Inf 0877
Inf 0877
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
RECURSOS REPETITIVOS
DESTAQUE
Os argumentos da fazenda pública vão na linha de que a ordem de preferência do art. 11 da Lei
de Execução Fiscal prevaleceria sobre a oferta. Nesse sentido, é invocado o Tema 578/STJ, segundo o
qual a oferta de bens à penhora deve obediência à ordem legal e é ônus do executado comprovar "a
imperiosa necessidade de afastá-la".
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Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
Portanto, não há, no precedente invocado, fundamento para a solução desta controvérsia.
A interpretação literal mostra que a garantia da execução, por iniciativa do executado, impede
a penhora, e é faculdade do executado optar, nesse momento inicial, por uma das formas de garantia
possíveis. O executado é citado para efetuar o pagamento ou garantir a execução (art. 8º, da Lei n.
6.830/1980).
A ele cabe optar por uma das formas do art. 9º, da Lei n. 6.830/1980: depósito (I), fiança
bancária ou seguro garantia (II), nomeação de bens à penhora (III), ou indicação de bens de terceiros (IV).
Note-se que apenas o inciso que prevê a nomeação de bens à penhora remete ao art. 11, que trata da
ordem de preferência.
A garantia da execução ocorre por iniciativa do executado, mediante depósito, fiança bancária
ou seguro garantia. Nessa linha, a doutrina aponta que "há uma sutil, mas importante distinção: as
garantias à execução são oferecidas pelo executado, enquanto a penhora é ato judicial realizado por
agentes públicos, como os oficiais de justiça ou os notários".
Apenas nas hipóteses em que o executado não garante a execução, passa-se à penhora.
Mesmo nesse caso, o devedor ainda goza da prerrogativa de nomear bens, obedecendo à ordem legal,
sob pena de que a constrição recaia sobre qualquer item do seu patrimônio (art. 10, da Lei n. 6.830/1980).
É apenas nesse ponto que entra a discussão sobre a ordem de preferência do art. 11. Caso o
bem nomeado não esteja na ordem desse artigo, o credor poderá recusar a nomeação e optar pela
penhora de outro bem, salvo se o devedor comprovar a "imperiosa necessidade" de afastar a ordem legal
(Tema 578/STJ).
Portanto, ao garantir a execução por fiança bancária ou seguro garantia, o executado está
impedindo a penhora, tal qual ocorre quando deposita o valor cobrado. Além disso, a interpretação
teleológica também favorece o executado. A fiança bancária e o seguro garantia permitem ao executado
o acesso à jurisdição, com vantagens econômicas ao réu e com suficiente segurança ao autor. Por fim,
quanto aos efeitos, são equiparados a penhora, o depósito, a fiança bancária e o seguro garantia, na
forma do art. 9º, § 3º, da Lei n. 6.830/1980.
Desse modo, a impossibilidade de invocar a ordem de penhora para recusar a fiança bancária e
o seguro garantia se justifica não apenas pela interpretação literal, mas também pelas finalidades dos
institutos, ao conferir ao devedor a escolha do meio que lhe parece menos oneroso para acessar a
jurisdição e discutir o débito.
Esse entendimento foi observado no Tema 1203/STJ, no qual a tese foi enunciada no sentido
de que o credor não pode rejeitar a oferta da garantia "salvo se demonstrar insuficiência, defeito formal
ou inidoneidade".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
Dessa forma, a questão federal deve ser resolvida favoravelmente aos executados,
reconhecendo-se que a fiança bancária ou o seguro garantia não pode ser recusado com fundamento na
inobservância à ordem legal de penhora.
Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1385/STJ: "Na execução fiscal, a fiança
bancária ou o seguro garantia oferecido em garantia de execução de crédito tributário não é recusável
por inobservância à ordem legal da penhora".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal), art. 3º, caput e parágrafo único; art. 8º, art. 9º, caput e § 3º;
art. 10; art. 11; e art. 16, § 1º.
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 578/STJ;
Tema 1203/STJ.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 522
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
DESTAQUE
No Tema 1079/STJ, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o teto de
20 (vinte) salários-mínimos (art. 4º, parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981) não se aplica às contribuições
devidas ao SENAI, SESI, SESC e SENAC.
O voto da Ministra Regina Helena Costa usou dois fundamentos, cada um suficiente para levar
à conclusão adotada - o teto (I) não se aplicava às contribuições do empregador e aos adicionais a
terceiros, por ser específico de exações que têm por base o salário-de-contribuição; (II) foi tacitamente
revogado pelo Decreto-Lei n. 2.138/1986.
O voto do Ministro Mauro Campbell por outros fundamentos, concorreu para resultado
semelhante - defendeu que o teto (I) se aplicou às contribuições destinadas aos adicionais a terceiros até
1/6/1989, data da entrada em vigor do art. 5º da Medida Provisória n. 63/1989 (convertido no art. 3º da Lei
n. 7.787/1989), que passou a estabelecer a folha de pagamento como base de cálculo dessas
contribuições; (II) teve a eficácia esvaziada, mas sem revogação de sua fonte normativa base (art. 4º,
parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981), a partir da adoção da folha de salários como base de cálculo das
contribuições do empregador à previdência social (arts. 1º e 5º, da Medida Provisória n. 63/1989,
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
convertidos nos arts. 1º e 3º, da Lei n. 7.787/1989, combinados com o art. 14, da Lei n. 5.890/1973).
Com efeito, as contribuições ao DPC, FAER, SEST e SENAT são uma mera destinação diversa da
arrecadação, com a base de cálculo dada pela legislação das contribuições ao SESI, SENAI e SESC. A
legislação de regência define que (a) as contribuições já existentes (SESI, SENAI e SESC), (b) terão novo
destinatário da arrecadação, (c) quando arrecadadas de contribuintes dedicados a determinadas
atividades econômicas. Assim, conforme orientação do STJ no Tema 1079, o teto não se aplica.
No seu turno, as contribuições ao SEBRAE, APEX e ABDI têm a mesma base de cálculo das
contribuições ao SESI, SENAI e SESC, sendo uma alíquota adicional sobre ela incidente. A legislação que
cria essas três contribuições afirma que: (a) as contribuições já existentes (SESI, SENAI e SESC) (b) passam
a ter adicional de alíquota (c) para o destinatário da arrecadação especificado. Portanto, a base de cálculo
é a mesma das contribuições ao SESI, SENAI e SESC. No mesmo sentido, conforme orientação do STJ no
Tema 1079/STJ, o teto não se aplica.
A contribuição ao INCRA, por sua vez, tem a base de cálculo legalmente definida como a
mesma da contribuição do empregador. A discussão travada no Tema 1079/STJ se aplica à contribuição
ao INCRA, visto que ela esteve sujeita ao teto previsto no art. 4º, parágrafo único, da Lei n. 6.950/1981.
Logo, o teto foi revogado ou não se aplica.
Não há, neste momento, jurisprudência dominante afirmando a aplicabilidade do teto da base
de cálculo às contribuições em questão. A orientação desfavorável aos contribuintes estabelecida no
julgamento do Tema 1079/STJ passou a ser extrapolada, pelos Tribunais Regionais Federais, às
contribuições em análise.
Tampouco é o caso de adotar o mesmo marco de modulação do Tema 1079 do STJ. Não
haveria razão para cogitar da aplicação da modulação às contribuições ao salário-educação, SENAR e
SESCOOP, que têm a base de cálculo prevista pela própria lei de regência da contribuição. Em relação às
contribuições ao DPC, FAER, SENAR, SEST, SENAT, SEBRAE, APEX, ABDI e ao INCRA, não há jurisprudência
sólida favorável aos contribuintes.
Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1390/STJ: A base de cálculo das
contribuições ao INCRA, salário-educação, DPC, FAER, SENAR, SEST, SENAT, SESCOOP, SEBRAE, APEX-
Brasil e ABDI não é limitada a 20 (vinte) vezes o maior salário mínimo vigente no país (art. 4º, parágrafo
único, da Lei n. 6.950/1981).
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Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1079/STJ
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 804
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
SEGUNDA SEÇÃO
DESTAQUE
Nos termos do atual art. 63 do CPC, existe a possibilidade de o juiz afastar de ofício, como no
caso, a competência quando o juízo escolhido pela parte tiver sido aleatório ou quando a cláusula de
eleição de foro for abusiva, superando parcialmente o que dispunha a Súmula n. 33 do STJ ("a
incompetência relativa não pode ser declarada de ofício").
Ocorre que, conforme expressamente conceituado pelo legislador no art. 63, § 5º do CPC, o
juízo aleatório é aquele que não possui vinculação com o domicílio ou a residência das partes ou com o
negócio jurídico discutido na demanda. Portanto, na hipótese, nos termos dos arts. 63, § 5º e 516,
parágrafo único, do CPC, não se pode considerar abusiva ou aleatória a escolha do beneficiário de
liquidar ou executar individualmente a sentença coletiva no foro do domicílio do executado.
Segundo o art. 53, III, "a", do CPC, a pessoa jurídica deverá ser demandada no foro de sua sede
quando figurar no polo passivo da ação. Todavia, a obrigação debatida se origina em negócio jurídico
firmado na agência do réu, atraindo a previsão específica do art. 53, III, "b", do CPC, o qual determina a
competência do local da agência quanto às obrigações que tenham sido contraídas pela pessoa jurídica.
A doutrina interpreta o dispositivo de maneira que "a pessoa jurídica deve ser demandada no
local definido em seus atos constitutivos como sendo o de sua sede, e para atos próprios de suas
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
Com efeito, da leitura do referido dispositivo, entende-se que a determinação do art. 53, III, "a"
do CPC somente deve ser aplicada quando a demanda não envolver as obrigações que a pessoa jurídica
contraiu em sua agência ou sucursal, situação essa que atrai o art. 53, III, "b", do CPC. Assim, embora a
regra geral de competência territorial seja demandar a pessoa jurídica em sua sede, quando o debate se
refere a obrigações assumidas pela agência ou sucursal, o foro dessas últimas é o competente.
Assim, os beneficiários da ação civil pública podem ajuizar a liquidação individual no seu foro
de domicílio ou em alguma das demais hipóteses previstas no art. 516 do CPC, mas deve ser interpretado
como domicílio do executado o local da agência em que se firmou a obrigação discutida.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC), art. 53, III, "a" e "b", art. 63, §5º e art. 516, parágrafo único
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
Convém mencionar que o entendimento em questão vem sendo aplicado tanto pela Terceira
quanto pela Quarta Turma do STJ.
Isso porque, de fato, no âmbito da recuperação judicial, todos os créditos existentes na data do
pedido, ainda que não vencidos, estão sujeitos aos seus efeitos (art. 49, caput, da Lei n. 11.101/2005).
E, como visto, por ocasião do julgamento do REsp 1.655.705/SP (DJe 25/5/2022), a Segunda
Seção do STJ definiu que, apesar de a habilitação do credor não ser obrigatória, por se tratar o crédito de
direito disponível, "a ele se aplicam os efeitos da novação resultantes do deferimento do pedido de
recuperação judicial".
Conforme o julgado, a sujeição dos créditos aos efeitos da recuperação é ope legis, tornando a
submissão do credor obrigatória, independentemente da forma e do momento em que será efetivada a
cobrança da dívida.
Assim, tratando-se, na hipótese, de crédito concursal não habilitado a ser cobrado após o
encerramento da recuperação judicial, a sujeição a seus efeitos é impositiva, devendo o montante ser
pago de acordo com as condições do plano de soerguimento e, por consequência lógica, em observância
à data limite de atualização monetária - data do pedido de recuperação judicial - prevista no art. 9º, II, da
Lei n. 11.101/2005.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
TERCEIRA SEÇÃO
PROCESSO AgRg na Rcl 47.632-DF, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Rel. para
acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, por
maioria, julgado em 10/12/2025, DJEN 23/12/2025.
DESTAQUE
Quanto à utilização das provas consideradas posteriormente ilícitas, consta que, "dentro do
princípio da livre apreciação das provas, à época do PAD, as provas produzidas no processo penal
convenceram a Comissão da culpabilidade do peticionante".
Relevante destacar que a independência das esferas não pode tornar a mesma prova ilícita na
esfera penal e lícita na esfera administrativa. A prova é a mesma e foi produzida no juízo criminal, somente
podendo ser invalidada na referida seara.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
Dessa forma, cuidando-se de prova emprestada, o reconhecimento da sua ilicitude pelo juízo
competente não pode ser desconsiderada pelos demais órgãos julgadores. A prova, ao ser emprestada,
permanece com a nota de licitude ou de ilicitude que lhe é inerente. Com efeito, a prova emprestada
carrega consigo todas as vicissitudes da sua produção, não havendo mudança na sua gênese em razão do
seu compartilhamento, motivo pelo qual não há se falar em independência das esferas no ponto.
Nessa perspectiva, cuidando-se de prova produzida na seara penal e considerada ilícita pelo
STJ, sua utilização como prova emprestada em qualquer outra esfera carrega a nota de ilicitude.
Por fim, registre-se que o exame se limita a aferição da observância da autoridade da decisão
proferida por esta Corte Superior. Com a extração da prova emprestada e das contaminadas pela ilicitude,
a autoridade administrativa deverá emitir nova decisão e, a partir daí, somente o Juízo Cível poderá
exercer controle jurisdicional.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1.238/STF
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/23
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PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
Nos termos do art. 87, III, da Lei n. 8.666/1993 - a qual regulava as licitações e os contratos
administrativos e foi revogada pela Lei n. 14.133/2021, que conferiu novo tratamento à matéria -, pela
inexecução total ou parcial de contrato administrativo, o Poder Público poderia aplicar diversas sanções,
entre elas a suspensão temporária de participar em licitação e o impedimento de contratar com a
Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos.
Trata-se, assim, de norma que, a um só tempo, inaugura regime mais favorável ao infrator no
tocante ao seu perfil subjetivo, impondo, porém, contornos mais gravosos relativamente ao seu aspecto
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
temporal.
Destaque-se ser firme o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no seu Tema n. 169,
no sentido de que, para aferir se a novel legislação qualifica-se como norma mais benéfica, revela-se
impróprio empreender conjugação de diplomas normativos, elegendo apenas as parcelas favoráveis ao
infrator e relegando as impositivas de regime mais rigoroso. Noutro giro, importa consignar que, ao
apreciar o Tema n. 1.199 de repercussão geral, o STF reconheceu ser inadequada a aplicação do princípio
da retroatividade da lei penal benéfica (art. 5º, XL, da Constituição da República) ao Direito Administrativo
Sancionador, salvo a existência de previsão legal em sentido diverso.
Nesse sentido, congregar apenas os aspectos benéficos das Leis ns. 8.666/1993 e 14.133/2021
para reputar tal regime híbrido como mais favorável ao infrator implica a criação de uma lex tertia por
indevida atuação judicial, em ofensa aos princípios da legalidade e da separação de poderes, consoante
reconhecido pela apontada orientação da Suprema Corte.
Conclui-se, portanto, que é inadequado aplicar retrospectivamente o art. 156, § 4º, da Lei n.
14.133/2021, que atualmente dispõe sobre licitações e contratos administrativos, para ilícitos anteriores a
30.12.2023, data na qual foi revogado o regime jurídico previsto no art. 87, III, da Lei n. 8.666/1993,
porquanto (i) a legislação superveniente, a um só tempo, inaugurou regime mais favorável no tocante à
sua abrangência subjetiva, impondo, porém, contornos mais gravosos relativamente ao seu aspecto
temporal, não sendo possível a incidência parcial do novel regramento, e (ii) ausente norma legal expressa
determinando sua incidência retroativa.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 169/STF.
Tema n. 1.199/STF.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
DESTAQUE
O art. 61, § 1º, da Lei n. 9.430/1996, que rege a matéria, dispõe que a multa moratória será
calculada a partir do dia seguinte ao vencimento do prazo estabelecido para o pagamento do tributo, até
o dia em que o pagamento for efetivamente realizado.
Por outro lado, o parcelamento é causa de suspensão do crédito tributário na forma do artigo
151, VI do Código Tributário Nacional. A intenção do contribuinte ao realizar o parcelamento é,
justamente, não precisar mais pagar os juros e a multa moratória de seu débito e é essa, também, a
intenção do parcelamento.
Acerca das penalidades no direito tributário e eventuais dúvidas sobre sua aplicação, dispõe o
artigo 112, IV do Código Tributário Nacional: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina
penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto:(...) IV - à
natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação".
Essa interpretação não apresenta prejuízo à Fazenda Pública, pois, em caso de eventual
inadimplemento, nada impede que o contribuinte volte a ser cobrado pelo tributo devido com os
acréscimos legais.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código Tributário Nacional (CTN), art. 112, IV, art. 151, VI;
Lei n. 9.430/1996, art. 61, § 1º.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 139
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
No caso, o Ministério Público estadual ajuizou ação civil pública em desfavor de município,
alegando, em síntese, que restou apurada a ocorrência de danos ambientais e sanitários em decorrência
da ausência de tratamento de água potável no município.
O juízo de origem afastou a reparação por dano moral coletivo, o que foi mantido pelo
Tribunal de origem.
Nesse contexto, é certo que a lesão extrapatrimonial coletiva não se identifica com aqueles
tradicionais atributos da personalidade e constitui uma espécie autônoma de dano relacionada à higidez
psicofísica da coletividade, na qual se busca punir o infrator e prevenir que este incorra na reiteração do
ilícito em desfavor da sociedade (AgInt nos EDcl no AREsp 1.618.776/GO, Rel. Ministra Nancy Andrighi,
Terceira Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 27/8/2020).
Ainda, vale pontuar que a jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que o
dano moral coletivo é aferível in re ipsa, prescindindo, portanto, da demonstração de prejuízos concretos
ou de efetivo abalo moral (EREsp 1.342.846/RS, Rel. Ministro Raul Araújo, Corte Especial, julgado em
16/6/2021, DJe 3/8/2021).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
1.394.321/RJ, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 18/6/2025, DJEN de
26/6/2025; AgInt no AREsp n. 2.699.877/MT, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em
13/5/2025, DJEN de 30/6/2025; e AgInt no AREsp n. 2.272.231/MT, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda
Turma, julgado em 9/4/2025, DJEN de 22/4/2025.
Assim, faz-se necessária a reforma do acórdão recorrido para reconhecer a ocorrência de dano
moral coletivo in re ipsa no caso em apreço.
SAIBA MAIS
Jurisprudência em Teses / DIREITO AMBIENTAL - EDIÇÃO N. 257: RESPONSABILIDADE POR DANO
AMBIENTAL II
Jurisprudência em Teses / DIREITO CIVIL - EDIÇÃO N. 125: RESPONSABILIDADE CIVIL - DANO MORAL
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
escusável nunca poderia ter endereçado o valor do preparo corretamente, já que acreditava, embora
falsamente, ser ele devido a outro órgão. Tendo-se equivocado no preenchimento da guia de custas, tem
o direito de ser intimada para sanar o vício.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
QUINTA TURMA
DESTAQUE
Nos crimes ambientais previstos no art. 38-A da Lei n. 9.605/1998, que deixam
vestígios, é indispensável a realização de exame de corpo de delito, não podendo a prova pericial
ser suprida por outros meios quando a perícia era possível, sob pena de violação ao art. 158 do
Código de Processo Penal.
O delito previsto no artigo 38-A da Lei n. 9.605/1998 dispõe que: destruir ou danificar
vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata
Atlântica, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
perícia, manteve a condenação amparada na prescindibilidade do laudo pericial quando outros elementos
de prova, como os relatórios da polícia ambiental e a prova oral, forem suficientes para demonstrar a
materialidade delitiva.
Contudo, as instâncias ordinárias não apresentaram qualquer justificativa idônea para a não
realização da perícia técnica. Pelo contrário, verifica-se que o local foi fiscalizado, fotografado e
embargado administrativamente, o que significa que os vestígios da suposta infração estavam presentes e
o local era acessível, tornando a realização da perícia plenamente possível.
Ademais, a confissão extrajudicial do acusado, ainda que existente, não pode, por expressa
vedação do artigo 158 do CPP, suprir a ausência do exame pericial.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
Em tais circunstâncias, não se pode olvidar que o Exame de Ordem, ainda que conduzido pela
OAB - entidade detentora de função pública -, gera resultados de inequívoca repercussão na habilitação
profissional. Assim, a folha de respostas utilizada no certame, por assumir natureza de instrumento oficial
indispensável à aferição da capacidade técnica, recebe tutela de fé pública, equiparando-se, portanto, a
documento público.
Assim, afigura-se evidente o bem jurídico tutelado - a fé pública -, na medida em que a fraude
busca frustrar a correta aferição do conhecimento exigido para o ingresso nos quadros profissionais.
Contudo, no caso, o uso de documento público falso (qual seja, a prova prático profissional do
exame da OAB) pela acusada se inseriu na cadeia causal necessária da corrupção ativa majorada, pois esta
consistiu na oferta de dinheiro para assegurar a aprovação da candidata na referida avaliação.
Por conseguinte, aplica-se o princípio da consunção, para considerar a ofensa ao art. 304 do
CP absorvida pelo crime do art. 333 do Código Penal.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/23
Informativo de Jurisprudência n. 877 18 de fevereiro de 2026.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/23