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Aula 04
Índice
1) Crimes Contra a Vida
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4) Da Rixa
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33
Homicídio
O bem jurídico tutelado é a vida humana, mais precisamente a vida extrauterina. O Homicídio, entretanto,
pode ocorrer nas seguintes modalidades:
▪ Homicídio simples
▪ Homicídio privilegiado (§1°)
▪ Homicídio qualificado (§2°)
▪ Homicídio culposo (§3°)
▪ Homicídio culposo majorado (§4°, primeira parte)
▪ Homicídio doloso majorado (§2º-B, §4°, segunda parte e §§ 6º e 7º)
1. Homicídio simples
É aquele previsto no caput do art. 121 (“matar alguém”). O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa física,
bem como qualquer pessoa física pode ser sujeito passivo do delito.
O tipo objetivo (conduta descrita como incriminada) é TIRAR A VIDA DE ALGUÉM. Mas para isso, precisamos
saber quando se inicia a vida humana extrauterina, que se inicia com o início do trabalho de parto, para a
maioria da Doutrina, momento no qual o feto passa a ter contato com a vida extrauterina.
Assim, se for tirada a vida de alguém que ainda não nasceu (ainda não há vida extrauterina, não há
homicídio, podendo haver aborto). Semelhantemente, se o fato for praticado por quem já não tem mais
vida (cadáver), estaremos diante de UM CRIME IMPOSSÍVEL (Por absoluta impropriedade do objeto).
O homicídio pode ser praticado de forma livre (disparo de arma de fogo, facada, pancadas, etc.), podendo
ser praticado de forma comissiva (ação) ou omissiva (omissão), embora geralmente seja praticado por meio
de uma ação (um “fazer” alguma coisa).
O elemento subjetivo é o dolo, não se exigindo qualquer finalidade específica de agir (dolo específico) e o
crime se consuma quando a vítima vem a falecer, sendo, portanto, um crime material. Como o delito pode
ser fracionado em vários atos (crime plurissubsistente), existe a possibilidade de tentativa, desde que,
iniciada a execução, o crime não venha a se consumar por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Frise-se que o homicídio simples, ainda quando praticado por apenas uma pessoa, mas em atividade típica
de grupo de extermínio, é crime hediondo (art. 1º, I da Lei 8.072/90).
3. Homicídio qualificado
O homicídio qualificado é aquele para o qual se prevê uma pena mais grave (12 a 30 anos), em razão da
maior reprovabilidade da conduta do agente (configurando, inclusive, crime hediondo). O homicídio será
qualificado quando for praticado:
⇒ Mediante paga ou promessa de recompensa ou OUTRO MOTIVO TORPE – Aqui se pune mais
severamente o homicídio praticado por motivo torpe, que é aquela motivação repugnante, abjeta 4,
dando-se, como exemplo, a realização do crime mediante paga ou promessa de recompensa (homicídio
mercenário). Há divergência a respeito da comunicabilidade da qualificadora para o mandante.
Prevalece no STJ (mas há divergências) que a referida qualificadora possui caráter pessoal, não se
comunicando aos mandantes.5 A Doutrina diverge sobre a natureza da “recompensa”, mas prevalece o
entendimento de que deva ter natureza econômica6.
⇒ Por motivo fútil – Aqui temos o motivo banal, aquele no qual o agente retira a vida de alguém por um
motivo bobo, ridículo, ou seja, há uma desproporção gigante entre o motivo do crime e o bem lesado
(vida). O STJ vem entendendo no sentido de que ausência de motivo seria homicídio simples7, pois
ausência de motivo e motivo fútil seriam situações distintas.
⇒ Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que
possa resultar perigo comum – Aqui temos mais uma hipótese de INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA, pois o
legislador dá uma série de exemplos e no final abre a possibilidade para que outras condutas
3 CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Parte Especial. 7º edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015, p. 51/52
4 Um outro exemplo é a GANÂNCIA. CUNHA, Rogério Sanches. Op. Cit., p. 67
5 (AgRg no AREsp 1473963/RN, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 27/08/2019, DJe
10/09/2019)
6 CUNHA, Rogério Sanches. Op. Cit., p. 54
7 (AgRg no REsp 1289181/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 29/10/2013)”
semelhantes sejam punidas da mesma forma. Temos aqui, não uma qualificadora decorrente dos
motivos do crime, mas uma qualificadora decorrente dos MEIOS UTILIZADOS para a prática do delito. A
Doutrina entende que a qualificadora do “emprego de veneno” só incide se a vítima NÃO SABE que
está ingerindo veneno; se souber, o crime poderá ser qualificado pelo meio cruel. Como se vê, a lei
primeiramente trouxe exemplos do que se considera meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar
perigo comum (veneno, fogo, explosivo, asfixia, etc.) e, depois, generalizou (estabelecendo que outros
métodos semelhantes também qualificam o crime de homicídio). Aqui temos outro exemplo de
interpretação analógica.
MUITO CUIDADO! A utilização de tortura como MEIO para se praticar o homicídio, qualifica o crime.
Entretanto, se o agente pretende TORTURAR (esse é o objetivo), mas se excede (culposamente) e acaba
matando a vítima, haverá crime de TORTURA QUALIFICADA PELO RESULTADO MORTE (art. 1°, §3° da Lei
9.455/97).
⇒ À traição, de emboscada, ou qualquer outro meio que dificulte ou torne impossível a defesa do
ofendido – Nesse caso, o crime é qualificado em razão, também, DO MEIO UTILIZADO, pois ele
dificulta a defesa da vítima. CUIDADO! A idade da vítima (idoso ou criança, por exemplo), não é
MEIO PROCURADO PELO AGENTE, logo, não qualifica o crime, embora, no caso concreto, torne mais
difícil a defesa, em alguns casos.
⇒ Para assegurar a execução, ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime – Aqui há o que
chamamos de conexão objetiva, que pode ser teleológica (assegurar a execução FUTURA de outro
crime) OU consequencial (assegurar a ocultação, a impunidade ou a vantagem do outro crime, que
JÁ OCORREU). O “outro crime” NÃO PRECISA SER PRATICADO OU TER SIDO PRATICADO PELO
AGENTE, pode ter sido praticado por outra pessoa.
⇒ FEMINICÍDIO – Aqui teremos um homicídio qualificado em razão de ter sido praticado contra mulher,
por razões da condição do sexo feminino. Não basta, assim, que a vítima seja mulher, deve ficar
caracterizada a violência de gênero, que estará presente quando o crime envolver violência
doméstica e familiar contra a mulher ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
⇒ CONTRA AGENTES DE SEGURANÇA E DAS FORÇAS ARMADAS – O homicídio também será
considerado qualificado quando for praticado contra integrantes das Forças Armadas (Marinha,
Exército e Aeronáutica), das forças de segurança pública (Polícias federal, rodoviária federal,
ferroviária federal, civil, militar e corpo de bombeiros militar), dos agentes do sistema prisional
(agentes penitenciários) e integrantes da Força Nacional de Segurança. Contudo, não basta que o
homicídio seja praticado contra alguma destas pessoas para que seja qualificado, é necessário que o
crime tenha sido praticado em razão da função exercida pelo agente. Se o crime não tem qualquer
relação com a função pública exercida, não se aplica esta qualificadora!
▪ Além dos próprios agentes, o inciso VII relaciona também os parentes destes
funcionários públicos (cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro
grau). Assim, o homicídio praticado contra qualquer destas pessoas, desde que guarde
relação com a função pública do agente, será considerado qualificado.
⇒ Com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido – Aplica-se quando quando o homicídio
for praticado com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido. Não é necessário saber quais
armas são consideradas de uso restrito ou proibido e quais são de uso permitido. Eventual questão
que venha a cobrar esse tema irá especificar que o fato foi praticado com arma de fogo de uso restrito
ou proibido.
⇒ Contra menor de 14 anos de idade - Inicialmente, frise-se que a referida qualificadora não se aplica
se a vítima tem, na data do crime, 14 anos exatos ou mais. Logo, somente incidirá a referida
qualificadora se a vítima for pessoa efetivamente menor de 14 anos (até 14 anos de idade
incompletos). Se o crime é cometido no dia de aniversário de 14 anos da vítima, não haverá incidência
da qualificadora. Outro ponto relevante: a referida qualificadora, obviamente, só se aplica ao
homicídio doloso, eis que todas as qualificadoras do §2º somente são aplicáveis ao homicídio na
forma dolosa.
⇒ Se o crime for, ao mesmo tempo, privilegiado e qualificado (praticado por relevante valor moral e
mediante emprego de veneno, por exemplo)? Nesse caso, temos o chamado homicídio qualificado-
privilegiado. Mas, CUIDADO! Isso só será possível se a qualificadora for objetiva (relativa ao meio
utilizado), pois a circunstância privilegiadora é sempre subjetiva (relativa aos motivos do crime).
Assim, um crime nunca poderá ser praticado por motivo torpe e por motivo de relevante valo moral
ou social, são circunstâncias colidentes! Resumo: a qualificadora tem que ser de ordem objetiva
(NÃO relacionada aos motivos determinantes do crime). Nesse caso, não teremos crime hediondo,
pois o privilégio, por ser relativo aos motivos determinantes, prepondera sobre a qualificadora,
afastando a hediondez.
4. Homicídio culposo
O homicídio culposo ocorre quando o agente pratica uma conduta direcionada a outro fim, mas por
inobservância de um dever de cuidado (negligência, imprudência ou imperícia), acaba por causar a morte
da pessoa.
EXEMPLO: José, ao pintar a fachada de sua casa, deixa uma lata de tinta perigosamente na
beirada do andaime. Sem querer, José esbarra na lata, que cai sobre a cabeça de um pedestre,
causando-lhe a morte.
CUIDADO! Não existe compensação de culpas! Assim, se a vítima também contribuiu para
o resultado, o agente responde mesmo assim, mas essa circunstância (culpa da vítima) será
considerada em favor do réu na fixação da pena.
CUIDADO! Apenas para fins de registro, o homicídio culposo na direção de veículo automotor, desde o
advento da Lei 9.503/97, é crime previsto no art. 302 da referida lei (Código de Trânsito Brasileiro).
No homicídio culposo é cabível o chamado “perdão judicial”, que é uma causa de extinção da punibilidade
que acontece nos casos expressamente previstos em lei, quando ao Juiz é permitido deixar de aplicar a pena,
mesmo reconhecendo a ocorrência do crime. No homicídio culposo isso será cabível quando as
consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne
desnecessária (art. 121, §5º do CP).
EXEMPLO: José, distraído porque está atrasado para chegar ao trabalho, fecha o portão da
garagem sem tomar as cautelas necessárias. O portão, que é automático, acaba esmagando seu
pequeno filho, de 03 anos de idade, que lá estava para despedir-se do papai. Neste caso, José
pratica o crime de homicídio culposo, mas é perfeitamente cabível a concessão do perdão
judicial, por se entender que a consequência do crime (morte do próprio filho) já foi castigo
suficiente para o agente, sendo desnecessária a aplicação da pena.
5. Homicídio majorado
⇒ No homicídio doloso:
▪ Se o crime for cometido contra pessoa menor de 14 anos ou maior de 60 anos (aumento de 1/3)
▪ Se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou
por grupo de extermínio (aumento de 1/3 até a metade)
Atualmente, porém, devemos ter muita atenção. O §4º do art. 121, de fato, estabelece aumento de pena
de um terço se a vítima é pessoa menor de 14 anos. Apesar disso, atualmente a circunstância de a vítima
ser menor de 14 anos foi alçada à condição de qualificadora no homicídio. E aí, o que fazer?
O homicídio pode ser qualificado por uma série de fatores, de forma que é possível a concorrência de duas
ou mais qualificadoras. Nesse caso, a solução doutrinária e jurisprudencial é no sentido de que uma delas irá
qualificar o delito e as demais serão consideradas como majorantes (se previstas em lei) ou agravantes
genéricas.
EXEMPLO: José matou, por motivo fútil, Pedrinho, filho de seu vizinho. Pedrinho tinha 13
anos na data do crime. Nesse caso, claramente verificamos duas qualificadoras: motivo fútil
e vítima menor de 14 anos. Nesse caso, deverá o magistrado considerar o motivo fútil como
qualificadora e utilizar a idade da vítima como majorante (art. 121, §4º do CP).
Posto isso, a melhor interpretação é no sentido de que não houve revogação tácita da majorante do art. 121,
§4º do CP (aumento de um terço pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos), devendo, porém, ser aplicada
apenas subsidiariamente, na hipótese de a idade já não estar sendo considerada como qualificadora no caso
concreto.
⇒ Especificamente no caso de homicídio qualificado por ser a vítima menor de 14 anos de idade
Caso se trate de homicídio praticado contra menor de 14 anos de idade, reconhecendo-se a incidência da
qualificadora, há possibilidade de ocorrência de duas majorantes:
▪ Aumento de 1/3 até a metade - Se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que implique
o aumento de sua vulnerabilidade – A deficiência em questão pode ser física ou mental. A
vulnerabilidade provocada pela doença deve ser analisada no caso concreto, para se aferir se, de fato,
a vítima se encontrava em situação de vulnerabilidade a justificar a reprimenda mais elevada.
▪ Aumento de 2/3 - Se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver
autoridade sobre ela – Trata-se de uma majorante com algumas passagens, no mínimo, curiosas.
Ser o crime praticado por ascendente (pai, mãe, avó...), padrasto ou madrasta, tio, irmão, tutor ou
curador (e até mesmo o preceptor, aquele que é encarregado da instrução ou preparação da pessoa)
não é algo incomum, sendo bastante frequente, inclusive. Todavia, difícil imaginar situação de crime
de homicídio praticado contra pessoa menor de 14 anos pelo seu cônjuge, já que a idade mínima para
casamento no Brasil é de 16 anos (art. 1.515 do CC/02), de forma que se a vítima tinha menos de 14
anos, provavelmente não tinha um cônjuge, a menos que tenha se casado sob a legislação de algum
país estrangeiro que admita o casamento de pessoas menores de 14 anos. Quanto ao infrator ser
empregador da vítima, aplica-se o mesmo raciocínio: trata-se de situação bastante improvável no
plano fático, eis que a idade mínima para trabalhar, no Brasil, é de 16 anos (14 anos no caso de jovem
aprendiz).
▪ Aumento de 2/3 (dois terços) - Se o crime for praticado em instituição de educação básica pública
ou privada (incluída pela Lei 14.811/24) - Trata-se de uma majorante incluída após a criação do art.
121, §2º-B, tendo sido inserida pela Lei 14.811/24 (vigência a partir de 15 de janeiro de 2024), de
forma que não será aplicável caso o crime tenha sido cometido antes dessa data, pois a lei penal mais
grave não retroage. A majorante será cabível quando o homicídio contra menor de 14 anos ocorrer
em instituição de educação básica pública ou privada (ex.: escola de ensino fundamental, creche,
etc.).
Vale frisar que, no caso de homicídio doloso, a majorante será aplicável sendo o crime simples, privilegiado
ou qualificado, pouco importa. Assim, podemos ter homicídio qualificado (ex.: emprego de veneno) com
alguma dessas majorantes (ex.: contra pessoa maior de 60 anos).
Todavia, é bom destacar que no caso das majorantes do feminicídio, naturalmente elas só se aplicam ao
homicídio qualificado, pois o feminicídio é um homicídio qualificado.
Importante destacar a diferença entre qualificadora e majorante (causa de aumento de pena).
Uma qualificadora modifica a pena-base do delito (ex.: no homicídio, se houver qualificadora, a pena
deixará de ser de 6 a 20 anos e passará a ser de 12 a 30 anos).
Uma majorante não altera a pena-base do delito, mas gera um aumento de pena pelo Juiz quando da
dosimetria (mais especificamente na terceira fase da dosimetria da pena). Ex.: José praticou homicídio
simples contra uma pessoa de 67 anos. A pena-base não será alterada (continuará a ser de 6 a 20 anos de
reclusão), mas o Juiz, quando for aplicar a pena, deverá, ao final, aumentar a pena aplicada em 1/3, por ser
a vítima maior de 60 anos.
O suicídio é a eliminação direta e voluntária da própria vida. O suicídio não é crime (ou sua tentativa), mas
a conduta do terceiro que auxilia outra pessoa a se matar (material ou moralmente) é crime.
8 Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de
imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:
I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei no 10.826, de
22 de dezembro de 2003;
II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;
c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida;
A automutilação, por sua vez, pode ser compreendida como o comportamento daquele que provoca lesões
em seu próprio corpo, deliberadamente, mas sem evidente intenção de suicídio.
Até a Lei 13.968/19, o crime do art. 122 punia apenas a conduta de induzir, instigar ou auxiliar alguém a
cometer SUICÍDIO. Desde a Lei 13.968/19, porém, o tipo penal passou a tipificar também a conduta daquele
que induz, instiga ou auxilia materialmente alguém a se automutilar.
A consumação se dá com o mero ato de induzir, instigar ou auxiliar a vítima a se suicidar ou se automutilar,
ainda que a vítima não se mate ou não venha a se automutilar, sendo crime formal, portanto. Eventual
ocorrência de resultado danoso à vítima (lesão grave, gravíssima ou morte) servirá como qualificadora.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, e é admitido o concurso de pessoas (duas ou mais pessoas se
reunirem para auxiliar outra a se suicidar ou se automutilar). No entanto, somente a pessoa que possua
alguma capacidade de resistir ao induzimento/instigação pode ser sujeito passivo do crime 9, eis que se a
vítima não tiver qualquer discernimento, estaremos diante de um homicídio ou lesão corporal, tendo o
agente se valido da ausência de autocontrole da vítima para induzi-la a se matar ou se automutilar:
EXEMPLO: Imagine que André, desejando a morte de Bruno (uma pessoa portadora de
enfermidade mental, sem qualquer capacidade para compreender as circunstâncias e resistir ao
induzimento), o induz a se jogar do 20° andar de um prédio. Bruno, então, se joga, achando que
é o “superman”. Nesse caso, não houve instigação ou induzimento ao suicídio, mas homicídio,
pois André se valeu da ausência de discernimento de Bruno para matá-lo.
Esta previsão está expressamente contida no art. 122, §7º do CP (incluído pela Lei 13.968/19).
Assim, se o agente induz, instiga ou auxilia alguém a se suicidar ou se automutilar, caso sobrevenha a morte
da vítima (em razão da tentativa de suicídio ou em razão da automutilação), deverá responder pelo crime
de HOMICÍDIO, caso a vítima seja menor de 14 anos ou não tenha, por qualquer causa, discernimento para
oferecer resistência.
E se a vítima, incapaz para oferecer resistência, não morre, mas sofre lesão corporal gravíssima? Neste
caso, o agente responde pelo crime do art. 129, §2º (lesão corporal gravíssima).
Importante ressaltar que o agente só irá responder por lesão gravíssima ou homicídio caso a vítima seja
menor de 14 anos ou, por qualquer forma, incapaz de oferecer resistência ao incentivo. Caso a vítima tenha
capacidade de resistência e sobrevenha qualquer destes resultados, o agente responderá pelo crime do art.
122, qualificado pela lesão gravíssima (§1º) ou pela morte (§2º).
Assim, resumidamente:
⇒ Agente induz, instiga ou auxilia a vítima a se suicidar ou se automutilar, mas não ocorre morte
nem lesão grave pelo menos – Agente responde pelo crime do art. 122 em sua forma simples,
consumada.
⇒ Agente induz, instiga ou auxilia a vítima a se suicidar ou se automutilar, e ocorre lesão grave
ou gravíssima – Agente responde pelo crime do art. 122 em sua forma qualificada (§1º), com
pena de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
⇒ Agente induz, instiga ou auxilia a vítima a se suicidar ou se automutilar, e ocorre morte – Agente
responde pelo crime do art. 122 em sua forma qualificada (§2º), com pena de reclusão, de 2
(dois) a 6 (seis) anos.
⇒ Agente induz, instiga ou auxilia a vítima (menor de 14 anos ou, por qualquer causa, sem
capacidade de resistência) a se suicidar ou se automutilar, e ocorre morte ou lesão corporal
gravíssima – Agente responde por homicídio (em caso de morte) ou lesão corporal gravíssima.
Os §§3º, 4º e 5º trazem ainda algumas majorantes (causas de aumento de pena), aplicáveis em algumas
circunstâncias especiais:
➔ Pena duplicada
➔ Pena em dobro
Quanto a esta última majorante, trata-se de redação do §5º do art. 122 dada pela Lei 14.811/24, cuja entrada
em vigor se deu em 15.01.2024. Vejamos a redação nova e a redação anterior:
Como se vê, a nova redação do §5º, além de mais abrangente, englobando quem é líder, coordenador ou
administrador de grupo, de comunidade ou de rede virtual, ou por estes é responsável (ex.: administrador
de um grupo no WhatsApp, destinado a instigar e auxiliar as pessoas a se matarem).
Além disso, antes a previsão de aumento de pena era de metade (+ ½), agora a pena será aplicada em
dobro (2x).
Exatamente por isso, a alteração legislativa promovida no §5º do art. 122 pela Lei 14.811/24 deve ser
considerada uma novatio legis in pejus, ou seja, nova lei mais grave, de forma que não terá aplicação
retroativa, sendo aplicável apenas aos crimes cometidos após sua entrada em vigor.
O crime tipificado no art. 122 do CP, a princípio, não configura crime hediondo. Todavia, quando praticado
por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitidos em tempo real (art. 122, caput e § 4º),
será considerado hediondo:
(...)
EXEMPLO: José e Maria iniciam uma transmissão ao vivo (live), via Instagram. Na transmissão,
José induz Maria a se matar, bem como fornece auxílio sobre como realizar o ato. Nesse caso, o
crime do art. 122 será considerado hediondo.
Infanticídio
O infanticídio é o crime mediante o qual a mãe, sob influência do estado puerperal, mata o próprio filho
recém-nascido, durante ou logo após o parto, na forma do art. 123 do CP.
O objeto jurídico tutelado aqui também é a vida humana. Trata-se, na verdade, de uma “espécie de
homicídio” que recebe punição mais branda em razão da comprovação científica acerca dos transtornos que
o estado puerperal pode causar na mãe.
O sujeito ativo, aqui, somente pode ser a mãe da vítima, e ainda, desde que esteja sob influência do estado
puerperal (CRIME PRÓPRIO). O sujeito passivo é o ser humano, recém-nascido, logo após o parto ou durante
ele.
==a80b1==
CUIDADO! Embora seja crime próprio, é plenamente admissível o concurso de agentes, que responderão
por infanticídio (desde que conheçam a condição do agente, de mãe da vítima), nos termos do art. 30 do CP.
EXEMPLO: Maria, que acabou de dar à luz um belo bebê, resolve tirar-lhe a vida. Para tanto, sob
a influência do estado puerperal, pede ajuda a seu marido, José, solicitando que este traga uma
faca bem afiada e contando a este o projeto do capeta. O marido aceita colaborar e entrega a ela
a faca. Na madrugada, ainda na maternidade, Maria leva a cabo seu plano diabólico e ceifa a vida
do rebento. Neste caso, tanto José quanto Maria respondem pelo crime de infanticídio, ainda
que José (obviamente) não seja a mãe e não esteja sob a influência do estado puerperal, porque
tal condição é uma circunstância elementar do delito, comunicando-se com os demais agentes.
É necessário que a gestante pratique o fato sob influência do estado puerperal, e que esse estado emocional
seja a causa do fato.
Mas até quando vai o estado puerperal? Não há certeza médica, devendo ser objeto de perícia no caso
concreto, podendo se estender a alguns meses após o parto.
O crime só é admitido na forma dolosa (dolo direto e dolo eventual), não sendo admitido na forma culposa.
A pergunta que fica é: E se a mãe, durante o estado puerperal, culposamente mata o próprio filho? Nesse
caso, temos simplesmente um homicídio culposo.
E se a mãe, por equívoco, acaba por matar o filho de outra pessoa (confunde com seu próprio filho)? Nesse
caso, responde normalmente por infanticídio, como se tivesse praticado o delito efetivamente contra seu
filho, por se tratar de erro sobre a pessoa (nos termos do art. 20, §3º do CP).
O crime se consuma com a morte da criança e a tentativa é plenamente possível.
Aborto
EXEMPLO 1: Maria conta a Renata sobre sua gravidez, mas diz que deseja realizar aborto. Renata,
então, instiga Maria a realizar o aborto, dizendo que será melhor para ela. Maria, então, realiza
a manobra abortiva em si mesma. Maria será autora do crime de autoaborto (art. 124), enquanto
Renata será partícipe do mesmo delito (art. 124).
EXEMPLO 2: Maria procura uma clínica que realiza abortos clandestinos e dá ao médico José o
consentimento para que ele realize a manobra abortiva, o que de fato acontece. Nesse caso, José
praticou os atos executórios relativos ao aborto, de forma que responderá pelo crime de aborto
provocado por terceiro com consentimento da gestante (art. 126 do CP), ao passo que Maria
responderá por dar o consentimento para o aborto (art. 124 do CP).
Pode o crime ser praticado por qualquer pessoa (crime comum). O sujeito passivo, aqui, como em todos os
outros delitos de aborto, é o produto da concepção (embrião ou feto). Entretanto, nesse crime específico
também será vítima (sujeito passivo) a gestante.
Embora o crime ocorra quando não houver o consentimento da gestante, também ocorrerá o crime quando
o consentimento for prestado por quem não possua condições de prestá-lo (menor de 14 anos, ou alienada
mental), ou se o consentimento é obtido mediante fraude por parte do agente (infrator).
O crime se consuma com a interrupção da gestação com destruição do produto da concepção (morte do
nascituro). A tentativa é plenamente possível.
EXEMPLO: Maria procura uma clínica que realiza abortos clandestinos e dá ao médico José o
consentimento para que ele realize a manobra abortiva, o que de fato acontece. Nesse caso, José
praticou os atos executórios relativos ao aborto, de forma que responderá pelo crime de aborto
provocado por terceiro com consentimento da gestante (art. 126 do CP), ao passo que Maria
responderá por dar o consentimento para o aborto (art. 124 do CP).
Como dito anteriormente, o consentimento só é válido (de forma a caracterizar este crime) quando a
gestante tem condições de manifestar vontade. Quando a gestante não tiver condições de manifestar a
própria vontade, ou o consentimento tiver sido obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência, o crime
cometido (pelo agente, não pela gestante) será o do art. 125, conforme podemos extrair da redação do art.
125 c/c art. 126, § único do CP.
O sujeito ativo aqui pode ser qualquer pessoa, com exceção da própria gestante.
O sujeito passivo é apenas o produto da concepção (nascituro).
O elemento subjetivo aqui, como nos demais casos de aborto, é somente o dolo e o crime se consuma com
a interrupção da gestação com destruição do produto da concepção (morte do nascituro), sendo a tentativa
plenamente possível.
4. Majorantes no aborto
Se no aborto provocado por terceiro (arts. 125 e 126), em decorrência dos meios utilizados pelo terceiro, ou
em decorrência do aborto em si, a gestante sofre lesão corporal grave, as penas são aumentadas de 1/3; se
sobrevém a morte da gestante as penas são duplicadas, na forma do art. 127 do CP.
Importante destacar que, em ambos os casos, o resultado agravador (lesão grave ou morte) decorre de
culpa do agente. Se o agente tem dolo de lesionar e dolo de provocar o aborto, responde pelos dois crimes,
o mesmo ocorrendo em relação à morte: se há dolo de matar a mãe e dolo de provocar aborto, responde
por aborto e por homicídio.
Por fim, se o agente tem intenção de provocar lesão na mãe e acaba, por culpa, provocando aborto,
responderá pelo crime de lesão corporal gravíssima (art. 129, §2º, V do CP).
5. Aborto permitido
Na forma do art. 128 do CP, o aborto praticado por médico não é crime quando:
⇒ For a única forma de salvar a vida da gestante (aborto necessário ou terapêutico); ou
⇒ Quando a gestação for decorrente de estupro e houver prévia autorização da gestante ou de
seu representante legal (aborto sentimental ou humanitário)
Atualmente o STF entende que o aborto de fetos anencéfalos (ou anencefálicos, ou seja, sem cérebro ou
com má-formação cerebral) não é crime, estando criada, jurisprudencialmente, mais uma exceção. Ver:
ADPF 54 / DF (STF)
No caso de aborto em razão de gravidez decorrente de estupro, não se exige que haja sentença
reconhecendo o estupro. Basta que o médico possua elementos seguros a respeito da existência do crime
(ex.: depoimento da mulher, depoimento de testemunhas, registro de ocorrência policial, etc.).
Ainda sobre a o aborto sentimental ou humanitário, a Doutrina se posiciona pelo cabimento do aborto
também nos casos de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP):
EXEMPLO: José, 49 anos, mantém relações sexuais com sua enteada, Maria, de apenas 13 anos,
que acaba por engravidar em razão do ato sexual. Nesse caso, há estupro de vulnerável (art. 217-
A do CP), sendo cabível o aborto, se praticado pelo médico, desde que precedido de autorização
do representante legal da vítima (eis que menor de 14 anos).
Prevalece o entendimento de que tais causas de impunibilidade do aborto possuem natureza de causas de
exclusão da ilicitude do fato (causas específicas de exclusão da ilicitude do fato).
Aspectos gerais
O crime de lesões corporais está tipificado no art. 129 do CP. Vejamos:
A ofensa à integridade corporal ou à saúde pode ser representada por qualquer dano provocado
no sistema de funcionalidade normal do corpo humano. Eventual conduta agressiva, mas sem
lesão corporal, irá configurar a contravenção penal de vias de fato (ex.: puxão de cabelo,
empurrões, etc.), nos termos do art. 21 da Lei das Contravenções Penais.1
Trata-se de um crime que pode ser praticado por qualquer pessoa. Trata-se, portanto, de crime
comum.
Também pode ser sujeito passivo qualquer pessoa. Em alguns casos, no entanto, somente pode
ser sujeito passivo a mulher grávida (art. 129, §§1°, IV e 2°, V).
Trata-se de crime que pode ser praticado de diversas maneiras: pancadas, perfurações, cortes,
etc., sendo, portanto, crime de forma livre.
O bem jurídico tutelado é a incolumidade física da pessoa (integridade física).
A autolesão não é crime (causar lesões corporais em si mesmo), por ausência de lesividade a bem
jurídico de terceiro (princípio da alteridade).
A lesão corporal leve (ou simples) é a prevista no art. 129, caput, e ocorrerá sempre que não
resultar em lesões de natureza mais grave ou morte. Assim, o conceito de lesão corporal leve se
extrai por exclusão: sempre que o agente, dolosamente, ofender a integridade corporal ou a
saúde de outrem, e isso não configurar um resultado agravador, teremos lesão leve. Em razão do
fato de a pena máxima não ultrapassar 02 anos de privação da liberdade, trata-se de infração de
menor potencial ofensivo.
A lesão qualificada pode se dar pela ocorrência de resultado grave (lesões graves) ou em
decorrência do resultado morte (Lesão corporal seguida de morte).
As seguintes situações são consideradas como lesões graves/gravíssimas para fins penais:
1
Art. 21. Praticar vias de fato contra alguem:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de réis, se o fato não
constitue crime.
RESULTADO PENA
LESÕES GRAVES
LESÕES GRAVÍSSIMAS
➔ Perigo de vida
➔ Aceleração de parto
II - perigo de vida;
IV - aceleração de parto:
No que tange à incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias é importante
destacar, inicialmente, que a incapacidade tem que ser por mais de 30 dias, ou seja: 31 dias ou
mais. Caso a incapacidade seja apenas por 30 dias, não estará configurado o resultado
agravador.
Além disso, é pacífico o entendimento no sentido de que a incapacidade não precisa ser,
necessariamente, para o trabalho. Pode ser a incapacidade para o estudo, para o exercício de
algum hobby (ex: tocar violação por lazer, exercitar-se habitualmente, etc.). Exige-se, porém, que
se trate de uma atividade habitual lícita da vítima.
==a80b1==
No que tange ao perigo de vida, é bom ressaltar que não pode ter havido dolo de matar. Caso o
agente tenha agido com intenção de matar a vítima e não tenha conseguido, teremos homicídio
tentado.
Haverá lesão corporal grave, ainda, no caso de sobrevir à vítima debilidade permanente de
membro, sentido ou função. A debilidade pode ser definida como a característica daquilo que é
débil, fraco, sem vigor. No caso de debilidade de membro, sentido ou função, o agente não
perde o membro, sentido ou função, mas fica com suas funções debilitadas (ex.: fica com a
audição parcialmente comprometida em razão de chutes no ouvido). Caso haja perda ou
inutilização de membro, sentido ou função haverá lesão corporal gravíssima.
Por fim, há ainda a aceleração de parto. Aqui não há aborto, ou seja, não há interrupção da
gestação com destruição do produto da concepção (feto ou embrião). O agente agride a
gestante e, em razão das agressões, a gestante acaba entrando prematuramente em trabalho de
parto.
➔ Enfermidade incurável
➔ Deformidade permanente
➔ Aborto
II - enfermidade incuravel;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Vejam que a incapacidade aqui prevista não é para qualquer atividade habitual lícita, tampouco
basta que seja por mais de 30 dias. Deve haver incapacidade permanente para o trabalho.
Sobrevindo à vítima enfermidade incurável, também haverá lesão corporal gravíssima.
Enfermidade incurável é aquela que não possui cura de acordo com os conhecimentos da
medicina até então disponíveis à época do crime. Caso haja tratamento para a enfermidade e a
vítima se recuse a se submeter, não incidirá a qualificadora da lesão corporal gravíssima.
Haverá ainda lesão corporal gravíssima no caso de sobrevir à vítima perda ou inutilização do
membro, sentido ou função. Aqui não basta a mera debilidade, devendo haver perda ou
inutilização.
A perda é a destruição ou privação do membro (ex.: perda de um braço), sentido (ex.: perda da
audição) ou função (ex.: perda da função reprodutora em razão de danos nos ovários).
Vale frisar que a perda de pode se dar por mutilação ou por amputação. Na mutilação a perda se
dá pela própria conduta criminosa (ex.: decepar o braço da vítima). Na amputação há intervenção
médica para retirada do membro em razão dos danos sofridos, de forma a preservar o restante
do corpo ou evitar consequências mais severas à saúde da vítima.
A inutilização, por sua vez, ocorre quando a vítima não perde o membro ou órgão, mas este se
torna inútil, ou seja, incapaz de desempenhar as atividades inerentes à sua função no corpo
humano (ex.: perder por completo o movimento da perna esquerda ou do braço direito). A
inutilização deve ser completa. Caso seja parcial, haverá lesão grave apenas (pela debilidade).
A perda ou inutilização de um só membro, ainda que duplo, configura lesão gravíssima. Todavia,
em caso de órgãos duplos (ex.: olhos, rins, etc.), a perda de um deles configura apenas lesão
grave, vez que a função não é afetada por completo, já que com apenas um deles se mantém o
sentido ou função (de forma debilitada).
A deformidade permanente, outra hipótese de lesão gravíssima, se verifica quando há alteração
da forma corporal gerando dano estético permanente à vítima. Basta que o dano estético
permaneça por considerável período de tempo para que se possa aplicar a referida qualificadora.
Por fim, haverá lesão gravíssima em caso de ocorrência de aborto, ou seja, a interrupção da
gestação com a destruição do produto da concepção. Frise-se que o agente, aqui, não pode ter
tido o dolo de provocar aborto, caso contrário, estará caracterizado o crime de aborto provocado
por terceiro sem o consentimento da gestante (art. 125 do CP), cumulado com lesão corporal
leve contra a mãe.
EXEMPLO: José discute com Pedro em um bar. Por conta da discussão, José acaba
desferindo um soco no rosto de Pedro, com intenção de lesionar. Em razão da força do
soco, Pedro se desequilibra, cai e bate a cabeça no chão, vindo a falecer por conta da
queda. Nesse caso, há lesão corporal qualificada pelo evento morte.
Importante frisar, porém, que o resultado morte não pode advir de dolo do agente, nem mesmo
eventual. Caso se verifique que o resultado morte foi querido pelo agente, ou que o agente agiu
com dolo eventual (desprezo pela ocorrência do resultado previsto), restará afastado o crime de
lesão corporal qualificada pela morte, respondendo o agente pelo crime de homicídio doloso.
É possível, ainda, que havendo lesão corporal culposa, o Juiz conceda o perdão judicial ao
infrator, conforme também ocorre no homicídio culposo, quando as consequências da infração
atingirem o infrator de tal forma que a pena se torne desnecessária. Essa é a previsão contida no
art. 129, §8º do CP.
EXEMPLO: Imagine a hipótese de um pai que, sem querer, acaba provocando lesão
corporal no próprio filho. O pai, desesperado pelos danos causados ao filho, entra em
depressão, etc. O Juiz, a depender das circunstâncias, pode considerar que esse pai já
sofreu o suficiente, ou seja, que a lesão causada ao próprio filho foi consequência
grave o bastante para este pai. Assim, o Juiz poderá deixar de aplicar a pena ao
agente, concedendo o perdão judicial.
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº
11.340, de 2006)
2
No caso de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, se o agente conduz o veículo com capacidade
psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine
dependência, e se do crime resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, haverá uma forma qualificada do
delito (art. 303, §2º do CTB).
EXEMPLO: José, 25 anos, agride seu irmão mais novo, Pedro, 18 anos, porque este se
recusou a realizar as tarefas domésticas. Nesse caso, há lesão corporal qualificada pela
violência doméstica e familiar.
É importante destacar que este é um tipo penal qualificado, mas não pelo resultado. Ou seja, é
uma lesão corporal leve qualificada pela relação doméstica e familiar.
Mas, e se for uma lesão grave, gravíssima ou seguida de morte praticada no contexto das
relações domésticas e familiares? Nesse caso, a conduta será tipificada como lesão corporal
qualificada pelo resultado (lesão grave, gravíssima ou seguida de morte) e a circunstância de ter
sido praticada no contexto das relações domésticas e familiares será considerada uma majorante
(causa de aumento de pena) de um terço (art. 129, §10 do CP).
EXEMPLO: José, 25 anos, agride seu irmão mais novo, Pedro, 18 anos, porque este se
recusou a realizar as tarefas domésticas. Em razão das lesões, Pedro ficou incapacitado
para as ocupações habituais por mais de 30 dias. Nesse caso, há lesão corporal
qualificada pelo resultado lesão grave (art. 129, §1º, I do CP), majorada em um terço
pelo contexto da violência doméstica (art. 129, §10 do CP).
Assim, resumidamente: o fato de a lesão corporal ter sido praticada num contexto de violência
doméstica e familiar configura qualificadora, caso se trate de lesão leve; caso se trate de lesão
qualificada pelo resultado, o contexto de violência doméstica servirá como majorante (aumento
de 1/3).
Caso a vítima da violência doméstica e familiar seja pessoa portadora de deficiência (a Lei não
especifica qual tipo de deficiência), a pena será aumentada em um terço.
Art. 129 (...) § 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da
condição do sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código:
(Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021)
Como se vê, trata-se da lesão corporal qualificada por ser praticada contra a mulher por razões
da condição do sexo feminino, nos termos do art. 121, §2º-A do CP, também conhecida com
“violência de gênero”. Ou seja, trata-se de lesão corporal contra a mulher, quando ocorrida em
pelo menos uma das duas situações:
EXEMPLO: José, irritado por descobrir que sua esposa Maria está recebendo carona
de um colega de trabalho, agride a esposa com socos e chutes, causando-lhe lesões
corporais. Nesse caso, há lesão corporal contra a mulher, por razões da condição do
sexo feminino (violência de gênero), na forma do art. 129, §13 do CP.
Vale ressaltar que essa qualificadora somente se aplica à lesão corporal dolosa simples. Caso se
trate de lesão corporal grave, gravíssima ou seguida de morte, o agente responderá pelas
qualificadoras do art. 129, §1º a 3º (ou seja, responderá por lesão corporal grave, gravíssima ou
seguida de morte, a depender de cada circunstância). Porém, nesse caso a pena será aumentada
de um terço em razão da violência doméstica e familiar (caso se trate de violência doméstica e
familiar, seja contra a mulher ou não), nos termos do art. 129, §10 do CP.
Vale ressaltar que, para a configuração da violência doméstica e familiar contra a mulher, é
dispensável a coabitação:
Assim, a violência doméstica e familiar contra a mulher pode se configurar, por exemplo, quando
ex-marido agride a ex-esposa, quando o namorado agride a namorada, etc., sendo dispensável
que autor e vítima vivam sob o mesmo teto.
Art. 129 (...) § 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito
nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da
Contudo, não basta que o crime seja praticado contra alguma destas pessoas para que a causa
de aumento de pena seja aplicada, é necessário que o crime tenha sido praticado no exercício
da função ou em razão da função exercida pelo agente. Se o crime não tem qualquer relação
com a função pública exercida, não se aplica esta causa de aumento de pena.
Além dos próprios agentes, o §12º relaciona também os parentes destes funcionários públicos
(cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau). Assim, o crime de lesões
corporais praticado contra qualquer destas pessoas, desde que guarde relação com a função
pública do agente, será majorado (haverá aplicação da causa de aumento de pena).3
EXEMPLO: José foi preso em flagrante pelo policial militar Pedro. Dois meses depois,
para se vingar de Pedro, José abordou Ricardo, filho de Pedro, quando este saía da
faculdade e desferiu contra ele diversos socos e chutes. Nesse caso, haverá a
incidência da majorante relativa à “lesão corporal funcional”.
Art. 129 (...) § 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante
valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Assim, há redução de pena de um sexto a um terço nas mesas situações em que há redução de
pena para o homicídio doloso, quais sejam:
➔ Se o agente comete o crime impelido por motivo relevante valor moral ou social;
3
Tal conduta passou a ser considerada, ainda, crime hediondo, nos termos do art. 1º, I-A da Lei 8.072/90, incluído
pela Lei 13.142/15.
EXEMPLO: José está lavando seu carro quando Pedro passa e, usando uma chave,
arranha toda a lataria do veículo. Enfurecido, José dá um soco em Pedro, causando-lhe
lesão corporal leve. Nesse caso, José faz jus à redução de pena de um sexto a um
terço, por ter agido sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima.
Além da previsão de redução de pena nas situações acima descritas, o CP traz ainda a
possibilidade de substituição da pena de detenção pela multa, se ocorrer qualquer das referidas
situações ou se as lesões corporais forem recíprocas. Vejamos o §5º do art. 129 do CP:
Embora existam tais previsões “favoráveis” ao agente, existem também causas de aumento de
pena (majorantes). Vejamos:
Art. 129 (...) § 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das
hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 121 deste Código. (Redação dada pela Lei
nº 12.720, de 2012)
Como se vê, caso ocorram as situações dos §§4º e 6º do art. 121 do CP, a pena do agente que
cometer lesão corporal será aumentada de um terço. Quais situações são essas:
Ação penal
A ação penal nos crimes de lesão corporal é, em regra, pública incondicionada, já que o CP não
estabelece qual seria a ação penal cabível, e no silêncio da Lei, a ação penal é pública
incondicionada.
Todavia, em se tratando de lesão corporal dolosa leve ou lesão corporal culposa, ação penal será
pública condicionada à representação, por força do que dispõe o art. 88 da Lei 9.099/95.
4
O STF passou a adotar este entendimento no julgamento da ADI - 4424.
Aqui o CP cuida de crimes de “perigo”, ou seja, atos praticados pelo agente que, embora não
causando danos, expõem a perigo de dano outra ou outras pessoas. Temos aqui, portanto, crimes
FORMAIS, pois a ocorrência do dano é irrelevante para a consumação destes delitos.
Nesse crime, tutela-se a saúde da pessoa (alguns Doutrinadores entendem que se tutela também
a vida).
Sujeito ativo e passivo podem ser qualquer pessoa. Parte da Doutrina entende que o crime é
próprio, pois exige do sujeito ativo uma condição especial (estar contaminado com moléstia grave
que possa ser transmitida sexualmente).
O tipo objetivo (conduta) é a prática de relação sexual ou ato libidinoso, por pessoa portadora de
moléstia venérea com outra pessoa, expondo-a a risco de se contaminar, sendo irrelevante que a
vítima concorde com o ato. 1
Aqui o agente, na forma do art. 131 do CP, pratica, com o fim de transmitir a outrem moléstia
grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, desde que contaminada com moléstia grave (crime
PRÓPRIO). Essa é a posição predominante. Sujeito passivo pode ser qualquer pessoa que não
esteja contaminada pela moléstia.
1
A transmissão do vírus da AIDS não caracteriza este delito. Segundo a doutrina majoritária, tal conduta poderá
caracterizar perigo de contágio de moléstia grave, lesão corporal grave ou homicídio, a depender do dolo do agente
e do resultado obtido (há FORTE divergência doutrinária). CUNHA, Rogério Sanches. Op. Cit., p. 122
O elemento subjetivo aqui exigido é o dolo, mas se exige o dolo específico, que consiste na
intenção de transmitir a doença. Não se exige, porém, que o agente se utilize da relação sexual
para transmitir a moléstia grave, podendo ser qualquer meio apto a transmitir a doença.
O crime se consuma com a mera realização do ato (crime formal), não se exigindo que o resultado
ocorra (contaminação). A tentativa é admissível.
A doença que contaminou a vítima causou lesão leve – Nesse caso, fica absorvida pelo crime
de perigo de contágio de moléstia grave.
A doença que contaminou a vítima causou lesões graves ou a morte – O agente responde
por estes crimes (lesões corporais graves ou morte).
Trata-se da conduta (art. 132 do CP) daquele que, mediante qualquer ação ou omissão, expõe a
perigo a vida ou a saúde de outra pessoa.
Os sujeitos, ativo e passivo, podem ser quaisquer pessoas. O elemento subjetivo exigido é o dolo,
mas não o dolo de causar dano, e sim o dolo de expor a perigo (intenção meramente de praticar
o ato que gera o perigo). Não se admite na forma culposa. Se o agente pratica o ato como meio
para obter um resultado mais grave (tentativa de homicídio, por exemplo), responde pelo crime
mais grave (Trata-se, aqui, de um crime subsidiário, conforme podemos ver da redação do art.,
que fala “se o fato não constitui crime mais grave”).
O crime se consuma com a mera exposição da vítima ao risco de dano (perigo). Caso o resultado
ocorra, duas hipóteses podem ocorrer:
➢ O resultado gera um delito mais grave – Responde pelo delito mais grave
➢ O resultado é menos grave do que o crime de exposição a perigo – Responde pelo
crime de exposição a perigo
A pena será aumentada de um sexto a um terço sempre que o crime ocorrer em decorrência de
transporte irregular de pessoas para prestação de serviços em estabelecimentos.
A conduta punida aqui (art. 133 do CP) é a de deixar ao relento pessoa incapaz que esteja sob a
guarda do agente.
O crime é próprio, pois se exige que o sujeito ativo tenha uma qualidade especial: ter o dever de
guarda e vigilância da pessoa abandonada.
A consumação do delito se dá com o mero ato de abandonar o incapaz, sendo indiferente, para a
consumação do delito, a ocorrência de algum dano. No entanto, caso ocorram lesões graves, ou
morte, as penas serão diferentes, conforme previsão dos §§ 1° e 2° do CP (Formas qualificadas
pelo resultado).
Poderá, ainda, haver uma causa de aumento de pena (de 1/3), caso:
Esse crime (art. 134 do CP) não se confunde com o crime de abandono de incapaz (art. 133). Aqui
a pessoa (mãe ou pai) expõe ou abandona recém-nascido, para ocultar desonra própria. A Doutrina
não é unânime, mas a maioria entende que, neste caso, o sujeito ativo só pode ser a mãe ou pai
do recém-nascido, sendo, portanto, crime próprio.
A conduta pode ser comissiva (ação) ou omissiva (omissão), na medida em que o agente pode
expor o recém-nascido a perigo (ação) ou abandoná-lo (ação ou omissão).
O referido crime (art. 135 do CP) irá se configurar quando o agente “deixar de prestar assistência,
quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa
inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo, ou não pedir, nesses casos, o
socorro da autoridade pública, ”
Aqui o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum), podendo ser qualquer pessoa,
também, o sujeito passivo, desde que se enquadre numa das situações previstas no tipo penal.
A conduta somente pode ser praticada na forma omissiva (crime omissivo puro). Com relação ao
concurso de agentes, a Doutrina se divide, mas prevalece que é possível PARTICIPAÇÃO, mas
NÃO COAUTORIA.
A Doutrina exige, ainda, que o sujeito ativo esteja presente na situação de perigo, ou seja, que
esteja presenciando a situação em que a vítima se encontra e deixe de prestar socorro, quando
podia prestar socorro sem risco pessoal. Assim, se o agente apenas sabe que outra pessoa está
em risco, mas não se move até o lugar para salvá-la, não há crime de omissão de socorro.
O elemento subjetivo é o dolo (que pode ser direto ou eventual), não se admitindo na forma
culposa e o crime se consuma quando o agente efetivamente se omite na prestação do socorro,
e, sendo um crime omissivo próprio, não admite tentativa.
Apesar de não ser necessária a ocorrência de qualquer resultado para a consumação do crime, o
==a80b1==
§ único do art. 135 traz uma causa de aumento de pena caso ocorra lesões graves na pessoa que
não foi socorrida (aumento de metade). No caso de sobrevir a morte da pessoa não socorrida, a
pena será TRIPLICADA.
Frise-se que a omissão de socorro nos acidentes de trânsito (caso o agente esteja envolvido no
acidente) é regulada pelo CTB. Caso o agente não tenha se envolvido no acidente, tendo apenas
presenciado pessoa que necessitava de ajuda por ter se envolvido em acidente de trânsito,
responde pelo art. 135 do CP.
A omissão de socorro à pessoa idosa configura crime específico, previsto no Estatuto do Idoso (art.
97 da Lei 10.741/03).
Nesse crime do art. 135-A há causa de aumento de pena, elevando-se a pena aplicada até o
DOBRO no caso de LESÃO GRAVE e até o TRIPLO, no caso de MORTE.
1.7 Maus-tratos
O crime de maus-tratos (art. 136 do CP) é um crime próprio, só pode ser praticado por quem
detenha a guarda ou vigilância da vítima.
O tipo objetivo (conduta incriminada) é PLURINUCLEAR, ou seja, o crime pode ser praticado de
diversas maneiras diferentes:
▪ Privar de alimentação
▪ Privar de cuidados indispensáveis
▪ Sujeitar a trabalho excessivo ou inadequado
▪ Abusar dos meios de correção ou disciplina
Assim, se o agente, mediante alguma dessas condutas, expõe a perigo de lesão (à saúde ou à vida)
pessoa sob sua guarda, e o faz com a intenção específica prevista no tipo penal, comete o crime
em tela.
CUIDADO! Este crime não se confunde com o crime de tortura! No crime de tortura é necessário
que a vítima seja submetida a intenso sofrimento (físico ou mental) e a intenção do agente dever
ser a de torturar, ou seja causar sofrimento excessivo com a finalidade específica de obter alguma
declaração da vítima, para simplesmente demonstrar poder, etc.
Os §§ 1° e 2° trazem hipóteses nas quais a conduta do agente acaba por causar lesões graves ou
morte. No primeiro caso (lesões graves), a pena será de 1 a 4 anos. No segundo caso (morte) a
pena será de 4 a 12 anos. O § 3° traz uma causa de aumento de pena, aplicável no caso de a vítima
ser menor de 14 anos (a pena é aumentada 1/3).
Nos crimes de Periclitação da vida e saúde, somente o crime de perigo de contágio de doença
VENÉREA é crime de ação penal CONDICIONADA à representação. Todos os demais são crimes
de ação penal pública incondicionada.
Da rixa
O crime de rixa pode ser conceituado como a briga, contenda, entre mais de duas pessoas, cada
um agindo por conta própria, na qual há prática de vias-de-fato ou violência recíproca. Aqui, o CP
visa a evitar que o delito fique impune, por não se saber quem deu início à briga (pois se não
houvesse o crime de rixa, e não se soubesse quem deu início às agressões, não seria possível
condenar ninguém).
Está previsto no art. 137 do CP, que tipifica: “participar de rixa, salvo para separar os contendores”.
Parte da Doutrina entende que os participantes da rixa são, ao mesmo tempo, sujeito ativo e sujeito
passivo do delito (em razão das mútuas agressões).1
A Doutrina exige que haja três ou mais pessoas se agredindo mutuamente. Se for possível definir
dois grupos contendores (brigas de torcidas organizadas, por exemplo), cada grupo responderá
pelas lesões corporais. Não é necessário contato físico (pode ser praticado à distância, jogando
pedras, paus, etc.).
Trata-se de crime de CONCURSO NECESSÁRIO, pois necessariamente deve ser praticado por uma
pluralidade de agentes, no caso, por mais de duas pessoas.
O elemento subjetivo é o dolo de participar da rixa, salvo se entrar nela para separar os brigões.
Não há previsão de modalidade culposa.
A consumação se dá com o início da rixa, ou com a entrada do agente na rixa, com a efetiva troca
de agressões ou vias-de-fato entre os rixosos. A ocorrência de lesões é mero exaurimento,
irrelevante para a consumação do delito.
O § único prevê a forma qualificada, que ocorrerá caso sobrevenha a alguém (que participa ou não
da rixa), lesão grave ou morte. Nesse caso, a pena será de seis meses a dois anos.
Prevalece o entendimento de que todos os participantes da rixa respondem pela forma qualificada.
Aqueles que causaram, efetivamente, as lesões graves ou a morte de alguém, responderão, além
da rixa qualificada, pelos crimes de lesão corporal grave ou morte, a depender de cada caso. A
Doutrina (majoritária) entende que mesmo se o agente se retirou da rixa antes da ocorrência da
lesão grave ou morte, responde pela forma qualificada, pois a sua conduta contribuiu para a
1
PRADO, Luis Regis. Op. Cit., p. 231/232
existência da rixa2. Entretanto, se o agente entrou na rixa apenas após a ocorrência das lesões
graves ou morte, responde por rixa simples.
2
CUNHA, Rogério Sanches. Op. Cit., p.
Os crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação) são aqueles nos quais o bem jurídico tutelado é a honra
do ofendido, seja em sua dimensão subjetiva ou objetiva:
Vamos estudar cada um deles individualmente e, após, veremos algumas disposições gerais, aplicáveis a
todos eles.
1.1 Calúnia
A calúnia é a imputação falsa, a alguma pessoa, de fato definido como crime. Está prevista no art. 138 do
CP. Vejamos:
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Na calúnia, o bem jurídico tutelado é a honra objetiva do ofendido, pois o que está em jogo é a sua imagem
perante a sociedade, perante o grupo que o rodeia.
O tipo objetivo é a conduta de imputar a alguém falsamente fato definido como crime, e essa conduta pode
ser praticada somente na forma comissiva, não se admitindo na forma omissiva. Entretanto, pode ser
realizada mediante gestos, insinuações (calúnia reflexa), etc. Ou seja, qualquer meio apto para provocar a
calúnia é admissível como forma de realização do núcleo do tipo penal.
Qualquer pessoa, em regra, pode praticar o delito (sujeito ativo). Entretanto, em alguns casos, algumas
pessoas gozam de imunidade material, não praticando crime quando caluniam alguém no exercício da
profissão (parlamentares, por exemplo). O sujeito passivo também pode ser qualquer pessoa, não se exigindo
nenhuma qualidade especial. Até os mortos (art. 138, §2º do CP) podem ser caluniados (quando se atribui
a eles a prática de crime quando em vida, óbvio!), mas os sujeitos passivos, nesse caso, são seus familiares.
1
O elemento subjetivo do tipo é o dolo, não se admitindo a calúnia culposa. Frise-se que a intenção de
caluniar deve existir. O animus caluniandi deve existir, como elemento subjetivo específico do tipo (dolo
específico).
Mas e se alguém pratica a conduta sem a intenção de caluniar, mas apenas para fazer uma brincadeira
(por exemplo)? Nesse caso, não há crime. É necessária a intenção de caluniar, não se punindo a conduta
daquele que age com intenção de brincar (animus jocandi) ou de narrar o fato (caso da testemunha, por
exemplo, que age com animus narrandi).
1 PRADO, Luis Regis. Op. Cit., p. 248. No mesmo sentido, CUNHA, Rogério Sanches. Op. Cit., p. 163
Ressalte-se que na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga (§ 1° do art.
138 do CP).
O crime se consuma com a divulgação da calúnia a um terceiro, pois se trata de atentado à honra objetiva
da vítima (imagem, reputação da vítima).
Trata-se de um crime formal, não se exigindo que a honra objetiva da vítima seja, de fato, atingida (ex.:
José, em conversa com Pedro, calunia Maria. Pedro, porém, não acredita na imputação falsa).
A tentativa é possível quando for possível fracionar o iter criminis (ex.: José manda uma carta para Pedro,
caluniando Maria, mas esta consegue impede que Pedro receba a carta). Na hipótese de uma calúnia feita
oralmente presencialmente, não será cabível a tentativa, eis que o início da execução já provocará a
consumação do crime.
Admite-se, neste crime, a chamada exceptio veritatis, ou, em bom português, exceção da verdade, que nada
mais é que o direito que o sujeito ativo possui de provar que o fato que ele imputa ao sujeito passivo, de fato,
ocorreu (não é falsa a imputação).
▪ No caso de crime de ação penal privada, se não houve ainda sentença irrecorrível – Assim, se o
ofendido ainda está respondendo a processo criminal, não pode o caluniador alegar a exceção
da verdade
▪ No caso de a calúnia se dirigir ao Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro
▪ No caso de crime de ação penal pública, caso o caluniado já tenha sido absolvido por sentença
transitada em julgado.
1.2 Difamação
A difamação, à semelhança da calúnia, também tem como bem jurídico tutelado a HONRA OBJETIVA do
ofendido. Nos termos do art. 139 do CP, pune-se a conduta de “difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo
à sua reputação. “
Aqui, o fato imputado ao ofendido não é crime, mas apenas ofensivo à sua reputação.
EXEMPLO: Imagine que Ricardo espalhe para a vizinhança que Roberto anda traindo sua esposa,
tendo, inclusive, entrado no motel no dia X, às 22h, acompanhado de sua amante (fato atípico,
mas ofensivo à sua reputação). Nesse caso, não haverá calúnia, pois o fato não é definido como
crime, embora seja ofensivo à reputação do difamado. Haverá, portanto, difamação.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Temos, portanto, um crime comum. O sujeito passivo também pode
ser qualquer pessoa, não se exigindo qualquer qualidade da vítima. Porém, não se pune a difamação contra
os mortos!
O tipo subjetivo aqui também é o dolo, devendo haver a intenção de difamar (animus difamandi).
A exemplo do que ocorre no crime de calúnia, no crime de difamação, parte da Doutrina vem sustentando que
não se deve punir aquela pessoa que simplesmente repete o que todo mundo já sabe (exceção de
notoriedade).
1.3 Injúria
Diferentemente dos dois primeiros tipos penais, a injúria não busca tutelar a honra objetiva, mas a honra
subjetiva do ofendido. Nos termos do art. 140 do CP, pune-se a conduta de “injuriar alguém, ofendendo-lhe
a dignidade ou o decoro. “
EXEMPLO: Imagine que Ricardo ofenda Carol, chamando-a de pobretona fedorenta. Nesse caso,
o que está sendo violada não é a honra objetiva de Carol (sua imagem perante a sociedade), mas
sua honra subjetiva (seu sentimento de apreço pessoal), pois a ofensa tem por finalidade fazê-la
==a80b1==
Sujeito ativo e passivo podem ser qualquer pessoa, não se exigindo nenhuma qualidade especial.
Outra diferença gritante refere-se ao objeto da ofensa. Aqui não se trata de um FATO, mas da emissão de
um conceito depreciativo sobre o ofendido (piranha, fedorento, safado, corno, pilantra, burro, etc.).
Aqui, diferentemente do que ocorre na difamação e na calúnia, não se exige que um terceiro tome
conhecimento da ofensa, pois o que se tutela é a honra subjetiva, sendo necessário que a própria vítima tome
conhecimento das ofensas.
Da mesma forma que os demais, o crime é formal, ou seja, se consuma com a chegada da ofensa ao
conhecimento da vítima, independentemente do fato de esta se sentir ou não ofendida (resultado naturalístico
dispensável). Da mesma forma, cabe tentativa no caso de ofensa escrita.
O § 1° estabelece duas hipóteses que a Doutrina classifica como perdão judicial, no caso da provocação e da
retorsão imediata, de forma que o Juiz poderá deixar de aplicar a pena:
OBS.: A Doutrina entende não ser cabível o perdão judicial na injúria qualificada nem na injúria real.
O § 2° traz o que se chama de injúria real, pois há contato físico, de forma que a intenção do agente seja
humilhar o ofendido através do contato físico (tapa na cara humilhante, por exemplo).
O § 3° do art. 140 traz a chamada injúria qualificada pelo preconceito, que é uma modalidade de injúria
para a qual a lei prevê uma pena mais grave, em razão da maior reprovabilidade da conduta. Vejamos:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 14.532,
de 2023)
Aqui, portanto, a ofensa se dá com a utilização de elementos que remetem ao preconceito, seja ele religioso,
etário (pessoa idosa) ou capacitista (pessoa com deficiência).
A ofensa baseada em preconceito racial não configura mais crime? Configura sim, mas não se encontra mais
no Código Penal. A Lei 14.532/23, retirou a injúria baseada em preconceito de raça, cor, etnia ou
procedência nacional do art. 140, §3º do CP, transportando tal tipificação para a Lei antirracismo (Lei
7.716/89), com pena de 02 a 05 anos de reclusão e multa.
Ao transferir para a Lei antirracismo a tipificação da conhecida “injúria racial”, o legislador positivou (colocou
na lei) a equiparação da injúria racial ao racismo, sendo, portanto, crime imprescritível e inafiançável.
Ademais, a injúria racial (hoje na lei antirracismo), passou a ser crime de ação penal pública
incondicionada.
2 Art. 141, §2º do CP, incluído pela Lei 13.964/19, mas com vigência somente a partir de 30.05.2021, por se tratar de uma das
partes que foi originalmente vetada, mas cujo veto foi derrubado pelo Congresso Nacional, de forma que o Presidente da República
realizou a promulgação somente em 30.04.2021, com vacatio legis de 30 dias.
Realizada pelo funcionário público na avaliação e emissão de conceito acerca de informação que
preste no exercício da função.
A Doutrina majoritária considera tais situações como causas de exclusão da ilicitude do fato.
Entretanto, quem dá publicidade à primeira e terceira hipótese, responde pelo crime.
Importante é a hipótese de retratação. Se o querelado (infrator) antes da sentença (da sentença de primeiro
grau!) se retrata da calúnia ou difamação (não se aplica à injúria) fica isento de pena. Frise-se que a
retratação só tem cabimento se for total e só se aplica aos casos em que se trata de crime de ação penal
privada, já que o art. 143 usa a expressão “querelado”, o que remete ao réu na ação penal privada:
Nos casos em que tenha sido praticada a calúnia ou a difamação pelos meios de comunicação, a retratação
deverá se dar, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que foi praticada a ofensa.
O art. 144 do CP traz a situação relativa ao “pedido de explicações”. Vejamos:
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem
se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a
critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
Se alguém se sentir ofendido por frases ou alusões não explícitas, pode pedir explicações em Juízo. Se o
reclamado não prestar os esclarecimentos ou prestá-los de forma não satisfatória, responderá pela ofensa
alegada. Isso não significa que o Juiz irá automaticamente condenar o suposto autor do crime contra a honra.
O pedido de esclarecimentos é considerado como mera ação cautelar preparatória. Finalizado o procedimento
preparatório, o ofendido receberá os autos da ação cautelar e deverá, posteriormente, mover a competente
ação penal pelo crime contra a honra buscando a condenação do ofensor.
Quanto à ação penal, o CP traz algumas regras, que devem ser analisadas à luz da jurisprudência.
A ação penal é, em regra, privada, salvo no caso da injúria real, na hipótese de haver violência. Caso resulte
lesão corporal dessa violência empregada, por se tratar de crime complexo, será de ação penal pública,
condicionada ou incondicionada, a depender da natureza da lesão corporal.
A ação penal é pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça no caso de ofensa ao Presidente
da República ou chefe de governo estrangeiro.
A ação penal é pública condicionada à representação do ofendido no caso de injúria qualificada (art. 140,
§ 3°) pelo preconceito de religião, condição de pessoa idosa ou com deficiência.
Frise-se que a injúria racial, baseada em elementos de cor, raça, etnia ou procedência nacional, hoje na
lei antirracismo, passou a ser crime de ação penal pública incondicionada.
No caso de no caso de ofensa contra funcionário público em razão das funções, apesar de o CP estabelecer
tratar-se de crime de ação penal pública condicionada, o STF sumulou entendimento no sentido de que a
legitimidade é concorrente entre o ofendido (para ajuizar queixa) e do MP (para ajuizar ação penal pública
condicionada à representação) – Súmula 714 do STF.
Constrangimento ilegal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver
reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei
permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
O sujeito ativo, aqui, pode ser qualquer pessoa (crime comum), não se exigindo nenhuma qualidade do
sujeito ativo. Sujeito passivo pode ser qualquer pessoa, e que tenha algum discernimento. Caso o sujeito
ativo seja funcionário público no exercício da função, poderemos estar diante do crime de abuso de
autoridade (a depender da conduta praticada – ex.: obrigar alguém a produzir prova contra si1).
O elemento subjetivo exigido é o dolo. Não há forma culposa.
A conduta punida pode ser realizada de diversas maneiras, desde que o agente empregue violência, grave
ameaça ou outro meio que reduza a capacidade de resistência da vítima, para coagi-la a fazer algo que a lei
não obriga ou não fazer algo que a lei permite.
1 Lei 13.869/19 (Nova Lei de Abuso de autoridade) - Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça
ou redução de sua capacidade de resistência, a:
(...)
III - produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro: (Promulgação partes vetadas)
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência.
EXEMPLO: José, conhecido valentão, obriga Pedro a se levantar da cadeira em que está sentado
num restaurante, afirmando que se não levantar, irá apanhar. Pedro, conhecendo a fama de José,
se levanta e procura outro lugar para se sentar.
Percebam que só haverá este crime caso não se trate de crime mais grave (subsidiariedade expressa). Assim,
aquele que coage outra pessoa a manter com ele relações sexuais comete estupro, e não constrangimento
ilegal.
A Doutrina entende que pode ser praticado tanto na forma comissiva (ação), quanto na forma omissiva.
A consumação se dá quando a vítima efetivamente cede ao comando do infrator e pratica o ato que não
desejava. Logo, sendo crime material e plurissubsistente, é plenamente possível a tentativa.
Se o crime é praticado mediante concurso de mais de três pessoas ou há emprego de arma (qualquer arma,
e não necessariamente arma de fogo), a pena é aplicada em dobro, conforme §1°.
Se na execução o infrator se utilizar de violência, causando lesões na vítima, responderá cumulativamente
pelo constrangimento ilegal e pela violência aplicada (§2°), em CONCURSO MATERIAL.
Entretanto, o constrangimento (ato de coagir pessoa a fazer alguma coisa que não queira) não é punido se:
⇒ Praticado pelo médico, para salvar a vida do paciente (quando este não queira); ou
⇒ Se o agente exerce a coação para impedir o suicídio do coagido (§3°).
1. Aspectos gerais
Intimidação sistemática (bullying)
Art. 146-A. Intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência
física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem
motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação
ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais:
(Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
Pena - multa, se a conduta não constituir crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 14.811,
de 2024)
Intimidação sistemática virtual (cyberbullying) (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede
social, de aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou
transmitida em tempo real: (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir
crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
EXEMPLO 1: José, rapaz de 18 anos, ainda no ensino médio, sistematicamente intimida Pedro,
seu colega de turma, isolando-o dos demais colegas, fazendo-o se sentir constrangido perante
os demais, etc.
EXEMPLO 2: Maria, Valentina e Juliana, jovens de determinado condomínio de classe média alta,
não gostaram quando Helena se mudou para o condomínio, pois Helena era muito bonita e
chamava a atenção dos rapazes do local. Maria, Valentina e Juliana, então, passaram a intimidar
Helena, sistematicamente. Toda vez que Helena ia para a piscina do condomínio, as infratoras
escondiam as toalhas; toda vez que Helena se dirigia à quadra de tênis, as infratoras recolhiam
as bolas do condomínio; recorrentemente as infratoras criavam situações para que Helena se
sentisse isolada, constrangida e humilhada.
O elemento subjetivo é o dolo, não havendo forma culposa para tal delito.
O crime se consuma com a prática de qualquer das condutas, não se exigindo que a vítima se sinta
emocionalmente abalada pela intimidação.
Por se tratar de crime habitual, prevalece na Doutrina o entendimento de que não é cabível a tentativa.
O tema do bullying ganhou enormes proporções no Brasil nas últimas décadas. Naturalmente que nem toda
brincadeira, ainda que de mau gosto, irá configurar bullying. Exige-se que haja uma prática reiterada de atos
de intimidação para que a conduta configure o tipo penal do art. 146-A do CP.
A qualificadora incidirá sempre que a conduta for realizada por meio da rede de computadores, de rede
social, de aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou transmitida em
tempo real.
EXEMPLO: Jovens de determinado bairro decidem fazer bullying virtual com um garoto que
acabara de chegar na localidade. Em todas as postagens que o rapaz realizava em suas redes
sociais, os jovens comentavam fazendo piadinhas, gracejos indesejados, tudo para constranger
de forma recorrente o rapaz. Sempre que o rapaz postava um vídeo, os infratores realizavam
uma postagem semelhante, parodiando a vítima, para que esta se sentisse humilhada e
constrangida.
Na forma qualificada o crime não configura infração de menor potencial ofensivo, eis que a pena máxima
cominada é superior a 02 anos de privação da liberdade.
Ameaça
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.
A ameaça é o crime pelo qual uma pessoa faz promessa de realização futura (é claro) de um mal grave e
injusto a outra pessoa. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum), sendo sujeito passivo
também qualquer pessoa, exigindo-se, apenas, que tenha capacidade de entender o caráter da ameaça
(potencialidade intimidativa).
Pode ser praticado de diversas maneiras (palavras, escritos, gestos), podendo ser explícita (“Eu vou te
matar”) ou implícita (“Eu, se fosse você, faria um seguro de vida para sua família...”). Pode ser direta (quando
se promete causar mal à vítima da ameaça) ou indireta (quando se promete causar mal à terceira pessoa).
Por fim, a ameaça pode ser:
▪ Incondicionada – Quando o agente simplesmente ameaça fazer o mal injusto e grave: “Eu vou
matar você! ”
▪ Condicionada – Quando o mal prometido pelo agente só ocorrerá sob determinadas condições:
“Se você não operar meu filho direito, eu vou te matar”
Perseguição (stalking)
O art. 147-A assim dispõe:
Perseguição
Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a
integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de
qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
A conduta, como se pode ver, é a de “perseguir alguém”. Aliás, a expressão stalking deriva da palavra inglesa
stalker (perseguidor). Basicamente, um stalker é alguém que perturba o sossego alheio, buscando
aproximação indesejada com a vítima, por alimentar uma idolatria, um sentimento afetivo não
correspondido, etc.
EXEMPLO: José, após não ter seus anseios amorosos correspondidos por Maria, inicia uma
obsessiva e reiterada perseguição à vítima. José passa a comparecer a todos os locais que Maria
habitualmente frequenta, passa a enviar-lhe e-mails diariamente, mensagens de celular,
estaciona seu carro em frente à casa da vítima e lá passa as noites, monitorando a vida da vítima.
Como se pode observar pela redação do tipo penal, a conduta deve ser realizada “reiteradamente”, ou seja,
com habitualidade, motivo pelo qual temos um crime habitual. O que significa isso? Significa que a prática
de um ato isolado não configura o delito, devendo o agente praticar uma série de atos de perseguição,
reiteradamente, de forma a configurar o delito.
O bem jurídico que se busca proteger é a liberdade individual, e o elemento subjetivo, evidentemente, é o
dolo, não havendo forma culposa para tal delito.
É necessário que o perseguidor tenha a intenção de causar algum mal à vítima? Não, não se exige esse dolo
específico. É bastante comum que perseguidores atuem sem a intenção específica de prejudicar a vítima,
buscando apenas a satisfação pessoal de ter a vítima por perto, obter alguma atenção etc. Ainda assim
haverá o delito.
Mas é importante frisar que o delito só irá se configurar se o agente:
⇒ Ameaçar a integridade física ou psicológica da vítima – EXEMPLO: José, irritado com o término
da relação com Maria, passa a enviar mensagens reiteradamente à vítima, nas quais exige a
retomada da relação, prometendo “acabar com a vida” da vítima, caso ela não o aceite de volta,
ou ameaçando prejudicar a atividade profissional da vítima.
⇒ Restringir a capacidade de locomoção da vítima – EXEMPLO: José passa a perseguir
reiteradamente a ex-esposa Maria, esperando-a na porta de casa, na porta do trabalho,
ameaçando-a quando esta agenda um encontro com um novo pretendente. Maria, com medo,
passa a ter dificuldade até mesmo para sair de casa.
⇒ Invadir ou perturbar a esfera de liberdade ou privacidade da vítima – EXEMPLO: José, fã da
cantora MC Mariah, nutre por ela uma admiração obsessiva. Em razão disso, passa a perseguir
a vítima, frequentando todos os locais que a vítima frequenta, abordando-a e forçando uma
amizade, algo que incomoda demais a vítima, invadindo sua esfera de privacidade.
O meio que o agente escolhe para praticar as condutas acima mencionadas é irrelevante, sendo crime de
forma livre. Dessa forma, a perseguição pode se dar presencialmente, por telefone, na internet
(cyberstalking).
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, logo, trata-se de crime comum. Qualquer pessoa também poderá
ser sujeito passivo do delito (vítima), seja homem ou mulher.
O §1º do art. 147-A traz 03 circunstâncias majorantes, estabelecendo que a pena será aumentada de metade
se o crime for cometido:
⇒ Contra criança, adolescente ou idoso
⇒ Contra mulher por razões da condição de sexo feminino (na forma do § 2º-A do art. 121 do
CP)
⇒ Mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.
De acordo com o ECA (Lei 8.069/90), considera-se criança a pessoa de até 12 anos incompletos e adolescente
a pessoa entre 12 e 18 anos de idade. Idoso, de acordo com a Lei 10.741/03 (estatuto do idoso) é a pessoa
com idade igual ou superior a 60 anos.
No caso da majorante do inciso II, como se vê, não basta que a vítima seja mulher, sendo necessário que o
fato seja praticado “por razões da condição do sexo feminino”. O art. 121, §2º-A do CP estabelece o que se
considera “razões da condição do sexo feminino”:
Art. 121 (...) § 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o
crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº 13.104, de
2015)
Por fim, há a majorante do inciso III, ou seja, se praticado o crime por 02 ou mais pessoas (em concurso de
agentes, portanto) ou com emprego de arma. É necessário que se trate de arma de fogo? Não. A lei não fez
distinção, usando apenas a expressão “arma”, de maneira que armas brancas também estão compreendidas
na majorante (ex.: faca, canivete etc).
O §2º do art. 147-A estabelece o que segue:
Art. 147-A (...) § 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes
à violência.
Trata-se do chamado “cúmulo material obrigatório”. Assim, se o crime eventualmente for praticado
mediante violência, o agente receberá a pena do crime de perseguição mais a pena referente à violência.
EXEMPLO: José passa a, reiteradamente, perseguir sua ex-esposa Maria. Em certo dia, ao abordá-
la na saída trabalho, José dá um soco na vítima, impedindo-a de entrar no carro. Maria sofre
lesão corporal grave. Nesse caso, José receberá a pena do crime de perseguição (majorada pelo
contexto de violência doméstica contra a mulher) mais a pena referente ao crime de lesão
corporal grave.
Por fim, trata-se de crime de ação penal pública condicionada à representação. Ou seja, o MP somente
poderá oferecer denúncia contra o infrator caso a vítima ofereça representação, autorizando a persecução
penal.
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime
mais grave. (Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021)
Temos aqui, diversos meios que podem ser empregados para configurar o delito, ou seja, diversas formas
pelas quais o dano pode ser causado, e qualquer uma delas já configura o crime (desde que cause dano à
vítima), e a prática de mais de uma delas, no mesmo contexto e contra a mesma vítima, não configura
pluralidade de crimes (continua sendo um só crime).
Trata-se de um crime doloso, não havendo forma culposa. Todavia, é bom ressaltar que o dolo mencionado
se refere à conduta, não ao dano em si. Ou seja, a conduta praticada pelo agente deve ser dolosa, ainda que
sem a intenção de efetivamente causar dano psicológico.
EXEMPLO: José, marido de Maria, por ciúmes e sentimento de posse, começa a privar a vítima
de se encontrar com suas amigas (limitação do direito de ir e vir), de ter contato com seus
familiares (isolamento), a obriga a abandonar sua religião, etc. Maria, em razão de tais
comportamentos de José, sofre comprovado dano psicológico.
Há quem sustente, porém, que o dolo deve se dirigir não apenas à conduta, mas ao resultado desta, ou seja,
o dano, de forma que o agente deveria ter a intenção específica de causar dano psicológico na mulher.
Trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Todavia, o sujeito passivo somente
pode ser mulher. Doutrina e jurisprudência vêm entendendo que nesse conceito de mulher se insere
também a mulher transgênero, ainda que não submetida a procedimento cirúrgico para mudança de sexo
(redesignação sexual).
Como o tipo penal diz “causar dano”, temos aqui um crime material, em que o resultado naturalístico
previsto no tipo penal é indispensável para a consumação. A consumação se dá, portanto, com a ocorrência
do dano emocional.
A despeito do que possa parecer num primeiro olhar, não se trata de crime habitual, não se exigindo a prática
de reiteradas condutas pelo infrator. A prática da conduta uma única vez, desde que causadora do dano
emocional, é suficiente para caracterizar o delito.
O próprio tipo penal estabelece que a pena é de reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a
conduta não constitui crime mais grave. Trata-se, aqui, do que se chama de subsidiariedade expressa, ou
seja, a lei expressamente estabelece que somente irá se caracterizar o delito caso a conduta do agente não
configure crime mais grave:
EXEMPLO: José proíbe sua esposa Maria de sair de casa, trancando-a na residência. Apesar do
isolamento e da limitação do direito de ir e vir, tal conduta configura crime mais grave, que é o
crime de sequestro ou cárcere privado, previsto no art. 148 do CP. Logo, pelo princípio da
subsidiariedade, o agente responderá apenas pelo crime de sequestro ou cárcere privado.
É possível, ainda, que pelo princípio da subsidiariedade a conduta deixe de configurar outro tipo penal menos
grave e passe a configurar o crime do art. 147-B (violência psicológica contra a mulher):
EXEMPLO 1: José, na frente dos amigos do casal, ridiculariza e humilha sua esposa Maria, fazendo
comentários depreciativos ao desempenho sexual da esposa, chamando-a de “geladeira” e
“pedaço de carne”. Maria fica extremamente abalada psicologicamente em razão da humilhação.
Nesse caso, tal conduta, em tese, também configuraria injúria (art. 140 do CP). Porém, como tais
ofensas/humilhações configuram elemento de um crime mais grave (o crime de violência
psicológica contra a mulher – art. 147-B do CP), o agente responderá apenas pelo crime mais
grave.
EXEMPLO 2: José e Maria são casados, e Maria já foi casada antes com outra pessoa, tendo sido
mãe de uma criança que morreu aos 05 anos de idade. Maria guarda, com muito carinho, um
sapatinho do filho falecido. José não aceita bem a “relação” que Maria possui com o filho
falecido, interpretando isso como uma afronta ao relacionamento atual. Certo dia, durante uma
discussão, José pega o sapatinho do falecido filho de Maria e o destrói. Maria, diante de tal ato,
sofre abalo psicológico. Nesse caso, apesar de tal conduta também configurar o crime de dano
(art. 163), como o dano, nessas circunstâncias, é elemento de um crime mais grave (o crime de
violência psicológica contra a mulher – art. 147-B do CP), o agente responderá apenas pelo crime
mais grave.
Como a lei é silente a respeito da ação penal prevista para o delito, trata-se de ação penal pública
incondicionada.
O crime em questão na maioria dos casos envolve violência doméstica e familiar contra a mulher, mas isso
não é uma exigência do tipo penal, de forma que o crime pode se dar em outras esferas de relacionamento
(ex.: no trabalho, na faculdade, etc.).
É importante destacar que, havendo contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, apesar de
a pena máxima não ser superior a 02 anos de privação da liberdade, não se aplica o rito dos Juizados, por se
tratar de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do art. 41 da Lei 11.340/06:
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei 9.099, de 26 de setembro de
1995.
Frise-se que a violência emocional ou psicológica é uma forma de violência (embora não se trate de violência
física).
Havendo contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, serão aplicáveis as súmulas 536, 588,
589 e 600 do STJ, de forma que:
⇒ Não se aplicam a suspensão condicional do processo e a transação penal
⇒ Não cabe substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos
⇒ Não se aplica o princípio da insignificância
⇒ Não é necessária coabitação entre infrator e vítima
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado:
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I - se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de
60 (sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005)
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de 15 (quinze) dias.
IV - se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; (Incluído pela Lei nº 11.106,
de 2005)
V - se o crime é praticado com fins libidinosos. (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005)
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave
sofrimento físico ou moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Aqui se incrimina a conduta de quem priva a liberdade de locomoção de outra pessoa. O núcleo do tipo é
“privar”, ou seja, retirar de alguém a sua liberdade, seja por meio do sequestro ou do cárcere privado.
O crime pode ser praticado por ação, omissão e até mesmo por fraude (o agente induz a vítima a erro).
Devemos, entretanto, distinguir sequestro de cárcere privado:
▪ Sequestro – A privação da liberdade não implica em confinamento da vítima em recinto fechado.
▪ Cárcere privado – É espécie do gênero sequestro, mas exige que a vítima fique confinada em
recinto fechado.
EXEMPLO 1: Durante um jantar, Maria informa a José, seu namorado, que deseja terminar a
relação. Como ambos se encontravam na casa de campo de José, este se aproveita do fato e
tranca Maria num dos quartos do imóvel, e informa que ela somente sairá de lá quando
“repensar sua atitude”. Há, aqui, o crime do art. 148 do CP, praticado por meio do cárcere
privado.
O elemento subjetivo é o dolo, consistente na vontade de privar a vítima de sua liberdade. Se o crime tem
outra finalidade, além da mera intenção de privar da liberdade, poderá configurar outro crime (Exemplo:
Extorsão mediante sequestro). Não há modalidade culposa.
O crime se consuma no momento em que a vítima tem sua liberdade de ir e vir privada. Entretanto, por se
tratar de crime permanente, a consumação se prolonga no tempo, cessando apenas com a libertação da
vítima.
E se durante esse tempo sobrevier lei mais grave? Aplica-se a lei mais grave, por ter entrado em vigor
quando o crime ainda estava se consumando. A questão hoje está sumulada no STF (Súmula n° 711 do STF).
Os §§1° e 2° trazem duas qualificadoras. A primeira incidirá no caso de o crime ser praticado:
⇒ Contra ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do infrator, ou contra pessoa maior
de 60 anos
⇒ Mediante internação em casa de saúde ou hospital
⇒ Por mais de 15 dias
⇒ Contra menor de 18 anos
⇒ Com fins libidinosos (sexuais)
o crime é praticado com fins libidinosos”. Ou seja, nessa específica modalidade, é indispensável a presença
do dolo específico.
A segunda qualificadora incide no caso de resultar à vítima grave sofrimento físico ou moral, em razão de
maus tratos ou da natureza da privação da liberdade. Nesse caso, a pena será de 2 a 8 anos.
O crime de sequestro e cárcere privado, a princípio, não é crime hediondo. Todavia, quando se tratar de
crime de sequestro ou cárcere privado cometido contra menor de 18 (dezoito) anos (art. 148, § 1º, inciso IV)
o crime será considerado hediondo, nos termos do art. 1º, XI da Lei 8.072/90.
Aqui temos uma modalidade especial de ofensa à liberdade pessoal, na qual o infrator priva a vítima de sua
liberdade (em sentido amplo, podendo englobar a liberdade de locomoção, mas não necessariamente)
mediante a submissão à jornada excessiva de trabalho, ou a trabalhos forçados, a trabalho em condições
precárias ou quando restringe a locomoção do trabalhador em razão de dívida contraída com o empregador
ou preposto (funcionário do empregador).
A Doutrina dá a este crime o nome de plágio.
O núcleo do tipo é “reduzir”, que nesse contexto, pode ser compreendido como “submeter alguém a
determinada condição abaixo de sua dignidade”, mais precisamente, submeter alguém a uma condição
semelhante à de escravo.
O crime pode ser praticado de diversas formas, elencadas no tipo penal, sendo crime de forma vinculada.
As formas pelas quais o crime pode ser praticado são:
Exatamente pela variedade de formas pelas quais o crime pode ser praticado, o STJ firmou entendimento no
sentido de que a configuração do crime em questão não exige, necessariamente, restrição à liberdade de
locomoção. Em grande parte dos casos, evidentemente, há restrição à liberdade de ir e vir do indivíduo.
Todavia, o STJ possui entendimento pacificado no sentido de que o referido tipo penal prevê outras formas
pelas quais se pode dar a ofensa à liberdade do indivíduo, inclusive, mediante a submissão da vítima a
condições degradantes de trabalho.
Assim, a ofensa à liberdade do indivíduo (até porque se trata de crime contra a liberdade pessoal), pode se
dar mediante violação à liberdade de locomoção, à liberdade de autodeterminação, etc.
O elemento subjetivo é o dolo, não se admitindo na forma culposa.
O crime se consuma com a efetiva redução da pessoa à condição análoga à de escravo, admitindo-se a
tentativa (Ex.: veículo que transportava pessoas para uma fazenda, a fim de serem submetidas a uma
condição análoga à de escravo, é interceptado pela polícia). Trata-se de crime material e permanente.
O §1° traz uma forma equiparada (“nas mesmas penas incide quem...”), tratando da conduta daquele que:
➔ Cerceia o uso de meio de transporte pelo trabalhador, com a intenção de retê-lo no local de
trabalho
➔ Mantém vigilância ostensiva no trabalho (capatazes), ou se apodera de documentos dos
trabalhadores, de forma a impedir ou dificultar a saída destes do local
No que tange às formas equiparadas, exige-se o dolo específico, ou seja, o especial fim de agir, consistente
na intenção de reter o trabalhador no local de trabalho.
O §2° traz, por fim, uma causa de aumento de pena (aumenta-se a pena em metade), caso o crime seja
praticado contra criança ou adolescente, ou por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.
Tráfico de pessoas
Tráfico de Pessoas (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher
pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de:
(Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
(Vigência)
II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo; (Incluído pela Lei nº 13.344,
de 2016) (Vigência)
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
IV - adoção ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
V - exploração sexual. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
(Vigência)
§ 1º A pena é aumentada de um terço até a metade se: (Incluído pela Lei nº 13.344, de
2016) (Vigência)
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto
de exercê-las; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência;
(Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de
hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica
inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou (Incluído pela Lei nº 13.344, de
2016) (Vigência)
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional. (Incluído pela Lei nº
13.344, de 2016) (Vigência)
§ 2º A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar
organização criminosa. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
O crime de tráfico de pessoas, previsto no art. 149-A do CP, foi incluído pela Lei 13.344/06.
Como se vê, a conduta prevista no caput consiste, basicamente, em:
⇒ Agenciar
⇒ Aliciar
⇒ Recrutar
⇒ Transportar
⇒ Transferir
⇒ Comprar
⇒ Alojar ou
⇒ Acolher pessoa
Todavia, não basta que haja a prática de qualquer destas condutas. É necessário que o agente empregue
determinado meio e tenha alguma das específicas finalidades previstas na Lei (dolo específico). A conduta
deve ser praticada mediante:
⇒ Grave ameaça
⇒ Violência
⇒ Coação
⇒ Fraude ou
⇒ Abuso
Vemos, portanto, que tal delito visa a coibir a conduta daquele que, contrariamente à vontade da vítima
(seja em razão ameaça, da violência, do abuso, da fraude ou da coação), pratica qualquer dessas condutas
com uma das finalidades acima descritas.
É importante consignar, ainda, que o §1º prevê causas de aumento de pena. A pena será aumentada de 1/3
até a metade se:
⇒ O crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de
exercê-las
⇒ O crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência
⇒ O agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade,
de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao
exercício de emprego, cargo ou função
⇒ A vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional
Por fim, há previsão, ainda, de uma causa de diminuição de pena. A pena será diminuída de um a dois terços
se:
⇒ O agente for primário; e
⇒ Não integrar organização criminosa
É necessário o preenchimento dos dois requisitos ou basta um? É necessário o preenchimento de ambos
os requisitos. Ou seja, só fará jus à redução de pena o agente que, ao mesmo tempo, for primário e não
integrar organização criminosa.
O crime de tráfico de pessoas, a princípio, não é crime hediondo. Todavia, quando se tratar de tráfico de
pessoas cometido contra criança ou adolescente (art. 149-A, caput, incisos I a V, e § 1º, inciso II), o crime
será considerado hediondo, nos termos do art. 1º, XII da Lei 8.072/90.
Violação de domicílio
⇒ Permanecer – O agente ingressa licitamente na casa alheia, mas, posteriormente, após saber que
deve se retirar, se recusa a sair, permanecendo no local por lapso temporal juridicamente relevante.
A prática de qualquer das duas condutas já tipifica o delito, e a prática de mais de uma delas, no mesmo
contexto, configura crime único. Temos aqui, portanto, um tipo penal misto alternativo.
EXEMPLO: José, ex-namorado de Maria, entra na casa desta clandestinamente, à noite, apenas
para matar a saudade do local, ver fotografias da ex-namorada e fazer carinho no cachorro. Há o
crime na modalidade de “entrar”.
EXEMPLO 2: José é convidado por Pedro para assistir a uma partida de futebol em sua casa. No
dia do jogo, porém, José comemora o gol do time adversário. Pedro, revoltado, determina que
José saia da casa. José, muito à vontade no local, regado a cerveja, churrasco e pagode, se recusa
a sair, dizendo: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Temos aqui o crime na modalidade de
“permanecer”.
uma festa mas, desejando permanecer após a festa, se esconde no banheiro e permanece na casa
mesmo após o fim do evento).
⇒ Astuciosamente – Aqui o agente emprega um expediente ardiloso, fraudulento, enganoso, para fazer
com que a vítima permita seu ingresso na casa (ex.: o agente se faz passar por empregado da
concessionária de energia elétrica para conseguir a autorização da vítima e, assim, ingressar no
imóvel).
⇒ Contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito – Aqui o agente ingressa ou permanece no
imóvel mesmo sabendo que sua entrada ou permanência se dá contra a vontade expressa (ex.:
morador já disse que a pessoa não pode entrar ou que deve se retirar) ou tácita (ex.: morador já havia
dado sinais de que não desejava a presença daquela pessoa) do morador.
Para entendermos a real extensão da conduta tipificada, é necessário conhecer a abrangência do conceito
de “casa” para estes fins. Nos termos do art. 150, §4º do CP, a expressão casa abrange:
Porém, nos termos do art. 150, §5º do CP, não estão compreendidos no conceito de "casa":
⇒ Hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta (salvo quando
ocupada por algum hóspede)
⇒ Taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero – Incluem-se aqui bares, botequins, lojas de
fliperama, restaurantes, etc. Ou seja, espaços comerciais abertos ao público em geral.
Vale ressaltar que o tipo penal fala em “casa alheia ou em suas dependências”.
O que seriam dependências da casa para estes fins? Podemos englobar nessa expressão a garagem, o
quintal, o pátio, o jardim, etc., desde que estejam devidamente protegidos por algum obstáculo físico visível
(ex.: cerca, muro, etc.). Para a Doutrina majoritária, não há violação de domicílio, por exemplo, se o jardim
da casa não é protegido por qualquer obstáculo ao livre acesso de pessoas:
EXEMPLO: José está passando por uma rua e vê uma casa com um belo jardim. José, então,
ingressa no jardim, que não possuía nenhum tipo de cerca ou muro, apenas para apreciar a
beleza das flores. Nesse caso, não há crime de violação de domicílio.
Imóveis abandonados ou absolutamente desocupados não podem ser objeto material do referido crime,
eis que não estão sendo utilizados como domicílio por ninguém.
Quanto ao sujeito ativo, trata-se de crime comum, que pode ser praticado por qualquer pessoa.
Quanto ao sujeito passivo, será o morador/ocupante da casa. Vale frisar que o bem jurídico tutelado pela
norma não é a posse ou propriedade do imóvel, mas a tranquilidade doméstica, a inviolabilidade do
domicílio. Desta forma, o sujeito passivo (vítima) do delito será aquele que fizer do local a sua morada,
independentemente de ser o dono do imóvel ou não (pode ser o inquilino do imóvel alugado, pode ser
aquele que mora de favor numa casa emprestada, etc.).
O elemento subjetivo é o dolo, a vontade livre e consciente de ingressar ou permanecer no domicílio alheio
sem autorização. Não há modalidade culposa.
Aliás, é perfeitamente possível a caracterização de erro de tipo (art. 20 do CP).
EXEMPLO: José se mudou recentemente para um apartamento. Certo dia, chega às 2h da manhã,
vindo de uma festa e ligeiramente embriagado. Todavia, se confunde e se dirige ao apartamento
vizinho, que estava com a porta destrancada, entrando no referido apartamento alheio. Porém,
depois de alguns segundos, percebe que está na casa de outra pessoa e sai. Nesse caso, José
entrou na casa alheia sem autorização, mas por acreditar que era a própria casa, logo, temos erro
de tipo, o que torna a conduta atípica, por afastar o dolo do agente.
O crime se consuma com a prática de qualquer das condutas, não havendo resultado naturalístico previsto
no tipo penal, de forma que se trata de um crime de mera conduta. Na modalidade de permanecer, o crime
será considerado permanente, de forma que estará se configurando enquanto não cessar a permanência.
A tentativa é admissível na modalidade de “entrar” (ex.: o agente coloca uma escada e tenta ingressar no
imóvel pela janela do segundo andar, que dá para a rua. Porém, é impedido pelo morador, que percebe a
ação criminosa).
Na modalidade de “permanecer”, há controvérsia doutrinária. Alguns2 sustentam ser incabível a tentativa,
pois quando o agente se recusa a sair (conduta omissiva pura), o crime já estaria consumado, não sendo
possível o fracionamento do iter criminis. Outros sustentam que mesmo nessa modalidade é cabível a
tentativa (ex.: convidado é informado de que deve se retirar e afirma que não vai sair, momento no qual é
retirado à força pelos seguranças, sem que tivesse conseguido permanecer no local por período relevante).3
2 Ver, por todos, MASSON, Cléber. Direito Penal. Vol. 2, Ed. Método – 6º edição, São Paulo/SP, 2014. P. 269
3 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte especial. Volume 2. Ed. Saraiva, 15º edição. São Paulo, 2015, p.
462; JESUS, Damásio. E. de. Direito Penal. Vol.2 – Parte Especial, 23º edição. São Paulo, Saraiva, 2000, p. 267
O crime será considerado qualificado (art. 150, §1º do CP) quando praticado em qualquer dessas
circunstâncias:
⇒ Durante a noite – O período “noite”, para estes fins, de acordo com a doutrina majoritária, deve
seguir o conceito físico-astronômico, ou seja, o período em que não há luz natural, que vai do pôr do
sol ao nascer do sol.
⇒ Em lugar ermo – Lugar ermo é o local isolado, mais afastado (ex.: um casa localizada longe do centro
da cidade, sem vizinhos por perto, etc.).
⇒ Com o emprego de violência – Como a lei não distinguiu, prevalece na Doutrina o entendimento de
que a violência aqui pode ser contra pessoa (ex.: agredir o morador para entrar) ou contra coisa (ex.:
arrombar a porta para ingressar). A “violência moral” (ameaça) não configura a qualificadora.
⇒ Com o emprego de arma – Como a lei não distinguiu, prevalece que qualquer arma empregada no
crime configura a qualificadora, podendo ser arma de fogo ou não, podendo ser arma própria (objeto
criado para servir como arma, ex.: espada, punhal) ou imprópria (objeto criado com finalidade
diversa, mas que pode ser usado como arma, ex.: tesoura, faca de cozinha, taco de beisebol, etc.).
⇒ Por duas ou mais pessoas – Aqui, o crime é praticado em concurso de agentes. Alguns sustentam
(ver, por todos, MASSON4) que ambos devem praticar a conduta descrita no núcleo do tipo (“entrar”
ou “permanecer”). Outros, porém, defendem (ver, por todos, BITENCOURT 5) que não é necessário
que todos pratiquem as condutas nucleares, bastando que haja concurso de agentes (ex.: um dos
agentes entra na casa enquanto o comparsa fica no carro esperando).
O §3º do art. 150 traz causas especiais de exclusão da ilicitude, ao estabelecer o que segue:
Art. 150 (...) § 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em
suas dependências:
I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra
diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na
iminência de o ser.
Podemos estabelecer que não haverá crime quando o fato for praticado:
⇒ Durante o dia – Para cumprir ordem judicial (ex.: cumprir mandado de prisão, mandado de busca e
apreensão, etc.). Logo, o ingresso forçado em casa alheia para cumprimento de mandado judicial
durante a noite configura crime. Todavia, o crime em questão será aquele previsto no art. 22, §1º, III
da Lei de abuso de autoridade (Lei 13.869/19). O conceito de “noite” especificamente para os fins da
configuração de crime de abuso de autoridade é o período entre 21h e 5h.
⇒ Qualquer hora do dia ou da noite – Em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro.
4 MASSON, Cléber. Direito Penal. Vol. 2, Ed. Método – 6º edição, São Paulo/SP, 2014. P. 273.
5BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte especial. Volume 2. Ed. Saraiva, 15º edição. São Paulo, 2015, p.
464/465
Violação de correspondência
A conduta prevista no caput do artigo, segundo a Doutrina majoritária, foi revogada tacitamente pelo art.
40 da lei 6.538/78. Entretanto, permanece a incriminação das demais condutas previstas nos §§ do artigo.
A proteção decorre da própria garantia constitucional da inviolabilidade das correspondências (art. 5°, XII da
CF/88).
O crime é comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, e contra qualquer pessoa. O sujeito passivo
é tanto quem envia a carta quanto o destinatário (trata-se de crime de dupla subjetividade).
O elemento subjetivo é o dolo, consistente na vontade de devassar a correspondência alheia.
EXEMPLO: José percebe que sua irmã, Maria, recebeu uma carta proveniente de uma Faculdade,
na qual Maria havia realizado inscrição para participar de uma pós-graduação. José, então, abre
a carta e toma ciência do seu conteúdo. Temos o crime na forma consumada.
EXEMPLO 2: José abre uma correspondência fechada que tinha como destinatária sua irmã,
Maria. Quando José se preparava para tomar ciência do conteúdo da carta, finalizando a
abertura, Maria percebe a ação e toma a carta das mãos de José. Temos o crime na sua forma
tentada.
Esta figura do art. 151, §1º, I do CP, de acordo com a Doutrina, também foi tacitamente
revogada, só que pelo art. 40, §1º da Lei 6.538/78 (Lei Postal).
Se da conduta do agente resulta algum dano para outrem, a pena é aumentada em metade (causa de
aumento de pena).
O §3°, prevê a forma qualificada do delito quando praticado por funcionário público. Lembro a vocês que
não basta que o agente seja funcionário público. Deve ele ter se valido desta condição para praticar o crime.
Nesse caso, o crime é próprio.
A ação penal aqui, em regra, será pública condicionada à representação, salvo nos casos do §1°, IV e §3°,
hipóteses nas quais será pública incondicionada.
Correspondência comercial
Pode ocorrer, ainda, de a violação da correspondência se dar mediante o abuso da condição de sócio ou
empregado de estabelecimento comercial ou industrial. Vejamos:
Aqui, não basta que o agente tome conhecimento da correspondência, sendo necessário que ele, no todo
em parte:
▪ A desvie
▪ A sonegue
▪ A suprima
▪ A subtraia
▪ Revele seu conteúdo a estranhos
Trata-se de crime próprio, que somente pode ser cometido pelo empregado ou sócio do estabelecimento, e
que deve abusar desta condição para praticar o crime. O sujeito passivo é o estabelecimento que teve sua
correspondência comercial violada.
O crime se consuma não quando o agente toma conhecimento do conteúdo da correspondência (que é
dispensável), mas quando realiza alguma das condutas previstas no tipo. Além disso, a tentativa é
plenamente possível.
O elemento subjetivo exigido é o dolo, não havendo modalidade culposa.
Trata-se de crime de ação penal pública condicionada à representação.
Divulgação de segredo
1. Aspectos gerais
O art. 153 do CP trata do crime de divulgação de segredo. Vejamos:
Divulgação de segredo
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de
correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa
produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Neste crime, somente o destinatário da correspondência ou aquele que a possui legitimamente é que pode
ser sujeito ativo. Trata-se, portanto, de crime próprio.
O sujeito passivo será o titular do segredo contido no documento e que possa ser prejudicada com a
divulgação do referido segredo.
EXEMPLO: Maria envia uma correspondência a José, seu amigo, na qual informa que está
passando por sérios problemas familiares, eis que sua irmã, Joana, acabara de descobrir que o
namorado é uma pessoa casada. Maria pede a José que guarde segredo, eis que Joana tem muito
medo de que o fato se espalhe e isso possa prejudicá-la profissionalmente. José, então, após
tomar ciência dos fatos, divulga a informação para todos os colegas de faculdade, mesmo
sabendo que isso poderá prejudicar Joana. Sujeito passivo, nesse caso, será Joana, a pessoa que
pode ser prejudicada pela divulgação da informação sigilosa contida na correspondência.
Vejam que o tipo fala em divulgar “sem justa causa”. Esse termo denota um “elemento normativo do tipo”.
Logo, se a pessoa divulga o conteúdo do documento de forma legal, ou seja, tendo justa causa para isso, não
há crime.
EXEMPLO 2: José recebe uma correspondência confidencial de Maria, na qual Maria confessa
nunca ter sido vítima do crime de extorsão, do qual Pedro estava sendo acusado. José, então,
divulga o conteúdo da carta, de forma a evitar a condenação do inocente Pedro.
Exige-se, ainda, que o segredo revelado seja capaz de causar algum dano sério a alguém. Não basta que seja
confidencial.
EXEMPLO: Maria envia a José uma correspondência, na qual confidencia que é, e sempre foi, fã
de música erudita. Maria pede que o fato fique em sigilo, pois tem vergonha de parecer
“antiquada” perante outras pessoas mais “descoladas”. A divulgação deste “segredo” por parte
de José não irá configurar o crime previsto no art. 153 do CP, ante a impossibilidade de causar
sério dano a Maria.
EXEMPLO: José envia carta a Marcelo, informando que ficou sabendo que Carlos teve relações
sexuais com uma colega de trabalho. Marcelo, com o intuito de prejudicar Carlos, divulga o
conteúdo da carta, publicando o segredo na internet. O fato chega ao conhecimento de Hugo,
chefe de Carlos. Hugo, no entanto, não pune Carlos, e ainda o parabeniza por ser um “garanhão”.
Nesse caso, temos crime consumado ou tentado? Temos crime consumado, pois o crime se
consuma com a mera realização da conduta prevista no tipo penal (divulgar indevidamente o
conteúdo do documento ou correspondência), sendo desnecessária a efetiva ocorrência de dano
ao titular do segredo divulgado.
EXEMPLO: José é destinatário de uma carta na qual Maria conta a ele um segredo capaz de
prejudicá-la profissionalmente. José, então, decide divulgar o conteúdo da carta. Para tanto, faz
100 cópias da carta e resolve espalhar pelos postes do bairro. Todavia, no momento em que
tentava colar as cartas, é impedido por Maria.
Vale ressaltar que o delito, para se configurar, exige que o agente tenha tomado conhecimento da
informação sigilosa por ser detentor ou destinatário da carta ou documento particular. Logo, se o agente
toma conhecimento de um determinado segredo que lhe foi repassado verbalmente, não há crime.
6 Bitencourt, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte especial. Volume 2. Ed. Saraiva, 15º edição. São Paulo, 2015, p. 503
O §1º-A do art. 151 traz um tipo penal específico, incluído pela Lei 9.983/00. Vejamos:
Art. 151 (...) § 1º-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim
definidas em lei, contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de dados da
Administração Pública: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
§ 2º Quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal será
==a80b1==
Aqui se busca proteger a inviolabilidade das informações públicas sigilosas, sendo este o bem jurídico
tutelado.
Quanto ao sujeito ativo, trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. A propósito,
caso o crime tenha sido praticado por funcionário público que tomou conhecimento da informação sigilosa
no exercício da função, haverá o crime de violação de sigilo funcional, previsto no art. 325 do CP.
O sujeito passivo será o Estado (a administração pública atingida). Secundariamente, eventual particular que
possa ser prejudicado pela divulgação das informações.
Trata-se de crime formal, não se exigido a ocorrência de efetivo prejuízo para sua configuração. Porém,
quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal será incondicionada.
A consumação se dá quando as informações são divulgadas a um número expressivo e indeterminado de
pessoas. A tentativa é possível.
A ação penal é pública condicionada à representação, conforme consta no §1º. Contudo, se dessa divulgação
resulta dano à administração pública, o crime será de ação penal pública incondicionada.
No art. 154 do CP temos a tipificação do crime de violação do segredo profissional. Nos termos do art. 154
do CP:
Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de
função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Aqui temos um crime próprio, pois somente aquele que tem ciência do segredo em razão de função,
ministério (Padre, por exemplo), ofício ou profissão (médico), pode praticar o delito.
O sujeito passivo será aquele que for exposto a perigo de dano com a divulgação do segredo, podendo ser
qualquer pessoa.
Aqui, mais uma vez, se exige que a conduta do agente se dê “sem justa causa” (elemento normativo do tipo
penal), de forma que se o agente revelar o segredo com justa causa, não cometerá crime. A justa causa estará
presente em diversas hipóteses, principalmente quando o titular do segredo autorizar a divulgação ou no
caso em que o interesse público se sobreponha ao interesse particular.
EXEMPLO: Não comete crime o médico que, ao tomar conhecimento de que o paciente contraiu
doença de notificação compulsória, comunica o fato à autoridade, ainda que o paciente não
autorize. Isso se dá porque o médico, nesse caso, tem o dever de realizar a notificação à
autoridade competente (Ministério da Saúde ou outro), por questões de saúde pública, sob pena
de praticar crime previsto no art. 269 do CP.
O elemento subjetivo é o dolo, não se exigindo, porém, que o agente tenha a intenção de prejudicar a vítima.
Não há modalidade culposa.
Por se tratar de crime formal, consuma-se com a mera revelação do segredo a terceiros, ainda que seja
revelado o fato a apenas uma pessoa. Dispensa-se a ocorrência do dano para a consumação do delito,
bastando que a revelação do segredo tenha potencial de causar dano (de qualquer espécie).
A tentativa é possível, notadamente quando a conduta é praticada pela forma escrita (carta revelando o
segredo a outrem).
Trata-se de crime de ação penal pública condicionada à representação.
O art. 154-A (inserido pela Lei 12.737/12) prevê como criminosa a conduta de invasão de dispositivo
informático. Vejamos:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 14.155,
de 2021)
O tipo objetivo (conduta criminalizada) é “invadir dispositivo informático de uso alheio”. Assim, o
dispositivo informático invadido é o objeto material da conduta. Por dispositivo informático podemos
entender:
⇒ Dispositivos de processamento – Computadores, smartphones;
⇒ Dispositivos de entrada – Apenas captam dados externos (microfones, webcams, teclados, etc.)
⇒ Dispositivos de saída – São os aparelhos usados para comunicar uma informação (impressora,
monitor, alto-falante, etc.).
⇒ Dispositivos de armazenamento – Servem para guarda de dados (ex.: pen-drives e HDs externos)
Como mencionado, o dispositivo invadido tem que ser de uso alheio, o que não se confunde com dispositivo
alheio.
EXEMPLO: José empresta a Maria um notebook, já que o computador de Maria quebrou. Maria
se compromete a usar por cerca de um mês e depois devolver o bem, que pertence a José. Certo
dia, Maria (que é quem está fazendo efetivo uso do dispositivo), se levanta e vai ao banheiro,
deixando o notebook aberto. José, então, acessa o notebook com a intenção de ver fotos e
documentos que Maria armazenou no dispositivo. José estará praticando o crime previsto no art.
154-A do CP, mesmo que o notebook pertença a ele, pois se trata, naquele momento, de um
dispositivo informático de uso alheio.
O objeto jurídico (bem jurídico tutelado) é a liberdade individual, mais precisamente a privacidade individual.
Vejam que a conduta somente é punida a título de dolo, não havendo modalidade culposa. Exige-se, ainda,
o especial fim de agir, consistente na intenção de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem
autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo OU de instalar vulnerabilidades para obter
vantagem ilícita.
Há, portanto, dois elementos subjetivos específicos7, que são alternativos (ou seja, basta a presença de
alguma dessas finalidades, não ambas):
⇒ Intenção de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita
do usuário do dispositivo; OU
⇒ Intenção de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita
Antes da edição da Lei 14.155/2021 (com vigência a partir de 28.05.2021), a conduta necessariamente
deveria se dar mediante violação indevida de mecanismo de segurança. Assim, caso não houvesse
7 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Especial (2). Ed. Saraiva, 15º edição. São Paulo, 2015, p. 520/521
mecanismo de segurança capaz de evitar a invasão, não haveria tal delito. Atualmente, é desnecessária tal
violação, ou seja, ainda que a invasão se dê sem qualquer violação a mecanismo de segurança (ex.: firewall,
senha, etc.) haverá o crime.
A consumação do delito se dá quando o agente efetivamente invade o dispositivo informático de uso
alheio independentemente do fato de conseguir ou não obter, alterar ou destruir os dados ou instalar as
vulnerabilidades para obter a vantagem ilícita.8
O §1º traz uma forma equiparada, aplicável àqueles que produzem, distribuem, oferecem ou vendem
programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta prevista no caput do art. 154-A.
Se da conduta resulta prejuízo econômico, a pena é aumentada de um terço a dois terços. Trata-se,
portanto, de uma majorante (causa de aumento de pena).
Se resultar obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou
industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do
dispositivo invadido, a pena passa a ser de reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Trata-se, portanto,
de uma forma qualificada (já que há pena-base mais elevada que a pena-base prevista no caput do art. 154-
A do CP). A atual pena relativa a esta forma qualificada foi dada pela Lei 14.155/21.
Nesse último caso (forma qualificada), se os dados sigilosos obtidos são divulgados, transmitidos ou
comercializados a terceiros, a pena ainda será aumentada de um sexto a dois terços.
O §5º traz uma causa de aumento de pena (de um terço à metade) caso o delito seja praticado contra:
▪ Chefes do Poder Executivo
▪ Presidente do STF
▪ Presidente dos Órgãos Legislativos (da União, dos estados ou Município)
▪ Dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do DF
O art. 154-B, por fim, estabelece que a ação penal para este delito é, em regra, pública condicionada à
representação da vítima.
Contudo, se o crime for cometido contra a administração pública (direta ou indireta de qualquer esfera
federativa), ou contra empresas concessionárias de serviços públicos, em que a ação penal será pública
incondicionada.
8 Há quem sustente que “instalar vulnerabilidades” seria uma das condutas tipificadas, ao lado de “invadir dispositivo informático
alheio”. Ou seja, para quem sustenta isso, “instalar vulnerabilidades não seria um elemento subjetivo específico, mas uma das
condutas criminalizadas. Não é a corrente que nos parece mais adequada. CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal.
Parte Especial. 7º edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015, p. 229/231.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (FGV/2022/PCERJ)
Constitui categoria fora do âmbito de proteção da qualificadora do “homicídio funcional”:
A) guardas municipais;
B) integrantes do Conselho Penitenciário;
C) policiais aposentados;
D) integrantes da Comissão Técnica de Classificação;
E) juízes de direito.
COMENTÁRIOS
(...) VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo
até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)
Os integrantes do Conselho Penitenciário e da Comissão Técnica de Classificação estão abrangidos, pois são
integrantes de órgãos da execução penal (sistema prisional), nos termos do art. 7º e art. 61, IV da LEP.
Um policial aposentado pode, de acordo com a doutrina majoritária, ser sujeito passivo deste crime, quando
o fato se dê em razão da função exercida quando em atividade estava o servidor.
Quanto aos guardas municipais, não há unanimidade doutrinária, pois há discussão quanto a serem, ou não,
agentes de segurança pública “descritos no art. 144 da CF/88”. Isso porque os guardas municipais não se
encontram no caput do art. 144, mas o §8º estabelece que “os Municípios poderão constituir guardas
municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei”. Por conta
disso, há divergência doutrinária, havendo certa prevalência da corrente que sustenta que os guardas
municipais devem estar abrangidos pelo raio de proteção do art. 121, §2º, VII do CP.
Por fim, os Juízes de Direito não se encontram abrangidos pelo art. 121, §2º, VII do CP, pois não são
autoridades de segurança pública ou agentes de segurança pública previstos no art. 144 da CF/88. Há, frise-
se, doutrina minoritária entendendo que o Juiz da execução penal deveria estar abrangido pelo referido art.
121, §2º, VII do CP, pois o Juízo da execução penal seria um órgão da execução penal.
GABARITO: Letra E
2. (FGV/2022/PCERJ)
No que diz respeito ao feminicídio, é correto afirmar que:
A) a violência praticada no âmbito da unidade doméstica não exige que a mulher faça parte desse núcleo de
convívio permanente;
B) na violência praticada no âmbito da unidade doméstica, a fugacidade e a eventualidade do convívio não
excluem sua configuração;
C) a violência praticada no âmbito familiar exige parentesco, natural ou civil, entre autor e vítima, excluído
aquele determinado por afinidade;
D) na violência praticada no âmbito familiar, é possível a configuração de feminicídio contra a “tia de
consideração”, desde que aparentada do agente;
E) a violência praticada no âmbito das relações íntimas de afeto, em curso ou já findas, depende da ocorrência
de coabitação.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Item errado, pois a violência praticada no âmbito da unidade doméstica exige que a mulher faça
parte desse núcleo de convívio permanente, nos termos do art. 5º, I da Lei 11.340/06:
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher
qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico,
sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150,
de 2015)
B) ERRADA: Item errado, pois na violência praticada no âmbito da unidade doméstica, a fugacidade e a
eventualidade do convívio afastam sua configuração, conforme entendimento do STJ:
“(...) 1. A Lei n.º 11.340/2006, denominada Lei Maria da Penha, em seu art. 5.º, inc. III,
caracteriza como violência doméstica aquela em que o agressor conviva ou tenha convivido
com a ofendida, independentemente de coabitação. Contudo, necessário se faz salientar
que a aplicabilidade da mencionada legislação a relações íntimas de afeto como o namoro
deve ser analisada em face do caso concreto. Não se pode ampliar o termo - relação íntima
de afeto - para abarcar um relacionamento passageiro, fugaz ou esporádico. (...)” (CC
100.654/MG, Rel. Ministra LAURITA VAZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 25/03/2009, DJe
13/05/2009)
C) ERRADA: Item errado, pois a violência praticada no âmbito familiar não exclui o parentesco por afinidade
(parentesco decorrente do casamento, como sogro, sogra, enteado, cunhado, etc.), nos termos do art. 5º, II da
Lei 11.340/06:
D) CORRETA: Item correto, pois é possível a configuração de feminicídio contra a “tia de consideração”, já que
haveria um laço familiar decorrente da convivência, entre indivíduos que se consideram aparentados, ainda
que civilmente não o sejam, nem por vínculo natural nem por vínculo civil ou de afinidade:
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher
qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico,
sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150,
de 2015)
(...)
A expressão “desde que aparentada do agente” não está exigindo que haja parentesco civil, natural ou por
afinidade (o que tornaria o item errado), apenas delimitando que a tia e o sobrinho de consideração devem
se considerar aparentados, exigência natural do art. 5º, II da Lei 11.340/06.
E) ERRADA: Item errado, pois a violência praticada no âmbito das relações íntimas de afeto NÃO depende
da ocorrência de coabitação, nos termos do art. 5º, III da Lei 11.340/06:
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher
qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico,
sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150,
de 2015)
(...) III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido
com a ofendida, independentemente de coabitação.
GABARITO: Letra D
3. (FGV/2021/PCERJ/PERITO)
Do ponto de vista legislativo, constitui espécie de crime contra a vida:
A) lesão corporal seguida de morte;
B) abandono de recém-nascido com resultado morte;
C) maus-tratos com resultado morte;
D) instigação, auxílio ou induzimento à automutilação;
E) tortura com resultado morte.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, dentre os trazidos, apenas o crime de instigação, auxílio ou induzimento à automutilação é crime
contra a vida, previsto no art. 122 do CP. Os demais não são crimes previstos nos arts. 121 a 128 do CP.
GABARITO: Letra D
4. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)
No dia 01/03/2014, Vitor, 60 anos, desferiu um golpe de faca no peito de sua namorada Clara, 65 anos,
que foi a causa eficiente de sua morte, pois descobrira que a vítima mantinha uma relação extraconjugal com
o vizinho. Foi instaurado inquérito policial para apurar o evento, entrando em vigor, no curso das investigações,
a Leinº13.104/2015, passando a prever a qualificadora do feminicídio. As investigações somente foram
COMENTÁRIOS
Nesse caso, como a lei penal não pode retroagir para prejudicar o réu, não será aplicada a qualificadora
relativa ao feminicídio. Todavia, como a vítima tinha mais de 60 anos, será aplicada a majorante prevista no
art. 121, §4º do CP:
Art. 121 (...) § 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime
resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa
de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou
foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de
1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de
60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
GABARITO: Letra A
5. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)
Enquanto realizava compras em uma famosa loja de grife da cidade, Roberto iniciou discussão com a
vendedora Joana, vindo a afirmar, na presença de quinze clientes, que o mau atendimento só poderia ter sido
causado por uma “negrinha que deveria estar comendo banana”. Joana ficou envergonhada com toda a
situação, optando por ir para casa e não contar a ninguém sobre o ocorrido. Contudo, a proprietária do
estabelecimento compareceu em sede policial e narrou os fatos.
Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que o delegado:
A) deverá instaurar inquérito policial, pois o crime em tese praticado foi de injúria racial sem causa de aumento,
que é de ação penal pública incondicionada;
B) não poderá instaurar inquérito policial, pois o crime em tese praticado foi de injúria racial majorada, que
exige representação da vítima;
C) deverá instaurar inquérito policial, pois foi praticado crime de racismo, que é de ação penal pública
incondicionada;
D) não poderá instaurar inquérito policial, pois foi praticado crime de injúria racial simples, que é de ação
penal privada;
E) deverá instaurar inquérito policial, pois o crime praticado foi de injúria racial majorada, que é de ação
penal pública incondicionada.
COMENTÁRIOS
Como a questão se passa antes da alteração legislativa da Lei 14.532/23, a solução deve desconsiderar
o regramento atual, usando-se o regramento antigo, eis que o novo é mais gravoso. Nesse caso, o agente
ofendeu a vítima, usando para tanto elementos de raça ou cor, motivo pelo qual está caracterizado o crime
de injúria racial (ou injúria preconceituosa), previsto no art. 140, §3º do CP:
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
Tal delito é de ação penal pública condicionada à representação (art. 145, § único do CP), motivo pelo qual
não poderia o delegado instaurar o inquérito policial sem a representação da vítima (art. 5º, §4º do CPP).
Frise-se que há, ainda, a majorante por ter sido praticado o crime na presença de várias pessoas, gerando
aumento de pena de um terço:
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos
crimes é cometido:
(...) III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da
difamação ou da injúria.
Caso o crime tivesse ocorrido a partir de 11.01.2023 (data da alteração legislativa), a solução seria outra,
na medida em que o fato deveria ser tipificado na forma do art. 2º-A da Lei 7.716/89, configurando crime
de ação penal pública incondicionada.
GABARITO: Letra B
6. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)
Saulo se desentendeu, na fila do caixa de um supermercado, com outra consumidora, Viviane, que estava no
8º mês de gestação, e lhe desferiu um fortíssimo soco no rosto. Em razão do golpe, Viviane perdeu o equilíbrio
e caiu com a barriga no chão. Ao ser levada ao hospital, foi constatado que Viviane apresentava lesão leve
na face, mas que havia perdido o bebê em decorrência da queda.
Considerando o estado gravídico evidente de Viviane, a conduta praticada por Saulo configura o crime de:
A) lesão corporal seguida de morte;
B) lesão corporal qualificada pelo aborto;
C) aborto na modalidade dolo eventual, apenas;
D) aborto culposo, ficando a lesão corporal absorvida;
E) lesão corporal leve em concurso formal com aborto na forma culposa.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente deverá ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal dolosa qualificada pela
ocorrência do aborto, na forma do art. 129, §2º, V do CP:
§ 2° Se resulta:
(...) V - aborto:
GABARITO: Letra B
COMENTÁRIOS
Neste caso, Carlos praticou o crime de injúria, em sua forma consumada, conforme art. 140 do CP. Não há
que se falar em calúnia, pois o agente não atribuiu à vítima a prática de FATO criminoso determinado (Ex.:
fulano furtou, ontem, um carro), apenas se referiu à pessoa como um criminoso.
GABARITO: LETRA A.
COMENTÁRIOS
Nos três casos temos o crime de redução à condição análoga à de escravo, previsto no art. 149 do CP.
Vejamos:
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos
forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho,
quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o
empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
(Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de
retê-lo no local de trabalho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. (Incluído pela Lei nº
10.803, de 11.12.2003)
No primeiro caso, temos o previsto no art. 149, §1º, II do CP. No segundo caso, temos a conduta prevista no
art. 149, caput, do CP. No terceiro caso, por fim, temos a situação descrita no art. 149, §1º, II do CP.
João, servidor público estadual ocupante do cargo efetivo de engenheiro civil, foi o responsável por
determinada obra com escavação de um poço. João agiu culposamente, nas modalidades de imperícia e
negligência, pois, na condição de engenheiro civil, realizou obra sem observar seu dever objetivo de cuidado
e as regras técnicas da profissão, provocando como resultado a morte de um pedreiro que trabalhava no
local.
Em termos de responsabilidade criminal, em tese, João:
a) não deve ser processado por homicídio, pois não agiu com dolo ou culpa criminal, restringindo-se sua
responsabilidade à esfera cível;
b) não deve ser processado por homicídio, pois agiu como funcionário público no exercício da função, restando
apenas a responsabilidade cível que recairá sobre o poder público;
c) deve ser processado por homicídio doloso, eis que agiu com dolo direto e eventual, na medida em que
assumiu o risco de provocar a morte do pedreiro;
d) deve ser processado por homicídio culposo, com causa de diminuição de pena, eis que não agiu com intenção
de provocar o resultado morte do pedreiro;
e) deve ser processado por homicídio culposo, com causa de aumento de pena, eis que o crime resultou de
inobservância de regra técnica de profissão.
COMENTÁRIOS
Neste caso, João deve responder pelo crime de homicídio culposo, previsto no art. 121, §3º do CP, pois deu
causa ao resultado morte por culpa, decorrente de negligência e imperícia. Neste caso, o agente terá, ainda,
sua pena aumentada de um terço, na forma do art. 121, §4º do CP, pois o crime decorre resulta de
inobservância de regra técnica de profissão.
COMENTÁRIOS
O Senador, neste caso, praticou o crime de calúnia, previsto no art. 138 do CP, pois imputou ao delegado,
falsamente, fato definido como crime.
Não há que se falar, aqui, em imunidade por expressões, palavras e votos (imunidade material dos
parlamentares), pois não há, a princípio, relação com o exercício das funções do Senador.
COMENTÁRIOS
No presente caso, Roberta praticou 01 crime de difamação ao afirmar para Robson, que presenciou quando
Caio explorava jogo do bicho, no dia 03/03/2017, pois imputou a Caio fato ofensivo a sua reputação. Não
se trata de calúnia, pois tal fato não é definido como crime, mas sim como contravenção penal, logo, ocorreu
difamação.
No segundo caso, ocorreu em tese o crime de injúria, pois não houve imputação de fato específico,
determinado, mas a atribuição de uma qualidade negativa a Caio, a qualidade de ser um “furtador”, um
ladrão, um criminoso, sem a imputação de um fato específico e determinado.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, Paloma responderá pelo delito de infanticídio, nos termos do art. 123 do CP. O fato de
Paloma ter acabado por matar o filho de outra pessoa, neste caso, é irrelevante, pois houve o que se chama
de “erro sobre a pessoa” e, neste caso, o agente responde como se tivesse atingido a pessoa visada (art. 20,
§3º do CP).
COMENTÁRIOS
O aborto só é permitido na legislação brasileira em hipóteses excepcionais, que são o aborto terapêutico ou
aborto humanitário. O primeiro ocorre quando há risco de vida para a mãe, e o segundo quando a gestação
deriva de estupro e a mãe consente com a realização do aborto, conforme previsto no art. 128, I e II do CP.
Contudo, o STF passou a admitir, também, o aborto de fetos anencéfalos (fetos sem cérebro ou com má
formação cerebral), no julgamento da ADPF 54.
Porém, a questão pede que se responda com base nas exceções previstas na LEI, que são só as duas primeiras.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, temos “crime impossível” no que se refere à ocultação de cadáver (por parte de Mário), de
forma que não há qualquer imputação de crime a Mário. Com relação a André, como não houve o resultado
morte, este responderá por lesão corporal culposa, nos termos do art. 129, §6º do CP.
COMENTÁRIOS
No caso em tela restou configurado o delito de exposição ou abandono de recém-nascido, na sua forma
qualificada, eis que ocorreu a morte da criança, nos termos do art. 134, §2º do CP:
(...)
§ 2º - Se resulta a morte:
Não há que se falar em infanticídio, pois para que o infanticídio fique caracterizado é necessário que a mãe,
dolosamente e sob a influência do estado puerperal, tire a vida do próprio filho. No caso, a morte foi um
resultado não querido pelo agente (culposo), mas que decorreu de sua conduta dolosa anterior (abandono de
recém-nascido).
Ana Maria, aluna de uma Universidade Federal, afirma que José, professor concursado da instituição, trai a
esposa todo dia com uma gerente bancária.
A respeito do fato acima, é correto afirmar que Ana Maria praticou o crime de
a) calúnia, pois atribuiu a José o crime de adultério, sendo cabível, entretanto, a oposição de exceção da
verdade com o fim de demonstrar a veracidade da afirmação.
b) difamação, pois atribuiu a José fato desabonador que não constitui crime, sendo cabível, entretanto, a
oposição de exceção da verdade com o fim de demonstrar a veracidade da afirmação, uma vez que José é
funcionário público.
c) calúnia, pois atribuiu a José o crime de adultério, não sendo cabível, na hipótese, a oposição de exceção
da verdade.
d) difamação, pois atribuiu a José fato desabonador que não constitui crime, não sendo cabível, na hipótese,
a oposição de exceção da verdade.
COMENTÁRIOS
Como Ana Maria atribuiu a José fato desabonador que não constitui crime, deverá responder pelo delito de
difamação, nos termos do art. 139 do CP.
Não é cabível, na hipótese, a oposição da chamada exceção da verdade, que só é cabível na difamação
quando o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções, nos termos do art.
139, § único do CP.
COMENTÁRIO
No caso em tela houve desistência voluntária e arrependimento eficaz, pois o agente desistiu de prosseguir na
execução do delito, embora pudesse, e ainda procurou evitar que o resultado ocorresse. Nesse caso, aplica-
se o art. 15 do CP:
Assim, Tício responderá apenas pelas lesões corporais causadas (graves, em razão do fato de resultar em
perigo de vida), nos termos do art. 129, §1º, II do CP.
COMENTÁRIOS
No caso em tela nós tivemos o que se chama de error in persona, ou “erro sobre a pessoa”. Neste caso,
considera-se como se o crime tivesse sido praticado contra a pessoa pretendida (no caso, Ana). Assim, Jorge
responderá por homicídio doloso consumado, qualificado pelo motivo torpe (ambição mesquinha), e a pena
ainda será agravada em razão de ter sido praticado contra irmão (consideram-se, neste caso, as
características da vítima visada, e não as da vítima atingida). Vejamos:
Art. 20 (...)
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não
se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
COMENTÁRIOS
No caso em tela, Jaime se valeu do que se chama de “legítima defesa preordenada”, utilizando-se de uma
“ofendículas” (instrumento preordenado a defender um bem jurídico, no caso, o patrimônio).
A legítima defesa preordenada é admitida pela Doutrina, que a vê como uma modalidade válida de legítima
defesa, de maneira que, também em relação a esta, o “excesso” é punível, seja ele culposo ou doloso.
No caso, a questão deixa claro que não houve excesso por parte de Jaime, já que a corrente elétrica não
seria capaz de matar uma pessoa em condições normais, de maneira que a morte de Cláudio não pode ser
atribuída a Jaime.
COMENTÁRIOS
No presente caso temos uma causa absolutamente independente, preexistente, que por si só produziu o
resultado. Paula, desta forma, responderá apenas pelos atos praticados (tentativa de homicídio), não podendo
o resultado ser a ela imputado, pois a ele não deu causa, pela teoria da causalidade adequada.
COMENTÁRIOS
Para esta teoria, autor é quem pratica a conduta descrita no núcleo do tipo (o verbo). Partícipe é todo aquele
que, de alguma forma, colabora para o intento criminoso sem, contudo, praticar a conduta nuclear. No caso
em tela, Sofia é autora do delito, com a agravante de ter sido praticado o delito contra ascendente (art. 61,
II, e do CP). Lara, por sua vez, será mera partícipe, e não será aplicada a ela a agravante, eis que não se
trata de uma elementar do delito, sendo uma circunstância periférica e de caráter pessoal (que não se
comunica, portanto, entre os comparsas).
COMENTÁRIOS
A causa da morte, neste caso, foi o incêndio. Temos, assim, uma causa relativamente independente (pois se não
fosse a conduta de João, Antônio não estaria ali), mas que produziu por si só o resultado (foi ela, sozinha, que
causou a morte).
Vejamos:
Neste caso, João não responde pelo resultado, mas apenas por sua conduta, de forma que responderá por
homicídio na forma tentada.
COMENTÁRIOS
No caso em questão houve o que se chama de “erro na execução”, pois o agente vislumbrou perfeitamente a
vítima pretendida, mas errou na execução do delito. Neste caso, considera-se o crime como tendo sido
praticado em face da vítima pretendida, e não da vítima efetivamente atingida. Vejamos:
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés
de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código.
No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a
regra do art. 70 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 (...)
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não
se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Assim, o agente responderá apenas por homicídio privilegiado (na forma do art. 121, §1º do CP, pois se
considera como se tivesse sido atingida a vítima pretendida), na forma consumada.
COMENTÁRIOS
Carlos Cristiano, no caso em tela, deverá ser responsabilizado pelo delito de homicídio DOLOSO, na
modalidade de omissão imprópria ou, em outros termos, comissiva por omissão.
Isto porque, apesar de não ter dado causa (do ponto de vista físico-causal) ao evento morte, Carlos Cristiano
tinha o DEVER de evitar o resultado, bem como PODIA agir para evitar. Por conta de uma omissão
juridicamente relevante, o resultado veio a ocorreu.
Vejamos:
Art. 13 (...)
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar
o resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
COMENTÁRIOS
No caso, tivemos o que se chama de ARREPENDIMENTO EFICAZ, ou seja, o agente, após praticar a conduta,
se arrepende e evita a ocorrência do resultado. Vejamos:
Neste caso, o agente responde apenas pelos atos já praticados, ou seja, lesões corporais.
Embora a vítima tenha ficado afastada das atividades habituais por menos de 30 dias (exatos 29 dias), restou
caracterizada a lesão corporal grave, pois a questão deixa claro que houve risco de vida. Vejamos:
§ 1º Se resulta:
II - perigo de vida;
IV - aceleração de parto:
COMENTÁRIOS
Temos aqui um homicídio QUALIFICADO, pelo motivo fútil e por ter sido utilizado recurso que dificultou a
defesa da vítima, nos termos do art. 121, II e IV do CP.
Entretanto, não há como lutar contra isso. A alternativa D é a “menos errada”, pois traz a solução correta,
ainda que com um nome errado.
d) Paulo deverá responder por tentativa de homicídio por força do surgimento de causa superveniente
relativamente independente que, por si só, causou o resultado.
e) Paulo deverá responde por tentativa de homicídio, por força do surgimento de causa superveniente
absolutamente independente.
COMENTÁRIOS
Paulo, neste caso, deverá responder por homicídio TENTADO (tentativa de homicídio), pois a morte decorreu
de concausa SUPERVENIENTE RELATIVAMENTE INDEPENDENTE que, por SI SÓ, produziu o resultado, nos termos
do art. 13, §1º do CP.
Neste caso, o resultado “morte” não pode ser imputado a Paulo, pois a morte ocorreu em razão do ataque do
cão.
COMENTÁRIOS
Neste caso ocorreu o que se chama de “arrependimento eficaz”. Isso porque o agente, logo após terminar a
execução do delito, se arrepende do que fez e EVITA o resultado (procedendo ao salvamento da vítima).
Neste caso, o agente responde apenas pelas lesões causadas, e não por tentativa de homicídio. Vejamos o
art. 15 do CP:
Não se trata, ainda, de desistência voluntária, pois a desistência voluntária pressupõe a POSSIBILIDADE de
prosseguir na execução. O enunciado diz claramente que ele só tinha uma bala na arma, de maneira que com
o disparo efetuado esgota-se a potencialidade lesiva da arma e o agente finaliza a execução.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, José praticou os atos executórios e tentou matar Maria, bem como tentou se matar. Portanto,
responde por tentativa de homicídio, já que a morte não se consumou, nos termos do art. 121, c/c art. 14, II
do CP:
(...)
(...)
Maria, por sua vez, não praticou nenhum ato executório relativo ao tipo penal de homicídio, mas instigou José
a se suicidar, e da tentativa de suicídio de José resultou lesão corporal grave, de forma que Maria responde
pelo crime do art. 122 em sua forma qualificada:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.968, de
2019)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
COMENTÁRIOS
Antes das alterações promovidas pela Lei 13.968/19, tal delito somente é punível se a morte efetivamente
ocorresse ou, ao menos, ocorressem lesões corporais de natureza grave, de forma que não tendo ocorrido tais
resultados, Manoel não responderia pelo crime do art. 122 do CP. O gabarito, à época, foi letra C
(corretamente).
Porém, com as alterações promovidas pela Lei 13.968/19, o crime de induzimento, instigação ou auxílio ao
suicídio passou a ser crime formal, consumando-se no momento em que o agente induz, instiga ou auxilia a
vítima a se suicidar, ainda que esta não consiga se matar nem sofra lesões com a tentativa de suicídio.
Logo, atualmente a conduta de Manoel configura o crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio em
sua forma consumada.
COMENTÁRIOS
Caso 01 – Tendo Amarildo agido mediante relevante valor moral, logo após injusta provocação da vítima,
Amarildo responde por homicídio privilegiado, mas essa circunstância, por ser de caráter pessoal, não se
comunica a Ronaldo, que responde por homicídio qualificado pelo motivo torpe (mediante paga ou promessa
de recompensa);
Caso 02 – Embora o delito de infanticídio seja crime próprio, que só pode ser praticado pela mãe contra o
próprio filho, durante o estado puerperal, é atualmente pacífico o entendimento no sentido de que é possível
concurso de agentes, desde que o comparsa saiba da condição de sua comparsa, ou seja, saiba que ela está
matando o próprio filho sob a influência do estado puerperal. Assim, ambos responderão por infanticídio;
32. (FCC/2022/TRT-5)
João, no intervalo do almoço, comenta maliciosamente com José, seu colega de trabalho em uma empresa
privada, que Jéssica, conhecida de ambos por trabalhar no mesmo local, recebe, toda noite, quando seu
marido está trabalhando, a visita de um outro homem em sua casa. A notícia se espalha na empresa, chegando
ao conhecimento de Jéssica, que descobre de quem partiu a origem da fofoca. Diante do caso hipotético em
questão, e do que dispõe o Código Penal, João
COMENTÁRIOS
Nesse caso, João praticou o crime de difamação contra Jéssica, pois imputou a ela fato não criminoso, mas
ofensivo à sua reputação (adultério), nos termos do art. 139 do CP:
GABARITO: Letra B
33. (FCC/2022/TRT-5)
Rebeca, jovem de 25 anos, triste com a notícia de que seria mandada embora de seu emprego, procura
Émerson, seu colega de trabalho, a fim de compartilhar com ele a sua angústia, sem saber que ele, há
tempos, nutria por ela inveja e rancor, e que sempre desejou o seu posto de trabalho. Émerson, então,
enxergando naquela situação a oportunidade de se livrar da colega, decide instigá-la a matar-se. Logo em
seguida, influenciada pelo conselho de Émerson, decide pular da janela do edifício onde trabalhava a fim de
dar cabo de sua vida. Contudo, sua queda é amortecida pela carroceria repleta de colchões de um caminhão
estacionado na via pública. Do incidente, Maria sofre lesões corporais de natureza leve. Diante da situação
hipotética acima descrita, e de acordo com o que estabelece o ordenamento jurídico, Émerson
A) deverá ser responsabilizado pela prática do crime de tentativa de homicídio.
B) deverá ser responsabilizado pela prática do crime consumado de lesão corporal de natureza leve.
C) deverá ser responsabilizado pela prática do crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio em sua
forma tentada.
D) deverá ser responsabilizado pela prática do crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio em sua
forma consumada.
E) não terá qualquer responsabilidade penal, em razão de Rebeca não ter morrido e nem sofrido lesão
corporal de natureza grave.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente deverá ser responsabilizado pela prática do crime de induzimento, instigação ou auxílio
ao suicídio em sua forma consumada, pois tal delito (art. 122 do CP), após as alterações promovidas pela Lei
13.968/19, passou a não mais exigir a ocorrência de lesão corporal grave ou morte para a responsabilização
do infrator, consumando-se no momento em que o agente induz, instiga ou auxilia a vítima a se matar ou
automutilar, sendo, hoje, crime formal.
GABARITO: Letra D
34. (FCC/2022/TRT-5)
Laio, ao receber a notícia de sua mulher, Jocasta, de que seria pai, foi consultar uma vidente para saber sobre
o destino de seu futuro filho. Ao receber a informação de que a criança traria grande infelicidade para o
casal, Laio, assim, que seu filho nasceu, veio a deixá-lo na porta de uma residência simples situada na
periferia da cidade. Momentos depois, a criança foi resgatada pelo morador da referida residência com sua
saúde e integridade física preservadas. Considerando a situação narrada, Laio, em tese, deve ser
responsabilizado pelo crime de
A) exposição ou abandono de recém-nascido.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente deverá responder pelo crime de abandono de incapaz, nos termos do art. 133 do CP:
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade,
e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:
Não há que se falar no crime de abandono de recém-nascido, eis que este delito pressupõe que a exposição
ou abandono se dê “para ocultar desonra própria” (ex.: a mãe abandona o filho recém-nascido para que
ninguém descubra sua gravidez, eis que deriva de relação com homem casado).
GABARITO: Letra C
35. (FCC/2022/DPE-AP/DEFENSOR)
Em meio a uma discussão, Lucas empurrou com força seu vizinho José, que caiu no chão e bateu a cabeça,
desmaiando. Imediatamente, Lucas socorreu José e o conduziu ao hospital, onde ficou internado. Em
decorrência da lesão sofrida, constatou-se por perícia que José teve alteração permanente de sua
personalidade. Lucas foi denunciado, processado e ao final condenado pela prática do delito de lesão
corporal qualificada pela deformidade permanente (art. 129, § 2º , IV, do Código Penal).
Com base no entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no caso apresentado, a incidência da
qualificadora pela deformidade permanente está
A) incorreta, pois essa qualificadora abrange somente lesões que resultam em danos físicos.
B) correta, pois essa qualificadora abrange lesões que resultam em danos físicos ou psicológicos.
C) incorreta, pois resta ausente previsão legal para a aplicação dessa qualificadora.
D) correta, desde que haja a comprovação de incapacidade permanente da vítima para o trabalho.
E) correta, pois essa qualificadora abrange somente lesões que resultam em danos psicológicos.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, a incidência da qualificadora está incorreta, pois essa qualificadora abrange somente lesões que
resultam em danos físicos (ex.: cicatriz grande e feia, marcas evidentes de queimadura, etc.), capazes de
provocar repulsa a quem vê e vergonha ao portador da deformidade.
GABARITO: Letra A
36. (FCC/2022/DPE-CE/DEFENSOR)
O crime de feminicídio tem a pena aumentada de um terço até a metade se o crime for praticado
A) durante a gestação ou nos 6 (seis) primeiros meses posteriores ao parto.
COMENTÁRIOS
O art. 121, §7º do CP traz causas específicas de aumento de pena para o feminicídio, gerando aumento de
um terço à metade. Vejamos:
Art. 121 (...) § 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o
crime for praticado: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; (Incluído pela Lei nº
13.104, de 2015)
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças degenerativas
que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental; (Redação dada
pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência
Como se vê, apenas a Letra E está correta, nos termos do art. 121, §7º, III do CP.
A letra D, que poderia gerar dúvidas, está errada, pois diz “após o descumprimento de qualquer medida
protetiva de urgência.” Isso é um erro, pois a majorante só incidirá caso o crime seja praticado em
descumprimento às medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº
11.340, de 7 de agosto de 2006.
GABARITO: Letra E
37. (FCC/2022/MPE-PE/PROMOTOR)
Nos crimes contra a honra dos Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo
Tribunal Federal, as penas cominadas no Código Penal
A) aumentam-se de 1/2.
B) aumentam-se de 2/3.
C) aplicam-se em dobro.
D) aplicam-se em triplo.
E) aumentam-se de 1/3.
COMENTÁRIOS
Nos crimes contra a honra dos Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo
Tribunal Federal, as penas serão aumentadas de um terço, nos termos do art. 141, II do CP:
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos
crimes é cometido:
(...)
GABARITO: Letra E
38. (FCC/2021/DPE-AM/DEFENSOR)
Sobre o crime de homicídio:
A) Não é possível o reconhecimento da causa de diminuição de pena quando praticado mediante o emprego
de veneno.
B) É possível o reconhecimento do homicídio qualificado-privilegiado quando a qualificadora for de natureza
subjetiva.
C) De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o homicídio qualificado-privilegiado não
é considerado crime hediondo.
D) Não é admitido pela jurisprudência o reconhecimento do homicídio qualificado-privilegiado, uma vez que
as qualificadoras preponderam sobre a causa de diminuição de pena em razão da gravidade do crime.
E) É possível o reconhecimento do homicídio qualificado-privilegiado, permanecendo nesta hipótese o seu
caráter hediondo, em razão de previsão expressa na Lei nº 8.072/1990.
COMENTÁRIOS
39. (FCC/2021/DPE-SC/DEFENSOR)
O crime de perseguição, também conhecido como stalking,
A) contra criança, adolescente ou idoso, tem a pena aumentada de metade.
B) é incompatível com a Lei Maria da Penha em razão da forma equivocada de tipificação.
C) com emprego de violência, tem a pena aumentada de um terço até metade.
D) com restrição da liberdade da vítima, tem a pena aumentada de metade.
E) não permite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
COMENTÁRIOS
A) CORRETA: Item correto, pois se for praticado contra criança, adolescente ou idoso, tem a pena aumentada
de metade, nos termos do art. 147-A, §1º, I do CP.
B) ERRADA: Item errado, pois é perfeitamente compatível com a Lei Maria da Penha, embora não seja um
crime praticado exclusivamente contra mulher.
C) ERRADA: Item errado, pois o emprego de violência não gera majorante, mas a aplicação cumulativa das
penas relativas ao stalking e à violência empregada (ex.: lesão corporal), na forma do art. 147-A, §2º do CP.
D) ERRADA: Item errado, pois eventual restrição da liberdade da vítima é considerada elementar do tipo
penal, não gerando aumento de pena.
E) ERRADA: Item errado, pois não há vedação à substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos.
GABARITO: Letra A
COMENTÁRIOS
Dentre as alternativas apresentadas, apenas a Letra E traz uma situação de lesão corporal grave, nos termos
do art. 129, IV do CP:
(...)
§ 1º Se resulta:
(...)
IV - aceleração de parto:
GABARITO: Letra E
41. (FCC/2018/MPE-PE/TÉCNICO)
Ficou comprovado que houve assassinato, pela única razão de menosprezo à condição de mulher, praticado
por Samuel contra sua vizinha Maria de Fátima, de trinta anos de idade, que possuía um filho ao qual deu à
luz dois meses exatos antes do crime. Com base nas disposições da Lei no 13.104/2015 (Lei do Feminicídio),
nesse caso, o crime de feminicídio
A) está caracterizado e a pena prevista em lei será aumentada de um terço até a metade.
B) não está caracterizado, pois não houve violência doméstica.
C) está caracterizado em sua modalidade simples, não havendo aumento de pena.
D) está caracterizado e a pena prevista em lei será aumentada de um a dois terços.
E) está caracterizado e a pena prevista em lei será aumentada de um sexto a um terço.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, está caracterizado o crime de feminicídio, por se tratar de homicídio praticado contra a mulher
por razões da condição do sexo feminino (menosprezo ou discriminação à condição de mulher), nos termos
do art. 121, §2º, VI c/c §2º-A, II do CP. A pena prevista em lei será aumentada de um terço até a metade, por
se tratar de crime praticado dentro do período de três meses após o parto realizado pela vítima, nos termos
do art.121, §7º, I do CP.
GABARITO: Letra A
42. (FCC/2017/POLTEC-AP/PERITO)
De acordo com o artigo 129 do Código Penal brasileiro, lesão corporal é a ofensa à integridade corporal ou
a saúde de alguém. Ela pode ser classificada em leve, grave ou gravíssima, a depender dos comemorativos.
Analise as assertivas abaixo.
I. Lesões corporais que causem incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias serão
consideradas graves.
II. Lesões corporais com perda ou inutilização de membro, sentido ou função serão consideradas graves.
III. Lesões corporais que causem extrema dor serão consideradas gravíssimas.
IV. Lesões corporais que causem qualquer alteração psíquica serão consideradas leves.
Está correto o que se afirma em
a) I, II, III e IV.
b) I, apenas.
c) IV, apenas.
d) III, apenas.
e) I e III, apenas.
COMENTÁRIOS
I – CORRETA: Item correto, pois neste caso teremos lesão corporal grave, na forma do art. 129, §1º, I do CP.
II – ERRADA: Item errado, pois neste caso teremos lesão corporal gravíssima, nos termos do art. 129, §2º, III do
CP.
III – ERRADA: Item errado, pois a ocorrência de dor extrema não qualifica o crime de lesão corporal.
IV – ERRADA: Item errado, pois a natureza da alteração psíquica é que irá determinar a espécie de lesão
corporal (que poderá ser leva, grave ou gravíssima).
GABARITO: Letra B
43. (FCC/2017/PC-AP)
No que concerne aos crimes contra a honra, considere as afirmativas abaixo:
I. Não é admissível a exceção da verdade para o delito de injúria.
II. A retratação somente é admissível nos casos de calúnia e difamação.
III. O juiz pode deixar de aplicar a pena na difamação no caso de retorsão imediata, que consista em outra
difamação.
Está correto o que se afirma em
a) I, II e III.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, apenas.
e) I e II, apenas.
COMENTÁRIOS
I – CORRETA: Item correto, pois a exceção da verdade só é admitida para o delito de calúnia e, em
determinados casos, para o delito de difamação.
II – CORRETA: Item correto, pois a retratação não é admitida para o crime de injúria (não gera isenção de
pena), na forma do art. 143 do CP.
III – ERRADA: Item errado, pois isto só se aplica à injúria, conforme previsto no art. 140, §1º, II do CP.
GABARITO: Letra E
COMENTÁRIOS
Neste caso, a questão não diz expressamente que a mãe tinha o dolo de matar, o que é indispensável para
a caracterização do crime de infanticídio. Poder-se-ia falar em abandono de recém-nascido. Vejamos:
(...)
§ 2º - Se resulta a morte:
A questão até dá a entender que houve o abandono do recém-nascido para “esconder a própria desonra”.
Todavia, apesar de a questão não deixar claro que teria havido dolo de matar, é possível considerarmos que
houve, pelo menos, DOLO EVENTUAL em relação à morte do recém-nascido, pois a mãe o colocou num SACO
DE LIXO e o jogou NO LIXO, ou seja, assumiu claramente o risco de que o filho viesse a óbito, sem se importar
com este resultado. Se a mãe quisesse apenas abandonar, sem dolo eventual de morte, poderia ter
abandonado o recém-nascido na porta de alguém, etc.
==a80b1==
Isto posto, apesar de a questão não ser tão explícita quanto ao dolo da mãe, entendo que o gabarito dado
pela Banca (infanticídio) está correto, em razão de se poder concluir, como dito, ter havido dolo eventual.
GABARITO: Letra E
45. (FCC/2011/TRT1)
Tício tentou suicidar-se e cortou os pulsos. Em seguida arrependeu-se e chamou uma ambulância. Celsus, que
sabia das intenções suicidas de Tício, impediu dolosamente que o socorro chegasse e Tício morreu por
hemorragia. Nesse caso, Celsus responderá por
A) auxílio a suicídio.
B) homicídio doloso.
C) instigação a suicídio.
D) induzimento a suicídio.
E) homicídio culposo.
COMENTÁRIOS
Essa questão é sensacional! Uma pegadinha e tanto! Como Celsus impediu o socorro de Tício, que tentou se
suicidar, a conduta poderia ser classificada como auxílio ao suicídio. Porém, como a questão diz que Tício se
arrependeu, logo, NÃO QUERIA MAIS MORRER, e Celsus sabia disso, Celsus quis, ele próprio a morte de Tício,
e não ajudá-lo a se matar (pois este não mais queria isso). Logo, o homicídio é DOLOSO.
Se Celsus não soubesse que Tício não queria mais se matar, e achasse que ele ainda pretendia a morte, a
conduta dele seria a de auxílio ao suicídio.
GABARITO: Letra B
46. (FCC/2010/TJPI)
Maria e seu namorado João praticaram manobras abortivas que geraram a expulsão do feto. Todavia, em
razão da chegada de terceiros ao local e dos cuidados médicos dispensados, o neonato sobreviveu. Nesse
caso, Maria e João responderão por
A) tentativa de aborto.
COMENTÁRIOS
Essa questão é outra pegadinha! Não há, de plano, nem infanticídio, nem tentativa de infanticídio, tampouco
homicídio, pois ainda não havia vida extrauterina.
Entretanto, o problema está na tentativa de aborto. De fato, ambos praticaram aborto na modalidade
tentada, pois tinham como finalidade (DOLO, Tudo se resolve com o dolo!) o ABORTO, o crime praticado é o
de aborto na modalidade tentada (pois o feto sobreviveu).
A confusão poderia ocorrer porque o CP incrimina a conduta de lesão corporal grave, sendo uma das hipóteses
que qualifica a lesão corporal, a ocorrência de aceleração de parto.
Mas como distinguir um crime do outro? Nesse caso, deve ser analisado o dolo do agente. Se ele quis o aborto,
responderá por aborto tentado. Se quis lesionar a gestante, e, sem querer, aconteceu a aceleração do parto
(crime qualificado pelo resultado), haverá lesão corporal grave!
GABARITO: Letra A
47. (FCC/2010/TJPI)
Antonio e sua mulher Antonia resolveram, sob juramento, morrer na mesma ocasião. Antonio, com o propósito
de livrar-se da esposa, finge que morreu. Antonia, fiel ao juramento assumido, suicida-se. Nesse caso, Antonio
responderá por
COMENTÁRIOS
A Banca adotou, seguindo tese majoritária, o fato de que Antonia tirou a própria vida por livre e espontânea
vontade, e que Antonio, seu marido, com sua conduta anterior (pacto de morte), a induziu ou instigou a se
suicidar. Tendo Antonio sobrevivido, responderá pelo crime do art. 122 do CP:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.968, de
2019)
GABARITO: Letra D
48. (FCC/2013/MPE-SE/ANALISTA)
Segundo o entendimento jurisprudencial hoje preponderante, a lesão corporal respectivamente simples e
qualificada ocorrida no Brasil (Cód. Penal, Art. 129 e seus parágrafos) é um crime de ação penal
a) pública incondicionada e de ação penal privada.
b) pública condicionada à representação e de ação penal privada.
c) pública condicionada à representação e incondicionada.
d) privada e de ação penal pública condicionada à representação.
e) pública e exclusivamente condicionada à representação.
COMENTÁRIOS
A lesão corporal simples é considerada crime de ação penal pública condicionada à representação, por força
do que dispõe o art. 88 da Lei 9.099/95. Já o crime de lesão corporal qualificada permanece como delito
de ação penal pública incondicionada, já que o CP é silente com relação a este delito.
GABARITO: Letra C
49. (FCC/2013/TJPE/JUIZ)
Em relação aos crimes contra a vida, correto afirmar que
a) o homicídio simples, em determinada situação, pode ser classificado como crime hediondo.
b) a pena pode ser aumentada de um terço no homicídio culposo, se o crime é praticado contra pessoa menor
de quatorze anos ou maior de sessenta anos.
c) compatível o homicídio privilegiado com a qualificadora do motivo fútil.
d) cabível a suspensão condicional do processo no homicídio culposo, se o crime resulta de inobservância de
regra técnica de profissão, arte ou ofício.
e) incompatível o homicídio privilegiado com a qualificadora do emprego de asfixia.
COMENTÁRIOS
A) CORRETA: Na hipótese de ser praticado em atividade típica de grupo de extermínio, nos termos do art. 1º,
I da Lei 8.072/90;
B) ERRADA: Esta causa de aumento de pena só se aplica no homicídio doloso, não no culposo, conforme
preconiza a parte final do §4º do art. 121 do CP. Frise-se que o fato de ser a vítima menor de 14 anos é uma
majorante que se aplica apenas de forma subsidiária, pois também é considerada uma qualificadora. Logo,
sendo qualificado o homicídio pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos, não incidirá a majorante. Sendo o
homicídio qualificado por outra razão (ex.: motivo fútil), a idade da vítima (menor de 14 anos) será utilizada
como majorante.
C) ERRADA: Se o homicídio é privilegiado, é porque fora praticado por motivo de relevante valor social ou
moral ou quando o agente se encontrava sob violenta emoção logo após injusta provocação da vítima, nos
termos do art. 121, §1º do CP, ou seja, absolutamente incompatível com o motivo fútil. Isso não impede, contudo,
que o homicídio privilegiado possa ser, também, qualificado, só que pelo meio de execução.
D) ERRADA: Neste caso, a pena seria de 1 a 3 anos, mas acrescida de 1/3, ou seja, a pena mínima seria 1
ano e 4 meses, logo, não é possível a suspensão condicional do processo, pois nos termos do art. 89 da Lei
9.099/95, esta só é cabível nos crimes cuja pena mínima seja igual ou inferior a 01 ano.
50. (FCC/2013/TRT-15/TÉCNICO)
O autor de homicídio praticado com a intenção de livrar um doente, que padece de moléstia incurável, dos
sofrimentos que o atormentam (eutanásia), perante a legislação brasileira,
a) não cometeu infração penal.
b) responderá por crime de homicídio privilegiado.
c) responderá por homicídio qualificado pelo motivo torpe.
d) responderá por homicídio simples.
e) responderá por homicídio qualificado pelo motivo fútil.
COMENTÁRIOS
O autor do homicídio, neste caso, responderá pelo delito de homicídio privilegiado, na forma do art. 121, §1º
do CP:
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz
pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Vejam que o delito foi praticado por motivo de relevante valor moral (aliviar a dor da vítima).
GABARITO: Letra B
COMENTÁRIOS
Uma das hipóteses de homicídio privilegiado ocorre quando o agente pratica o delito sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima. Vejamos:
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz
pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Na verdade, tecnicamente falando, o §1º caracteriza uma causa especial de diminuição de pena, e não um
privilégio, mas a Doutrina chama este crime de homicídio privilegiado.
GABARITO: Letra A
52. (FCC/2010/MPE-SE/ANALISTA)
Dentre as hipóteses de formas qualificadas dos crimes de injúria, calúnia e difamação, NÃO se incluem os
crimes cometidos
A) mediante promessa de recompensa.
B) contra Governador de Estado.
C) contra chefe de governo estrangeiro.
D) na presença de várias pessoas.
E) contra funcionário público, em razão de suas funções.
COMENTÁRIOS
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos
crimes é cometido:
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da
difamação ou da injúria.
Assim, a alternativa que não contempla uma hipótese de causa de aumento de pena é a letra B.
GABARITO: Letra B
53. (FCC/2010/TRE/AC/AJAJ)
Poderá ser concedido perdão judicial para o autor do crime de injúria no caso de
A) não ter resultado lesão corporal da injúria real.
B) ter sido a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador.
C) ter sido a opinião desfavorável emitida em crítica literária, artística ou científica.
D) ter sido o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação prestada no
cumprimento de dever do ofício.
E) ter o ofendido, de forma reprovável, provocado diretamente a ofensa.
COMENTÁRIOS
O perdão judicial poderá concedido ao infrator no caso de haver provocação reprovável da vítima
(PROVOCAÇÃO) ou no caso de ofensa proferida imediatamente após outra ofensa (RETORSÃO).
GABARITO: Letra E
54. (FCC/2006/TRF1/AJAJ)
Admite-se a exceção da verdade no crime de
A) calúnia, se do crime imputado, embora de ação pública, o acusado for absolvido por sentença irrecorrível.
B) injúria, se a ofensa consistir na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem.
C) difamação, se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
D) calúnia, se o crime foi cometido contra o Presidente da República, chefe de governo estrangeiro ou
funcionário público no exercício de suas funções.
E) calúnia, se constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença
recorrível.
COMENTÁRIOS
A exceção da verdade (exceptio veritatis) é admitida como regra na calúnia, e como exceção da difamação.
Na calúnia só não é admitida nas seguintes hipóteses:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado
por sentença irrecorrível;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.
Já na difamação, a exceção da verdade não se admite, em regra, só sendo admitida caso o fato se refira a
funcionário público no exercício da função, art. 139, § único do CP.
GABARITO: Letra C
55. (FCC/2006/TRF1/AJAJ)
A respeito dos crimes contra a honra, é correto afirmar que
A) é punível a calúnia contra os mortos.
B) constitui difamação punível a ofensa irrogada pela parte em juízo, na defesa da causa.
C) é isento de pena o querelado que, antes da sentença, se retratar cabalmente da injúria.
D) a injúria só pode ser cometida por gesto e palavras, nunca pela prática de vias de fato.
E) admite-se a exceção da verdade no crime de injúria, se a vítima for funcionário público e a ofensa for
relacionada à função.
COMENTÁRIOS
A calúnia contra os mortos é punível, nos termos do art. 138, § 2° do CP. A difamação irrogada em Juízo não
constitui crime. A retratação da injúria não é causa de extinção da punibilidade (art. 143 do CP). A injúria
pode ser cometida por meio de vias-de-fato (INJÚRIA REAL, art. 140, §2° do CP). No crime de injúria NUNCA
SE ADMITE EXCEÇÃO DA VERDADE.
GABARITO: Letra A
56. (FCC/2008/PGM-SP/PROCURADOR)
No tocante à exceção da verdade, INCORRETO afirmar que
a) inaplicável no crime de calúnia se o fato imputado constitui delito de ação pública e o ofendido foi absolvido
por sentença irrecorrível.
b) inaplicável no crime de calúnia se praticado contra chefe de governo estrangeiro.
c) inaplicável no crime de calúnia se o fato imputado constitui delito de ação privada e não houve a propositura
de queixa.
d) inaplicável no crime de difamação se a ofensa a funcionário público não é relativa ao exercício de suas
funções.
e) aplicável, em qualquer circunstância, no crime de injúria.
COMENTÁRIOS
A exceção da verdade é a prova de que o que foi dito, nos crimes contra a honra (calúnia, injúria ou
difamação), é verdadeiro.
No entanto, a exceção da verdade só é admitida no crime de calúnia e no caso de difamação, sendo que,
neste último caso, só se admite se a difamação é praticada contra funcionário público em razão de fatos
relacionados à função. Vejamos:
Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
(...)
Exceção da verdade
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado
por sentença irrecorrível;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.
Difamação
Exceção da verdade
Portanto, vemos que a exceção da verdade nunca é admitida na injúria, até porque se trata de uma ofensa,
não da narrativa de um fato.
GABARITO: Letra E
57. (VUNESP/2022/PCSP/DELEGADO)
O crime de sequestro e cárcere privado do art. 148 do CP,
A) tem como bens jurídicos tutelados a liberdade individual e o patrimônio.
B) é classificado como crime continuado, tendo em vista que a ação se protrai no tempo.
C) apenas se consuma se o agente tem intenção de obter vantagem econômica.
D) não admite tentativa.
E) é qualificado se a vítima é cônjuge do agente, independentemente de serem, um(a) ou outro(a), homem ou
mulher.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Item errado, pois o bem jurídico tutelado é liberdade individual da vítima, não o patrimônio (não
se deve confundir com o crime de extorsão mediante sequestro, previsto no art. 159 do CP).
B) ERRADA: Item errado, pois é classificado como crime permanente, tendo em vista que a ação se protrai no
tempo.
C) ERRADA: Item errado, pois o crime se consuma com a privação da liberdade da vítima.
D) ERRADA: Item errado, pois admite tentativa (ex.: agente tenta sequestrar a vítima, mas a vítima foge antes
de ter sua liberdade cerceada).
E) CORRETA: Item correto, pois tal delito é qualificado se a vítima é cônjuge do agente, independentemente
de serem, um(a) ou outro(a), homem ou mulher, nos termos do art. 148, §1º, I do CP:
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado: (Vide
Lei nº 10.446, de 2002)
GABARITO: Letra E
58. (VUNESP/2022/PCSP/ESCRIVÃO)
Tício, técnico em manutenção de equipamentos, de forma imperita, instalou, em sua própria casa, suporte de
ar-condicionado não compatível com o peso do aparelho que, passados poucos dias da instalação,
desprendeu-se da parede, vindo a atingir seu próprio filho, que brincava no quintal. A criança, atingida na
cabeça, teve traumatismo craniano, com sequela de convulsões periódicas.
A) Tício praticou o crime de lesão corporal culposa, com causa de aumento em razão de a vítima ser criança,
nos exatos termos do parágrafo 7º, do artigo 129, CP.
B) Tício praticou o crime de lesão corporal, de natureza grave, nos termos do parágrafo 1º, do artigo 129,
CP.
C) Ticio praticou o crime de lesão corporal, nos exatos termos do “caput”, do artigo 129, do CP.
D) A Tício, dadas as circunstâncias, é possível a aplicação de perdão judicial, nos exatos termos do parágrafo
8º do artigo 129, CP.
E) Tício praticou o crime de lesão corporal culposa, de natureza grave, nos exatos termos do artigo 129,
parágrafo 6º, do CP
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Tício praticou o crime de lesão corporal culposa, previsto no art. 129, §6º do CP:
Não há que se falar lesão culposa grave ou gravíssima pois tais gradações são aplicáveis apenas à lesão
corporal dolosa.
Porém, a Tício, dadas as circunstâncias, é possível a aplicação de perdão judicial, nos exatos termos do
parágrafo 8º do artigo 129, CP, c/c art. 121, §5º do CP, na medida em que é possível considerar que as
consequências da infração atingiram o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se mostra
desnecessária.
GABARITO: Letra D
59. (VUNESP/2022/TJSP/NOTÁRIO)
Dos delitos previstos no Código Penal, assinale a alternativa que contém o tipo penal que prevê causa de
aumento de pena quando o ato for praticado contra mulher em razão da condição do sexo feminino.
COMENTÁRIOS
Muito cuidado com essa questão! O gabarito é letra D. Dentre as alternativas, apenas o delito de perseguição
(stalking) prevê causa de aumento de pena quando o ato for praticado contra mulher em razão da condição
do sexo feminino, considerando-se a hipótese de aumento de pena de metade, nos termos do art. 147-A, §1º,
II do CP:
(...)
II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art.
121 deste Código; (Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)
No crime de homicídio a circunstância de ser praticado o crime contra mulher, por razões da condição de sexo
feminino, não configura majorante, mas qualificadora, ou seja, modifica-se a pena base do delito (que passa
de 6 a 20 anos para 12 a 30 anos de reclusão).
GABARITO: Letra D
60. (VUNESP/2022/GCM-OSASCO)
Considere o seguinte caso hipotético: Matífanis induz Kiitemis, criança de 11 anos, a se automutilar. Kiitemis se
automutila tão gravemente que vem a falecer em razão das inúmeras lesões perpetradas.
Diante desta situação e nos termos do Código Penal, é correto afirmar que Matífanis ao induzir Kiitemis,
resultando em sua morte,
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente deverá responder pelo crime de homicídio, eis que a vítima induzida era pessoa menor
de 14 anos, nos termos do art. 122, §7º do CP:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.968, de
2019)
(...)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
(...)
GABARITO: Letra B
61. (VUNESP/2022/PMSP)
Com relação ao crime de perseguição previsto no Código Penal, é correto afirmar que
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Item errado, pois é apenado com reclusão de 06 meses a 02 anos e multa.
B) ERRADA: Item errado, pois as penas do crime são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência,
nos termos do art. 147-A, §2º do CP.
C) ERRADA: Item errado, pois o §1º do art. 147-A do CP traz algumas situações que ensejam aumento de pena
de metade:
II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art.
121 deste Código; (Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma. (Incluído
pela Lei nº 14.132, de 2021)
D) CORRETA: Item correto, pois somente se procede mediante representação, nos termos do art. 147-A, §3º
do CP.
GABARITO: Letra D
62. (VUNESP/2021/CODEN)
Segundo o artigo n° 132 do Código Penal, se alguém expuser a vida ou a saúde de outrem a perigo direto
e iminente, e se o fato não constituir crime grave, estará sujeito à pena de
COMENTÁRIOS
A pena prevista para o delito tipificado no art. 132 do Código Penal (Perigo para a vida ou saúde de outrem)
é de detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave (subsidiariedade expressa).
GABARITO: Letra A
Quando alguém imputa falsamente a outrem um fato definido como crime, o Código Penal define essa conduta
como crime de
A) injúria.
B) difamação.
C) calúnia.
D) falsidade.
E) perjúrio.
COMENTÁRIOS
A imputação a alguém, falsamente, de fato definido como crime configura o crime de calúnia, previsto no art.
138 do CP:
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
GABARITO: Letra C
COMENTÁRIOS
Serena, nesse caso, deverá responder pelo crime de infanticídio, previsto no art. 123 do CP, pois, sendo a
mãe, e estando sob a influência do estado puerperal, veio a tirar dolosamente a vida do próprio filho:
Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou
logo após:
GABARITO: Letra A
COMENTÁRIOS
Hércules deverá responder pelo crime de homicídio qualificado por ter sido praticado para garantir a
impunidade de outro crime, na forma do art. 121, §2º, V do CP (conexão objetiva consequencial):
(...)
GABARITO: Letra D
COMENTÁRIOS
A pena do homicídio culposo (detenção de 1 a 3 anos) evidentemente é menor que a do homicídio doloso
(reclusão de 06 a 20 anos), não maior. Erradas as letras A e B.
Não há isenção de pena pela compensação aos familiares da vítima (errada a letra D).
A letra B fala em “agravante de aumento de pena”, misturando agravante com causa de aumento de pena
(coisas distintas). Todavia, está errada, pois há causa de aumento de pena, na forma do art. 121, §4º doa CP
(ex.: fugir para evitar prisão em flagrante).
Por fim, correta a letra E, eis que o Juiz pode deixar de aplicar a pena caso as consequências da infração
atinjam o agente de forma tão severa que a sanção penal se torne desnecessária (perdão judicial), na forma
do art. 121, §5º do CP.
GABARITO: Letra E
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois o crime de injúria é de ação penal privada, como regra, mas há exceções (injúria
real, injúria racial, etc.).
b) ERRADA: Item errado, pois neste caso não se admite exceção da verdade, conforme art. 138, §3º, II do CP.
c) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 139, § único do CP.
d) ERRADA: Item errado, pois a retratação só se aplica à calúnia e à difamação, conforme art. 143 do CP.
e) ERRADA: Item errado, pois quem dá publicidade à ofensa responde pelo crime, na forma do art. 142, §
único do CP.
GABARITO: Letra C
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois neste caso não houve extorsão mediante sequestro, mas apenas sequestro, já
que o sequestro não se deu com vistas à obtenção de pagamento pelo resgate.
b) ERRADA: Item errado, pois neste caso temos o crime de extorsão mediante restrição da liberdade da vítima.
c) ERRADA: Item errado, pois Tício, neste caso, pratica o crime de redução à condição análoga à de escravo,
previsto no art. 149 do CP.
d) CORRETA: Item correto, pois o crime de ameaça se dá pela conduta de “ameaçar alguém, por palavra,
escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave”, conforme art. 147 do
CP.
e) ERRADA: Item errado, pois neste caso não há crime, na forma do art. 146, §3º, I do CP.
GABARITO: Letra D
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois para que se configure como feminicídio é necessário que o homicídio contra a
mulher se dê por razões da condição de sexo feminino, na forma do art. 121, §2º, VI do CP. Na forma do art.
121, § 2º-A do CP, considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência
doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
b) ERRADA: Item errado, pois será qualificado quando praticado contra o próprio agente, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau,
em razão dessa condição, na forma do art. 121, §2º, VII do CP.
c) ERRADA: Item errado, pois a pena do feminicídio será aumentada (um terço à metade) se praticado o crime
contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças degenerativas que acarretem
condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental.
d) ERRADA: Item errado, pois tal conduta configura crime de tráfico de pessoas, na forma do art. 149-A, I do
CP:
e) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 149-A, IV do CP:
Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher
pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de:
(Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
(...)
GABARITO: Letra E
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado. Quando da aplicação da prova, o item estava errado pois a conduta do instigador
era impunível se a vítima não morria nem sofria, ao menos, lesões graves, na forma da então redação do art.
122 do CP. Hoje, o item continua errado, mas por outra razão: o agente neste caso deve responder pelo crime
do art. 122 em sua forma consumada, já que se trata de crime forma, consumando-se com o ato de induzir,
instigar ou auxiliar.
b) ERRADA: Item errado. O fato de a vítima ser menor de 14 anos, a princípio configura uma qualificadora
(art. 121, §2º, IX do CP), podendo configurar majorante na hipótese de o crime já ser considerado qualificado
por outra razão (ex.: motivo torpe). Todavia, o fato de a vítima ser maior de 60 anos é sempre uma majorante,
e não uma qualificadora, na forma do art. 121, §4º do CP.
c) ERRADA: Item errado, pois o aborto até é admitido neste caso, na forma do art. 128, I do CP, mas somente
se praticado POR MÉDICO.
d) CORRETA: Item correto, pois para que se configure como feminicídio é necessário que o homicídio contra a
mulher se dê por razões da condição de sexo feminino, na forma do art. 121, §2º, VI do CP. Na forma do art.
121, § 2º-A do CP, considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência
doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
e) ERRADA: Item errado, pois a Doutrina majoritária sustenta ser incabível a coautoria no crime de autoaborto,
embora seja possível a participação.
GABARITO: Letra D
d) indulto.
COMENTÁRIOS
Neste caso temos o instituto do “perdão judicial”, que é concedido pelo Juiz, nos casos em que a lei
expressamente autoriza (como este), na hipótese de as consequências do crime atingirem o agente de maneira
tão grave que seja possível concluir que a pena não é mais necessária (a consequência do crime foi o próprio
castigo).
GABARITO: Letra B
COMENTÁRIOS
Neste caso o resultado morte decorreu de culpa, de maneira que o agente responderá pelo delito de lesão
corporal seguida de morte, nos termos do art. 129, §3º do CP.
GABARITO: Letra B
COMENTÁRIOS
O agente, aqui, não poderá ser punido por crime nenhum. Isso porque sua conduta JAMAIS poderia alcançar
o resultado pretendido (a morte da vítima). Em razão disso, temos a ocorrência do chamado “crime impossível”
(ou tentativa inidônea), por absoluta impropriedade do objeto, de forma que a conduta do agente não é
punível, nos termos do art. 17 do CP.
GABARITO: Letra B
COMENTÁRIOS
O agente não poderá ser responsabilizado pelo crime de homicídio, pois sua conduta não foi a causa da
morte de seu pai. Embora o agente tenha criado a situação, ele não teve qualquer ingerência sobre o fato
que efetivamente ocasionou a morte (o acidente). O agente não sabotou o avião, não colocou uma bomba lá
dentro, etc. O ato de comprar a passagem e “torcer” para que haja um acidente não configura a conduta
prevista para o delito de homicídio.
GABARITO: Letra D
COMENTÁRIOS
Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra E configura um crime de lesão corporal de natureza
grave, nos termos do art. 129, §1º, IV do CP.
GABARITO: Letra E
COMENTÁRIOS
O agente, aqui, agiu com DOLO EVENTUAL, pois apesar de não querer o resultado, agiu sem se importar com
sua ocorrência. Desta forma, deve responder pelo crime de lesão corporal DOLOSA, nos termos do art. 129
do CP.
GABARITO: Letra C
COMENTÁRIOS
O aborto é permitido, quando praticado pelo médico, nas hipóteses do art. 128 do CP:
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
Aborto necessário
O STF passou a entender, ainda, que o aborto de fetos anencefálicos (sem cérebro ou com má formação
cerebral) também seria legal, por respeito à dignidade da mãe.
Assim, vemos que apenas a letra C traz duas hipóteses expressamente previstas no CP.
GABARITO: Letra C
COMENTÁRIOS
Medusa cometeu o crime de infanticídio, previsto no art. 123 do CP, pois, sob a influência do estado puerperal
e logo após o parto, matou seu próprio filho recém-nascido.
GABARITO: Letra E
COMENTÁRIOS
O agente não praticou crime algum, pois o aborto se deu de forma culposa. O aborto somente é punido
quando ocorre de maneira DOLOSA. No caso em tela a gestante não teve a intenção de provocar o aborto,
nem agiu de forma a “não se importar” com sua ocorrência (assumir o risco). A gestante sabia do risco, mas
acreditava que conseguiria trabalhar sem prejudicar sua gestão, tendo aqui o que se chama de CULPA
CONSCIENTE.
GABARITO: Letra A
COMENTÁRIOS
Neste caso, nos termos do art. 129, §5º, II do CP, o Juiz poderá substituir a pena de prisão pela pena de
multa.
GABARITO: Letra E
COMENTÁRIOS
O aborto praticado pelo médico não é punível em duas hipóteses, nos termos do art. 128 do CP: (a) se não
há outro meio de salvar a vida da gestante; (b) se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de
consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
GABARITO: Letra B
a) a genitora que mata o neonato, sob o estado puerperal e logo após o parto, responderá por homicídio
duplamente qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por meio insidioso.
b) para configuração do homicídio privilegiado, previsto no art. 121, § 1º, do Código Penal, basta que o
agente cometa o crime sob o domínio de violenta emoção.
c) nas lesões culposas verificadas entre os mesmos agentes, é possível aplicar a compensação de culpas.
d) o feminicídio, previsto no art. 121, § 2º , inciso VI, do Código Penal, exige que o crime seja praticado contra
a mulher por razões da condição de sexo feminino envolvendo violência doméstica ou familiar ou menosprezo
ou discriminação à condição de mulher.
e) o agente que pratica autolesão responderá pelo crime de lesões corporais com atenuação da pena de 1/3
a 2/3, a depender da natureza da lesão.
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois a agente, neste caso, responderá pelo crime de infanticídio, previsto no art. 123
do CP.
b) ERRADA: Item errado, pois é necessário que o agente pratique o fato sob o domínio de violenta emoção
LOGO APÓS injusta provocação da vítima, na forma do art. 121, §1º do CP.
c) ERRADA: Item errado, pois não há compensação de culpas, de forma que cada um responde pelo seu crime
de lesão corporal.
d) CORRETA: Item correto, pois para que se configure como feminicídio é necessário que o homicídio contra a
mulher se dê por razões da condição de sexo feminino, na forma do art. 121, §2º, VI do CP. Na forma do art.
121, § 2º-A do CP, considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência
doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
e) ERRADA: Item errado, pois o agente não responderá por crime nenhum, já que não se pune a autolesão,
por ausência de lesão a bem jurídico alheio.
GABARITO: Letra D
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois tal circunstância é uma qualificadora, na forma do art. 121, §2º, I do CP.
b) ERRADA: Item errado, pois se trata de causa de aumento de pena (pena duplicada), na forma do art. 122,
§3º, I do CP.
c) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 128, I do CP.
d) ERRADA: Item errado, pois o crime de autoaborto tem pena de detenção, de um a três anos, enquanto o
crime de aborto provocado por terceiro tem pena de reclusão, de três a dez anos, se não houver consentimento
da gestante, ou pena de reclusão, de um a quatro anos, se houver consentimento, na forma dos arts. 124, 125
e 126 do CP.
e) ERRADA: Item errado, pois neste caso o Juiz deverá aplicar uma causa de diminuição de pena, pois se trata
de homicídio privilegiado, na forma do art. 121, §1º do CP.
GABARITO: Letra C
COMENTÁRIOS
Fica isento de pena o querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação,
nos termos do art. 143 do CP:
Retratação
GABARITO: Letra A
A pena deve ser objeto de acréscimo de 2/3 quando a vítima é menor de 14 (catorze) anos
A pena do homicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for cometido contra
pessoa com deficiência ou com doença que implique o aumento de sua vulnerabilidade, desde
que a vítima seja, ainda,
a) descendente do autor.
e) menor de 14 anos.
a) Praticado com qualquer arma de fogo; praticado com inobservância de regra técnica de
profissão.
1
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 122
[Link] 134
b) Com emprego de veneno; com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
c) Por motivo fútil; com emprego de meio que possa resultar perigo comum.
d) Se o agente foge para evitar prisão em flagrante; se o agente deixa de prestar imediato
socorro à vítima.
e) Praticado para assegurar a ocultação de outro crime; se o agente não procura diminuir as
consequências do seu ato.
Assinale a alternativa que apresenta, apenas, hipóteses de lesão corporal do primeiro grupo.
b) cometido na presença de várias pessoas ou por meio que facilite a divulgação do crime.
O homicídio doloso praticado contra menor de 14 anos enseja causa de aumento de pena, de
dois terços.
2
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 123
[Link] 134
7. (VUNESP/2022/PCSP/DELEGADO)
O crime de sequestro e cárcere privado do art. 148 do CP,
A) tem como bens jurídicos tutelados a liberdade individual e o patrimônio.
B) é classificado como crime continuado, tendo em vista que a ação se protrai no tempo.
C) apenas se consuma se o agente tem intenção de obter vantagem econômica.
D) não admite tentativa.
E) é qualificado se a vítima é cônjuge do agente, independentemente de serem, um(a) ou
outro(a), homem ou mulher.
8. (VUNESP/2022/PCSP/ESCRIVÃO)
A) Tício praticou o crime de lesão corporal culposa, com causa de aumento em razão de a vítima
ser criança, nos exatos termos do parágrafo 7º, do artigo 129, CP.
B) Tício praticou o crime de lesão corporal, de natureza grave, nos termos do parágrafo 1º, do
artigo 129, CP.
C) Ticio praticou o crime de lesão corporal, nos exatos termos do “caput”, do artigo 129, do CP.
D) A Tício, dadas as circunstâncias, é possível a aplicação de perdão judicial, nos exatos termos
do parágrafo 8º do artigo 129, CP.
E) Tício praticou o crime de lesão corporal culposa, de natureza grave, nos exatos termos do
artigo 129, parágrafo 6º, do CP
9. (VUNESP/2022/TJSP/NOTÁRIO)
Dos delitos previstos no Código Penal, assinale a alternativa que contém o tipo penal que prevê
causa de aumento de pena quando o ato for praticado contra mulher em razão da condição do
sexo feminino.
3
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 124
[Link] 134
10. (VUNESP/2022/GCM-OSASCO)
Diante desta situação e nos termos do Código Penal, é correto afirmar que Matífanis ao induzir
Kiitemis, resultando em sua morte,
11. (VUNESP/2022/PMSP)
Com relação ao crime de perseguição previsto no Código Penal, é correto afirmar que
12. (VUNESP/2021/CODEN)
Segundo o artigo n° 132 do Código Penal, se alguém expuser a vida ou a saúde de outrem a
perigo direto e iminente, e se o fato não constituir crime grave, estará sujeito à pena de
4
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 125
[Link] 134
Quando alguém imputa falsamente a outrem um fato definido como crime, o Código Penal
define essa conduta como crime de
A) injúria.
B) difamação.
C) calúnia.
D) falsidade.
E) perjúrio.
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PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 126
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PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 127
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(D) não tipifica o crime de tráfico de pessoas a conduta de acolher alguém, mediante fraude, com
a finalidade de remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo.
(E) a conduta de alojar alguém, mediante abuso, com a finalidade de adoção ilegal, configura o
crime de tráfico de pessoas.
20. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR)
Quanto aos crimes contra a vida, assinale a alternativa correta.
(A) Suponha que “A” seja instigado a suicidar-se e decida pular da janela do prédio em que
reside. Ao dar cabo do plano suicida, “A” não morre e apenas sofre lesão corporal de natureza
leve. Pode-se afirmar que o instigador deverá responder pelo crime de tentativa de instigação ao
suicídio, previsto no art. 122 do Código Penal.
(B) Considera-se qualificado o homicídio praticado contra pessoa menor de 14 anos ou maior de
60 anos.
(C) O Código Penal permite o aborto praticado pela própria gestante quando existir risco de
morte e não houver outro meio de se salvar.
(D) O feminicídio é espécie de homicídio qualificado e resta configurado quando a morte da
mulher se dá em razão da condição do sexo feminino. Se o crime for presenciado por
descendente da vítima, incidirá ainda causa de aumento de pena.
(E) O aborto provocado pela gestante, figura prevista no art. 124 do Código Penal, cuja pena é
de detenção de 1 (um) a 3 (três) anos, admite coautoria.
21. (VUNESP – 2016 – TJ-SP – TITULAR NOTARIAL)
Diz o parágrafo 5º do artigo 121 do Código Penal Brasileiro, que: “na hipótese de homicídio
culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o
próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária”. Trata-se de
a) graça.
b) perdão judicial.
c) anistia.
d) indulto.
22. (VUNESP – 2015 – PC-CE – DELEGADO)
Se da lesão corporal dolosa resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o
resultado morte, nem assumiu o risco de produzi-lo, configura(m)-se
a) lesão culposa e homicídio culposo, cujas penas serão aplicadas cumulativamente.
b) lesão corporal seguida de morte.
c) homicídio culposo qualificado pela lesão.
d) homicídio doloso (dolo eventual).
e) homicídio doloso (dolo indireto).
23. (VUNESP – 2015 – PC-CE – INSPETOR)
O indivíduo “B”, com intenção de matar a pessoa “D”, efetua dez disparos de arma de fogo em
direção a um veículo que se encontra estacionado na via pública por imaginar que dentro desse
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veículo encontrava-se a pessoa “D”, contudo, não havia nenhuma pessoa no interior do veículo.
Com relação à conduta praticada por “B”, é correto afirmar que
a) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio tentado, por analogia ao crime de
homicídio em vista de sua intenção.
b) o indivíduo “B” não poderá ser punido pelo crime de homicídio.
c) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio consumado, em virtude da
interpretação extensiva do crime de homicídio.
d) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio consumado, por analogia ao crime
de homicídio em vista de sua intenção.
e) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio tentado, em virtude da
interpretação extensiva do crime de homicídio em vista de sua intenção.
24. (VUNESP – 2015 – PC-CE – INSPETOR)
==a80b1==
O indivíduo “B” descobre que a companhia aérea “X” é a que esteve envolvida no maior número
de acidentes aéreos nos últimos anos. O indivíduo “B” então compra, regularmente, uma
passagem aérea desta companhia e presenteia seu pai com esta passagem, pois tem interesse
que ele morra para receber sua herança. O pai recebe a passagem e durante o respectivo vôo
ocorre um acidente aéreo que ocasiona sua morte. Diante dessas circunstâncias, é correto afirmar
que
a) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio culposo se for demonstrado
que o piloto do avião em que seu pai se encontrava agiu com culpa no acidente que o vitimou
b) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio doloso se for demonstrado que
o piloto do avião em que seu pai se encontrava agiu com culpa no acidente que o vitimou.
c) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio culposo, tendo em vista que
sem a sua ação o resultado não teria ocorrido
d) o indivíduo “B” não praticou e não poderá ser responsabilizado pelo crime de homicídio.
e) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio doloso, tendo em vista que sem
a sua ação o resultado não teria ocorrido.
25. (VUNESP – 2015 – PC-CE – INSPETOR)
É um resultado que caracteriza o crime de lesão corporal de natureza grave, cuja pena é de
reclusão de um a cinco anos:
a) incapacidade para as ocupações habituais, por mais de dez dias.
b) incapacidade para as ocupações habituais, por mais de vinte dias.
c) debilidade temporária de membro, sentido ou função
d) incapacidade para as ocupações habituais, por mais de quinze dias.
e) aceleração de parto.
26. (VUNESP – 2015 – PC-CE – ESCRIVÃO)
O indivíduo B, com a finalidade de comemorar a vitória de seu time de futebol, passou a disparar
“fogos de artifício” de sua residência, que se situa ao lado de um edifício residencial. Ao ser
alertado por um de seus amigos sobre o risco de que as explosões poderiam atingir as
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residências do edifício e que havia algumas janelas abertas, B respondeu que não havia problema
porque naquele prédio só moravam torcedores do time rival. Um dos dispositivos disparados
explodiu dentro de uma das residências desse edifício e feriu uma criança de 5 anos de idade
que ali se encontrava. Com relação à conduta do indivíduo B, é correto afirmar que
a) o indivíduo B poderá ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal culposa, em virtude de
ter agido com negligência.
b) o indivíduo B poderá ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal culposa, em virtude de
ter agido com imperícia.
c) o indivíduo B poderá ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal dolosa.
d) o indivíduo B poderá ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal culposa, em virtude de
ter agido com imprudência.
e) o indivíduo B não poderá ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal, tendo em vista
que o pai da criança lesionada percebeu que as explosões estavam ocorrendo próximo às janelas
e não as fechou.
27. (VUNESP – 2014 – PC-SP – ATENDENTE)
Assinale a alternativa que traz as duas hipóteses de aborto legal, praticado por médico,
expressamente previstas no art. 128 do CP.
a) Se o feto sofre de doença incurável, sendo praticado com o consentimento da gestante; se há
má-formação fetal que inviabilize a vida extrauterina.
b) Se há má-formação fetal que inviabilize a vida extrauterina; se não há outro meio de salvar a
vida da gestante.
c) Se não há outro meio de salvar a vida da gestante; se praticado com o consentimento dela,
tendo sido a gravidez resultada de estupro.
d) Se o feto sofre de doença incurável, sendo praticado com o consentimento da gestante; se
praticado com o consentimento da gestante, tendo sido a gravidez resultada de estupro.
e) Se a gestante é menor de idade, sendo o procedimento autorizado pelos responsáveis; se
praticado com o consentimento da gestante, tendo sido a gravidez resultada de estupro.
28. (VUNESP – 2014 – PC-SP – AUXILIAR DE NECROPSIA)
Medusa, sob a influência do estado puerperal, veio a matar o seu próprio filho recém-nascido,
logo após o parto. Segundo o que estabelece o Código Penal em relação a essa conduta, é
correto afirmar que Medusa
a) cometeu o crime de infanticídio, mas ficará livre da pena em razão de ter agido sob a influência
do estado puerperal.
b) cometeu o crime de homicídio, mas ficará livre da pena por ter agido sob a influência do
estado puerperal.
c) cometeu o crime de homicídio.
d) cometeu o crime de homicídio, mas terá sua pena reduzida por ter agido sob a influência do
estado puerperal.
e) cometeu o crime de infanticídio.
29. (VUNESP – 2014 – PC-SP – DELEGADO)
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“X” recebe recomendação médica para ficar de repouso, caso contrário, poderia sofrer um
aborto. Ocorre que “X” precisa trabalhar e não consegue fazer o repouso desejado e, por essa
razão, acaba expelindo o feto, que não sobrevive.
Em tese, “X”
a) não praticou crime algum.
b) praticou o crime de aborto doloso.
c) praticou o crime de aborto culposo.
d) praticou o crime de lesão corporal qualificada pela aceleração do parto.
e) praticou o crime de desobediência.
30. (VUNESP – 2014 – PC-SP – ESCRIVÃO)
Considere que João e José se agrediram mutuamente e que as lesões recíprocas não são graves.
Nesta hipótese, o art. 129, § 5.º do CP prescreve que ambos podem:
a) ser beneficiados com a exclusão da ilicitude
b) ser beneficiados com o perdão judicial.
c) ter as penas de reclusão substituídas por prisão simples.
d) ser beneficiados com a exclusão da culpabilidade.
e) ter as penas de detenção substituídas por multa.
31. (VUNESP – 2014 – PC-SP – PERITO)
A questão refere -se às normas do Código Penal.
É correto afirmar que o aborto praticado por médico
a) não é punível, ainda que haja outro meio de salvar a vida da gestante.
b) não é punível, se não houver outro meio de salvar a vida da gestante.
c) não é punível em hipótese alguma.
d) é punível, se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da
gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
e) não é punível, se a gravidez resulta de estupro e o aborto não é precedido de consentimento
da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
32. (VUNESP – 2015 – TJ-MS – JUIZ)
Em relação aos crimes contra a vida, é correto afirmar que
a) a genitora que mata o neonato, sob o estado puerperal e logo após o parto, responderá por
homicídio duplamente qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por meio
insidioso.
b) para configuração do homicídio privilegiado, previsto no art. 121, § 1º, do Código Penal, basta
que o agente cometa o crime sob o domínio de violenta emoção.
c) nas lesões culposas verificadas entre os mesmos agentes, é possível aplicar a compensação de
culpas.
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d) o feminicídio, previsto no art. 121, § 2º , inciso VI, do Código Penal, exige que o crime seja
praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino envolvendo violência
doméstica ou familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
e) o agente que pratica autolesão responderá pelo crime de lesões corporais com atenuação da
pena de 1/3 a 2/3, a depender da natureza da lesão.
33. (VUNESP – 2015 – PC-CE – ESCRIVÃO)
Assinale a alternativa correta no que diz respeito aos crimes contra a vida previstos no Código
Penal
a) No crime de homicídio, a prática deste mediante paga ou promessa de recompensa, ou por
outro motivo torpe são circunstâncias que, apesar de não qualificar o crime, caracterizam-se
como causas de aumento de pena
b) No crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio, a prática da conduta criminosa por
motivo egoístico é circunstância que qualifica o crime.
c) Não se pune o aborto praticado por médico se não há outro meio de salvar a vida da gestante.
d) O crime de aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento equipara-se e possui a
mesma pena que o aborto provocado por terceiro.
e) No crime de homicídio simples, se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante
valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, o juiz deve conceder o perdão judicial.
34. (VUNESP – 2015 – TJ-SP – JUIZ SUBSTITUTO)
A respeito da retratação nos crimes contra a honra, pode-se afirmar que fica isento de pena o
querelado que, antes da sentença, retrata-se cabalmente
(A) da calúnia ou difamação.
(B) da calúnia, injúria ou difamação.
(C) da injúria ou difamação.
(D) da calúnia ou injúria.
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GABARITO
10. ALTERNATIVA B
11. ALTERNATIVA D
12. ALTERNATIVA A
13. ALTERNATIVA C
14. ALTERNATIVA A
15. ALTERNATIVA D
16. ALTERNATIVA E
17. ALTERNATIVA C
18. ALTERNATIVA D
19. ALTERNATIVA E
20. ALTERNATIVA D
21. ALTERNATIVA B
22. ALTERNATIVA B
23. ALTERNATIVA B
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