Direito Civil II
Recursos
COISA JULGADA
CONCEITO: Imutabilidade e Indiscutibilidade do conteúdo da decisão judicial de mérito não mais
sujeita a recurso.
FUNÇÃO POSITIVA: vinculação das partes ao que foi decidido.
FUNÇÃO NEGATIVA: impede que a questão decidida volte a ser discutida judicialmente.
E as decisões que não analisam o mérito? (art. 485 c/c art. 486) → Coisa julgada formal: decisão
imutável naquele processo, não sujeita a recursos, mas que não analisou o mérito.
RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO: Caso da modificação do estado de fato ou de
direito. (art. 505, I) – Ex.: Ação de alimentos.
LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA: “Tem força de lei nos limites da questão
principal/expressamente decidida”. (art. 503)
COISA JULGADA SOBRE QUESTÃO PREJUDICIAL
● Decisão expressa ↳ Não é a questão principal,
mas a principal pode
● Com contraditório depender da resolução da
questão prejudicial.
● Juiz competente
Exemplos:
I. Validade do contrato → Ação cobrança
II. Existência do contrato → Ação despejo
III. Existência do crime → Ação civil ex delicto
IV. Relação de parentesco → Ação de alimentos
V. Existência de união estável → Pensão INSS
VI. Inconstitucionalidade de atos → Ação ambiental
LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA (art. 506):
● Partes do processo, sem prejudicar 3º.
DESCONSTITUIÇÃO DA COISA JULGADA
● Ação rescisória: Art. 966.
2
MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS
RECURSO X AÇÕES AUTÔNOMAS DE
. Espécies de um grande gênero IMPUGNAÇÃO
RECURSO: remédios voluntários por meio dos quais se pretende a reforma, anulação ou
integração/esclarecimento da decisão judicial dentro da mesma relação em que foi proferida.
Exemplos:
● Mesma relação processual
● Mesmo processo
● Antes do trânsito em julgado
AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO: meio de impugnação das decisões judiciais que implicam
em nova relação processual (partes, pedidos, causa de pedir).
Exemplo: Ação rescisória
● Outra relação processual
● Novo processo
ANOTAÇÃO DA AULA
COISA JULGADA Segurança jurídica
COISA JULGADA A imutabilidade e indiscutibilidade do
MATERIAL conteúdo da decisão judicial de mérito.
Até o trânsito julgado a ação pode ser mudada
TEORIA GERAL DOS RECURSOS
Taxonomia, Natureza Jurídica e Princípios
Qualquer decisão é recorrível? → NÃO
Pode o Estado limitar o direito de recorrer? → SIM
3
Pronunciamentos Judiciais sujeitos a recursos:
● Sentença → Art. 203, §1º
● Decisão interlocutória → Art. 203, §2º
● Despacho → Art. 203, §3º
Não tem conteúdo decisório
As razões de existir dos recursos e suas funções:
1ª Razão:
→ Natureza subjetiva / privada
Tutela do vencido
2ª Razão:
→ Natureza objetiva / pública
Aprimoramento do sistema jurisdicional
Funções:
I) Função de controle da “justiça” da decisão
● Análise do direito subjetivo
● Novo julgamento
No caso concreto
II) Função nomofilácica
● Análise da aplicação da norma jurídica
● Sem preocupação com a justiça
Ex: RESP, RE, “Rex”
III) Função paradigmática e uniformizadora
● Criação de precedentes
4
Objetivos dos Recursos:
Reforma por erro de julgamento
→ Erro na apreciação dos fatos ou do direito
Nulidade por erro de procedimento
→ Art. 938, CPC
→ Normas processuais
Esclarecimento / Integração
→ Embargos de Declaração
PRINCÍPIOS RECURSAIS
Para recorrer a parte deve:
I) manifestar a sua insatisfação (elemento volietatas)
II) indicar os motivos (elemento dialeticus)
Princípio da voluntariedade:
Somente será interposto o recurso se a parte quiser (elemento volietatas).
OBS: não confundir com a remessa necessária.
Princípio da dialeticidade:
● O recurso deve conter razões da insatisfação.
● Não basta a simples manifestação da insatisfação.
POR QUE???
● garantir o contraditório
● estabelecer os limites do recurso.
5
Princípio da singularidade/unirrecorribilidade/unicidade recursal:
● Cada decisão é impugnável através de um único recurso.
● Interposto um recurso, o outro não será conhecido em razão da preclusão consumativa.
EX 01: Apelação (recurso cab.) e apelação.
EX 02: Apelação (recurso cab.) e ag. inst. (errado)
EX 03: Ag. de inst. (errado) e apelação (certo)
CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS
↳Não confundir com recurso ordinário e recursos extraordinários/especiais!
ORDINÁRIO:
→Reanálise do julgamento e correção de erros.
↳ Requisitos: Análise de § da instrução.
EXTRAORDINÁRIO
→Análise da aplicação da norma jurídica (direito objetivo).
FUNDAMENTAÇÃO LIVRE ou VINCULADA:
A lei exige a presença de um
determinado vício. Erro para o cabimento do recurso.
6
NATUREZA JURÍDICA DO RECURSO:
● Dever
● Obrigação
● Ônus
● Faculdade
→Observações Adicionais
Exceções:
● Emb. de dec. (art 1025)
● Resp. e R.E. (art 1025)
Posso variar de recurso dentro do prazo ???
→ CPC/39 (sim);
→CPC/73 e CPC/15 (não)
PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO:
→Existe previsão no CF 188? Implícito (previsão do Tribunal)
→Possibilidade de recursos para fins de hierarquia superior, p/ reanálise.
DUPLO GRAU ≠ DUPLO EXAME
→Possibilidade de recurso, ainda que para o mesmo órgão julgador
Teoria da causa madura.
7
PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE / TIPICIDADE:
→Somente é considerado recurso aquele previsto em lei federal (art 994).
Rol. taxativo CPC
Outras formas de impugnação (Ex. reconsideração)
PRINCÍPIO DO DISPOSITIVO:
→Princípio do inércia aplicado aos recursos.
→As partes recorrem na medida que querem.
↳ Art. 1008: Só não é da decisão da aplicação do tribunal aquilo que foi impugnado.
PROIBIÇÃO DA “REFORMATIO IN PEJUS”
O recurso não pode prejudicar o recorrente
Ex. 01: Autor faz 03 pedidos, ganha 02 e recorre de 01
Ex. 02: Autor pede 100, ganha 70 e recorre
E a reforma p/ melhor? (Ex.?)
Obs.: Remessa necessária e reformatio in pejus? (Ex.?)
PRINCÍPIO INQUISITÓRIO/OFICIALIDADE
→O julgador pode analisar certas matérias de ofício, s/ pedido da parte
→Matérias de ordem pública
→Nulidades – art. 485, §3º
↳ Ex.: Sentença infra, extra ou ultra petita
↳ Ex.: MP
→Conflito c/ princípio dispositivo?
→Reformatio in pejus?
8
PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE
O tribunal pode conhecer o recurso errado como se fosse o certo? SIM
→Histórico: CPC/35, CPC/73, CPC/95
→Requisitos:
● Ausência de erro grosseiro
● Dúvida objetiva
Ex.: art. 331, 1.024, §3º, 1.032, 1.033
EFEITOS RECURSAIS
Consequência da interposição dos recursos
Efeito Devolutivo
● Transferência p/ o julgador da matéria impugnada
● Origem
→Extensão: total ou parcial
→Profundidade: plena
● Coisa julgada fracionada
Efeito Suspensivo
Impede que a decisão recorrida produza efeitos
→Art. 995
→Art. 1.012
● “ope legis”
● “ope judicis”
9
Efeito Ativo
→A possibilidade do tribunal, ao apreciar um recurso, modificar a decisão recorrida
em favor do recorrente.
Efeito Obstativo
→Obstaculiza o trânsito em julgado
Efeito translativo
→Possibilita o conhecimento de matérias s/ a impugnação da parte
Efeito expansivo
→Caso do litisconsorte
Efeito substitutivo
→Art. 1.008
Efeito regressivo
→Art. 487, §7
→Art. 1.007, §4º
→Art. 337
Efeito diferido
→Recurso adesivo