Discussão
Os teratomas fazem parte do grupo de tumores compostos por células
germinativas oriundos da formação anormal de tecidos embrionários, e são
caracterizados pela composição de tecidos com variados tipos de células
somáticas, o que contrasta com outros tipos de neoplasias, como cistos
dermoides, que são compostos predominantemente por um único tipo de tecido
somático. Células germinativas são percussoras das células gonadais, como
espermatogônias em testículos e as ovogônias nos ovários, sendo assim, a
maior parte dos teratomas possuem como origem essas gônadas, em especial
ovários, em contrapartida teratomas extragônadais são mais raros. (Wray et al.,
2008). A maior parte de teratomas relatados em gatos, são descritos como
gonadais, no entanto existem relatos de teratomas localizados em regiões
extragonodais (Sirivisoot et al., 2022). Além disso, a ocorrência de teratomas
em omento é ainda mais incomum, o que torna este caso mais relevante do
ponto de vista clínico e acadêmico.
A paciente deste relato de caso é uma felina sem raça definida, sem histórico
de ovariohisterectomia, com idade aproximadamente de três anos, com quadro
clínico de sinais inespecíficos como diarreia, claudicação de membro pélvico
esquerdo e sensibilidade em coluna. Apresentou um teratoma em omento,
evidenciado em exames de ultrassonografia abdominal, radiografia e
confirmado por exame histopatológico após a excisão cirúrgica. Segundo Wray
et al., 2008, estudos realizados em camundongos apontaram que as células
germinativas possuem origem nas camadas superiores dos blastocistos, e
então migram para o endoderma do saco vitelínico inferior. Sendo assim,
possivelmente, a falha das células germinativas no ato de migrar ou sua
retenção com células mesodérmicas durante esse processo, acarreta na
localização extragônadal de alguns desses processos neoplásicos, o que
justificaria a presença desse tumor em omento da paciente em questão.
Pacientes com suspeita de teratomas devem realizar rigorosa investigação
clínica, e imprescindivelmente, realizar exames complementares (Drumond et
al., 2008). A paciente relatada, foi submetida a exame clínico, durante o qual,
na palpação abdominal, uma estrutura rígida e de tamanho considerável, era
palpável. Diante disso, exames complementares foram solicitados como
hemograma, perfil bioquímico, radiografia e ultrassonografia abdominal. Na
radiografia, a impressão diagnostica foi sugestiva para feto mumificado e a
ultrassonografia, apontou a presença de uma estrutura em região abdominal
média, também sugestiva de feto mumificado. A remoção cirúrgica, é
considerado o tratamento de eleição (Yamaguchi et al., 2004). Sendo assim, a
laparotomia exploratória, com a remoção completa da massa, foi a conduta de
escolha.
O diagnostico conclusivo de teratoma, bem como sua variante imatura ou
madura e sua malignidade pode ser realizado por meio de exame
histopatológico (Sirivisoot et al., 2022). No presente caso, a suspeita
diagnostica para feto mumificado foi descartada, pois esse exame mostrou
neoformação com aspecto compatível com teratoma e estruturas bem
diferenciadas condizentes com teratoma de caráter maduro e benigno
(Campos, et al., 2024).