursal não habilitado a ser cobrado após o
encerramento da recuperação judicial, a sujeição a seus efeitos é impositiva, devendo o montante ser
pago de acordo com as condições do plano de soerguimento e, por consequência lógica, em observância
à data limite de atualização monetária - data do pedido de recuperação judicial - prevista no art. 9º, II, da
Lei n. 11.101/2005.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 11.101/2005, arts. 9º, II e 49.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

TERCEIRA SEÇÃO

PROCESSO AgRg na Rcl 47.632-DF, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Rel. para
acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, por
maioria, julgado em 10/12/2025, DJEN 23/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Processo administrativo disciplinar. Prova penal emprestada. Ilicitude


da prova reconhecida pelo STJ. Provas valoradas no PAD para a
demissão. Não demonstração da independência da fonte de outras
provas. Independência das esferas. Prova penal única.
Impossibilidade de ser ilícita na seara penal e lícita na administrativa.

DESTAQUE

É inadmissível a condenação, em processo administrativo disciplinar, amparada em


prova penal emprestada considerada ilícita, ainda que essa ilicitude tenha sido declarada
posteriormente à conclusão do PAD.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia a determinar se é admissível a condenação em processo
administrativo disciplinar (PAD) baseada em prova emprestada considerada ilícita em processo penal.

A reclamação se insurge contra o descumprimento, na seara administrativa, da autoridade da


decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça que declarou a "nulidade da interceptação telefônica e
das provas consequentes, a serem aferidas pelo magistrado na origem, devendo o material respectivo ser
extraído dos autos, sem prejuízo do prosseguimento da ação penal com base em outras provas".

No entanto, antes da decisão do STJ, já havia sido proferida decisão no Procedimento


Administrativo Disciplinar instaurado contra o recorrente, com aplicação da penalidade de demissão.
Nesse contexto, requereu-se a revisão da decisão proferida com base em provas emprestadas
consideradas ilícitas, o que foi indeferido com fundamento na independência das esferas e na existência
de outras provas.

Quanto à utilização das provas consideradas posteriormente ilícitas, consta que, "dentro do
princípio da livre apreciação das provas, à época do PAD, as provas produzidas no processo penal
convenceram a Comissão da culpabilidade do peticionante".

Constata-se, nesse contexto, que as provas ilícitas efetivamente formaram o convencimento


dos julgadores no PAD inclusive com provável contaminação das provas subsequentes. De fato, embora
tenha se afirmado que houve produção probatória própria, não se afirmou, em momento algum, que esta
foi independente das provas consideradas ilícitas.

Relevante destacar que a independência das esferas não pode tornar a mesma prova ilícita na
esfera penal e lícita na esfera administrativa. A prova é a mesma e foi produzida no juízo criminal, somente
podendo ser invalidada na referida seara.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

Dessa forma, cuidando-se de prova emprestada, o reconhecimento da sua ilicitude pelo juízo
competente não pode ser desconsiderada pelos demais órgãos julgadores. A prova, ao ser emprestada,
permanece com a nota de licitude ou de ilicitude que lhe é inerente. Com efeito, a prova emprestada
carrega consigo todas as vicissitudes da sua produção, não havendo mudança na sua gênese em razão do
seu compartilhamento, motivo pelo qual não há se falar em independência das esferas no ponto.

Nessa perspectiva, cuidando-se de prova produzida na seara penal e considerada ilícita pelo
STJ, sua utilização como prova emprestada em qualquer outra esfera carrega a nota de ilicitude.

Assim, nos termos do Tema 1.238/STF, tem-se a "[r]eafirmação de jurisprudência do Supremo


Tribunal Federal no sentido da admissibilidade, em processos administrativos, de prova emprestada do
processo penal, desde que produzida de forma legítima e regular, com observância das regras inerentes
ao devido processo legal" (ARE 1.316.369 RG-ED, Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 7/8/2024).

Por fim, registre-se que o exame se limita a aferição da observância da autoridade da decisão
proferida por esta Corte Superior. Com a extração da prova emprestada e das contaminadas pela ilicitude,
a autoridade administrativa deverá emitir nova decisão e, a partir daí, somente o Juízo Cível poderá
exercer controle jurisdicional.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1.238/STF

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

PRIMEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.211.999-SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 10/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Suspensão temporária do direito de licitar e de contratar com o


poder público. Art. 87, III, da revogada Lei n. 8.666/1993. Penalidade
que interditava a contratação com toda a administração pública.
Entrada em vigor da nova Lei de Licitações. Art. 156, § 4º, da Lei n.
14.133/2021. Incremento da duração temporal da pena e redução de
seu aspecto subjetivo. Impossibilidade de conjugação de leis.
Retroatividade benéfica inaplicável.

DESTAQUE

É inadequado aplicar retroativamente o art. 156, § 4º, da Lei n. 14.133/2021, que


atualmente dispõe sobre licitações e contratos administrativos, para ilícitos anteriores a
30.12.2023, data na qual revogado o regime jurídico anterior.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O cerne da controvérsia reside em definir a extensão territorial da penalidade de proibição para
licitar e contratar com a Administração prevista no art. 87, III, da Lei n. 8.666/1993 e, à vista disso, verificar
se é aplicável o regime mais benéfico trazido pelo art. 156, § 4º, da Lei n. 14.133/2021.

Nos termos do art. 87, III, da Lei n. 8.666/1993 - a qual regulava as licitações e os contratos
administrativos e foi revogada pela Lei n. 14.133/2021, que conferiu novo tratamento à matéria -, pela
inexecução total ou parcial de contrato administrativo, o Poder Público poderia aplicar diversas sanções,
entre elas a suspensão temporária de participar em licitação e o impedimento de contratar com a
Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos.

Conquanto ausente disposição legal expressa apontando a abrangência subjetiva da


penalidade - se restrita ao ente federativo que a impôs ou, diversamente, aplicável para interditar a
contratação do apenado por quaisquer pessoas políticas -, o art. 1º, caput e parágrafo único, da Lei n.
8.666/1993 dispunha ser suas prescrições aplicáveis às compras e alienações dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

A seu turno, a Lei n. 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos)


inaugurou disciplina diversa no tocante à pena de impedimento temporário de licitar e contratar com o
Poder Público, nos moldes da redação de seu art. 156, III, § 4º. Tal disciplina normativa implicou, por um
lado, ampliação do prazo anteriormente previsto para a duração da penalidade - de 2 (dois) para 3 (três)
anos -, e, de outra parte, atenuou a respectiva abrangência subjetiva, porquanto passou a ser restrita ao
ente federativo responsável por sua aplicação, diversamente do que constava da Lei n. 8.666/1993.

Trata-se, assim, de norma que, a um só tempo, inaugura regime mais favorável ao infrator no
tocante ao seu perfil subjetivo, impondo, porém, contornos mais gravosos relativamente ao seu aspecto

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

temporal.

Destaque-se ser firme o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no seu Tema n. 169,
no sentido de que, para aferir se a novel legislação qualifica-se como norma mais benéfica, revela-se
impróprio empreender conjugação de diplomas normativos, elegendo apenas as parcelas favoráveis ao
infrator e relegando as impositivas de regime mais rigoroso. Noutro giro, importa consignar que, ao
apreciar o Tema n. 1.199 de repercussão geral, o STF reconheceu ser inadequada a aplicação do princípio
da retroatividade da lei penal benéfica (art. 5º, XL, da Constituição da República) ao Direito Administrativo
Sancionador, salvo a existência de previsão legal em sentido diverso.

Nesse sentido, congregar apenas os aspectos benéficos das Leis ns. 8.666/1993 e 14.133/2021
para reputar tal regime híbrido como mais favorável ao infrator implica a criação de uma lex tertia por
indevida atuação judicial, em ofensa aos princípios da legalidade e da separação de poderes, consoante
reconhecido pela apontada orientação da Suprema Corte.

Conclui-se, portanto, que é inadequado aplicar retrospectivamente o art. 156, § 4º, da Lei n.
14.133/2021, que atualmente dispõe sobre licitações e contratos administrativos, para ilícitos anteriores a
30.12.2023, data na qual foi revogado o regime jurídico previsto no art. 87, III, da Lei n. 8.666/1993,
porquanto (i) a legislação superveniente, a um só tempo, inaugurou regime mais favorável no tocante à
sua abrangência subjetiva, impondo, porém, contornos mais gravosos relativamente ao seu aspecto
temporal, não sendo possível a incidência parcial do novel regramento, e (ii) ausente norma legal expressa
determinando sua incidência retroativa.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 5º, XL;


Lei n. 8.666/1993, art. 1º, parágrafo único, art. 87, III;
Lei n. 14.133/2021, art. 156, §4º.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 169/STF.
Tema n. 1.199/STF.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgInt no REsp 1.857.783-SP, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues,


Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 10/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Multa moratória. Parcelamento tributário. Termo final. Pagamento da


primeira parcela.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

DESTAQUE

Em caso de parcelamento tributário, o termo final para a cobrança da multa de mora


deve ser a data na qual o contribuinte inicia o pagamento do valor devido.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O ponto central da controvérsia é o termo final da exigência de multa moratória quando se
trata de parcelamento.

O art. 61, § 1º, da Lei n. 9.430/1996, que rege a matéria, dispõe que a multa moratória será
calculada a partir do dia seguinte ao vencimento do prazo estabelecido para o pagamento do tributo, até
o dia em que o pagamento for efetivamente realizado.

A decisão de considerar que o termo final é a data do deferimento do pedido do parcelamento


confere interpretação extensiva ao dispositivo legal e permite que a Fazenda Pública, de forma unilateral,
decida a data do termo final da multa de mora, ignorando a boa-fé do contribuinte e, também a
suspensão do crédito tributário bem como o possível fim do estado de inadimplência.

Por outro lado, o parcelamento é causa de suspensão do crédito tributário na forma do artigo
151, VI do Código Tributário Nacional. A intenção do contribuinte ao realizar o parcelamento é,
justamente, não precisar mais pagar os juros e a multa moratória de seu débito e é essa, também, a
intenção do parcelamento.

Acerca das penalidades no direito tributário e eventuais dúvidas sobre sua aplicação, dispõe o
artigo 112, IV do Código Tributário Nacional: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina
penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto:(...) IV - à
natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação".

Dessa forma, é possível interpretar o dispositivo legal, de caráter sancionatório, no sentido de


que o termo final para a cobrança da multa de mora deve ser a data na qual o contribuinte inicia o
pagamento do valor devido, data esta na qual ele deixa de ser inadimplente com o fisco.

Essa interpretação não apresenta prejuízo à Fazenda Pública, pois, em caso de eventual
inadimplemento, nada impede que o contribuinte volte a ser cobrado pelo tributo devido com os
acréscimos legais.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Tributário Nacional (CTN), art. 112, IV, art. 151, VI;
Lei n. 9.430/1996, art. 61, § 1º.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 139

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

SEGUNDA TURMA

PROCESSO REsp 2.153.748-MG, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda


Turma, por unanimidade, julgado em 3/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO AMBIENTAL

TEMA Omissão estatal no fornecimento de água tratada. Dano moral


coletivo presumido (in re ipsa). Desnecessidade de demonstração de
prejuízos concretos ou de efetivo abalo moral.

DESTAQUE

A omissão estatal no fornecimento de água potável compromete direitos fundamentais


como a dignidade da pessoa humana, a saúde pública e o meio ambiente equilibrado,
caracterizando hipótese de dano moral coletivo indenizável, sendo desnecessária a demonstração
de sofrimento emocional concreto ou de repercussão subjetiva.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Trata-se de controvérsia na qual se discute se a omissão de ente público no fornecimento de
água tratada configura, por si, dano moral coletivo e se é necessário exigir prova de repercussão no
sentimento difuso ou coletivo para a sua configuração.

No caso, o Ministério Público estadual ajuizou ação civil pública em desfavor de município,
alegando, em síntese, que restou apurada a ocorrência de danos ambientais e sanitários em decorrência
da ausência de tratamento de água potável no município.

O juízo de origem afastou a reparação por dano moral coletivo, o que foi mantido pelo
Tribunal de origem.

Contudo, é incontroverso o dano moral coletivo causado à população do Município requerido.


Com efeito, o acórdão recorrido assentou que: "O conjunto probatório comprova que a água não estava
adequada ao consumo e que não há o sistema de tratamento".

Nesse contexto, é certo que a lesão extrapatrimonial coletiva não se identifica com aqueles
tradicionais atributos da personalidade e constitui uma espécie autônoma de dano relacionada à higidez
psicofísica da coletividade, na qual se busca punir o infrator e prevenir que este incorra na reiteração do
ilícito em desfavor da sociedade (AgInt nos EDcl no AREsp 1.618.776/GO, Rel. Ministra Nancy Andrighi,
Terceira Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 27/8/2020).

Ainda, vale pontuar que a jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que o
dano moral coletivo é aferível in re ipsa, prescindindo, portanto, da demonstração de prejuízos concretos
ou de efetivo abalo moral (EREsp 1.342.846/RS, Rel. Ministro Raul Araújo, Corte Especial, julgado em
16/6/2021, DJe 3/8/2021).

O entendimento de que o dano moral coletivo, especialmente em casos de saúde pública e


direito ambiental, é presumido e independe da análise subjetiva de dor ou sofrimento, vem sendo adotado
por ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: REsp n.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

1.394.321/RJ, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 18/6/2025, DJEN de
26/6/2025; AgInt no AREsp n. 2.699.877/MT, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em
13/5/2025, DJEN de 30/6/2025; e AgInt no AREsp n. 2.272.231/MT, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda
Turma, julgado em 9/4/2025, DJEN de 22/4/2025.

Assim, faz-se necessária a reforma do acórdão recorrido para reconhecer a ocorrência de dano
moral coletivo in re ipsa no caso em apreço.

SAIBA MAIS
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ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

QUARTA TURMA

PROCESSO RO 285-DF, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por


unanimidade, julgado em 16/12/2025, DJEN 23/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO CONSTITUCIONAL, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Litígio entre Estado estrangeiro e pessoa residente ou domiciliada no


Brasil. Recurso cabível: recurso ordinário. Art. 105, II, c da CF/1988.
Apresentação de apelação. Erro escusável. Aplicação do princípio da
fungibilidade.

DESTAQUE

Em causas envolvendo Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e


Município ou pessoa residente no País, a apelação enviada ao Superior Tribunal de Justiça pode
ser recebida como recurso ordinário, aplicando-se os princípios da fungibilidade recursal e da
primazia do julgamento do mérito, sem caracterizar erro grosseiro.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia restringe-se a saber se, nas causas em que forem partes Estado estrangeiro ou
organismo internacional, de um lado, e, do outro, município ou pessoa residente ou domiciliada no país,
interposta apelação contra a decisão de primeira instância e tendo sido o recurso, posteriormente,
remetido pelo respectivo Tribunal ao Superior Tribunal de Justiça, poderá o apelo ser recebido como
recurso ordinário.

Apesar da inexistência de dúvida objetiva em torno da hipótese de cabimento de recurso


ordinário, e não de apelação, ressalta-se fortemente a raridade, na prática forense (estatisticamente
constatável), de casos concretos de ocorrência da hipótese de recurso ordinário prevista na alínea c do
inciso II do art. 105 da Constituição Federal.

No dado contexto, portanto, de exaltada raridade da hipótese recursal, a aplicação da lei


processual deve levar em conta as nuances inerentes à realidade que se vivencia, em vez de ser um
exercício simples de subsunção normativa.

Ademais, o recurso ordinário e a apelação têm relevantes características comuns


convergentes, tais como: (I) são interpostos contra decisão proferida em primeira instância, voltando-se à
sua anulação ou reforma; (II) têm natureza ordinária, permitindo, assim, ampla reanálise de todo o acervo
fático-probatório; (III) mesmo prazo de interposição, de 15 dias; (IV) permitem fundamentação livre; e (V)
detêm efeito devolutivo.

Assim, a apelação interposta e encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça poderá ser


recebida como recurso ordinário, em homenagem aos princípios da fungibilidade recursal e da primazia
do julgamento do mérito, não se tratando de "erro grosseiro".

Quanto ao recolhimento do preparo, em hipóteses como a presente, deve o recolhimento ser


simples, nos termos do art. 1.007, §§ 6º e 7º (a depender do caso), do CPC. Eis que, não se tratando de
"erro grosseiro", comprovado está o justo impedimento, haja vista que a parte que incorreu em erro

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

escusável nunca poderia ter endereçado o valor do preparo corretamente, já que acreditava, embora
falsamente, ser ele devido a outro órgão. Tendo-se equivocado no preenchimento da guia de custas, tem
o direito de ser intimada para sanar o vício.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 105, II, c


Código de Processo Civil (CPC), art. 1.007, §§ 6º e 7°

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

QUINTA TURMA

PROCESSO AREsp 3.011.219-SC, Rel. Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta


Turma, por unanimidade, julgado em 10/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO AMBIENTAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Crime ambiental. Art. 38-A da Lei n. 9.605/1998. Destruição ou


danificação de vegetação do Bioma Mata Atlântica. Delito que deixa
vestígios. Ausência de laudo pericial. Exame de corpo de delito
indispensável. Vestígios existentes e perícia plenamente realizável.
Impossibilidade de suprimento por prova testemunhal ou
documental.

DESTAQUE

Nos crimes ambientais previstos no art. 38-A da Lei n. 9.605/1998, que deixam
vestígios, é indispensável a realização de exame de corpo de delito, não podendo a prova pericial
ser suprida por outros meios quando a perícia era possível, sob pena de violação ao art. 158 do
Código de Processo Penal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em saber se a materialidade do crime ambiental que deixa vestígios
pode ser comprovada por outros meios de prova, quando a realização da perícia técnica era possível, à
luz do art. 158 do Código de Processo Penal.

O delito previsto no artigo 38-A da Lei n. 9.605/1998 dispõe que: destruir ou danificar
vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata
Atlântica, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção".

Trata-se, inequivocamente, de um delito de natureza material, que deixa vestígios. A conduta


criminosa consiste na destruição ou danificação de um tipo específico de vegetação, cujas características
- ser primária ou secundária, encontrar-se em estágio avançado ou médio de regeneração e pertencer ao
Bioma Mata Atlântica - constituem elementares do tipo penal.

Assim, é evidente que a constatação de tais características demanda conhecimento técnico


especializado, não sendo passível de aferição por um observador leigo. A identificação do estágio de
regeneração de uma formação vegetal e sua inserção em um determinado bioma são tarefas complexas
que exigem análise botânica, ecológica e florestal.

Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado no sentido da


imprescindibilidade da prova pericial para a configuração dos crimes previstos nos artigos 38 e 38-A da
Lei de Crimes Ambientais. A prova testemunhal ou documental, como relatórios de fiscalização e autos de
infração, somente pode suprir a ausência do laudo pericial na hipótese excepcionalíssima prevista no
artigo 167 do Código de Processo Penal, ou seja, quando os vestígios tiverem desaparecido ou o local se
tornado impróprio para a análise.

No caso, o Tribunal de origem, embora reconhecendo a controvérsia sobre a necessidade de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

perícia, manteve a condenação amparada na prescindibilidade do laudo pericial quando outros elementos
de prova, como os relatórios da polícia ambiental e a prova oral, forem suficientes para demonstrar a
materialidade delitiva.

Contudo, as instâncias ordinárias não apresentaram qualquer justificativa idônea para a não
realização da perícia técnica. Pelo contrário, verifica-se que o local foi fiscalizado, fotografado e
embargado administrativamente, o que significa que os vestígios da suposta infração estavam presentes e
o local era acessível, tornando a realização da perícia plenamente possível.

Ademais, a confissão extrajudicial do acusado, ainda que existente, não pode, por expressa
vedação do artigo 158 do CPP, suprir a ausência do exame pericial.

Portanto, a ausência da prova técnica compromete de forma insanável a demonstração da


materialidade delitiva, não por uma questão de valoração subjetiva da prova, mas por imperativo legal. A
ausência de laudo pericial sobre as elementares de natureza técnica do tipo penal previsto no art. 38-A da
Lei n. 9.605/98, quando os vestígios da infração eram evidentes e a perícia era factível, macula a própria
base da acusação.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.605/1998, art. 38 e art. 38-A


Código de Processo Penal (CPP), art. 158 e art. 167

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgRg no REsp 1.977.628-GO, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta


Turma, por unanimidade, julgado em 16/12/2025, DJEN 24/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL

TEMA Corrupção ativa e uso de documento falso. Folha de respostas do


Exame de Ordem da OAB. Documento público para fins penais.
Crime-meio absorvido pelo crime-fim. Aplicação do princípio da
consunção.

DESTAQUE

A folha de respostas do Exame de Ordem da OAB é considerada documento público


para fins penais, dada sua vinculação ao interesse público e à fé pública.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

A questão consiste em saber se a folha de respostas do Exame de Ordem possui natureza de


documento público para fins de configuração do crime de uso de documento falso.

Consta do art. 304 do Código Penal a incriminação de qualquer emprego de documento


falsificado ou alterado, desde que, por sua natureza (público ou particular), seja apto a produzir efeitos
jurídicos.

Em tais circunstâncias, não se pode olvidar que o Exame de Ordem, ainda que conduzido pela
OAB - entidade detentora de função pública -, gera resultados de inequívoca repercussão na habilitação
profissional. Assim, a folha de respostas utilizada no certame, por assumir natureza de instrumento oficial
indispensável à aferição da capacidade técnica, recebe tutela de fé pública, equiparando-se, portanto, a
documento público.

Na situação examinada, a suposta adulteração da mencionada folha de respostas subsume-se


à descrição típica do art. 304 do CP. A adulteração de tal documento não apenas configura afronta direta
à exigência legal de aptidão técnica para o exercício da advocacia, mas também vulnera a confiabilidade
de todo o procedimento seletivo, que se assenta na legitimidade das avaliações.

Assim, afigura-se evidente o bem jurídico tutelado - a fé pública -, na medida em que a fraude
busca frustrar a correta aferição do conhecimento exigido para o ingresso nos quadros profissionais.

Não é diversa, portanto, a conclusão quanto ao enquadramento jurídico no crime de uso de


documento falso. Ao valer-se de folha de respostas fraudulentamente adulterada, o agente lança mão de
meio ardiloso com intuito de auferir vantagem indevida - a habilitação profissional -, maculando a
regularidade do certame. Por consequência, a folha de respostas, dada sua essencialidade ao processo
seletivo e sua vinculação ao interesse público, reveste-se de proteção penal, enquadrando-se, assim, na
categoria de documento tutelado pela fé pública, nos exatos termos do art. 304 do Código Penal.

Contudo, no caso, o uso de documento público falso (qual seja, a prova prático profissional do
exame da OAB) pela acusada se inseriu na cadeia causal necessária da corrupção ativa majorada, pois esta
consistiu na oferta de dinheiro para assegurar a aprovação da candidata na referida avaliação.

Por conseguinte, aplica-se o princípio da consunção, para considerar a ofensa ao art. 304 do
CP absorvida pelo crime do art. 333 do Código Penal.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Penal (CP), art. 304 e art. 333

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.

RECURSOS REPETITIVOS - AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.222.524-PA, Rel. Ministro Carlos Pires Brandão,


Terceira Seção, julgado em 16/12/2025, DJEN 11/02/2026. (Tema
1407).

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL

TEMA A Terceira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.222.524-


PA ao rito dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o
entendimento a respeito da seguinte controvérsia: "Definir, em
relação à causa de aumento de pena disposta no art. 157, §2º-A, I, do
Código Penal, se: 1) é necessária apreensão de arma de fogo; 2) é
necessária a perícia da arma de fogo; 3) é necessária tanto a
apreensão quanto a perícia; 4) se, na ausência de apreensão e
perícia, outros meios probatórios podem ser considerados hábeis
para comprovar o uso do artefato.".

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/23

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