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Aula 01
Índice
1) Noções Iniciais sobre Culpabilidade
..............................................................................................................................................................................................3
3) Erro Acidental
..............................................................................................................................................................................................
14
INTRODUÇÃO. ELEMENTOS
A culpabilidade nada mais é que o juízo de reprovabilidade acerca da conduta do agente,
considerando-se suas circunstâncias pessoais. Diferentemente do que ocorre nos dois primeiros
elementos (fato típico e ilicitude), onde se analisa o fato, na culpabilidade o objeto de estudo não
é o fato, mas o agente.
Além disso, o dolo e a culpa integram o fato típico, não a culpabilidade (na teoria psicológica, o
dolo e a culpa eram elementos da culpabilidade). Todavia, o chamado dolo “normativo” que nada
mais é que a potencial consciência da ilicitude, permanece na culpabilidade.
• Teoria extremada
• Teoria limitada
Mas o que dizem estas teorias? Basicamente, a mesma coisa. A grande diferença entre elas reside
no tratamento dispensado ao erro sobre as causas de justificação (ou causas de exclusão da
ilicitude), também conhecidas como descriminantes putativas.
A teoria extremada defende que todo erro que recaia sobrea uma causa de justificação seria
equiparado ao erro de proibição.
A teoria limitada, por sua vez, divide o erro sobre as causas de justificação (descriminantes
putativas) em:
• Erro sobre pressuposto fático da causa de justificação (ou erro de fato) – Neste caso,
aplicam-se as regras semelhantes às previstas para o erro de tipo (tem-se aqui o que
se chama de erro de tipo permissivo): se inevitável, isenta de pena; se evitável o erro,
o agente responde na forma culposa.
• Erro sobre a existência ou limites jurídicos de uma causa de justificação (erro sobre a
ilicitude da conduta) – Neste caso, tal teoria defende que devam ser aplicadas as
mesmas regras previstas para o erro de proibição, por se assemelhar à conduta
daquele que age consciência da ilicitude (chamado de erro de proibição indireto).
Em linhas gerais, portanto, a teoria extremada e a teoria limitada dizem a mesma coisa, divergindo
apenas no que toca ao tratamento que deve ser dispensado às descriminantes putativas. O CP
adota a teoria limitada.
Elementos
A imputabilidade penal pode ser conceituada como a capacidade mental de entender o caráter
ilícito da conduta e de comportar-se conforme o Direito.
➢ Biológico – Basta a existência de uma doença mental ou determinada idade para que
o agente seja inimputável. É adotado no Brasil com relação aos menores de 18 anos.
Trata-se de critério meramente biológico: se o agente tem menos de 18 anos, é
inimputável. ==a80b1==
CUIDADO! A imputabilidade penal deve ser aferida quando do momento em que ocorreu o fato
criminoso. Assim, se A (menor com 17 anos e 11 meses de idade) atira contra B, que fica em coma
e só vem a falecer quando A já tinha mais de 18 anos, A será considerado INIMPUTÁVEL, pois no
momento do crime (momento da ação ou omissão, art. 4º do CP), era menor de 18 anos (critério
puramente biológico, adotado como EXCEÇÃO no CP).
As causas de inimputabilidade estão previstas nos arts. 26, 27 e 28 do CP. Tais artigos trazem
hipóteses em que a imputabilidade ficará afastada (inimputabilidade penal), bem como hipóteses
nas quais ela ficará apenas diminuída, mas não será afastada (semi-imputabilidade). Além disso,
trata de casos em que não será possível afastar a imputabilidade ou reconhecer semi-
imputabilidade (emoção e paixão, por exemplo).
1
BITENCOURT, Op. cit., p. 474.
No caso dos doentes mentais, deve-se analisar se o agente era, ao tempo do fato criminoso,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito da conduta ou se era parcialmente incapaz disso.
No primeiro caso, será inimputável, ou seja, isento de pena. No segundo caso, será semi-imputável,
e será aplicada pena, porém, reduzida de um a dois terços. Por isso se diz que este é um critério
BIOPSICOLÓGICO (pois mescla os dois critérios).
Caso o agente seja inimputável, exclui-se a culpabilidade e ele é isento de pena. Se for semi-
imputável, será considerado culpável (não se exclui a culpabilidade), mas sua pena será reduzida
de um a dois terços. Assim, no caso de doença mental:
No caso de o agente ser inimputável, por ser menor de 18 anos, não há processo penal,
respondendo perante o ECA. No caso de ser inimputável em razão de doença mental, será isento
de pena (absolvido), mas o Juiz aplicará uma medida de segurança (internação ou tratamento
ambulatorial), em razão de sua periculosidade (não há culpabilidade aqui). Isso é o que se chama
de sentença absolutória imprópria.
No caso de o agente ser semi-imputável, ele não será isento de pena! Será condenado a uma pena,
que será reduzida. Entretanto, a lei permite que o Juiz, diante do caso (se houver uma
periculosidade concreta que recomende a substituição), substitua a pena privativa de liberdade
por uma medida de segurança (internação ou tratamento ambulatorial).
1.1.3 Embriaguez
Segundo o CP, como regra, a embriaguez não é uma hipótese de inimputabilidade, de forma que
o agente responderá pelo crime, ou seja, será considerado IMPUTÁVEL, na forma do art. 28, II do
CP.
Assim, não importa se a embriaguez foi dolosa (o agente queria ficar embriagado) ou culposa (não
queria ficar embriagado, mas bebeu demais e ficou embriagado). O agente, nestes casos, será
considerado imputável. Trata-se da adoção da chamada “Teoria da actio Libera in causa” (ação
livre na causa), que pode aparecer em formato de sigla (ALIC).
Segundo esta Teoria, o agente deve ser considerado imputável mesmo não tendo discernimento
no momento do fato, pois tinha discernimento quando decidiu ingerir a substância. Ou seja, apesar
de não ter discernimento agora (no momento do crime), tinha discernimento quando se
embriagou, ou seja, sua ação era livre na causa (tinha liberdade para decidir ingerir, ou não, a
substância).
Todavia, a embriaguez pode afastar a imputabilidade quando for acidental, ou seja, decorrente de
caso fortuito ou força maior (E mesmo assim, deve ser completa, retirando totalmente a capacidade
de discernimento do agente).
EXEMPLO: Imagine que Luciana é embriagada por Carlos (que coloca álcool em seus
drinks). Sem saber, Luciana ingere as bebidas alcoólicas e fica completamente
embriagada. Luciana sai do local em que estava e acaba por desacatar dois policiais que
a abordaram em uma blitz. Nesse caso, Luciana estava em situação de embriaguez
acidental completa, pois a embriaguez decorreu de caso fortuito e retirou
completamente o discernimento desta. Neste caso, ficará afastada a imputabilidade
penal de Luciana.
Importante destacar que o Código Penal exige que, em razão da embriaguez decorrente de caso
fortuito ou força maior, o agente esteja INTEIRAMENTE INCAPAZ de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se conforme este entendimento. Caso se trate de embriaguez acidental
parcial, o agente será considerado imputável, ou seja, responderá pelo fato praticado. Todavia,
sua pena poderá ser diminuída de um a dois terços.
Quando o agente age acreditando que sua conduta não é penalmente ilícita, comete erro de
proibição (art. 21 do CP), que veremos mais à frente.
Não basta que o agente seja imputável, que tenha potencial conhecimento da ilicitude do fato, é
necessário, ainda, que o agente pudesse agir de outro modo. É necessário que esteja presente,
portanto, a exigibilidade de conduta diversa.
A exigibilidade de conduta diversa é, assim, um juízo que se faz acerca da conduta do agente, para
que se possa definir se, apesar de praticar um fato típico e ilícito, sendo imputável e conhecendo
a ilicitude de sua conduta, o agente podia, ou não, agir de outro modo. Se se conclui que não era
possível exigir do agente uma postura diferente, conforme o Direito, estará afastada a exigibilidade
de conduta diversa, havendo neste caso o que se chama de inexigibilidade de conduta diversa.
Coação MORAL irresistível – A coação mora irresistível, também chamada de “vis compulsiva”
ocorre quando uma pessoa coage moralmente outra a praticar determinado crime. Neste
caso, aquele que age sob ameaça, por exemplo, atua em situação de coação moral irresistível,
de forma que se entende que não era possível exigir de tal pessoa uma outra postura.
EXEMPLO: Alberto, mediante ameaça, obriga Poliana a furtar um veículo. Alberto afirma
que se Poliana não realizar o furto, matará seu filho. Poliana, com medo de que Alberto
cumpra a promessa e mate seu filho, pratica o furto e entrega o bem a Alberto. Nesse
caso, a conduta de Poliana é um fato típico (furto) e ilícito (não há nenhuma causa de
exclusão da ilicitude). Todavia, não se pode exigir de Poliana uma outra postura, pois
está sob ameaça de um mal gravíssimo (morte do filho).
CUIDADO! Nesse caso (obediência hierárquica), só se aplica aos funcionários públicos, não aos
particulares!
Importante destacar que somente a coação MORAL irresistível é que exclui a culpabilidade. A
coação FÍSICA irresistível não exclui a culpabilidade. A coação FÍSICA irresistível EXCLUI O FATO
TÍPICO, pois o fato não será típico por ausência de CONDUTA, já que não há voluntariedade.
Assim: coação moral irresistível, exclusão da culpabilidade; coação física irresistível, exclusão do
fato típico.
Pode ocorrer de o agente praticar um fato previsto como crime por equívoco. O agente pratica
um fato considerado típico, mas o faz por ter incidido em erro sobre algum de seus elementos.
Trata-se do erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime (ou erro de tipo).
O erro de tipo é a representação errônea da realidade, na qual o agente acredita não se verificar
a presença de um dos elementos essenciais que compõem o tipo penal.
EXEMPLO: José, 18 anos, conhece Maria, moça de apenas 13 anos, em uma boate só
para maiores. Maria mente a idade e diz que tem 18 anos. José, pela compleição física
da vítima, uma moça já desenvolvida, acredita que esta tem, de fato, 18 anos, e com
ela mantém relação sexual. Nesse caso, José teria praticado o fato descrito como
crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP), na medida em que manteve relação
sexual com pessoa menor de 14 anos. Todavia, nesse caso houve erro de tipo, eis que
José incorreu em erro sobre as circunstâncias fáticas, acreditando não estar presente
um dos elementos do tipo (ser Maria menor de 14 anos).
Existe, ainda, o que se convencionou chamar de “erro de tipo permissivo”. O que é isso? O erro
de “tipo permissivo” é o erro sobre os pressupostos fáticos de uma causa de justificação
(excludente de ilicitude). Assim, o erro de “tipo permissivo” seria, basicamente, uma
descriminante putativa por erro de fato (erro sobre os pressupostos fáticos que autorizariam o
agente a atuar amparado pela excludente de ilicitude).
O erro de tipo acidental nada mais é que um erro na execução do fato criminoso ou um desvio
no nexo causal da conduta com o resultado1. Pode se apresentar de diversas formas:
Aqui o agente pratica o ato contra pessoa diversa da pessoa visada, por confundi-la com a
pessoa que deveria ser o alvo do delito. Neste caso, o erro não isenta de pena, e o agente
responde como se tivesse praticado o crime CONTRA A PESSOA VISADA. Essa previsão está no
art. 20, §3° do CP.
Aqui o sujeito executa perfeitamente a conduta, ou seja, não existe falha na execução do delito.
O erro está em momento anterior (na representação mental da vítima).
==a80b1==
Ex.: João quer matar seu pai, pois está com raiva em razão da partilha dos bens de sua
mãe. João fica na espreita e, quando vê uma pessoa chegar, acreditando ser seu pai,
mira bem no crânio e lasca um balaço certeiro, fazendo com que a vítima caia
desfalecida. Após, verifica que a pessoa não era seu pai, mas seu tio.
Neste caso o agente responderá como se tivesse praticado o delito contra seu pai (pessoa
visada) e não pelo homicídio contra seu tio. Trata-se da teoria da equivalência.
No erro sobre o nexo causal o agente alcança o resultado efetivamente pretendido, mas em
razão de um nexo causal diferente daquele que o agente planejou. Pode ser de duas espécies:
⇒ Erro sobre o nexo causal em sentido estrito - Aqui o agente, com um só ato, provoca o
resultado pretendido (mas com nexo causal diferente). Ex.: José dispara dois tiros contra
Maria, visando sua morte. Maria, em razão dos disparos, cai na piscina, e morre por
afogamento. O agente responde pelo que efetivamente ocorreu (morte por afogamento).2
⇒ Dolo geral ou aberratio causae - Aqui temos o que se chama de dolo geral ou por erro
sucessivo. É o engano no que se refere ao meio de execução do delito. Ocorre quando o
agente, acreditando já ter ocorrido o resultado pretendido, prática outro ato, mas ao final
verifica que este último foi o que provocou o resultado (Ex.: O agente atira contra a vítima,
visando sua morte. Acreditando que a vítima já morreu, atira o corpo num rio, visando sua
ocultação. Mais tarde, descobre-se que esta última conduta foi a que causou a morte da
vítima, por afogamento, pois ainda estava viva). O agente responde pelo crime
originalmente previsto (homicídio doloso consumado3), tendo sido adotada a teoria
unitária (ou princípio unitário).
1
GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit., p. 376
2
Por todos, GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Curso de Direito Penal. JusPodivm. Salvador, 2015, p. 380
3
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal. Volume 1. Ed. Impetus. Niterói-RJ, 2015, p. 360
Aqui o agente atinge pessoa diversa daquela que fora visada, não por confundi-la, mas por erro
ou acidente na execução (ex.: José, querendo acertar Maria, desfere um tiro. José erra o alvo e
acerta Teresa, que passava perto do local).
A aberratio ictus pode decorrer, também, de mero acidente durante a execução do delito (não
houve má execução pelo infrator, mas mero acidente) (ex.: José atira em Maria, acerta o tiro,
mata Maria, mas a bala atravessa o corpo da vítima, atinge um barril de querosene, que explode
e mata Pedro).
No caso de erro na execução, assim como no erro sobre a pessoa, não há isenção de pena,
respondendo o agente como se tivesse atingido a vítima visada, na forma do art. 73 do CP.
⇒ Erro sobre a execução com unidade simples (Aberratio ictus de resultado único) - O
agente atinge somente a pessoa diversa daquela visada. Neste caso, responde como se
tivesse atingido a pessoa visada (e não aquela efetivamente atingida), da mesma forma
como ocorre no erro sobre a pessoa (Ex.: José quer lesionar Maria, mas acaba errando ao
atirar a pedra e acerta Joana, que estava grávida. Nesse caso, José responderá por lesão
corporal, levando-se em conta as condições de Maria, não de Joana. Logo, não haverá a
agravante de ter sido praticado o crime contra mulher grávida, pois Maria não estava
grávida).
⇒ Erro sobre a execução com unidade complexa (Aberratio ictus de resultado duplo) - O
agente atinge a vítima não visada, mas atinge também a vítima originalmente pretendida.
Nesse caso, responde pelos dois crimes, em concurso formal (ex.: José quer lesionar
Maria, e atira contra ela uma pedra. Todavia, além de acertar Maria, a pedra acaba
acertando também Paulo, que passava na hora. Neste caso, José responde pelos dois
crimes).
Aqui o agente pretendia cometer um crime, mas, por acidente ou erro na execução, acaba
cometendo outro. Aqui há uma relação de pessoa x coisa (ou coisa x pessoa). Na aberratio ictus
há uma relação de pessoa x pessoa. Pode ser de duas espécies:
▪ Pessoa visada, coisa atingida – Responde pelo dolo em relação à pessoa (ex.: José atira
uma pedra em Maria e acaba quebrando uma vidraça. Responde por lesão corporal
tentada, apenas).
▪ Coisa visada, pessoa atingida – Responde apenas pelo resultado ocorrido em relação à
pessoa (ex.: José, querendo quebrar uma vidraça, atira uma pedra, mas erra e acerta
Maria, causando-lhe lesão corporal. Responde apenas por lesão corporal).
Quando o agente atinge tanto o alvo quanto a coisa ou pessoa não pretendida, aplica-se a
mesma regra do erro na execução: atingindo ambos os bens jurídicos (o pretendido e o não
pretendido) responderá por AMBOS OS CRIMES, em CONCURSO FORMAL (art. 70 do CP).
Aqui o agente incide em erro sobre a COISA visada, sobre o objeto material do delito.
Ex.: O agente pretende subtrair uma valiosa obra de arte. Entra à noite na
residência mas acaba furtando um quadro de pequeno valor, por confundir com a
obra pretendida.
O CP não previu esta hipótese de erro, mas diante de sua possibilidade fática, a Doutrina se
debruçou sobre o tema. Uma vez ocorrendo erro sobre o objeto, não há qualquer relevância para
fins de afastamento do do dolo ou da culpa, bem como não se afasta a culpabilidade. O agente
responderá pelo delito. A doutrina majoritária sustenta que o agente deve responder pela
conduta efetivamente praticada (independentemente da coisa visada). Assim, no exemplo
anterior, o agente responderia pelo furto do quadro de pequeno valor (e não pelo furto da obra
de arte valiosa).
No erro determinado (ou provocado) por terceiro o agente erra porque alguém o induz a isso.
Nesse caso, só responde pelo delito aquele que provoca o erro. Entende-se que há, aqui, uma
modalidade de autoria mediata, na qual o autor mediato (agente provocador) utiliza o autor
imediato (agente provocado, aquele que comete o erro) como mero instrumento para seu intento
criminoso.
Erro de proibição
⮚ Escusável – Nesse caso, era impossível àquele agente, naquele caso concreto, saber
que sua conduta era contrária ao Direito. Nesse caso, exclui-se a culpabilidade e o
agente é isento de pena.
⮚ Inescusável – Nesse caso, o erro do agente quanto à proibição da conduta não é tão
perdoável, pois era possível, mediante algum esforço, entender que se tratava de
conduta ilícita (contrária ao direito). Assim, permanece a culpabilidade, respondendo
pelo crime, com pena diminuída de um sexto a um terço.
O erro de proibição pode ser direto (que é a hipótese mencionada) ou indireto. O erro de
proibição indireto ocorre quando o agente atua acreditando que existe uma causa de justificação
que o ampare. Contudo, não confundam o erro de proibição indireto com o erro de tipo
permissivo. Ambos se referem à existência de uma causa de justificação (excludente de ilicitude),
mas há uma diferença fundamental entre eles:
● Erro de tipo permissivo – O agente atua acreditando que, no caso concreto, estão
presentes os requisitos fáticos que caracterizam a causa de justificação e, portanto,
sua conduta seria justa. Ex.: José atira contra seu filho, de madrugada, pois
acreditava tratar-se de um ladrão (acreditava que as circunstâncias fáticas autorizariam
agir em legítima defesa).
● Erro de proibição indireto – O agente atua acreditando que existe, EM ABSTRATO,
alguma descriminante (causa de justificação) que autorize sua conduta. Trata-se de
erro sobre a existência e/ou limites de uma causa de justificação em abstrato. Erro,
portanto, sobre o ordenamento jurídico. Ex.: José é portador de glaucoma, e compra
pequena quantidade de maconha para fins medicinais. José sabe que, a princípio, a
conduta de ter pequena quantidade de droga é fato típico, mas acredita que há
excludente de ilicitude no seu caso, por ter glaucoma (a lei não prevê isso).
O erro de tipo acidental nada mais é que um erro na execução do fato criminoso ou um desvio
no nexo causal da conduta com o resultado1. Pode se apresentar de diversas formas:
Aqui o agente pratica o ato contra pessoa diversa da pessoa visada, por confundi-la com a
pessoa que deveria ser o alvo do delito. Neste caso, o erro não isenta de pena, e o agente
responde como se tivesse praticado o crime CONTRA A PESSOA VISADA. Essa previsão está no
art. 20, §3° do CP.
Aqui o sujeito executa perfeitamente a conduta, ou seja, não existe falha na execução do delito.
O erro está em momento anterior (na representação mental da vítima).
Ex.: João quer matar seu pai, pois está com raiva em razão da partilha dos bens de sua
mãe. João fica na espreita e, quando vê uma pessoa chegar, acreditando ser seu pai,
mira bem no crânio e lasca um balaço certeiro, fazendo com que a vítima caia
desfalecida. Após, verifica que a pessoa não era seu pai, mas seu tio.
Neste caso o agente responderá como se tivesse praticado o delito contra seu pai (pessoa
visada) e não pelo homicídio contra seu tio. Trata-se da teoria da equivalência.
No erro sobre o nexo causal o agente alcança o resultado efetivamente pretendido, mas em
razão de um nexo causal diferente daquele que o agente planejou. Pode ser de duas espécies:
⇒ Erro sobre o nexo causal em sentido estrito - Aqui o agente, com um só ato, provoca o
resultado pretendido (mas com nexo causal diferente). Ex.: José dispara dois tiros contra
Maria, visando sua morte. Maria, em razão dos disparos, cai na piscina, e morre por
afogamento. O agente responde pelo que efetivamente ocorreu (morte por afogamento).2
⇒ Dolo geral ou aberratio causae - Aqui temos o que se chama de dolo geral ou por erro
sucessivo. É o engano no que se refere ao meio de execução do delito. Ocorre quando o
agente, acreditando já ter ocorrido o resultado pretendido, prática outro ato, mas ao final
verifica que este último foi o que provocou o resultado (Ex.: O agente atira contra a vítima,
visando sua morte. Acreditando que a vítima já morreu, atira o corpo num rio, visando sua
ocultação. Mais tarde, descobre-se que esta última conduta foi a que causou a morte da
vítima, por afogamento, pois ainda estava viva). O agente responde pelo crime
1
GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit., p. 376
2
Por todos, GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Curso de Direito Penal. JusPodivm. Salvador, 2015, p. 380
Aqui o agente atinge pessoa diversa daquela que fora visada, não por confundi-la, mas por erro
ou acidente na execução (ex.: José, querendo acertar Maria, desfere um tiro. José erra o alvo e
acerta Teresa, que passava perto do local).
A aberratio ictus pode decorrer, também, de mero acidente durante a execução do delito (não
houve má execução pelo infrator, mas mero acidente) (ex.: José atira em Maria, acerta o tiro,
mata Maria, mas a bala atravessa o corpo da vítima, atinge um barril de querosene, que explode
e mata Pedro).
No caso de erro na execução, assim como no erro sobre a pessoa, não há isenção de pena,
==a80b1==
respondendo o agente como se tivesse atingido a vítima visada, na forma do art. 73 do CP.
⇒ Erro sobre a execução com unidade simples (Aberratio ictus de resultado único) - O
agente atinge somente a pessoa diversa daquela visada. Neste caso, responde como se
tivesse atingido a pessoa visada (e não aquela efetivamente atingida), da mesma forma
como ocorre no erro sobre a pessoa (Ex.: José quer lesionar Maria, mas acaba errando ao
atirar a pedra e acerta Joana, que estava grávida. Nesse caso, José responderá por lesão
corporal, levando-se em conta as condições de Maria, não de Joana. Logo, não haverá a
agravante de ter sido praticado o crime contra mulher grávida, pois Maria não estava
grávida).
⇒ Erro sobre a execução com unidade complexa (Aberratio ictus de resultado duplo) - O
agente atinge a vítima não visada, mas atinge também a vítima originalmente pretendida.
Nesse caso, responde pelos dois crimes, em concurso formal (ex.: José quer lesionar
Maria, e atira contra ela uma pedra. Todavia, além de acertar Maria, a pedra acaba
acertando também Paulo, que passava na hora. Neste caso, José responde pelos dois
crimes).
Aqui o agente pretendia cometer um crime, mas, por acidente ou erro na execução, acaba
cometendo outro. Aqui há uma relação de pessoa x coisa (ou coisa x pessoa). Na aberratio ictus
há uma relação de pessoa x pessoa. Pode ser de duas espécies:
3
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal. Volume 1. Ed. Impetus. Niterói-RJ, 2015, p. 360
▪ Pessoa visada, coisa atingida – Responde pelo dolo em relação à pessoa (ex.: José atira
uma pedra em Maria e acaba quebrando uma vidraça. Responde por lesão corporal
tentada, apenas).
▪ Coisa visada, pessoa atingida – Responde apenas pelo resultado ocorrido em relação à
pessoa (ex.: José, querendo quebrar uma vidraça, atira uma pedra, mas erra e acerta
Maria, causando-lhe lesão corporal. Responde apenas por lesão corporal).
Quando o agente atinge tanto o alvo quanto a coisa ou pessoa não pretendida, aplica-se a
mesma regra do erro na execução: atingindo ambos os bens jurídicos (o pretendido e o não
pretendido) responderá por AMBOS OS CRIMES, em CONCURSO FORMAL (art. 70 do CP).
Aqui o agente incide em erro sobre a COISA visada, sobre o objeto material do delito.
Ex.: O agente pretende subtrair uma valiosa obra de arte. Entra à noite na
residência mas acaba furtando um quadro de pequeno valor, por confundir com a
obra pretendida.
O CP não previu esta hipótese de erro, mas diante de sua possibilidade fática, a Doutrina se
debruçou sobre o tema. Uma vez ocorrendo erro sobre o objeto, não há qualquer relevância para
fins de afastamento do do dolo ou da culpa, bem como não se afasta a culpabilidade. O agente
responderá pelo delito. A doutrina majoritária sustenta que o agente deve responder pela
conduta efetivamente praticada (independentemente da coisa visada). Assim, no exemplo
anterior, o agente responderia pelo furto do quadro de pequeno valor (e não pelo furto da obra
de arte valiosa).
EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. VUNESP - JE TJSP/TJ SP/2023
c) é preordenada.
d) decorre involuntariamente.
COMENTÁRIOS
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou
qualificam o crime:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
GABARITO: LETRA C
Marcelo decide sair para beber com os seus amigos. Depois de algumas horas ingerindo bebidas
alcóolicas voluntariamente, deixa o bar e, no caminho de casa, resolve matar uma pessoa em
situação de rua com a qual tinha desentendimento anterior. Durante o processo, a Defesa de
Marcelo alega que ele não tinha condição de responder pelos seus atos (ausência de
culpabilidade), pois estava completamente embriagado.
a) não está correta, pois a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de
efeitos análogos não exclui a imputabilidade penal.
b) não está correta, pois a embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior não isenta de
pena, ainda que ele fosse, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
c) está correta, pois a embriaguez pelo álcool ou substância de efeitos análogos, mesmo
voluntária, exclui a imputabilidade penal.
d) não está correta, pois apenas a embriaguez voluntária decorrente do uso de entorpecentes
(drogas) exclui a imputabilidade penal.
e) está correta, de modo que Marcelo não responderá pelo crime na medida em que tinha
desentendimento anterior com a vítima, o que justifica a sua conduta.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, a defesa do agente não está correta, pois a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo
álcool ou substância de efeitos análogos não exclui a imputabilidade penal, nos termos do art.
28, II do CP:
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
GABARITO: LETRA A
Mévio foi vítima de crime de roubo com restrição de liberdade, tendo sido amarrado. Antes de
liberá-lo, Caio, o roubador, fez com que Mévio ingerisse bebida alcoólica à força, a fim de reduzir
a sua capacidade de resistência. Contudo, ainda que completamente embriagado e sem
capacidade de discernimento sobre o caráter ilícito do fato, após ser liberado e estar a caminho
de casa, Mévio resolveu voltar ao local em que Caio se encontrava e o espancou até ocasionar
sua morte.
a) deverá responder pelo crime de lesão corporal qualificado pelo resultado morte, em razão do
dolo com que praticou as lesões corporais e da culpa quanto ao resultado morte;
b) deverá responder pelo crime de homicídio doloso, uma vez que o resultado morte era
previsível, havendo, ao menos, dolo eventual;
COMENTÁRIOS
Nesse caso, temos situação de embriaguez acidental (decorrente de força maior) completa,
que isenta de pena o agente, de forma que Mévio não deverá responder por nenhum crime,
ante a exclusão da culpabilidade:
Art. 28 (...) § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de
caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
GABARITO: LETRA E
Não há crime quando o agente pratica o fato em estado de embriaguez, voluntária ou culposa,
pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos
análogos, não afasta a imputabilidade penal, nos termos do art. 28, II do CP:
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
(...)
GABARITO: ERRADA
5. (FGV/2023/CGE-SC/AUDITOR)
Arthur é servidor público de determinado órgão da Administração Pública, quando recebe uma
ligação ameaçadora, informando que sua esposa, Aline, está em poder de sequestradores,
devendo Arthur praticar determinado ato administrativo, em benefício dos criminosos, sob pena
de grave ofensa à integridade física de Aline. Arthur se sente ameaçado e apavorado, com justo
receio pela integridade física de sua esposa.
No caso narrado, na hipótese de Arthur efetivamente praticar o ato de ofício requerido, é correto
afirmar que
A) Arthur responderá por prevaricação caso não se comprove o efetivo risco à integridade física
de Aline.
B) Arthur age em excludente de ilicitude, uma vez que a situação narrada representa estado de
necessidade.
C) Arthur age em excludente de culpabilidade, uma vez que a situação narrada é de coação
moral irresistível.
D) se Aline estiver realmente sob poder de criminosos, é o caso de coação física irresistível.
E) Arthur age em erro de tipo, por não saber se Aline está efetivamente sob o poder dos
criminosos, excluindo-se a tipicidade.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Arthur age em excludente de culpabilidade, uma vez que a situação narrada é de
coação moral irresistível, sendo punível apenas o autor da coação, nos termos do art. 22 do CP:
GABARITO: LETRA C
6. (FGV/2022/TRT13)
Mário estava em uma festa e ficou completamente embriagado após ingerir um refrigerante sem
saber que o barman tinha incluído uma substância entorpecente em sua bebida. Nessa situação,
Mário subtraiu o celular de Alice e foi embora do local. Posteriormente, foi constatado, na
perícia, que Mário estava completamente embriagado e sem capacidade de determinar o caráter
ilícito do fato.
Nesse caso, é correto afirmar que Mário
A) não responderá por crime, tendo em vista que houve exclusão da ilicitude, em razão do
exercício regular de direito.
B) não responderá por crime, tendo em vista que houve exclusão da culpabilidade, em razão do
exercício regular de direito.
C) não responderá por crime, tendo em vista que, em razão da imputabilidade do agente, existe
uma excludente de culpabilidade.
D) não responderá por crime, tendo em vista que, em razão da inimputabilidade, houve exclusão
da culpabilidade.
E) praticou o crime de furto, previsto no art. 155, caput do CP.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Mário será isento de pena tendo em vista sua inimputabilidade em razão da
embriaguez acidental completa, decorrente de caso fortuito, o que gera exclusão da
culpabilidade, nos termos do art. 28, §1º do CP:
GABARITO: Letra D
7. (FGV/2022/SEAD-AP)
Alice, 16 anos, foi sequestrada por Túlio, três dias antes de Túlio completar 18 anos. Após passar
9 dias em cativeiro, as investigações para encontrar Alice foram bem sucedidas e Alice foi então
libertada.
8. (FGV/2022/SENADO)
Durante assalto a uma joalheria, dois homens armados obrigaram a gerente, mediante grave
ameaça, a abrir o cofre e a acondicionar as joias que estavam guardadas ali em uma mochila, que
eles levaram consigo na fuga.
Com base no caso descrito e no conceito tripartite de crime, assinale a afirmativa correta.
A) A cooperação da gerente com os roubadores é um fato penalmente atípico.
B) Em razão da ameaça, a gerente não agiu com dolo ao colaborar com os roubadores.
C) A gerente não agiu de forma culpável, apesar de haver cometido um injusto penal.
D) A gerente cometeu o crime de roubo em concurso de agentes, mas é favorecida por uma
escusa absolutória.
E) A gerente agiu em legítima defesa, razão por que a sua colaboração com os roubadores é
justificada.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, a gerente agiu em situação de coação moral irresistível (art. 22 do CP), que é causa
excludente de culpabilidade, por inexigibilidade de conduta diversa:
Logo, a gerente não agiu de forma culpável, apesar de haver cometido um injusto penal (injusto
penal = fato típico + ilicitude).
GABARITO: Letra C
9. (FGV/2022/PCAM)
10. (FGV/2022/TJDFT)
Esteban, jovem graduando em Direito, viaja com a associação atlética de sua universidade para
festividades em cidade do interior do Estado. Em meio às confraternizações, substância
entorpecente é oferecida a Esteban por seus colegas. A fim de superar sua timidez, o agente
aceita consumir as referidas drogas, atingindo embriaguez completa. Ao recobrar os sentidos,
Esteban tinha em sua posse um relógio que furtou naquela noite, tendo os colegas lhe contado
que havia também agredido alunos da universidade rival, invadido domicílio e praticado crime de
dano aos pertences dos citados alunos.
Acerca da culpabilidade e da teoria da actio libera in causa, é correto afirmar que:
A) a embriaguez por caso fortuito ou força maior não atenua nem isenta o réu de pena;
B) ao passo que a embriaguez voluntária agrava a pena do agente, a embriaguez preordenada
apenas justifica a imposição de pena criminal;
C) Esteban não poderá ser responsabilizado criminalmente, posto que ausente vontade livre e
consciente, em razão da embriaguez completa;
D) o direito penal brasileiro apenas autoriza a punição do agente quando a embriaguez é
preordenada, assim entendida a conduta do agente que se utiliza da substância para praticar o
crime;
E) tratando-se de embriaguez voluntária, culposa ou preordenada, o agente poderá ser
responsabilizado pelas ações praticadas no contexto de embriaguez, fixando-se como parâmetro
para aferição da culpabilidade o momento de consumo da substância.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente deverá ser responsabilizado pelos crimes praticados, eis que, nos termos
do Código Penal (art. 28, §1º), somente a embriaguez acidental (aquela decorrente de caso
fortuito ou força maior) completa (que retira totalmente a capacidade do agente) é que afasta a
imputabilidade do agente e, portanto, afasta sua culpabilidade.
A embriaguez voluntária (agente quer se embriagar), culposa (se embriaga pela imprudência na
ingestão da substância e a embriaguez preordenada (agente quer se embriagar com a intenção
de cometer o delito embriagado) não afastam a imputabilidade penal, nos termos do art. 28, II
do CP, sendo necessário registrar que a embriaguez preordenada funciona, ainda, como
circunstância agravante, nos termos do art. 61, II, “L” do CP.
Nos casos de embriaguez não acidental (culposa, voluntária ou preordenada) o agente é punido
em razão da teoria da actio libera in causa, ou seja, apesar de o agente não ter capacidade de
discernimento ou de autodeterminação ao tempo da conduta delituosa, deverá ser punido
porque tinha total capacidade quando decidiu, deliberadamente, ingerir a substância (álcool ou
outra). Assim, deve ser responsabilizado pelos eventuais atos criminosos que venha a praticar em
situação de embriaguez, pois tinha plena consciência de seus atos no momento em que se
colocou na situação de embriaguez.
GABARITO: Letra E
12. (FGV/2021/TJSC/NOTÁRIO)
Flávia, pessoa humilde, presta serviços de faxineira em serventia extrajudicial localizada na cidade
de Florianópolis. Em determinada data, Flávia foi abordada na saída de sua residência por
pessoas ligadas ao tráfico dominante na localidade, que determinaram que ela transportasse e
guardasse arma de fogo em seu trabalho, pois terceiro iria no dia seguinte ao local para buscar o
material bélico. Os traficantes afirmaram que se Flávia não atendesse àquela determinação, seria
expulsa de sua casa, não tendo mais onde morar, bem como que sua mãe também sofreria as
consequências. Em razão disso, Flávia transportou um revólver, de calibre de uso permitido, mas
com numeração de série suprimida, para o trabalho, escondendo o material em uma lixeira.
Após receber denúncia, a autoridade policial determinou a realização de diligência no local.
Com autorização dos responsáveis, os policiais civis apreenderam a arma guardada por Flávia,
que esclareceu o ocorrido.
Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que Flávia agiu:
A) sob coação moral resistível, devendo ser reconhecida a prática do crime de porte de arma de
fogo de uso permitido, com causa de diminuição de pena;
B) sob coação física irresistível, afastando-se a culpabilidade de sua conduta;
C) sob coação moral irresistível, afastando-se a culpabilidade de sua conduta;
D) sob coação moral irresistível, afastando-se a ilicitude de sua conduta;
E) em legítima defesa, afastando-se a ilicitude de sua conduta.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Flávia agiu sob coação moral irresistível, pois somente praticou o fato típico e ilícito
porque fora ameaçada pelas pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Logo, não há exigibilidade de
conduta diversa nesse caso, de maneira que ficará afastada a culpabilidade de Flávia, nos termos
do art. 22 do CP.
GABARITO: Letra C
Ramon foi denunciado pela prática de um crime de estupro simples, sendo constatado ao longo
da instrução, por meio de exame de insanidade mental, que, na data dos fatos, ele era
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato em razão de desenvolvimento mental
incompleto.
Confirmada a autoria e a materialidade, no momento das alegações finais, caberá ao promotor
de justiça buscar:
A) o reconhecimento da autoria e materialidade, sendo, porém, o agente isento de pena, de
modo que caberá aplicação de medida de segurança em razão da inimputabilidade de Ramon;
B) a absolvição própria do agente, não sendo aplicada qualquer pena privativa de liberdade ou
medida de segurança, diante da inimputabilidade do agente;
C) a absolvição imprópria de Ramon, aplicando-se pena privativa de liberdade, com causa de
diminuição de pena em razão da inimputabilidade;
D) a condenação do réu, reduzindo-se a pena aplicada, porém, em um a dois terços em razão da
semi-imputabilidade do agente;
E) a absolvição imprópria de Ramon, aplicando-se medida de segurança, diante da
semi-imputabilidade do agente.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, como restou comprovado que Ramon, em razão de doença mental, era, ao tempo
do fato, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito de sua conduta, deverá o Juiz, uma vez
comprovada a autoria e a materialidade do fato, reconhecer a isenção de pena pela
inimputabilidade decorrente de doença mental, proferindo sentença absolutória imprópria, de
modo que caberá aplicação de medida de segurança em razão da inimputabilidade de Ramon:
GABARITO: Letra A
No dia 25 de dezembro de 2017, Carlos, funcionário público, recebe uma visita inesperada de
João, seu superior hierárquico, em sua residência. João informa a Carlos que estava sendo
investigado pela prática de um delito e exige que este altere informação em determinado
documento público, mediante falsificação, de modo a garantir que não sejam obtidas provas do
crime que vinha sendo investigado, assegurando que, caso a ordem não fosse cumprida,
sequestraria o filho de Carlos e que a restrição da liberdade perduraria até o atendimento da
exigência. Diante desse comportamento de João, Carlos falsifica o documento público, mas vem
a ser descoberto e denunciado pela prática do crime previsto no Art. 297 do Código Penal
(falsificação de documento público).
Com base apenas nessas informações, o advogado de Carlos deveria alegar, em busca de sua
absolvição, a ocorrência de:
A) coação moral irresistível, causa de exclusão da culpabilidade;
B) estrita obediência à ordem de superior hierárquico, causa de exclusão da culpabilidade;
C) estado de necessidade, causa de exclusão da ilicitude;
D) coação moral irresistível, causa de exclusão da ilicitude;
E) estrita obediência à ordem de superior hierárquico, causa de exclusão da ilicitude.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Carlos agiu sob coação moral irresistível, pois somente praticou o fato típico e ilícito
porque fora ameaçado por João. Logo, não há exigibilidade de conduta diversa nesse caso, de
maneira que ficará afastada a culpabilidade de Carlos, nos termos do art. 22 do CP.
GABARITO: Letra A
15. (FGV – 2018 – TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Gabriel, 25 anos, desferiu, de maneira
imotivada, diversos golpes de madeira na cabeça de Fábio, seu irmão mais novo. Após ser
denunciado pelo crime de lesão corporal gravíssima, foi realizado exame de insanidade
mental, constatando-se que, no momento da agressão, Gabriel, em razão de
desenvolvimento mental incompleto, não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito
do fato.
(D) semi-imputabilidade do agente, que poderá funcionar como causa de redução de pena;
COMENTÁRIOS
Neste caso, como o agente não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato, deve
ser considerado SEMI-IMPUTÁVEL, respondendo pelo crime, mas com pena reduzida de um a
dois terços em razão da semi-imputabilidade, na forma do art. 26, §único do CP:
Art. 26 (...)
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em
virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Perceba-se que há uma diferença ENORME entre ser inteiramente incapaz, que é o caso do
inimputável (art. 26) e não ser inteiramente capaz (parcialmente capaz), que é o caso da questão
(art. 26, §único do CP).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.
(A) Ricardo e Bruno são isentos de pena, pois a embriaguez de ambos decorreu de força maior;
(B) Ricardo deverá responder pelo crime praticado, enquanto Bruno é isento de pena;
(C) Ricardo e Bruno deverão responder pelos crimes praticados, pois a embriaguez nunca exclui
a imputabilidade penal;
(D) Ricardo e Bruno, caso sejam denunciados, responderão criminalmente perante a Câmara de
Vereadores;
(E) Ricardo e Bruno são isentos de pena, pois a embriaguez do primeiro foi culposa e do
segundo decorreu de força maior.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, apenas Ricardo responderá pelo delito que praticou, pois sua embriaguez
decorreu de culpa sua, o que não afasta a imputabilidade penal. Bruno, por sua vez, não pode
responder pelo crime praticado, pois sua embriaguez completa decorreu de força maior (ação de
terceira pessoa), não tendo ocorrido por culpa de Bruno. Vejamos:
Emoção e paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
(...)
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos
análogos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de
caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.
17. (FGV – 2015 – TCE-RJ – AUDITOR) A embriaguez provocada pelo uso do álcool pode excluir
a culpabilidade quando:
a) for preordenada;
c) for culposa;
d) for patológica;
e) for habitual.
COMENTÁRIOS
A embriaguez, como regra, não exclui a culpabilidade. Assim, a embriaguez preordenada, a
embriaguez culposa e a embriaguez habitual não são capazes de afastar a imputabilidade penal.
Com relação à embriaguez decorrente de força maior, ela só excluirá a imputabilidade penal
quando RETIRAR POR COMPLETO a capacidade de o agente entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com este entendimento. Caso apenas diminua essa capacidade
(letra B), o agente responderá pelo delito, mas terá sua pena diminuída.
Por fim, em relação à embriaguez patológica, ela é equiparada à doença mental, motivo pelo
qual PODE afastar a culpabilidade do agente (nos termos do art. 26 do CP, não do art. 28), de
forma que a letra D (apesar de incompleta) está correta.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.
b) A conduta em coação física irresistível, apesar de típica e ilícita, não enseja punição do agente
por ausência de culpabilidade.
c) O estrito cumprimento do dever legal é tratado pelo Código Penal como causa excludente de
culpabilidade.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Item errado, pois o erro de tipo afasta a tipicidade, não a culpabilidade.
B) ERRADA: Item errado, pois a coação FÍSICA irresistível exclui a conduta. A coação MORAL
irresistível é que exclui a culpabilidade.
C) ERRADA: Item errado, pois o estrito cumprimento do dever legal não atua sobre a
culpabilidade, mas sobre a ilicitude do fato.
D) CORRETA: Item correto, pois a embriaguez CULPOSA nunca exclui a culpabilidade, ainda que
seja completa.
E) ERRADA: Item errado, pois o exercício regular do direito não atua sobre a culpabilidade, mas
sobre a ilicitude do fato.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.
19. (FGV – 2015 – OAB – XVI EXAME DE ORDEM) Patrício e Luiz estavam em um bar, quando o
primeiro, mediante ameaça de arma de fogo, obriga o último a beber dois copos de tequila.
Luiz ficou inteiramente embriagado. A dupla, então, deixou o local, sendo que Patrício
conduzia Luiz, que caminhava com muitas dificuldades. Ao encontrarem Juliana, que
caminhava sozinha pela calçada, Patrício e Luiz, se utilizando da arma que era portada pelo
primeiro, constrangeram-na a com eles praticar sexo oral, sendo flagrados por populares que
passavam ocasionalmente pelo local, ocorrendo a prisão em flagrante. Denunciados pelo
crime de estupro, no curso da instrução, mediante perícia, restou constatado que Patrício era
possuidor de doença mental grave e que, quando da prática do fato, era inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do seu comportamento, situação, aliás, que permaneceu
até o momento do julgamento. Também ficou demonstrado que, no momento do crime, Luiz
estava completamente embriagado. O Ministério Público requereu a condenação dos
acusados. Não havendo dúvida com relação ao injusto, tecnicamente, a defesa técnica dos
acusados deverá requerer, nas alegações finais,
COMENTÁRIOS
No caso em tela o Juiz deverá absolver Luiz, em razão da ausência de culpabilidade, por
inimputabilidade decorrente de embriaguez completa proveniente de força maior, nos termos do
art. 28, §1º do CP. Em relação a Patrício, deverá receber sentença de absolvição imprópria, com
aplicação de medida de segurança, nos termos do art. 26 do CP.
20. (FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DE ORDEM) Durante um assalto a uma instituição
bancária, Antônio e Francisco, gerentes do estabelecimento, são feitos reféns. Tendo ciência
da condição deles de gerentes e da necessidade de que suas digitais fossem inseridas em
determinado sistema para abertura do cofre, os criminosos colocam, à força, o dedo de
Antônio no local necessário, abrindo, com isso, o cofre e subtraindo determinada quantia em
dinheiro. Além disso, sob a ameaça de morte da esposa de Francisco, exigem que este saia
do banco, levando a sacola de dinheiro juntamente com eles, enquanto apontam uma arma
de fogo para os policiais que tentavam efetuar a prisão dos agentes.
A) Antônio não responderá pelo crime por ausência de tipicidade, enquanto Francisco não
responderá por ausência de ilicitude em sua conduta.
B) Antônio não responderá pelo crime por ausência de ilicitude, enquanto Francisco não
responderá por ausência de culpabilidade em sua conduta.
C) Antônio não responderá pelo crime por ausência de tipicidade, enquanto Francisco não
responderá por ausência de culpabilidade em sua conduta.
D) Ambos não responderão pelo crime por ausência de culpabilidade em suas condutas.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, Antônio foi vítima de coação FÍSICA irresistível (não teve vontade alguma,
escolha alguma), de forma que fica afastada a própria configuração do fato típico, dada a
ausência de conduta. Francisco, por sua vez, foi vítima de coação MORAL irresistível, de maneira
que agiu sem culpabilidade, nos termos do art. 22 do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.
21. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME DE ORDEM) Para aferição da inimputabilidade por doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, assinale a alternativa que
indica o critério adotado pelo Código Penal vigente.
a) Biológico.
b) Psicológico.
c) Psiquiátrico.
d) Biopsicológico.
COMENTÁRIOS
sejam menores de 18 anos, sem que haja necessidade de qualquer avaliação específica das
condições psicológicas do agente no caso concreto.
O critério biopsicológico, por sua vez, foi adotado em relação aos doentes mentais, nos termos
do art. 26 do CP.
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.
22. (FGV – 2012 – OAB – VIII EXAME DE ORDEM) Analise as hipóteses abaixo relacionadas e
assinale a alternativa que apresenta somente causas excludentes de culpabilidade.
a) Erro de proibição; embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior; coação
moral irresistível.
b) Embriaguez culposa; erro de tipo permissivo; inimputabilidade por doença mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado.
COMENTÁRIOS
Das alternativas apresentadas a única que traz apenas hipóteses de exclusão da culpabilidade é a
letra A, pois tanto o erro de proibição quanto a embriaguez completa proveniente de caso
fortuito ou força maior e a coação moral irresistível são causas de exclusão da culpabilidade, nos
termos dos arts. 21, 22 e 28, §1º do CP.
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.
23. (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB) Acerca das causas excludentes de ilicitude e
extintivas de punibilidade, assinale a afirmativa incorreta.
A) A coação moral irresistível exclui a culpabilidade, enquanto que a coação física irresistível
exclui a própria conduta, de modo que, nesta segunda hipótese, sequer chegamos a analisar a
tipicidade, pois não há conduta penalmente relevante.
B) Em um bar, Caio, por notar que Tício olhava maliciosamente para sua namorada, desfere
contra este um soco no rosto. Aturdido, Tício vai ao chão, levantando-se em seguida, e vai atrás
de Caio e o interpela quando este já estava saindo do bar. Ao voltar-se para trás, atendendo ao
chamado, Caio é surpreendido com um soco no ventre. Tício praticou conduta típica, mas
amparada por uma causa excludente de ilicitude.
C) Mévio, atendendo a ordem dada por seu líder religioso e, com o intuito de converter Rufus,
permanece na residência deste à sua revelia, ou seja, sem o seu consentimento. Neste caso,
Mévio, mesmo cumprindo ordem de seu superior e mesmo sendo tal ordem não manifestamente
ilegal, pratica crime de violação de domicílio (Art. 150 do Código Penal), não estando amparado
pela obediência hierárquica.
D) O consentimento do ofendido não foi previsto pelo nosso ordenamento jurídico-penal como
uma causa de exclusão da ilicitude. Todavia, sua natureza justificante é pacificamente aceita,
desde que, entre outros requisitos, o ofendido seja capaz de consentir e que tal consentimento
recaia sobre bem disponível.
COMENTÁRIOS
A) O item está perfeito. A coação pode ser física ou moral. A coação física exclui a própria
conduta, já que há mero movimento corporal, sem qualquer elemento subjetivo. Portanto,
atuando sobre a conduta, exclui-se o fato típico (tipicidade). A coação moral irresistível, por sua
vez, não exclui o fato típico, mas a culpabilidade, pois o agente pratica conduta (atividade
corporal + elemento subjetivo), mas essa conduta está viciada, já que o agente está sob forte
ameaça, de forma que ausente o elemento da culpabilidade consistente na exigibilidade de
conduta diversa. O art. 22 do CP trata da situação, embora diga apenas “coação irresistível”:
B) O item está errado. No caso, Tício não está amparado por nenhuma causa de exclusão da
ilicitude. Trata-se, apenas, de vingança;
C) O item está correto. Nesse caso não há possibilidade de se falar em obediência hierárquica,
primeiro porque esta causa de exclusão da culpabilidade só é admissível nas relações de serviço
público, e em segundo lugar porque a ordem é manifestamente ilegal;
D) O item está correto. O nosso ordenamento previu apenas quatro espécies de causas de
exclusão da ilicitude, não estando entre elas o consentimento do ofendido. Contudo, a Doutrina
entende que o consentimento do ofendido, desde que válido e em relação a bens disponíveis,
constitui-se como uma causa de exclusão da ilicitude, já que tornaria a ação legítima, deixando
de ser injusta, portanto.
COMENTÁRIOS
A coação moral irresistível é causa de exclusão da culpabilidade, pois afasta um dos elementos
da culpabilidade que é a “exigibilidade de conduta diversa”. A expressão “causa de isenção de
pena” não é errada, pois o CP, muitas vezes, trata de causas de exclusão da culpabilidade como
“causas de isenção de pena”.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.
25. (FCC – 2015 – TRE-RR – ANALISTA JUDICIÁRIO) Paulo é estudante de uma determinada
faculdade do Estado de Roraima, cursando o primeiro semestre. No início deste ano de 2015
Paulo é submetido a um trote acadêmico violento e, amarrado, é obrigado a consumir à
força bebida alcoólica e substância entorpecente. Após o trote, Paulo, completamente
embriagado e incapacitado de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento por conta desta embriaguez e do uso de droga, desloca-se
até uma Delegacia de Polícia da cidade de Boa Vista, onde tramita um inquérito contra ele
por crime de lesão corporal dolosa decorrente de uma briga em uma casa noturna, e oferece
R$ 10.000,00 em dinheiro ao Delegado de Polícia para que este não dê prosseguimento às
investigações. Paulo acaba preso em flagrante pela Autoridade Policial. No caso hipotético
exposto, Paulo
a) praticou crime de corrupção ativa e terá a pena reduzida de um a dois terços no caso de
condenação.
c) praticou crime de corrupção ativa e não terá a pena reduzida no caso de condenação pela
embriaguez.
COMENTÁRIOS
Paulo praticou a conduta típica prevista no art. 333 do CP, ou seja, em tese teria praticado o
delito de corrupção ativa.
Contudo, a questão deixa claro que ele se encontrava inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com este entendimento, situação decorrente de
embriaguez ocasionada por FORÇA MAIOR. Assim, Paulo é inimputável e, segundo o CP, isento
de pena (afasta a culpabilidade), nos termos do art. 28, §1º do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.
26. (FCC – 2015 – TRT9 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) São causas de inimputabilidade previstas no
Código Penal, além de doença mental e desenvolvimento mental incompleto ou retardado:
a) emoção e paixão; embriaguez completa, decorrente de caso fortuito ou força maior; idade
inferior a 18 anos.
c) idade inferior a 18 anos; embriaguez completa, decorrente de caso fortuito ou força maior.
d) idade inferior a 21 anos; embriaguez completa, decorrente de caso fortuito ou força maior;
legítima defesa.
COMENTÁRIOS
Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra C traz hipóteses de inimputabilidade previstas
no CP, pois a idade inferior a 18 anos é causa de inimputabilidade, bem como o é a embriaguez
completa, decorrente de caso fortuito ou força maior, nos termos do art. 27 e 28, §1º do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.
27. (FCC – 2015 – TRE-AP – ANALISTA JUDICIÁRIO) Maria é aprovada no vestibular para uma
determinada Universidade Federal. No dia da matrícula, Maria, caloura, é recebida pelos
alunos veteranos da universidade e submetida a um trote acadêmico violento. Além de
outras coisas que foi obrigada a fazer, Maria foi amarrada em uma cadeira de bar e obrigada
a ingerir bebida alcoólica até ficar completamente embriagada e sem qualquer possibilidade
de entender o caráter ilícito de um fato ou de determinar-se de acordo com este
entendimento. Maria é liberada do trote e sai do bar, dirigindo-se até o seu veículo que
estava estacionado em via pública, sem conseguir movimentá-lo. Abordada por policiais,
desacatou-os. Neste caso, no que concerne ao crime de desacato,
COMENTÁRIOS
No caso em tela Maria estará isenta de pena, pois é considerada inimputável neste caso. A
embriaguez completa, desde que proveniente de caso fortuito ou força maior (como foi o caso),
exclui a imputabilidade penal, nos termos do art. 28, §1º do CP, desde que o agente seja, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.
28. (FCC – 2014 – TRF4 – OFICIAL DE JUSTIÇA) No direito brasileiro legislado, desde que
subtraia por completo o entendimento da ilicitude ou a determinação por ela, a embriaguez
terá, genericamente, o condão de excluir total ou parcialmente a imputabilidade penal
quando for
COMENTÁRIOS
A embriaguez somente pode excluir total ou parcialmente a imputabilidade penal quando for
oriunda de caso fortuito ou força maior, nos termos do art. 28, §§1º e 2º do CP:
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
(...)
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de
caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo
da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.
a) antijuridicidade.
d) tipicidade.
COMENTÁRIOS
Embora o artigo fale apenas em coação irresistível, somente a coação MORAL irresistível exclui a
culpabilidade. A coação FÍSICA irresistível exclui o fato típico, pois não há um dos elementos,
que é a conduta, por ausência de vontade.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.
c) da actio libera in causa, não é facilmente extensível aos casos de embriaguez não preordenada
ou mesmo meramente culposa, propiciando-se, eventualmente, situações de responsabilização
penal estritamente objetiva.
COMENTÁRIOS
O item correto é o da letra C. Isso porque o Brasil adotou a teoria da actio libera in causa,
segundo a qual o agente deve ser punido pelo crime praticado em estado de embriaguez se ele
se colocou livremente nessa situação (ainda que culposamente ou sem intenção de praticar
crimes). Tal teoria prega que embora não haja imputabilidade no momento do crime, existia livre
consciência no momento da embriaguez, ou seja, a ação era consciente “na causa” (a
embriaguez).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.
31. (FCC – 2013 – TJ-PE – TITULAR NOTARIAL) A inimputabilidade por peculiaridade mental ou
etária exclui da conduta a
a) tipicidade.
c) antijuridicidade.
e) culpabilidade.
COMENTÁRIOS
A inimputabilidade por doença mental ou em razão da idade gera exclusão da culpabilidade, por
ser a inimputabilidade um elemento da culpabilidade que, por sua vez, é o terceiro elemento na
divisão analítica do crime.
32. (FCC – 2012 – TRF5 – ANALISTA JUDICIÁRIO) Em matéria penal, a embriaguez incompleta,
resultante de caso fortuito ou de força maior,
a) não suprime a imputabilidade penal, mas diminui a capacidade de entendimento gerando uma
causa geral de diminuição de pena.
b) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, não operando qualquer efeito na aplicação
da pena.
d) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, servindo como circunstância agravante.
COMENTÁRIOS
Tal embriaguez NÃO exclui a imputabilidade penal, pois não é completa. Contudo, é causa de
diminuição de pena. Vejamos:
Art. 28 (...)
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo
da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.
E) a coação moral irresistível, em função de não se poder exigir conduta diversa do agente.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Como vimos no art. 28, § 1° do CP a embriaguez fortuita completa só exclui a
culpabilidade quando o agente for inteiramente incapaz de compreender o caráter ilícito da
conduta ou de determinar-se conforme este entendimento, consequência esta que é possível,
mas não inerente à embriaguez completa.
B) ERRADA: Pois nem sempre o erro sobre a ilicitude exclui a culpabilidade. Esse erro deverá ser
escusável. Mais, ainda que exclua a culpabilidade, não será por falta de imputabilidade, mas por
ausência de potencial consciência da ilicitude. CUIDADO!
C) ERRADA: A simples presença da doença não exclui a culpabilidade. Como vimos, o Brasil
adotou o critério biopsicológico, sendo necessário que, além da doença, fique provado que o
agente não era capaz de entender o caráter ilícito da conduta.
D) ERRADA: A menoridade, de fato, exclui a culpabilidade, mas não pela ausência de potencial
consciência da ilicitude, como diz a questão, mas por ausência de imputabilidade, num critério
meramente biológico.
E) CORRETA: A coação moral irresistível exclui a culpabilidade, pois, nas circunstâncias, não se
podia exigir do agente que se comportasse conforme o Direito.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.
A) culpabilidade.
B) antijuridicidade.
C) ilicitude.
D) tipicidade.
E) punibilidade.
COMENTÁRIOS
A) CORRETA: Trata-se de causas em que não há um dos elementos da culpabilidade, que é a
inexigibilidade de conduta diversa. Assim, a alternativa está correta.
B) ERRADA: Como vimos, as causas que excluem a ilicitude são: a) estado de necessidade; b)
legítima defesa; c) exercício regular de um direito; d) estrito cumprimento do dever legal.
C) ERRADA: A ilicitude é sinônimo de antijuridicidade, portanto, está incorreta, nos termos do
comentário à alternativa B.
D) ERRADA: A exigibilidade de conduta diversa é um dos elementos da culpabilidade, não da
tipicidade, motivo pelo qual a questão está incorreta, já que a tipicidade é meramente o juízo de
subsunção entre o fato cometido e a hipótese legal incriminadora, que faz surgir a presunção de
ilicitude.
E) ERRADA: Ocorrendo uma dessas circunstâncias, a culpabilidade resta afastada, de forma que
o crime não existe (pois a culpabilidade é um de seus elementos). Assim, não surge o poder de
punir do Estado (punibilidade).
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.
A) tipicidade
B) ilicitude
C) punibilidade
D) antijuridicidade
E) culpabilidade
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Constituem hipóteses de exclusão da culpabilidade, em razão da ausência de
imputabilidade do agente, nos termos dos arts. 26, 27 e 28 do CP.
B) ERRADA: Constituem hipóteses de exclusão da culpabilidade, em razão da ausência de
imputabilidade do agente, nos termos dos arts. 26, 27 e 28 do CP.
C) ERRADA: Constituem hipóteses de exclusão da culpabilidade, em razão da ausência de
imputabilidade do agente, nos termos dos arts. 26, 27 e 28 do CP.
D) ERRADA: Constituem hipóteses de exclusão da culpabilidade, em razão da ausência de
imputabilidade do agente, nos termos dos arts. 26, 27 e 28 do CP.
E) CORRETA: Conforme estudamos, se o agente se encontrar em uma dessas condições, restará
excluída a sua culpabilidade, posto que a lei considera que, nestas hipóteses, o agente não podia
entender o caráter ilícito de sua conduta e se comportar conforme o Direito.
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.
B) a emoção e a paixão.
E) a embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior, se o agente era, ao tempo
da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: A embriaguez voluntária não exclui a culpabilidade, em nenhuma hipótese, nos
termos do art. 28, II do CP.
B) ERRADA: Nos termos do art. 28, I do CP, a emoção e a paixão também não excluem a
culpabilidade.
C) ERRADA: A embriaguez culposa, tal qual a voluntária, não exclui a culpabilidade do agente,
nos termos do art. 28, II do CP.
D) ERRADA: Se ele não era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, será
considerado semi-imputável, mas deverá ser condenado e sua pena ser diminuída, em razão da
menor culpabilidade em relação aos demais.
E) CORRETA: Nos termos do art. 28, § 1° do CP, se o agente estava involuntariamente
embriagado, de maneira completa, de forma que não tinha condições de entender o caráter
ilícito do fato e se comportar conforme o Direito, estará excluída sua culpabilidade.
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.
COMENTÁRIOS
A culpabilidade é um juízo acerca das condições pessoais do agente, de forma a aferir se a este
pode ser imputado o fato típico e ilícito.
A Doutrina moderna elenca três elementos para a culpabilidade:
Imputabilidade - O agente deve ser penalmente imputável (Maior de 18 anos e mentalmente
são);
Potencial consciência da ilicitude - Deve ser analisado se aquela pessoa, naquelas circunstâncias,
tinha condições de entender que sua conduta era contrária ao Direito;
Exigibilidade de conduta diversa - Devem ser analisadas as circunstâncias pessoais e fáticas para
se saber se a pessoa que praticou o fato típico e ilícito se encontrava em condições de agir de
outra maneira ou se não era possível exigir desta pessoa que agisse conforme o Direito.
Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.
d) extinguem a punibilidade.
e) excluem a tipicidade.
COMENTÁRIOS
Todos estes fatores (doença mental, perturbação mental ou desenvolvimento mental incompleto
ou retardado) interferem diretamente na culpabilidade do agente, e podem levar à
inimputabilidade (excluindo a culpabilidade) ou à semi-imputabilidade (atenuando a pena).
Vejamos:
Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em
virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.
a) a emoção.
b) a embriaguez não-acidental.
d) a menoridade.
COMENTÁRIOS
A culpabilidade é o Juízo de reprovabilidade acerca do fato praticado pelo agente. Temos como
elemento da culpabilidade:
▪ IMPUTABILIDADE;
Dentre as afirmativas à disposição, a única que contempla uma causa que exclui a
IMPUTABILIDADE é a letra D, que trata da menoridade. Vejamos:
I. Estado de necessidade.
a) I e V.
b) II e III.
c) III e V.
d) I, II e IV.
COMENTÁRIOS
As causas excludentes de culpabilidade estão previstas no art. 22 do CP. Vejamos:
Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
41. (FCC - 2013 - TJ-PE - Juiz) A coação moral irresistível e a obediência hierárquica excluem a
b) tipicidade.
c) culpabilidade.
COMENTÁRIOS
Tanto a coação MORAL irresistível quanto a obediência hierárquica excluem a culpabilidade,
conforme prevê o art. 22 do CP:
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a
ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.
B) É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
C) Os menores de 21 (vinte e um) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas
estabelecidas na legislação especial.
D) A emoção ou a paixão excluem a imputabilidade penal para os delitos que exigem especial
fim de agir.
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois neste caso temos a figura do semi-imputável, que não é isento de
pena, mas tem sua pena reduzida de um a dois terços, na forma do art. 26, § único do CP.
c) ERRADA: Item errado, pois a maioridade penal é alcançada aos 18 anos, ou seja, a
inimputabilidade por idade atinge apenas os menores de 18 anos, na forma do art. 27 do CP.
d) ERRADA: Item errado, pois a emoção e a paixão não afastam a imputabilidade penal, nos
termos do art. 28, I do CP.
e) ERRADA: Item errado, pois a embriaguez voluntária ou culposa não afasta a imputabilidade
penal, na forma do art. 28, II do CP.
GABARITO: LETRA B
43. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) A respeito da imputabilidade penal, é correto afirmar
que tal instituto
(D) não exclui da aplicação da lei penal fato praticado durante a embriaguez involuntária
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior.
COMENTÁRIOS
a) CORRETA: Item correto, pois a imputabilidade penal é um dos elementos da culpabilidade (os
outros dois são a potencial consciência da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa).
b) ERRADA: Item errado, pois a imputabilidade penal cuida da capacidade MENTAL do agente
de entender o caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com este entendimento.
c) ERRADA: Item errado, pois a imputabilidade penal é um dos elementos da culpabilidade, não
da punibilidade.
d) ERRADA: Item errado, pois no caso de embriaguez acidental completa (decorrente de caso
fortuito ou força maior), afasta-se a imputabilidade penal do agente, na forma do art. 28, §1º do
CP.
e) ERRADA: Item errado, pois a menoridade afasta a imputabilidade penal, conforme art. 27 do
CP.
44. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) De acordo com o Estatuto Penal brasileiro, são
elementos da culpabilidade a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e a
exigibilidade de conduta diversa. Sobre a imputabilidade, assinale a alternativa correta.
(C) A legislação penal brasileira adotou o critério Biopsicológico como aquele de aferição da
imputabilidade, independentemente da idade do infrator ao tempo do fato.
(D) Ao agente que, em virtude da perturbação da saúde mental, não for inteiramente capaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, poderá
ser imposta pena como sanção, porém com redução de 1 (um) a 2/3 (dois terços).
(E) O agente que por embriaguez incompleta e voluntária não for, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato será isento de pena.
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois a idade do agente é um dos fatores, mas não é o único. O agente
pode ser maior de idade e ser, ainda assim, considerado inimputável por outro motivo.
b) ERRADA: Item errado, pois a embriaguez voluntária nunca afasta a imputabilidade penal, na
forma do art. 28, II do CP.
c) ERRADA: Item errado, pois em relação à menoridade penal, o critério adotado foi o biológico,
ou seja, leva-se em conta apenas a idade. Em relação ao critério biopsicológico, ele foi adotado,
por exemplo, no que tange à inimputabilidade por doença mental.
d) CORRETA: Item correto, pois neste caso temos a situação do semi-imputável, que pode
receber pena, mas com redução de um a dois terços, conforme art. 26, § único do CP.
e) ERRADA: Item errado, pois a embriaguez voluntária nunca afasta a imputabilidade penal, na
forma do art. 28, II do CP.
45. (VUNESP – 2017 – DPE-RO – DEFENSOR PÚBLICO) Sendo positivos os elementos que
configuram o delito e constatada a semi-imputabilidade do acusado, o juiz pode, atendendo
aos demais critérios legais,
a) aplicar-lhe pena reduzida de 1 a 2/3 ou absolvê-lo, pois não há outra previsão legal.
d) absolver o acusado, por ausência de tipicidade, especialmente por falta de elemento subjetivo
do tipo ou suspender o processo, pois não há outra previsão legal.
COMENTÁRIOS
No caso de semi-imputável o Juiz poderá reduzir a pena de um a dois terços, na forma do art. 26,
§ único do CP. Todavia, o Juiz pode, ainda, substituir a pena privativa de liberdade por medida
de segurança, que pode consistir em internação ou tratamento ambulatorial, na forma do art. 98
do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.
b) O agente que em virtude de perturbação da saúde mental não era, ao tempo da ação,
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com este
entendimento, é isento de pena.
d) Os menores de dezoito anos são semi-imputáveis, pois estão sujeitos às normas do Estatuto
da Criança e do Adolescente.
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois a embriaguez CULPOSA não exclui a imputabilidade penal, nos
termos do art. 28, II do CP.
b) ERRADA: Item errado, pois para que haja a exclusão da imputabilidade é necessário que o
agente seja INTEIRAMENTE INCAPAZ. No caso, a questão disse que o agente não era
inteiramente capaz, o que significa que era parcialmente capaz. Neste caso, não ficará isento de
pena, mas poderá ter sua pena reduzida de um a dois terços, na forma do art. 26, § único do CP.
c) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 28, I do CP.
d) ERRADA: Item errado, pois os menores de 18 anos são INIMPUTÁVEIS, e não semi-imputáveis,
nos termos do art. 27 do CP.
47. (VUNESP – 2016 – IPSMI – PROCURADOR) Tício, maior de 18 anos, é portador de doença
mental, necessitando de medicação diária. A doença, por si só, não prejudica a capacidade
de compreensão. Todavia, a medicação, ingerida em conjunto com bebida alcoólica em
quantidade, provoca surtos psicóticos, com exclusão da capacidade de entendimento. Tício
sabe dos efeitos do álcool, em excesso, em seu organismo, mas costuma beber,
moderadamente, justamente para desfrutar dos efeitos que, segundo ele, “dá barato”. Em
uma festa, Tício, sem saber que se tratava de uma garrafa de absinto (bebida de alto teor
alcoólico), pensando ser gim, preparou um coquetel de frutas e ingeriu. Ao recobrar a
consciência, soube que esfaqueou dois de seus melhores amigos, causando a morte de um e
lesão de natureza grave em outro. A respeito da situação, é correto afirmar que
b) Tício é inimputável, sendo isento de pena, pois praticou o crime em estado de completa
embriaguez, decorrente de caso fortuito.
c) Tício é imputável, pois a embriaguez completa decorreu de culpa. Entretanto, faz jus à redução
da pena.
e) Tício, por ser maior de 18 anos, é imputável, sendo irrelevante a circunstância de ter praticado
o crime em estado de completa embriaguez.
COMENTÁRIOS
Questão polêmica! Em casos como este é difícil entender como o agente poderia ser
considerado inimputável, mas o fato é que houve, a princípio, embriaguez acidental. Vejamos:
O agente não é inimputável por doença mental ou menoridade, então esqueçamos isso.
Com relação à embriaguez, ela foi dolosa? Não, pois o agente não queria se embriagar.
A embriaguez foi culposa? Aí é que está o ponto central da questão. No meu modo de ver, e no
modo de ver da Banca, não foi culposa. O agente sabia que estava ingerindo álcool (pois pensou
que era Gim), MAS NÃO SABIA que estava ingerindo absinto, que possui uma graduação
alcoólica MUITO superior. Neste caso, podemos dizer que a embriaguez se deu por culpa do
agente, ou seja, porque ele bebeu muito, imprudentemente, e acabou se embriagando? Creio
que não.
Neste caso, o mais razoável é admitir que o agente, de fato, se embriagou em razão de caso
fortuito. Assim, por se tratar de embriaguez completa acidental (caso fortuito), será o agente
considerado inimputável.
Naturalmente que o senso comum nos conduz à conclusão de que uma pessoa que faz isso deve
ser punida. Todavia, a resposta da questão deve se pautar exclusivamente pelo que dispõe o CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.
(B) Aos inimputáveis e aos semi-imputáveis, comprovada essa condição por perícia médica, será
substituída a pena por medida de segurança consistente em internação em hospital de
custódia e tratamento psiquiátrico.
(D) A imputabilidade, de acordo com o Código Penal, pode se dar por doença mental,
imaturidade natural ou embriaguez do agente.
(E) A emoção e a paixão, além de não afastarem a imputabilidade penal do agente, podem ser
consideradas como circunstâncias agravantes no momento da fixação da pena.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Será necessário comprovar, ainda, que em razão destes fatos ele era, ao tempo da
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento, nos termos do art. 26 do CP.
B) ERRADA: Os semi-imputáveis não recebem medida de segurança, mas pena, que pode ser
reduzida de um a dois terços, nos termos do art. 26, § único do CP.
C) CORRETA: Item correto, pois estes são os três elementos da culpabilidade, segundo a teoria
limitada da culpabilidade, adotada pelo CP.
D) ERRADA: Item errado, pois a inimputabilidade, segundo o CP, pode se dar por doença mental
ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, por menoridade ou por embriaguez
acidental, decorrente de caso fortuito ou força maior.
E) ERRADA: Item errado, pois a emoção pode, eventualmente, configurar ATENUANTE genérica,
e não agravante, nos termos do art. 61, III, c, do CP.
49. (VUNESP – 2015 – PC/CE – ESCRIVÃO) No tocante às disposições do Código Penal relativas
à culpabilidade e imputabilidade, é correto afirmar que
(A) a pena pode ser reduzida de um a dois terços se o agente, por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
(B) a embriaguez culposa pelo álcool ou substância de efeitos análogos exclui a imputabilidade
penal.
(D) a pena pode ser reduzida de um a dois terços se o agente, em virtude de perturbação de
saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era inteiramente
capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
(E) a embriaguez voluntária pelo álcool ou substância de efeitos análogos exclui a imputabilidade
penal.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Item errado, pois o agente, neste caso, será inimputável, nos termos do art. 26 do
CP.
C) ERRADA: Item errado, pois se a ordem é manifestamente ilegal aquele que cumpre a ordem
também responde pelo delito, não havendo exclusão de sua culpabilidade.
D) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 26, § único do CP:
Art. 26 (...)
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em
virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito
E) ERRADA: A embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade penal, nos termos
do art. 28, II do CP.
50. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) No tocante às disposições previstas no Código Penal
relativas à culpabilidade, é correto afirmar que
(A) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
(B) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, é punível o autor da coação ou da ordem tendo o
autor do fato a pena diminuída de um a dois terços.
(C) o fato cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, não excluiu a culpabilidade do autor do fato.
(D) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, mesmo que
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
(E) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, mesmo que
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, é punível o autor da coação ou da ordem tendo o
autor do fato a pena diminuída de um a dois terços.
COMENTÁRIOS
B) ERRADA: O executor do ato, neste caso, não pratica crime, diante da exclusão da
culpabilidade.
D) ERRADA: Item errado, pois se a ordem é manifestamente ilegal, o executor da ordem também
responde pelo delito.
E) ERRADA: Item errado, pois se a ordem é manifestamente ilegal, o executor da ordem também
responde pelo delito, sem redução de pena.
51. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) Nos termos do Código Penal, a imputabilidade penal
é excluída pela
(A) emoção.
(B) doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, que torna o autor, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
(C) embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, que privou o autor, ao tempo da
ação ou da omissão, da plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
(D) embriaguez completa e culposa que torna o autor, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
(E) paixão.
COMENTÁRIOS
Dentre as alternativas apresentadas apenas a letra B corresponde a uma causa de exclusão da
culpabilidade, nos termos do art. 26 do CP:
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
A letra C está errada porque não basta que a embriaguez acidental prive o agente da plena
capacidade. É necessário que ele fique INTEIRAMENTE INCAPAZ de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.
a) da imputabilidade.
b) da pena.
c) de punibilidade.
d) do crime.
e) de culpabilidade.
COMENTÁRIOS
O reconhecimento da inexigibilidade de conduta diversa implica a exclusão da culpabilidade, eis
que um dos elementos da culpabilidade é a EXIGIBILIDADE de conduta diversa.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.
53. (VUNESP – 2015 – PC-CE – DELEGADO DE POLÍCIA) Considere que determinado sujeito,
portador de desenvolvimento mental incompleto, ao tempo da ação tinha plena capacidade
de entender o caráter ilícito do fato, mas era inteiramente incapaz de determinar-se de
acordo com esse entendimento – o que fora clinicamente atestado nos autos em perícia
oficial. Em consonância com o texto legal do art. 26 do CP, ao proferir sentença deve o juiz
reconhecer sua
a) inimputabilidade.
b) imputabilidade.
COMENTÁRIOS
Como o agente era, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE INCAPAZ de
determinar-se de acordo com o Direito, deverá ser reconhecida sua INIMPUTABILIDADE, por
força do art. 26 do CP:
Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Veja que o art. 26 exige que o agente seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato OU (alternativo, portanto) de determinar-se conforme este entendimento, que é o caso da
questão.
54. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - ADVOGADO) O gerente de uma determinada agência bancária,
após longa sessão de tortura psicológica infligida a ele pelos bandidos, fornece a chave para
abertura do cofre da agência bancária. Sua conduta encontra guarida na excludente de;
COMENTÁRIOS
O gerente, neste caso, agiu sob coação moral irresistível, de maneira que sua conduta está
amparada por uma causa de exclusão da culpabilidade. Vejamos:
55. (VUNESP – 2009 – TJ-SP – JUIZ) Com relação à coação moral irresistível, é correto afirmar
que
a) exclui a culpabilidade.
b) exclui a tipicidade.
c) exclui a antijuridicidade.
COMENTÁRIOS
A coação moral irresistível é uma causa de exclusão da culpabilidade, pois o agente que recebe a
coação age em razão de uma vontade viciada, decorrente da coação, de forma que se
reconhece, no caso, a inexigibilidade de conduta diversa (não se pode exigir que pratique outra
conduta). Neste caso, responde apenas o autor da coação.
Vejamos:
56. (VUNESP – 2009 – TJ-SP – JUIZ) O pai que, tendo o filho sequestrado e ameaçado de morte,
é coagido por sequestradores armados e forçado a dirigir-se a certa agência bancária para
efetuar um roubo a fim de obter a quantia necessária para o pagamento do resgate e livrar o
filho do cárcere privado em que se encontra pode, em tese, lograr a absolvição com base na
alegação de
b) legítima defesa.
COMENTÁRIOS
Neste caso temos um exemplo clássico de coação moral irresistível. A coação moral irresistível é
uma causa de exclusão da culpabilidade, pois o agente que recebe a coação age em razão de
uma vontade viciada, decorrente da coação, de forma que se reconhece, no caso, a
inexigibilidade de conduta diversa (não se pode exigir que pratique outra conduta). Neste caso,
responde apenas o autor da coação.
Vejamos:
57. (VUNESP – 2008 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) "A" foi condenado por crime de roubo.
Todavia, após a prolação da sentença, veio aos autos a prova de que "A" é menor de 18
anos de idade. Nesse caso,
a) "A" deve ser absolvido por não constituir o fato infração penal.
c) deve ser anulada ab initio a ação penal, em razão da inimputabilidade do autor do fato.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, a ação penal deve ser anulada desde o início por ilegitimidade passiva, já que o
réu não poderia figurar nesta condição (de réu), pois os menores de 18 anos (na data do fato) são
absolutamente inimputáveis, respondendo perante o ECA apenas. Vejamos:
Menores de dezoito anos
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando
sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (FGV - NAC UNI OAB/OAB/2023)
Alan é bombeiro civil e, atendendo a uma ocorrência, foi retirar um suposto animal selvagem de
um condomínio residencial. Lá chegando, deparou-se com um aparente filhote de onça, o qual
foi recolhido por Alan, que deveria levar o animal ao Centro de Triagem, distante do local onde
encontrado (e que seria o procedimento adequado). Porém, Alan teve a iniciativa de deixar o
felino em uma área de mata próxima ao condomínio, onde imaginava ser o habitat natural do
animal, e, assim, poupar seu tempo.
Carmen, residente no referido condomínio, ao chegar em casa, percebeu que seu gato Bengal
(raça caracterizada por ser muito similar a uma onça) está desaparecido. Ao saber do ocorrido,
percebeu que seu gato foi confundido com um filhote de onça e, por isso, foi levado por Alan e
deixado na área de mata. Assim, Carmen procurou a Delegacia de Polícia e relatou o ocorrido.
Neste caso, como advogado de Alan, é correto afirmar, sobre a conduta de seu assistido, que
houve erro
a) de tipo permissivo, uma vez que Alan pensava agir sob estrito cumprimento de dever legal, e
por isso, sua conduta é lícita, abarcada por excludente de ilicitude.
b) de tipo inescusável, pois Alan efetivamente se confundiu sobre a espécie do animal, mas
deixou de adotar as cautelas devidas, excluindo-se apenas o dolo.
c) de tipo escusável, pois Alan efetivamente não conhecia a espécie do animal apreendido, tendo
adotado todas as cautelas que lhe eram exigidas na situação, de forma a excluir o dolo e a culpa.
d) de proibição, tendo em vista que Alan não conhecia a espécie de animal doméstico,
afastando-se a culpabilidade da sua conduta.
COMENTÁRIOS
O agente, aqui, subtraiu o animal pertencente a Carmen, por acreditar tratar-se de um animal
selvagem perdido. Logo, incorreu em erro sobre o elemento “coisa alheia”, de forma que sua
conduta configura erro sobre elemento constitutivo do tipo legal do crime de furto.
Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres,
domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: (Vide ADPF 640)
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
(...)
Todavia, ao acreditar tratar-se de animal cujo habitat seria efetivamente aquele, há novamente
erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime.
Considerando-se que o agente não adotou as cautelas necessárias para averiguar a efetiva
espécie do animal, pode-se concluir tratar-se de erro de tipo evitável (ou vencível, ou inescusável,
ou indesculpável), de forma que ficará afastado o dolo, mas será possível a punição do agente na
forma culposa, se houver previsão legal (embora não haja forma culposa para os tipos penais
citados).
GABARITO: LETRA B
João, pessoa humilde e analfabeta, com 70 anos de idade, residente em zona rural, acabou por
danificar, no exercício de suas atividades diuturnas pessoais, floresta considerada de preservação
permanente. Ao ser ouvido, em juízo, o réu narrou que não sabia que a sua conduta era
penalmente ilícita, considerando que sempre morou no campo e que o seu sustento sempre
esteve ligado à fauna e à flora locais.
Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que NÃO há
crime, em razão do:
COMENTÁRIOS
Nesse caso, a questão deixa claro que o agente não sabia que a sua conduta era penalmente
ilícita, pois “sempre morou no campo e que o seu sustento sempre esteve ligado à fauna e à flora
locais”. Logo, o agente praticou fato típico e ilícito, mas por desconhecer a ilicitude do fato, de
maneira que há, aqui, erro de proibição direto, excluindo-se a culpabilidade, na forma do art. 21
do CP:
Pelas demais circunstâncias do caso, fica evidenciado tratar-se de erro de proibição inevitável,
pois o agente não tinha condições de ter ou atingir a consciência da ilicitude, eis que se tratava
de pessoa humilde e analfabeta, com 70 anos de idade, residente em zona rural e que sempre
extraiu seu sustento da natureza.
GABARITO: LETRA A
João, sabendo que o seu desafeto, José, passa por determinada rua todos os dias por volta das
19h, ao retornar do trabalho, resolve aguardá-lo em uma esquina, para matá-lo. No horário
mencionado, João vê José e efetua cinco disparos de arma de fogo na direção do desafeto. No
entanto, José não é atingido, mas sim Frederico, que surgiu ali repentinamente, e veio a óbito no
local. Acerca dessa situação, podemos afirmar que João responderá por homicídio
b) doloso tentado, uma vez que os disparos não atingiram a vítima pretendida.
d) culposo tentado, uma vez que não ocorreu o resultado por ele planejado.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, João responderá por homicídio doloso consumado em face de Frederico como se
tivesse sido contra José, eis que se trata de hipótese de erro na execução (aberratio ictus),
respondendo o agente como se tivesse atingido a pessoa que pretendia atingir (teoria da
equivalência), nos termos do art. 73 c/c art. 20, §3º do CP:
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente,
ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa,
responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao
disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a
pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste
Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
GABARITO: LETRA C
Eriberto, casado com Filomena, por estar tendo um relacionamento extraconjugal, e desejoso de
viver com a amante, decide matar Filomena. Sabedor de que ela tem o hábito de tomar um copo
de leite de manhã cedo, Eriberto, tarde da noite, adiciona poderoso veneno em sua bebida. Na
manhã seguinte, quando vai se servir do leite envenenado, Filomena o oferece ao filho único do
casal, Júnior, de 7 anos de idade, que, assim como a mãe, bebe o produto. Quando Eriberto
chega na cozinha e encontra a mulher e o filho desfalecidos, aciona o serviço médico de urgência
(SAMU), que logo chega ao local, levando Filomena e Júnior ao hospital. O atendimento médico
evita a morte de Filomena, mas a criança acaba morrendo, em decorrência da intoxicação.
a) responderá, em concurso material, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior, bem
como por tentativa de feminicídio da vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de
veneno;
c) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio doloso em relação à morte de Júnior,
com a qualificadora do emprego de veneno e o aumento de pena decorrente de haver praticado
o delito contra pessoa menor de 14 anos de idade, bem como por tentativa de feminicídio da
vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de veneno;
e) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior,
podendo vir a ser beneficiado com o perdão judicial, bem como por lesão corporal qualificada no
tocante à vítima Filomena, reconhecendo-se o arrependimento eficaz.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, houve erro na execução (aberratio ictus) com resultado duplo, pois o agente, por
acidente, acabou atingindo pessoa diversa daquela que pretendia, embora tenha atingido
também a pessoa pretendida. Vejamos:
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente,
ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa,
responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao
disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a
pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste
Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Assim, responderá em concurso formal pelos crimes cometidos contra Filomena e Júnior. Mas
quais crimes?
GABARITO: LETRA E
Caio e Tício são sócios em uma sociedade empresária. Caio decide matar Tício e, sabedor que
Tício é a primeira pessoa a chegar ao local de trabalho comum pela manhã, planeja uma
emboscada. Caio aguarda Tício e, assim que vislumbra um vulto, que pensa ser o sócio
adentrando a empresa, dispara um projétil de arma de fogo. Posteriormente, verifica-se que o
vulto se tratava de um sequestrador que abordara Tício na porta da empresa e que, no momento
do disparo, mantinha Tício refém, sob arma de fogo. O sequestrador morre em razão do disparo.
Nessas circunstâncias, é correto afirmar que:
a) socorre Caio o exercício regular de direito, pois, mesmo sem ter ciência da ofensa à
integridade de Tício, agiu contra pessoa que invadia os limites de sua empresa, respondendo
apenas por conduta culposa.
c) Caio responderá pela morte do sequestrador, como se contra Tício houvesse atentado.
d) ainda que Caio não tivesse ciência da ação do sequestrador, aplicar-se-á em seu favor a
excludente de ilicitude da legítima defesa de terceiro.
e) a situação equipara Caio ao agente de segurança pública que repele agressão ou risco de
agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Caio pretendia matar Tício e, por erro sobre a pessoa, acabou acertando o
sequestrador. O erro sobre a pessoa não isenta de pena o agente, que responderá pelo crime
como se tivesse atingido a pessoa que pretendia atingir (teoria da equivalência), nos termos do
art. 20, §3º do CP:
Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Mas, professor, não é possível reconhecer a legítima defesa de terceiro? Não, pois apesar de
Tício estar em situação de agressão injusta atual ou iminente contra sua vida, Caio não atirou
contra o sequestrador para repelir a injusta agressão, pois Caio sequer sabia dessa situação.
Ausente o “conhecimento da situação justificante”, não há que se falar em legítima defesa.
GABARITO: LETRA C
Perseu, funcionário da loja Olimpo, tem sua atenção chamada para um telefone celular de última
geração, exibido por Medusa, outra funcionária do estabelecimento. Ciente de que o salário que
ambos recebem não permitiria a aquisição do referido aparelho, Perseu passa a questionar a
origem do bem, sendo informado que Medusa o havia recebido de presente de Teseu, seu
namorado. Perseu, então, monta um plano para furtar o celular, aproveitando o término
antecipado do seu expediente para levar a bolsa de Medusa. Chegando em casa, constata que
no interior da bolsa havia uma carteira com cartões e sem dinheiro, maquiagem, guarda-chuva,
óculos de sol, óculos de grau, fones de ouvido e o carregador do celular, vindo a descobrir, por
terceiros, que o telefone estava em poder de Medusa, permanecendo o tempo todo no bolso
traseiro da sua calça.
COMENTÁRIOS
Nesse caso houve o que se chama de erro sobre o objeto (error in objecto), modalidade de erro
acidental na qual o agente apenas se equivoca quanto ao objeto material do crime, mas isso não
afasta sua responsabilidade penal (ex.: invadir uma casa para furtar um relógio de marca e se
confundir, subtraindo uma réplica).
GABARITO: Letra A
Durante operação policial, Alberto, ao incursionar por uma viela, se depara com Sérgio portando
um guarda-chuva. Devido à tensão do momento, Alberto pensa que o objeto nas mãos de Sérgio
é uma arma de fogo e, em razão disso, efetua disparo com sua arma, o que leva Sergio a óbito.
Nesse caso, é correto afirmar que a hipótese é de erro de tipo
D) essencial, na modalidade erro de tipo permissivo ou delito putativo por erro de tipo.
COMENTÁRIOS
Nesse caso houve o que se chama de erro de tipo permissivo, pois houve um erro sobre os
pressupostos fáticos de uma causa de justificação, ou seja, uma situação de descriminante
putativa (no caso, legítima defesa putativa) por erro sobre as circunstâncias fáticas. O agente
policial atuou acreditando que havia uma situação de agressão injusta iminente contra sua vida
(acreditou que havia um criminoso armado prestes a atirar contra o agente policial), motivo pelo
qual atuou com a intenção de repelir a injusta agressão iminente (agressão injusta que NÃO
existia).
Art. 20 (...) § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Ou seja, o agente será isento de pena, a menos que se considere que o erro cometido deriva de
culpa (caso se entenda que o agente poderia ter sido mais cauteloso nas circunstâncias), hipótese
na qual será responsabilizado na forma culposa (no caso, homicídio culposo).
Todavia, a letra D, dada como correta, contém um erro. Apesar de se tratar de erro de tipo
permissivo, não se trata de delito putativo por erro de tipo. Delito putativo por erro de tipo
ocorre quando o agente pratica um INDIFERENTE PENAL (conduta sem relevância penal), mas
acredita que está praticando crime (ex.: transporta sal de cozinha acreditando que é cocaína. O
agente acredita estar praticando crime, mas não está praticando conduta típica). Portanto, a
questão deveria ter sido anulada, por não haver resposta correta.
Em determinado set de filmagens, Hades, produtor técnico, entrega arma de fogo verdadeira,
devidamente municiada, para o ator Ares, fazendo-o acreditar que se trata de arma cenográfica,
sem potencial de efetuar disparos. Já tendo lido o script e presenciado os ensaios, Hades sabia
previamente que, nas cenas que seriam filmadas, Ares deveria apontar a arma para Atena e, após
breve diálogo, efetuar o disparo para a cena fatal. Querendo a morte de Atena, em razão de
desavenças pretéritas, Hades faz a substituição da arma, fornecendo-a diretamente a Ares,
irrogando o famoso “quebre a perna”. Ares efetua o disparo e ceifa a vida de Atena.
(A) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como autor e o segundo como
partícipe;
(B) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como partícipe e o segundo
como autor;
(D) Ares responderá por homicídio culposo e Hades por homicídio doloso;
(E) Ares não responderá por crime e Hades responderá por homicídio doloso.
COMENTÁRIOS
Quanto à responsabilização de ARES, o ator que efetuou o disparo, certamente não é possível
sua responsabilização na forma dolosa, eis que incorreu em erro de tipo essencial determinado
por terceiro, o que afasta o dolo, na forma do art. 20 do CP:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Tal só seria possível se considerarmos que ARES (agente provocado e mero executor) cometeu
erro evitável pelas circunstâncias, ou seja, que o erro de ARES (o ator) deriva de culpa1. Para
chegarmos a essa conclusão, seria necessário acreditar que ARES possuiria um dever objetivo de
1
MASSON, Cléber. Direito Penal. Vol. 1, Ed. Método – 3º edição, São Paulo/SP, 2009. P. 288
cuidado consistente na obrigação de checar a arma antes de utilizá-la na cena, o que não parece
a solução adequada.2
Pelo princípio da confiança, de crucial aplicação para a perfeita interpretação da existência (ou
não) de um suposto dever objetivo de cuidado, não age com culpa aquele que atua na legítima
expectativa de que os demais envolvidos no evento criminoso agirão dentro da lei, cumprindo
cada um o seu dever.
Posto isso, concluir que ARES teria agido com culpa no que tange ao resultado narrado na
questão implicaria dizer que ele deveria ter checado se a arma era verdadeira e estava
municiada, o que não parece adequado.
Nem se pode invocar que ARES deveria saber tratar-se de uma arma real, e não uma arma
cenográfica, eis que nem todas as pessoas possuem conhecimento técnico suficiente para realizar
tal distinção. Diferentemente seria o caso de ARES, além de ator, ser um conhecido entusiasta de
armas, alguém com profundo conhecimento em armas de fogo, e capaz de perceber a diferença
prima facie.
Como a questão não traz qualquer elemento nesse sentido, não há como se admitir que ARES
responda por homicídio culposo.
Inicialmente a Banca considerou (bizarramente) como correta a assertiva que diz que a Hades
responderá por homicídio doloso e Ares responderá por homicídio culposo. Porém, após muita
(legítima) gritaria, inclusive com recurso elaborado pelo Prof. Renan Araujo, o gabarito foi
alterado para a alternativa correta: Ares (o ator) não responderá por crime e Hades responderá
por homicídio doloso.
GABARITO: Letra E
9. (FGV/2021/TJSC/NOTÁRIO)
2
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Parte Geral. 7º edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015,
p.216/217
A) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas com causa de diminuição de pena,
pois agiu em erro de proibição evitável;
B) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas apenas na modalidade culposa, pois
agiu em erro de tipo acidental;
C) não poderá ser punido pelo crime imputado, pois estará isento de pena em razão de erro de
proibição inevitável;
D) não praticou o crime imputado, pois atuou em erro de tipo provocado por terceiro;
COMENTÁRIOS
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Jairo pegou para si a coisa alheia móvel porque acreditava ser sua (acreditava ter sido agraciado
com um presente).
Logo, Jairo somente poderia ser responsabilizado (na forma culposa) se ficasse evidenciado que
houve pelo menos culpa de sua parte e desde que houvesse punição pelo crime de furto na
forma culposa. Esses requisitos, porém, não estão presentes.
GABARITO: Letra D
10. (FGV/2021/TJRO)
Ao lado das hipóteses de erros essenciais figuram os chamados erros acidentais, que, ao
contrário daqueles, incidem sobre elementos não essenciais à configuração do crime, não
afetando a decisão a respeito da imputação. Uma hipótese de erro acidental é:
A) erro de tipo;
C) erro de proibição;
D) descriminantes putativas;
E) erro mandamental.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, apenas o erro sobre a pessoa configura uma hipótese de erro acidental. O erro de
tipo e o erro de proibição configuram outras modalidades de erro. As descriminantes putativas, a
seu turno, podem configurar erro de tipo permissivo ou erro de proibição indireto, não se
tratando de erro acidental.
Por fim, o erro mandamental nada mais é que o erro em crimes omissivos, decorrente do
desconhecimento da norma mandamental (norma que determina o agir, criminalizando a
omissão) ou do desconhecimento das circunstâncias fáticas que obrigariam a atuação do agente
que se omitiu.
GABARITO: Letra B
11. (FGV/2018/MPE-AL)
Durante uma festa rave, Bernardo, 19 anos, conhece Maria, e, na mesma noite, eles vão para um
hotel e mantém relações sexuais. No dia seguinte, Bernardo é surpreendido pela chegada de
policiais militares no hotel, que realizam sua prisão em flagrante, informando que Maria tinha
apenas 13 anos. Bernardo, então, é encaminhado para a Delegacia, apesar de esclarecer que
acreditava que Maria era maior de idade, devido a seu porte físico e pelo fato de que era
proibida a entrada de menores de 18 anos na festa rave. Diante da situação narrada, Bernardo
agiu em
B) erro de tipo, afastando o dolo, mas permitindo a punição pelo crime de estupro de vulnerável
culposo.
COMENTÁRIOS
Em tese, Bernardo teria praticado o delito do art. 217-A do CP (estupro de vulnerável), por ter
mantido relação sexual com pessoa menor de 14 anos. Contudo, no caso concreto, podemos
afirmar que o agente agiu em erro de tipo essencial, pois representou equivocadamente a
realidade (acreditava que Maria tivesse mais de 14 anos), incorrendo em erro sobre um dos
elementos que integram o tipo penal (ser a vítima menor de 14 anos), nos termos do art. 20 do
CP.
Logo, não será punido na forma dolosa. Seria possível a punição na forma culposa se: a)
pudéssemos considerar tratar-se de erro evitável; b) houvesse o tipo penal de estupro de
vulnerável na forma culposa. Ainda que o primeiro requisito pudesse estar presente, o segundo
certamente não está, logo, a conduta de Bernardo será necessariamente considerada atípica.
GABARITO: Letra A
12. (FGV/2020/MPE-RJ)
Thiago, pessoa financeiramente humilde, alugou uma bicicleta avaliada em R$ 2.000,00 pelo
período de 2 (duas) horas para ir até uma entrevista de emprego. Após a entrevista, chateado por
não ter conseguido a vaga pretendida, acabou por pegar a bicicleta de outra pessoa que estava
estacionada no mesmo local, acreditando ser a que alugara. Apesar de o modelo e o valor da
bicicleta serem idênticos ao da que havia alugado, as cores eram diferentes. Cinco minutos
depois, Thiago veio a ser abordado por policiais militares que souberam dos fatos, sendo
indiciado, em sede policial, pela prática do crime de furto simples doloso.
A) típica, mas deverá ser reconhecida causa de diminuição de pena em razão do erro de
proibição, que não era inevitável;
B) típica, mas deverá ser imputado o crime contra o patrimônio de natureza culposa, já que o erro
de tipo era evitável;
COMENTÁRIOS
Nesse caso o agente subtraiu para si coisa alheia móvel, o que configuraria furto (art. 155 do CP).
Porém, podemos afirmar que o agente agiu em erro de tipo essencial, pois representou
equivocadamente a realidade (acreditava ser sua a coisa que pegou), incorrendo em erro sobre
um dos elementos que integram o tipo penal (“coisa alheia”), nos termos do art. 20 do CP.
Como não existe punição para o crime de furto na forma culposa, ainda que se se tratasse de
erro evitável, o agente não seria responsabilizado criminalmente. Logo, sua conduta é atípica.
GABARITO: Letra E
13. (FGV/2021/FUNSAÚDE)
Por pensar tratar-se de uma arma de fogo e não de um guarda-chuva, Jonathan atira e vem a
matar a vítima, Caio, que saía de casa em direção ao trabalho.
Acerca do erro praticado por Jonathan, assinale a opção que indica a tese de direito material que
poderia ser usada em sua defesa.
A) Erro de proibição, que, se for entendido como inevitável, isenta de pena e se for evitável
poderá reduzi-la de um sexto a um terço, nos termos do Art. 21 do CP.
B) Erro de tipo incriminador, na medida em que errou sobre um elemento constitutivo do crime, o
que poderia, nos termos do Art. 20, caput, do CP, afastar o dolo e permitir a punição por crime
culposo, que existe no caso do homicídio.
C) Erro na execução, na medida em que pensou que Caio estivesse portando uma arma de fogo,
o que faz com que ele seja isento de pena, nos termos do Art. 73 do CP.
D) Erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na medida em que acreditava estar
diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação legítima. Se o erro for tido como
justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como evitável, responderá pelo crime na
modalidade culposa, legalmente prevista no caso do homicídio.
E) Erro sobre o objeto, modalidade de erro acidental na qual o agente confunde um objeto com
outro, o que poderá isentar o réu de pena.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente policial agiu acreditando estar atuando em legítima defesa, pois imaginou
tratar-se de um criminoso armado e, portanto, imaginou haver situação fática (agressão injusta
iminente) que autorizaria sua conduta (autorizaria a legítima defesa).
Houve, portanto, legítima defesa putativa. No caso, uma descriminante putativa por erro sobre as
circunstâncias fáticas.
Assim, houve o que se chama de erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na
medida em que acreditava estar diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação
legítima. Se o erro for tido como justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como
evitável, responderá pelo crime na modalidade culposa, legalmente prevista no caso do
homicídio:
Art. 20 (...) § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
GABARITO: Letra D
Regina dá à luz seu primeiro filho, Davi. Logo após realizado o parto, ela, sob influência do
estado puerperal, comparece ao berçário da maternidade, no intuito de matar Davi. No entanto,
pensando tratar-se de seu filho, ela, com uma corda, asfixia Bruno, filho recém-nascido do casal
Marta e Rogério, causando-lhe a morte. Descobertos os fatos, Regina é denunciada pelo crime
de homicídio qualificado pela asfixia com causa de aumento de pena pela idade da vítima.
Diante dos fatos acima narrados, o(a) advogado(a) de Regina, em alegações finais da primeira
fase do procedimento do Tribunal do Júri, deverá requerer
B) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, não podendo ser
reconhecida a agravante pelo fato de quem se pretendia atingir ser descendente da agente.
D) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, podendo ser
reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as
características de quem se pretendia atingir.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, houve erro sobre a pessoa (error in persona), modalidade de erro acidental prevista
no art. 20, §3º do CP:
Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Não há que se falar em erro na execução (aberratio ictus), pois a execução foi perfeitamente
realizada. O erro ocorre antes da execução, no momento da representação da vítima, da
visualização de quem seria o alvo da conduta.
Logo, pela teoria da equivalência, devemos considerar as condições da vítima visada (e não as da
vítima atingida). Assim, Regina responderá como se tivesse matado o próprio filho.
Quando a mãe, sob a influência do estado puerperal, mata o próprio filho, durante o parto ou
logo após, há crime de infanticídio (art.123 do CP) e não homicídio. Deve haver, portanto, a
desclassificação para infanticídio.
Porém, não será aplicada a agravante de ter sido o crime praticado contra descendente (art. 61,
II, “e” do CP), pois tal circunstância já é elemento do tipo, e sua consideração também como
agravante no infanticídio geraria bis in idem, ou seja, dupla punição pelo mesmo
fato/circunstância.
GABARITO: Letra B
Ao final das comemorações da noite de Natal com sua família, Paulo, quando deixava o local,
acabou por levar consigo o presente do seu primo Caio, acreditando ser o seu, tendo em vista
que as caixas dos presentes eram idênticas. Após perceber o sumiço do seu presente e
acreditando ter sido vítima de crime patrimonial, Caio compareceu à Delegacia para registrar o
ocorrido, ocasião em que foram ouvidas testemunhas presenciais, que afirmaram ter visto Paulo
sair com aquele objeto. Paulo, ao tomar conhecimento da investigação, compareceu em sede
policial e indicou onde o objeto estava, sendo o bem apreendido no dia seguinte em sua
residência. Preocupado com sua situação jurídica, Paulo procurou a Defensoria Pública.
B) foi praticado crime de furto, mas deverá ser reconhecida a causa de diminuição de pena do
arrependimento posterior;
C) houve erro sobre a pessoa, devendo ser consideradas as características daquele que se
pretendia atingir;
D) ocorreu erro de tipo, o que faz com que, no caso concreto, sua conduta seja considerada
atípica;
E) houve erro na execução (aberratio ictus), logo a conduta deverá ser considerada atípica.
COMENTÁRIOS
Neste caso, houve erro DE TIPO. O agente (Paulo) sabe que subtrair coisa alheia móvel é crime
(não há, portanto, erro sobre a ilicitude da conduta). Todavia, Paulo acredita que está pegando
coisa própria, e não coisa alheia. Veja, portanto, que o erro de Paulo incide sobre um dos
elementos do tipo (o elemento “coisa alheia”, já que acredita ser coisa própria). Assim, temos
erro de tipo.
GABARITO: LETRA D
16. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) Pedro, jovem rebelde, sai à procura de
Henrique, 24 anos, seu inimigo, com a intenção de matá-lo, vindo a encontrá-lo
conversando com uma senhora de 68 anos de idade. Pedro saca sua arma, regularizada e
cujo porte era autorizado, e dispara em direção ao rival. Ao mesmo tempo, a senhora
dava um abraço de despedida em Henrique e acaba sendo atingida pelo disparo.
Henrique, que não sofreu qualquer lesão, tenta salvar a senhora, mas ela falece.
Diante da situação narrada, em consulta técnica solicitada pela família, deverá ser esclarecido
pelo advogado que a conduta de Pedro, de acordo com o Código Penal, configura
A) crime de homicídio doloso consumado, apenas, com causa de aumento em razão da idade da
vítima.
B) crime de homicídio doloso consumado, apenas, sem causa de aumento em razão da idade da
vítima.
D) crime de homicídio culposo consumado, sem causa de aumento pela idade da vítima.
COMENTÁRIOS
No presente caso tivemos um homicídio doloso consumado, pois houve erro na execução, na
forma do art. 73 do CP. Não há aumento de pena em razão da agravante de ter sido praticado
contra pessoa idosa, pois consideram-se as condições pessoais da vítima visada, e não as da
vítima atingida, nos termos do art. 73 c/c art. 20, §3º do CP.
17. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Tony, a pedido de um colega, está
transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem ter
conhecimento que estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu interior.
Por outro lado, José transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. (maconha), pois
acreditava que poderia ter pequena quantidade do material em sua posse para fins
medicinais.
Ambos foram abordados por policiais e, diante da apreensão das drogas, denunciados pela
prática do crime de tráfico de entorpecentes.
COMENTÁRIOS
No primeiro caso temos erro de tipo, previsto no art. 20 do CP, pois o agente praticou o fato
típico por incidir em ERRO sobre um dos elementos do tipo penal (substância entorpecente), já
que acredita que não se tratava de substância entorpecente, e sim de remédio.
No segundo caso tivemos erro de proibição, pois o agente sabia exatamente o que estava
carregando, mas acreditava que sua conduta era lícita perante o Direito Penal, ou seja, trata-se
de um erro sobre a existência ou limites da norma penal. Portanto, ERRO DE PROIBIÇÃO, nos
termos do art. 21 do CP.
18. (FGV - 2016 - OAB - XX EXAME DE ORDEM) Wellington pretendia matar Ronaldo, camisa
10 e melhor jogador de futebol do time Bola Cheia, seu adversário no campeonato do
bairro. No dia de um jogo do Bola Cheia, Wellington vê, de costas, um jogador com a
camisa 10 do time rival. Acreditando ser Ronaldo, efetua diversos disparos de arma de
fogo, mas, na verdade, aquele que vestia a camisa 10 era Rodrigo, adolescente que
substituiria Ronaldo naquele jogo. Em virtude dos disparos, Rodrigo faleceu.
Considerando a situação narrada, assinale a opção que indica o crime cometido por
Wellington.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, temos o fenômeno do erro sobre a pessoa, previsto no art. 20, §3º do CP. Neste
caso, o agente responde pelo crime de acordo com as características da vítima pretendida, e não
de acordo com as características da vítima atingida. Assim, Wellington responderá por homicídio
doloso consumado, considerando-se as características pessoais de Ronaldo, a vítima visada.
19. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) Pedro e Paulo bebiam em um bar da cidade
quando teve início uma discussão sobre futebol. Pedro, objetivando atingir Paulo, desfere
contra ele um disparo que atingiu o alvo desejado e também terceira pessoa que se
encontrava no local, certo que ambas as vítimas faleceram, inclusive aquela cuja morte
não era querida pelo agente.
Para resolver a questão no campo jurídico, deve ser aplicada a seguinte modalidade de erro:
B) aberratio ictus.
C) aberratio criminis.
COMENTÁRIOS
Neste caso ocorreu aberratio ictus, ou erro na execução, pois em virtude de acidente o agente
atingiu pessoa diversa daquela que pretendia atingir (embora também tenha atingido a vítima
visada, motivo pelo qual responderá pelos dois delitos em concurso formal, nos termos do art. 73
c/c art. 70 do CP).
20. (FGV – 2014 – OAB – XIV EXAME DE ORDEM) Eslow, holandês e usuário de maconha,
que nunca antes havia feito uma viagem internacional, veio ao Brasil para a Copa do
Mundo. Assistindo ao jogo Holanda x Brasil decidiu, diante da tensão, fumar um cigarro
de maconha nas arquibancadas do estádio. Imediatamente, os policiais militares de
plantão o prenderam e o conduziram à Delegacia de Polícia. Diante do Delegado de
Polícia, Eslow, completamente assustado, afirma que não sabia que no Brasil a utilização
de pequena quantidade de maconha era proibida, pois, no seu país, é um hábito assistir a
jogos de futebol fumando maconha.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a principal tese defensiva.
a) Eslow está em erro de tipo essencial escusável, razão pela qual deve ser absolvido.
b) Eslow está em erro de proibição direto inevitável, razão pela qual deve ser isento de pena.
c) Eslow está em erro de tipo permissivo escusável, razão pela qual deve ser punido pelo crime
culposo.
d) Eslow está em erro de proibição, que importa em crime impossível, razão pela qual deve ser
absolvido.
COMENTÁRIOS
Na hipótese narrada o agente se encontra em ERRO DE PROIBIÇÃO, pois incidiu em erro sobre a
existência de norma incriminadora. Quanto a ser, ou não, um erro evitável, trata-se de uma
questão mais nebulosa. O enunciado, contudo, tenta deixar claro que o agente, de fato, não
sabia e nem poderia saber da proibição, já que é pessoa que nunca viajou para fora da Holanda,
etc. Assim, o enunciado deixa transparecer que se trata de erro de proibição inevitável e, sendo
assim, o agente fica isento de pena, por força do art. 21 do CP.
a) Para a teoria normativa que surgiu com o finalismo, houve a migração do dolo e da culpa para
a tipicidade, passando a culpabilidade a ser um juízo de valor que se faz sobre a conduta típica e
ilícita.
c) No erro de proibição o erro recai sobre a ilicitude do fato, imaginando o agente ser lícito o que
é ilícito, podendo atenuar a culpabilidade, nunca, porém, a excluindo.
d) Para a teoria limitada da culpabilidade, o erro de tipo permissivo exclui o dolo; se o erro for
vencível há crime culposo se previsto em lei.
e) A coação moral irresistível pode ser exercida diretamente sobre o agente ou sobre um terceiro,
somente respondendo o autor da coação.
COMENTÁRIOS
A) CORRETA: A teoria normativa da culpabilidade surgiu para atender à teoria finalista do delito,
de forma que o dolo e a culpa foram transferidos da culpabilidade para o fato típico, restando a
culpabilidade como uma análise meramente normativa, um juízo de valor a respeito da conduta
do agente, à luz da norma penal;
B) CORRETA: O item está correto, pois o CP adotou o critério biopsicológico no que tange à
imputabilidade penal, devendo, no caso de inimputabilidade por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, a causa geradora da inimputabilidade estar
presente quando da realização da conduta. Apenas uma ressalva quanto a este item: O CP
também adotou o critério meramente biológico quanto à inimputabilidade, ao determinar que os
menores de 18 anos são inimputáveis;
C) ERRADA: O item está errado, pois embora a definição de erro de proibição esteja correta, o
item erra ao afirmar que o erro de proibição nunca poderá excluir a culpabilidade, pois o erro de
proibição, quando inevitável, exclui a culpabilidade, na forma do art. 21 do CP:
Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
E) CORRETA: A coação moral irresistível, que é causa de exclusão da culpabilidade, pode ser
exercida diretamente sobre o agente ou sobre um terceiro. O que importa, aqui, é que a coação
tenha por finalidade atingir o agente, influenciando na sua tomada de decisão.
22. (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB) Jaime, brasileiro, passou a morar em um país
estrangeiro no ano de 1999. Assim como seu falecido pai, Jaime tinha por hábito sempre
levar consigo acessórios de arma de fogo, o que não era proibido, levando-se em conta a
legislação vigente à época, a saber, a Lei n. 9.437/97. Tal hábito foi mantido no país
estrangeiro que, em sua legislação, não vedava a conduta. Todavia, em 2012, Jaime
resolve vir de férias ao Brasil. Além de matar as saudades dos familiares, Jaime também
queria apresentar o país aos seus dois filhos, ambos nascidos no estrangeiro. Ocorre que,
dois dias após sua chegada, Jaime foi preso em flagrante por portar ilegalmente acessório
de arma de fogo, conduta descrita no Art. 14 da Lei n. 10.826/2003, verbis : “Portar,
deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de
fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com
determinação legal ou regulamentar”.
COMENTÁRIOS
Partindo-se da premissa de que, de fato, Jaime não sabia que sua conduta era prevista como
crime, temos um caso de erro de proibição direto, pois recai sobre a potencial consciência da
ilicitude do fato em abstrato.
23. (FGV - 2010 - OAB - Exame de Ordem Unificado - 3 - Primeira Fase (Fev/2011) Joaquim,
desejoso de tirar a vida da própria mãe, acaba causando a morte de uma tia (por
confundi-la com aquela). Tendo como referência a situação acima, é correto afirmar que
Joaquim incorre em erro
A) de tipo essencial escusável – inevitável – e deverá responder pelo crime de homicídio sem a
incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (haja vista que a vítima, de
fato, não era a sua genitora).
B) de tipo acidental na modalidade error in persona e deverá responder pelo crime de homicídio
com a incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (mesmo que a
vítima não seja, de fato, a sua genitora).
C) de proibição e deverá responder pelo crime de homicídio qualificado pelo fato de ter
objetivado atingir ascendente (preserva-se o dolo, independente da identidade da vítima).
D) de tipo essencial inescusável – evitável –, mas não deverá responder pelo crime de homicídio
qualificado, uma vez que a pessoa atingida não era a sua ascendente.
COMENTÁRIOS
No caso em tela, Joaquim praticou o que se chama de crime por erro sobre a pessoa, na medida
em que visualizou mal a vítima, mas acertou na execução. Nesse caso, o CP determina que o
agente seja punido pelo crime que tentou em relação à pessoa visada, e não em relação à
pessoa efetivamente atingida. Vejamos:
Art. 20 (...)
24. (FGV – 2013 – OAB – XII EXAME DE ORDEM) Bráulio, rapaz de 18 anos, conhece Paula
em um show de rock, em uma casa noturna. Os dois, após conversarem um pouco,
resolvem dirigir-se a um motel e ali, de forma consentida, o jovem mantém relações
sexuais com Paula. Após, Bráulio descobre que a moça, na verdade, tinha apenas 13 anos
e que somente conseguira entrar no show mediante apresentação de carteira de
identidade falsa.
C) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de tipo essencial.
D) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de proibição direto.
COMENTÁRIOS
Em tese, Bráulio praticou o delito do art. 217-A do CP (estupro de vulnerável), por ter mantido
relação sexual com pessoa menor de 14 anos. Contudo, no caso concreto, podemos afirmar que
Bráulio agiu em erro de tipo essencial, pois representou equivocadamente a realidade (acreditava
que Paula tivesse mais de 14 anos), incorrendo em erro sobre um dos elementos que integram o
tipo penal (ser a vítima menor de 14 anos), nos termos do art. 20 do CP.
25. (FGV – 2010 – OAB – II EXAME DE ORDEM) Arlete, em estado puerperal, manifesta a
==a80b1==
intenção de matar o próprio filho recém-nascido. Após receber a criança no seu quarto
para amamentá-la, a criança é levada para o berçário. Durante a noite, Arlete vai até o
berçário, e, após conferir a identificação da criança, a asfixia, causando a sua morte. Na
manhã seguinte, é constatada a morte por asfixia de um recém-nascido, que não era o
filho de Arlete.
Diante do caso concreto, assinale a alternativa que indique a responsabilidade penal da mãe.
(B) Crime de homicídio, pois, uma vez que o art. 123 do CP trata de matar o próprio filho sob
influência do estado puerperal, não houve preenchimento dos elementos do tipo.
COMENTÁRIOS
No caso narrado no enunciado Arlete deverá responder pelo delito de infanticídio, previsto no
art. 123 do CP. Isso porque houve o que se chama de ERRO SOBRE A PESSOA, ou seja, Arlete
representou equivocadamente a realidade, agindo contra o filho de outra pessoa, acreditando
que estava praticando a conduta contra o próprio filho. Em casos tais, o agente responde pelo
delito como se tivesse atingido a pessoa que, de fato, pretendia atingir, nos termos do art. 20,
§3º do CP.
Daniel, com 18 anos de idade, conhece Rebeca, com 13 anos de idade, em uma festa e a
convida para sair. Os dois começam a namorar e, cerca de 6 meses depois, Rebeca decide perder
a virgindade com Daniel. O rapaz, mesmo sabendo da idade da jovem e da proibição legal de
praticar conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos, ainda que com seu
consentimento, mantém relação sexual com Rebeca, acreditando que o fato de namorarem seria
uma causa de justificação que tornaria a sua conduta permitida, causa essa que, na verdade, não
existe. Ocorre que os pais de Rebeca, ao descobrirem sobre o relacionamento de sua filha com
Daniel, comunicaram os fatos à polícia. Daniel é denunciado pelo delito de estupro de vulnerável
e a defesa alega que ele agiu em erro. De acordo com a teoria limitada da culpabilidade, Daniel
incorreu em erro
A) de tipo.
B) sobre a pessoa.
C) de proibição direto.
D) de proibição indireto.
E) de tipo permissivo.
COMENTÁRIOS
Aqui temos a figura do erro de proibição indireto. O agente sabe que sua conduta está prevista
na lei como um fato típico (não há erro de proibição DIRETO, portanto). Todavia, apesar de ter
conhecimento disso, o agente acredita que, nas circunstâncias, existe na lei uma causa de
justificação para sua conduta, ou seja, que existe na lei uma excludente de ilicitude em seu favor
(que não existe, não tem previsão legal).
GABARITO: Letra A
27. (FCC – 2018 – MPE-PB – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) O erro sobre elementos
do tipo, previsto no artigo 20 do Código Penal,
a) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
c) não isenta o agente de pena, mas esta será diminuída de um sexto a um terço.
COMENTÁRIOS
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui dolo e também exclui qualquer
possibilidade de punição a título de culpa, caso se trate de erro inevitável; em se tratando de
erro de tipo evitável, será possível a punição a título culposo, desde que haja previsão legal.
Vejamos o art. 20 do CP:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
GABARITO: Letra A
28. (FCC – 2018 – DPE-AM – DEFENSOR PÚBLICO) No Direito Penal brasileiro, o erro
a) sobre os elementos do tipo impede a punição do agente, pois exclui a tipicidade subjetiva em
todas as suas formas
b) determinado por terceiro faz com que este responda pelo crime.
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois o erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui
dolo e também exclui qualquer possibilidade de punição a título de culpa, caso se trate de erro
inevitável; TODAVIA, em se tratando de erro de tipo EVITÁVEL, será possível a punição a título
culposo, desde que haja previsão legal. Vejamos o art. 20 do CP:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 (...) § 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) ERRADA: Item errado, pois em havendo erro sobre a pessoa, devem ser consideradas as
condições pessoais da vítima VISADA e não as condições da vítima efetiva, na forma do art. 20,
§3º do CP:
Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
d) ERRADA: Item errado, pois o erro de proibição não afasta o dolo. Afasta a culpabilidade, se
inevitável; se evitável, é apenas causa de diminuição de pena, nos termos do art. 21 do CP.
e) ERRADA: Item errado, pois o erro de proibição afasta a culpabilidade (isenta de pena) somente
e for um erro inevitável; se evitável, é apenas causa de diminuição de pena, nos termos do art. 21
do CP.
GABARITO: Letra B
COMENTÁRIOS
O erro de tipo (erro sobre os elementos constitutivos do tipo legal) exclui o dolo e a culpa, se for
um erro inevitável (escusável ou desculpável); em se tratando de erro de tipo evitável (inescusável
ou indesculpável), afasta-se a punição a título doloso, mas permite-se a punição a título culposo,
se houver previsão legal, na forma do art. 20 do CP:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
30. (FCC – 2017 – POLITEC-AP – PERITO MÉDICO LEGISTA) Após uma discussão em um bar,
Pedro decide matar Roberto. Para tanto, dirige-se até sua residência onde arma-se de um
revólver. Ato contínuo, retorna ao estabelecimento e efetua um disparo em direção a
Roberto. Contudo, erra o alvo, atingindo Antônio, balconista que ali trabalhava, ferindo-o
levemente no ombro. Diante do caso hipotético, Pedro praticou, em tese, o(s) crime(s) de
COMENTÁRIOS
Neste caso houve erro na execução (aberratio ictus), de maneira que o agente responderá como
se tivesse atingido a pessoa que efetivamente pretendia atingir, na forma do art. 73 do CP, c/c
art. 20, §3º do CP. Neste caso, é irrelevante que o agente não tivesse dolo de matar em relação à
vítima ATINGIDA. Assim, responderá por tentativa de homicídio (homicídio na forma tentada).
c) na coação moral irresistível o coator responde por dolo e o coacto por culpa.
COMENTÁRIOS
b) ERRADA: Item errado, pois em havendo erro de proibição ESCUSÁVEL (invencível) o agente
ficará isento de pena, nos termos do art. 21 do CP.
c) ERRADA: Item errado, pois na coação moral irresistível só responde o coator, nos termos do
art. 22 do CP.
d) CORRETA: As descriminantes putativas podem ser de fato ou de direito, ou seja, podem estar
relacionadas aos pressupostos objetivos de uma causa de justificação (erro de fato) ou sobre a
existência e limites da própria causa de justificação (erro de direito). Pela teoria limitada da
culpabilidade, adotada pelo CP, as primeiras recebem tratamento similar ao destinado ao erro de
tipo, e as segundas recebem o mesmo tratamento destinado ao erro de proibição. Isso não
significa, contudo, que as descriminantes putativas por erro de fato sejam SINÔNIMO de erro de
tipo. Não se trata de erro de tipo, pois o agente não comete qualquer equívoco quando aos
elementos que integram o tipo. Trata-se de erro quando à existência fática de uma excludente de
ilicitude, mas que por questões de política criminal recebe tratamento similar ao destinado ao
erro de tipo (o agente fica isento de pena se o erro é escusável ou responde na modalidade
culposa, se prevista em lei, caso o erro seja inescusável).
e) ERRADA: Item errado, pois tal relação é indispensável para a configuração da obediência
hierárquica.
b) descriminante putativa.
c) erro de tipo.
COMENTÁRIOS
Se o agente ignora a condição de funcionário público do agente, pode-se afirmar que ocorreu,
no caso em tela, ERRO DE TIPO (erro sobre um dos elementos que compõem o tipo penal),
previsto no art. 20 do CP.
33. (FCC – 2015 - TCE-CE - Procurador de Contas) A diferença entre erro sobre elementos do
tipo e erro sobre a ilicitude do fato reside na circunstância de que
COMENTÁRIOS
O erro de tipo escusável exclui o dolo, afastando-se, portanto, o fato típico (já que o dolo é
elemento da conduta, que é elemento do fato típico), nos termos do art. 20 do CP. Em se
tratando de erro inescusável se admite a punição a título de culpa, se houver previsão legal.
Em relação ao erro sobre a ilicitude do fato, ou erro de proibição, caso escusável (desculpável),
exclui a culpabilidade do agente. Se inescusável, diminui a pena imposta, nos termos do art. 21
do CP.
34. (FCC – 2015 - TJ-PE - JUIZ SUBSTITUTO) Em matéria de erro, correto afirmar que
a) o erro sobre a ilicitude do fato exclui a culpabilidade, por não exigibilidade de conduta diversa
b) o erro sobre elemento constitutivo do tipo penal não exclui a possibilidade de punição por
crime culposo.
e) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena, considerando-se
as condições ou qualidades da vítima, e não as da pessoa contra quem o agente queria praticar o
crime.
COMENTÁRIOS
O erro de tipo (erro sobre elemento constitutivo do tipo penal) exclui o dolo, mas permite a
punição a título culposo, caso se trate de erro indesculpável e o tipo penal admita punição na
forma culposa, nos termos do art. 20 do CP.
O erro sobre a ilicitude do fato (erro de proibição) isenta de pena (exclui a culpabilidade pela
ausência de potencial consciência da ilicitude, se desculpável. Em se tratando de erro
indesculpável, o agente não fica isento de pena, mas terá a pena diminuída, nos termos do art.
21 do CP.
Por fim, em caso de erro sobre a pessoa o agente NÃO fica isento de pena. Todavia devem ser
consideradas as condições pessoais da vítima visada, não da vítima atingida, nos termos do art.
20, §3º do CP.
35. (FCC – 2015 – TJ-SE – JUIZ) A, cidadão americano, vem para o Brasil em férias, trazendo
alguns cigarros de maconha. Está ciente que mesmo em seu país o consumo da
substância não é amplamente permitido, mas, como possui câncer em fase avançada,
possui receita médica emitida por especialista americano para utilizar substâncias que
possuam THC. Ao passar pelo controle policial do aeroporto, é detido pelo crime de
tráfico de drogas. Nesta situação, é possível alegar que A encontrava-se em situação de
erro de:
a) tipo.
b) tipo permissivo.
c) proibição direto.
d) proibição indireto.
e) tipo indireto.
COMENTÁRIOS
Neste caso o agente incorreu em erro sobre a existência ou limites de uma causa de justificação.
Trata-se, portanto, de erro NORMATIVO, erro sobre a existência (em abstrato) de uma norma
permissiva (que existe em seu país de origem). Trata-se, portanto, de erro de proibição indireto.
Não se trata de erro de proibição direto porque o agente conhece a norma que criminaliza a
conduta, mas acredita que há outra norma excepcionando o caráter criminoso.
36. (FCC – 2015 – TRT9 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Maria, a fim de cuidar do machucado de
seu filho que acabou de cair da bicicleta, aplica sobre o ferimento da criança ácido
corrosivo, pensando tratar-se de uma pomada cicatrizante, vindo a agravar o ferimento. A
situação descrita retrata hipótese tratada no Código Penal como:
a) erro de proibição.
b) erro na execução.
c) estado de necessidade.
e) erro de tipo.
COMENTÁRIOS
Neste caso, Maria incidiu em erro de tipo, pois incorreu em erro sobre as circunstâncias fáticas,
de maneira que acabou por causar lesões corporais em seu filho sem que tivesse o dolo de
provocar tal resultado. Caso se verifique que se tratou de erro indesculpável, poderá responder
por lesão corporal na forma culposa, nos termos do art. 20 do CP.
37. (FCC – 2015 – TCE-AM – AUDITOR) O erro sobre a pessoa contra a qual o crime é
praticado
b) exclui o dolo.
d) não isenta de pena o agente, porém deve sempre ser considerado na sentença.
e) é um crime impossível
COMENTÁRIOS
O erro sobre a pessoa não isenta o agente de pena. Neste caso, porém, devem ser consideradas
as condições pessoais da pessoa visada, e não as da pessoa efetivamente atingida, nos termos
do art. 20, §3º do CP.
COMENTÁRIOS
O erro inescusável (indesculpável) sobre a ilicitude do fato NÃO isenta o agente de pena, mas é
causa de diminuição de pena, nos termos do art. 21 do CP.
O erro inescusável sobre elemento constitutivo do tipo penal afasta o dolo, mas permite a
punição a título culposo, nos casos de erro essencial (desde que haja previsão de punição a título
de culpa em relação ao tipo penal).
A) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
E) extingue a punibilidade
COMENTÁRIOS
A) ERRADO: O erro que exclui o dolo é o erro de tipo, e permite a punição por crime culposo se
se tratar de erro inescusável.
B) ERRADO: Embora reflita na culpabilidade, nem sempre isenta de pena, apenas quando se
tratar de erro de proibição escusável, ou seja, o agente não tinha condições de entender o
caráter ilícito de sua conduta.
C) ERRADO: O erro sobre a ilicitude age na culpabilidade, logo, não tem a ver com dolo e culpa,
que são elementos da conduta e, portanto, do fato típico.
D) CORRETA: O erro de proibição reflete na culpabilidade, e a exclui quando for erro escusável.
Quando for erro inescusável, porém, atenua a culpabilidade do agente e, por conseqüência, a
pena aplicável.
40. (FCC – 2011 – TRT 1°RG – TÉCNICO JUDICIÁRIO – SEGURANÇA) O erro inevitável sobre
a ilicitude do fato
COMENTÁRIOS
B) ERRADA: Essa diminuição de pena se aplica ao erro de proibição evitável (ou inescusável), no
qual o agente, mediante algum esforço, poderia conhecer o caráter ilícito da conduta.
C) ERRADA: Como dito acima, presente o erro de proibição escusável, o réu estará isento de
pena, por ser excluída a culpabilidade.
D) ERRADA: Pois, o erro de proibição inevitável (escusável) exclui a culpabilidade, pois o agente,
naquelas circunstâncias, não tinha condições de conhecer o caráter ilícito da conduta.
E) ERRADA: A ilicitude do fato nada tem a ver com as verificações acerca da culpabilidade do
agente, diante de determinado erro sobre a licitude ou não do fato. A ilicitude está ligada ao fato
criminoso, enquanto o erro de proibição se refere à potencial consciência da ilicitude, que é
elemento da culpabilidade.
41. (FCC - 2011 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Técnico Judiciário - Segurança) O erro inevitável
sobre a ilicitude do fato
COMENTÁRIOS
O erro sobre a ilicitude do fato, ou erro de proibição, é o fenômeno no qual o agente pratica a
conduta supondo tratar-se de conduta penalmente admitida, quando, na verdade, a conduta é
penalmente típica.
O art. 21 do CP estabelece que, se esse erro for inevitável (ou seja, se mesmo mediante um
esforço intelectual razoável, não fosse realmente possível saber que era ilícita a conduta), o
agente estará isento de pena:
42. (FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário - Área Administrativa) A dispara seu revólver e
mata B, acreditando tratar-se de um animal. A respeito dessa hipótese é correto afirmar
que se trata de
C) erro de proibição, que gera apenas a diminuição da pena, posto que inescusável.
COMENTÁRIOS
Na hipótese, não se trata de erro de proibição, pois o agente não cometeu erro quanto à licitude
ou ilicitude da conduta (art. 21 do CP), mas cometeu um erro sobre uma circunstância fática.
Também não há que se falar em fato típico, eis que o agente incidiu em erro sobre elemento
constitutivo do tipo penal do art. 121 (“alguém” = pessoa humana).
Não há, ainda, hipótese de descriminante putativa, pois o agente não imaginou estar diante de
uma situação que lhe permitisse agir em legítima defesa, estado de necessidade ou qualquer
outra excludente de ilicitude (pelo menos a questão não disse isso).
Assim, trata-se, como já disse, de erro sobre elemento constitutivo do tipo penal, ou ERRO DE
TIPO, que se for inevitável (ou escusável) exclui o dolo e a culpa.
I. Casar-se com pessoa cujo cônjuge foi declarado morto para os efeitos civis, mas estava vivo.
II. Aplicar no ferimento do filho ácido corrosivo, supondo que está utilizado uma pomada.
III. Matar pessoa gravemente enferma, a seu pedido, para livrá-la de mal incurável, supondo que
a eutanásia é permitida.
IV. Ingerir a gestante substância abortiva, supondo que estava tomando um calmante.
A) I, II e III.
B) I e III.
C) I, III e IV.
D) II e III.
E) II e IV.
COMENTÁRIOS
I) ERRADA: Nesse caso não há erro de tipo, mas fato atípico, pois se o cônjuge foi declarado
morto para efeitos civis, o casamento anterior não mais existia, de forma que não há que se falar
em crime de bigamia, art. 235 do CP:
§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada,
conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três
anos.
Assim, não houve prática da conduta prevista no tipo penal mediante incursão em erro sobre
circunstância fática. Simplesmente não foi praticada a conduta prevista no tipo penal.
II) CORRETA: Aqui, de fato, há a prática da conduta descrita no art. 129 do CP (lesões
corporais). No entanto, essa conduta é praticada mediante erro sobre circunstância fática (o
agente imagina que o ácido é uma pomada). Portanto, é hipótese de erro de tipo.
III) ERRADA: Aqui temos um caso de erro de proibição, pois o erro do agente reside não na
circunstância fática, que é perfeitamente delimitada, mas nas consequências penais, pois o
agente imagina que sua conduta é permitida pela lei penal, quando não o é.
IV) CORRETA: Nesse caso, embora o agente pratique a conduta descrita no art. 124 do CP, o faz
por estar representando erroneamente uma situação fática (acreditar que está tomando
calmante, quando, na verdade, está ingerindo substância abortiva):
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Havendo, pois, erro fático quanto a elemento constitutivo do tipo penal, estamos diante de erro
de tipo.
44. (FCC – 2009 – TJ/PA – OFICIAL DE JUSTIÇA) O erro de proibição quando escusável
exclui a
A) imputabilidade.
B) culpabilidade.
C) punibilidade.
D) antijuridicidade.
E) conduta.
COMENTÁRIOS
O erro sobre a ilicitude do fato, ou erro de proibição, é o fenômeno no qual o agente pratica a
conduta supondo tratar-se de conduta penalmente admitida, quando, na verdade, a conduta é
penalmente típica.
O art. 21 do CP estabelece que, se esse erro for inevitável, ou escusável (ou seja, se mesmo
mediante um esforço intelectual razoável, não fosse realmente possível saber que era ilícita a
conduta), o agente estará isento de pena:
Afastando-se, desta forma, a potencial consciência da ilicitude, estará ausente um dos elementos
da culpabilidade, restando esta afastada.
b) que recai sobre a existência de situação de fato que justificaria a ação, tornando-a legítima, é
tratado pelo Código Penal como erro de proibição, excluindo-se, pois, a tipicidade da conduta.
d) de proibição é irrelevante para o Direito Penal, pois, nos termos do caput do art. 21 do Código
Penal, "o desconhecimento da lei é inescusável".
e) de proibição exclui a consciência da ilicitude, que, desde o advento da teoria finalista, integra
o dolo e a culpa.
COMENTÁRIOS
Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
B) ERRADA: Esse erro pode ser tratado como erro de tipo, não como erro de proibição;
C) ERRADA: Não há diferenciação entre culpa grave e leve, tampouco para fins de caracterização
do erro de tipo;
E) ERRADA: De fato, o erro de proibição exclui a potencial consciência da ilicitude (se escusável),
mas esse é um elemento da CULPABILIDADE, não estando dentro do dolo ou da culpa, que são
elementos do FATO TÍPICO.
d) extingue a punilidade.
e) exclui o dolo, mas permite a punção por crime culposo, se previsto em lei.
COMENTÁRIOS
Portanto, vemos que o erro sobre a ilicitude do fato pode isentar de pena ou diminuir a pena do
agente, a depender do tipo de erro.
COMENTÁRIOS
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Já as causas legais de exclusão da culpabilidade estão previstas no art. 22 do CP, que determina
a exclusão da culpabilidade do agente que pratica o fato sob coação moral irresistível ou em
cumprimento a ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico. Vejamos:
Assim, a afirmativa que traz respectivamente uma causa de exclusão da ilicitude e uma causa de
exclusão da imputabilidade é a letra D.
b) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos seis anos da
data supra mencionada (01.07.2014).
c) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos quatro anos
da data supra mencionada (01.07.2014).
COMENTÁRIOS
No caso, o delito previsto é o de roubo, cuja pena máxima prevista é de 10 anos de reclusão.
Assim, em tese, o crime prescreveria em 16 anos, nos termos do art. 109, II do CP.
Contudo, o agente era menor de 21 anos na data do fato, logo, esse prazo cai pela metade (08
anos), nos termos do art. 115 do CP.
O recebimento da denúncia interrompeu o curso do prazo de prescrição (art. 117, I do CP), que
voltou a correr do zero, a partir daquela data.
A data atual (segundo a questão) para fins de cálculo da prescrição é dia 01.07.2014. Vemos que
entre a última interrupção da prescrição e a data atual já transcorreram mais de 08 anos, motivo
pelo qual operou-se a prescrição.
49. (VUNESP – 2014 – TJ-SP – JUIZ) Para o Código Penal (art. 20, § 1.º), quando a
descriminante putativa disser respeito aos pressupostos fáticos da excludente, estamos
diante de:
a) Excludente de antijuridicidade.
b) Erro de tipo.
c) Erro de proibição.
d) Excludente de culpabilidade.
COMENTÁRIOS
Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
50. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Imagine que João confunda seu
aparelho de telefone celular com o de seu colega Pedro e, descuidadamente, leve para
sua casa o aparelho de Pedro. Ao perceber o equívoco, João imediatamente comunica-se
com Pedro e informa o ocorrido.
No dia seguinte, João devolve o aparelho ao colega sem qualquer dano. Analisando a hipótese
narrada, é possível afirmar que João
a) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto da desistência voluntária.
c) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto da
desistência voluntária.
d) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto do arrependimento eficaz.
e) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto do
arrependimento eficaz.
COMENTÁRIOS
No caso em tela João não praticou qualquer crime, pois apesar de ter subtraído para si o
aparelho de outra pessoa, agiu em erro sobre um dos elementos constitutivos do tipo penal
(neste caso, o tipo seria o art. 155 do CP, tendo João incidido em erro sobre o elemento “coisa
alheia”, já que acreditou que a coisa era sua, e não alheia). Neste caso, João não pratica crime,
pois fica afastada a tipicidade da conduta:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) é preordenada.
d) decorre involuntariamente.
Marcelo decide sair para beber com os seus amigos. Depois de algumas horas ingerindo bebidas
alcóolicas voluntariamente, deixa o bar e, no caminho de casa, resolve matar uma pessoa em
situação de rua com a qual tinha desentendimento anterior. Durante o processo, a Defesa de
Marcelo alega que ele não tinha condição de responder pelos seus atos (ausência de
culpabilidade), pois estava completamente embriagado.
a) não está correta, pois a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de
efeitos análogos não exclui a imputabilidade penal.
b) não está correta, pois a embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior não isenta de
pena, ainda que ele fosse, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
c) está correta, pois a embriaguez pelo álcool ou substância de efeitos análogos, mesmo
voluntária, exclui a imputabilidade penal.
d) não está correta, pois apenas a embriaguez voluntária decorrente do uso de entorpecentes
(drogas) exclui a imputabilidade penal.
e) está correta, de modo que Marcelo não responderá pelo crime na medida em que tinha
desentendimento anterior com a vítima, o que justifica a sua conduta.
1
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 95
[Link] 136
Mévio foi vítima de crime de roubo com restrição de liberdade, tendo sido amarrado. Antes de
liberá-lo, Caio, o roubador, fez com que Mévio ingerisse bebida alcoólica à força, a fim de reduzir
a sua capacidade de resistência. Contudo, ainda que completamente embriagado e sem
capacidade de discernimento sobre o caráter ilícito do fato, após ser liberado e estar a caminho
de casa, Mévio resolveu voltar ao local em que Caio se encontrava e o espancou até ocasionar
sua morte.
a) deverá responder pelo crime de lesão corporal qualificado pelo resultado morte, em razão do
dolo com que praticou as lesões corporais e da culpa quanto ao resultado morte;
b) deverá responder pelo crime de homicídio doloso, uma vez que o resultado morte era
previsível, havendo, ao menos, dolo eventual;
Não há crime quando o agente pratica o fato em estado de embriaguez, voluntária ou culposa,
pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
5. (FGV/2023/CGE-SC/AUDITOR)
Arthur é servidor público de determinado órgão da Administração Pública, quando recebe uma
ligação ameaçadora, informando que sua esposa, Aline, está em poder de sequestradores,
devendo Arthur praticar determinado ato administrativo, em benefício dos criminosos, sob pena
de grave ofensa à integridade física de Aline. Arthur se sente ameaçado e apavorado, com justo
receio pela integridade física de sua esposa.
No caso narrado, na hipótese de Arthur efetivamente praticar o ato de ofício requerido, é correto
afirmar que
A) Arthur responderá por prevaricação caso não se comprove o efetivo risco à integridade física
de Aline.
B) Arthur age em excludente de ilicitude, uma vez que a situação narrada representa estado de
necessidade.
C) Arthur age em excludente de culpabilidade, uma vez que a situação narrada é de coação
moral irresistível.
D) se Aline estiver realmente sob poder de criminosos, é o caso de coação física irresistível.
2
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 96
[Link] 136
E) Arthur age em erro de tipo, por não saber se Aline está efetivamente sob o poder dos
criminosos, excluindo-se a tipicidade.
6. (FGV/2022/TRT13)
Mário estava em uma festa e ficou completamente embriagado após ingerir um refrigerante sem
saber que o barman tinha incluído uma substância entorpecente em sua bebida. Nessa situação,
Mário subtraiu o celular de Alice e foi embora do local. Posteriormente, foi constatado, na
perícia, que Mário estava completamente embriagado e sem capacidade de determinar o caráter
ilícito do fato.
Nesse caso, é correto afirmar que Mário
A) não responderá por crime, tendo em vista que houve exclusão da ilicitude, em razão do
exercício regular de direito.
B) não responderá por crime, tendo em vista que houve exclusão da culpabilidade, em razão do
exercício regular de direito.
C) não responderá por crime, tendo em vista que, em razão da imputabilidade do agente, existe
uma excludente de culpabilidade.
D) não responderá por crime, tendo em vista que, em razão da inimputabilidade, houve exclusão
da culpabilidade.
E) praticou o crime de furto, previsto no art. 155, caput do CP.
7. (FGV/2022/SEAD-AP)
Alice, 16 anos, foi sequestrada por Túlio, três dias antes de Túlio completar 18 anos. Após passar
9 dias em cativeiro, as investigações para encontrar Alice foram bem sucedidas e Alice foi então
libertada.
Nessa situação hipotética, podemos afirmar que Túlio
A) deve responder por ato infracional análogo ao crime de sequestro e cárcere privado.
B) será considerado inimputável e não será penalmente responsabilizado.
C) será considerado inimputável e será penalmente responsabilizado.
D) será considerado imputável para todos os fins penais, porque trata-se de crime continuado,
em que a consumação se prolonga no tempo.
E) será considerado imputável para todos os fins penais, porque trata-se de crime permanente,
em que a consumação se prolonga no tempo.
8. (FGV/2022/SENADO)
Durante assalto a uma joalheria, dois homens armados obrigaram a gerente, mediante grave
ameaça, a abrir o cofre e a acondicionar as joias que estavam guardadas ali em uma mochila, que
eles levaram consigo na fuga.
Com base no caso descrito e no conceito tripartite de crime, assinale a afirmativa correta.
3
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 97
[Link] 136
Esteban, jovem graduando em Direito, viaja com a associação atlética de sua universidade para
festividades em cidade do interior do Estado. Em meio às confraternizações, substância
entorpecente é oferecida a Esteban por seus colegas. A fim de superar sua timidez, o agente
aceita consumir as referidas drogas, atingindo embriaguez completa. Ao recobrar os sentidos,
Esteban tinha em sua posse um relógio que furtou naquela noite, tendo os colegas lhe contado
que havia também agredido alunos da universidade rival, invadido domicílio e praticado crime de
dano aos pertences dos citados alunos.
Acerca da culpabilidade e da teoria da actio libera in causa, é correto afirmar que:
4
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 98
[Link] 136
A) a embriaguez por caso fortuito ou força maior não atenua nem isenta o réu de pena;
B) ao passo que a embriaguez voluntária agrava a pena do agente, a embriaguez preordenada
apenas justifica a imposição de pena criminal;
C) Esteban não poderá ser responsabilizado criminalmente, posto que ausente vontade livre e
consciente, em razão da embriaguez completa;
D) o direito penal brasileiro apenas autoriza a punição do agente quando a embriaguez é
preordenada, assim entendida a conduta do agente que se utiliza da substância para praticar o
crime;
E) tratando-se de embriaguez voluntária, culposa ou preordenada, o agente poderá ser
responsabilizado pelas ações praticadas no contexto de embriaguez, fixando-se como parâmetro
para aferição da culpabilidade o momento de consumo da substância.
12. (FGV/2021/TJSC/NOTÁRIO) ==a80b1==
Flávia, pessoa humilde, presta serviços de faxineira em serventia extrajudicial localizada na cidade
de Florianópolis. Em determinada data, Flávia foi abordada na saída de sua residência por
pessoas ligadas ao tráfico dominante na localidade, que determinaram que ela transportasse e
guardasse arma de fogo em seu trabalho, pois terceiro iria no dia seguinte ao local para buscar o
material bélico. Os traficantes afirmaram que se Flávia não atendesse àquela determinação, seria
expulsa de sua casa, não tendo mais onde morar, bem como que sua mãe também sofreria as
consequências. Em razão disso, Flávia transportou um revólver, de calibre de uso permitido, mas
com numeração de série suprimida, para o trabalho, escondendo o material em uma lixeira.
Após receber denúncia, a autoridade policial determinou a realização de diligência no local.
Com autorização dos responsáveis, os policiais civis apreenderam a arma guardada por Flávia,
que esclareceu o ocorrido.
Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que Flávia agiu:
A) sob coação moral resistível, devendo ser reconhecida a prática do crime de porte de arma de
fogo de uso permitido, com causa de diminuição de pena;
B) sob coação física irresistível, afastando-se a culpabilidade de sua conduta;
C) sob coação moral irresistível, afastando-se a culpabilidade de sua conduta;
D) sob coação moral irresistível, afastando-se a ilicitude de sua conduta;
E) em legítima defesa, afastando-se a ilicitude de sua conduta.
13. (FGV / 2020 / MPE-RJ)
Ramon foi denunciado pela prática de um crime de estupro simples, sendo constatado ao longo
da instrução, por meio de exame de insanidade mental, que, na data dos fatos, ele era
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato em razão de desenvolvimento mental
incompleto.
Confirmada a autoria e a materialidade, no momento das alegações finais, caberá ao promotor
de justiça buscar:
5
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 99
[Link] 136
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PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 100
[Link] 136
(D) semi-imputabilidade do agente, que poderá funcionar como causa de redução de pena;
(E) semi-imputabilidade do agente, afastando-se a tipicidade.
16. (FGV – 2015 – TCM-SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO – CIÊNCIAS JURÍDICAS) Dois
prefeitos de cidades vizinhas, Ricardo e Bruno, encontram-se em um bar, após uma reunião
cansativa de negócios. Ricardo bebia doses de whisky e, mesmo não sendo essa sua
intenção, acabou ficando embriagado. Enquanto isso, Bruno bebia apenas refrigerante, mas
foi colocado em seu copo um comprimido de substância psicotrópica por um eleitor de sua
cidade, que também o deixou completamente embriagado. Após, ainda alterados, cada um
volta para a sede de sua prefeitura e apropriam-se de bens públicos para proveito próprio.
Considerando o fato narrado, é correto afirmar que:
(A) Ricardo e Bruno são isentos de pena, pois a embriaguez de ambos decorreu de força maior;
(B) Ricardo deverá responder pelo crime praticado, enquanto Bruno é isento de pena;
(C) Ricardo e Bruno deverão responder pelos crimes praticados, pois a embriaguez nunca exclui
a imputabilidade penal;
(D) Ricardo e Bruno, caso sejam denunciados, responderão criminalmente perante a Câmara de
Vereadores;
(E) Ricardo e Bruno são isentos de pena, pois a embriaguez do primeiro foi culposa e do
segundo decorreu de força maior.
17. (FGV – 2015 – TCE-RJ – AUDITOR) A embriaguez provocada pelo uso do álcool pode excluir
a culpabilidade quando:
a) for preordenada;
b) decorrer de força maior e diminuir a capacidade de entender a ilicitude do fato;
c) for culposa;
d) for patológica;
e) for habitual.
18. (FGV – 2015 – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA-AL – PROCURADOR) A doutrina majoritária
brasileira entende que haverá crime diante de uma conduta típica, ilícita e culpável.
Sobre a culpabilidade, assinale a afirmativa correta.
a) O erro de tipo é causa de exclusão da culpabilidade em seu elemento potencial da ilicitude.
b) A conduta em coação física irresistível, apesar de típica e ilícita, não enseja punição do agente
por ausência de culpabilidade.
c) O estrito cumprimento do dever legal é tratado pelo Código Penal como causa excludente de
culpabilidade.
d) A embriaguez culposa completa não exclui a imputabilidade penal.
e) O exercício regular do direito é causa legal de exclusão da culpabilidade.
19. (FGV – 2015 – OAB – XVI EXAME DE ORDEM) Patrício e Luiz estavam em um bar, quando o
primeiro, mediante ameaça de arma de fogo, obriga o último a beber dois copos de tequila.
Luiz ficou inteiramente embriagado. A dupla, então, deixou o local, sendo que Patrício
conduzia Luiz, que caminhava com muitas dificuldades. Ao encontrarem Juliana, que
7
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 101
[Link] 136
caminhava sozinha pela calçada, Patrício e Luiz, se utilizando da arma que era portada pelo
primeiro, constrangeram-na a com eles praticar sexo oral, sendo flagrados por populares que
passavam ocasionalmente pelo local, ocorrendo a prisão em flagrante. Denunciados pelo
crime de estupro, no curso da instrução, mediante perícia, restou constatado que Patrício era
possuidor de doença mental grave e que, quando da prática do fato, era inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do seu comportamento, situação, aliás, que permaneceu
até o momento do julgamento. Também ficou demonstrado que, no momento do crime, Luiz
estava completamente embriagado. O Ministério Público requereu a condenação dos
acusados. Não havendo dúvida com relação ao injusto, tecnicamente, a defesa técnica dos
acusados deverá requerer, nas alegações finais,
A) a absolvição dos acusados por força da inimputabilidade, aplicando, porém, medida de
segurança para ambos.
B) a absolvição de Luiz por ausência de culpabilidade em razão da embriaguez culposa e a
absolvição Patrício, com aplicação, para este, de medida de segurança.
C) a absolvição de Luiz por ausência de culpabilidade em razão da embriaguez completa
decorrente de força maior e a absolvição imprópria de Patrício, com aplicação, para este, de
medida de segurança.
D) a absolvição imprópria de Patrício, com a aplicação de medida de segurança, e a condenação
de Luiz na pena mínima, porque a embriaguez nunca exclui a culpabilidade.
20. (FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DE ORDEM) Durante um assalto a uma instituição
bancária, Antônio e Francisco, gerentes do estabelecimento, são feitos reféns. Tendo ciência
da condição deles de gerentes e da necessidade de que suas digitais fossem inseridas em
determinado sistema para abertura do cofre, os criminosos colocam, à força, o dedo de
Antônio no local necessário, abrindo, com isso, o cofre e subtraindo determinada quantia em
dinheiro. Além disso, sob a ameaça de morte da esposa de Francisco, exigem que este saia
do banco, levando a sacola de dinheiro juntamente com eles, enquanto apontam uma arma
de fogo para os policiais que tentavam efetuar a prisão dos agentes.
Analisando as condutas de Antônio e Francisco, com base no conceito tripartido de crime, é
correto afirmar que
A) Antônio não responderá pelo crime por ausência de tipicidade, enquanto Francisco não
responderá por ausência de ilicitude em sua conduta.
B) Antônio não responderá pelo crime por ausência de ilicitude, enquanto Francisco não
responderá por ausência de culpabilidade em sua conduta.
C) Antônio não responderá pelo crime por ausência de tipicidade, enquanto Francisco não
responderá por ausência de culpabilidade em sua conduta.
D) Ambos não responderão pelo crime por ausência de culpabilidade em suas condutas.
21. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME DE ORDEM) Para aferição da inimputabilidade por doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, assinale a alternativa que
indica o critério adotado pelo Código Penal vigente.
a) Biológico.
b) Psicológico.
c) Psiquiátrico.
8
PC-PI (Agente de Polícia) Direito Penal 102
[Link] 136
d) Biopsicológico.
22. (FGV – 2012 – OAB – VIII EXAME DE ORDEM) Analise as hipóteses abaixo relacionadas e
assinale a alternativa que apresenta somente causas excludentes de culpabilidade.
a) Erro de proibição; embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior; coação
moral irresistível.
b) Embriaguez culposa; erro de tipo permissivo; inimputabilidade por doença mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado.
c) Inimputabilidade por menoridade; estrito cumprimento do dever legal; embriaguez
incompleta.
d) Embriaguez incompleta proveniente de caso fortuito ou força maior; erro de proibição;
obediência hierárquica.
23. (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB) Acerca das causas excludentes de ilicitude e
extintivas de punibilidade, assinale a afirmativa incorreta.
A) A coação moral irresistível exclui a culpabilidade, enquanto que a coação física irresistível
exclui a própria conduta, de modo que, nesta segunda hipótese, sequer chegamos a analisar a
tipicidade, pois não há conduta penalmente relevante.
B) Em um bar, Caio, por notar que Tício olhava maliciosamente para sua namorada, desfere
contra este um soco no rosto. Aturdido, Tício vai ao chão, levantando-se em seguida, e vai atrás
de Caio e o interpela quando este já estava saindo do bar. Ao voltar-se para trás, atendendo ao
chamado, Caio é surpreendido com um soco no ventre. Tício praticou conduta típica, mas
amparada por uma causa excludente de ilicitude.
C) Mévio, atendendo a ordem dada por seu líder religioso e, com o intuito de converter Rufus,
permanece na residência deste à sua revelia, ou seja, sem o seu consentimento. Neste caso,
Mévio, mesmo cumprindo ordem de seu superior e mesmo sendo tal ordem não manifestamente
ilegal, pratica crime de violação de domicílio (Art. 150 do Código Penal), não estando amparado
pela obediência hierárquica.
D) O consentimento do ofendido não foi previsto pelo nosso ordenamento jurídico-penal como
uma causa de exclusão da ilicitude. Todavia, sua natureza justificante é pacificamente aceita,
desde que, entre outros requisitos, o ofendido seja capaz de consentir e que tal consentimento
recaia sobre bem disponível.
24. (FCC – 2017 – TRF5 – OFICIAL DE JUSTIÇA) A coação moral irresistível
a) torna o fato atípico.
b) é causa excludente de ilicitude.
c) é circunstância que sempre atenua a pena.
d) tem o mesmo tratamento legal da coação física irresistível.
e) é causa de isenção da pena.
25. (FCC – 2015 – TRE-RR – ANALISTA JUDICIÁRIO) Paulo é estudante de uma determinada
faculdade do Estado de Roraima, cursando o primeiro semestre. No início deste ano de 2015
Paulo é submetido a um trote acadêmico violento e, amarrado, é obrigado a consumir à
força bebida alcoólica e substância entorpecente. Após o trote, Paulo, completamente
embriagado e incapacitado de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
9
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acordo com esse entendimento por conta desta embriaguez e do uso de droga, desloca-se
até uma Delegacia de Polícia da cidade de Boa Vista, onde tramita um inquérito contra ele
por crime de lesão corporal dolosa decorrente de uma briga em uma casa noturna, e oferece
R$ 10.000,00 em dinheiro ao Delegado de Polícia para que este não dê prosseguimento às
investigações. Paulo acaba preso em flagrante pela Autoridade Policial. No caso hipotético
exposto, Paulo
a) praticou crime de corrupção ativa e terá a pena reduzida de um a dois terços no caso de
condenação.
b) é isento de pena pelo crime cometido nas dependências da Delegacia de Polícia.
c) praticou crime de corrupção ativa e não terá a pena reduzida no caso de condenação pela
embriaguez.
d) praticou crime de concussão e não terá a pena reduzida no caso de condenação.
e) praticou crime de concussão e terá a pena reduzida de um a dois terços no caso de
condenação.
26. (FCC – 2015 – TRT9 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) São causas de inimputabilidade previstas no
Código Penal, além de doença mental e desenvolvimento mental incompleto ou retardado:
a) emoção e paixão; embriaguez completa, decorrente de caso fortuito ou força maior; idade
inferior a 18 anos.
b) idade inferior a 16 anos; embriaguez voluntária; coação irresistível.
c) idade inferior a 18 anos; embriaguez completa, decorrente de caso fortuito ou força maior.
d) idade inferior a 21 anos; embriaguez completa, decorrente de caso fortuito ou força maior;
legítima defesa.
e) emoção e paixão; idade inferior a 18 anos; embriaguez preordenada.
27. (FCC – 2015 – TRE-AP – ANALISTA JUDICIÁRIO) Maria é aprovada no vestibular para uma
determinada Universidade Federal. No dia da matrícula, Maria, caloura, é recebida pelos
alunos veteranos da universidade e submetida a um trote acadêmico violento. Além de
outras coisas que foi obrigada a fazer, Maria foi amarrada em uma cadeira de bar e obrigada
a ingerir bebida alcoólica até ficar completamente embriagada e sem qualquer possibilidade
de entender o caráter ilícito de um fato ou de determinar-se de acordo com este
entendimento. Maria é liberada do trote e sai do bar, dirigindo-se até o seu veículo que
estava estacionado em via pública, sem conseguir movimentá-lo. Abordada por policiais,
desacatou-os. Neste caso, no que concerne ao crime de desacato,
(A) terá a pena reduzida de um a dois terços.
(B) estará isenta de pena.
(C) terá a pena reduzida de metade.
(D) terá a pena reduzida em 1/6.
(E) terá a pena aumentada de 1/3.
28. (FCC – 2014 – TRF4 – OFICIAL DE JUSTIÇA) No direito brasileiro legislado, desde que
subtraia por completo o entendimento da ilicitude ou a determinação por ela, a embriaguez
terá, genericamente, o condão de excluir total ou parcialmente a imputabilidade penal
quando for
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a) não suprime a imputabilidade penal, mas diminui a capacidade de entendimento gerando uma
causa geral de diminuição de pena.
b) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, não operando qualquer efeito na aplicação
da pena.
c) é hipótese de elisão da imputabilidade penal porque afeta a capacidade de compreensão,
tornando o agente isento de pena.
d) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, servindo como circunstância agravante.
e) embora não suprima a imputabilidade penal, é censurável, e serve como circunstância
agravante.
33. (FCC – 2011 – TCE-SP – PROCURADOR) Constitui causa de exclusão da culpabilidade
A) a embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, em virtude da
impossibilidade de o agente conhecer a ilicitude do fato.
B) o erro sobre a ilicitude do fato, em decorrência da não imputabilidade do agente.
C) a doença mental ou o desenvolvimento mental incompleto ou retardado, em função de não se
poder exigir conduta diversa do agente.
D) a menoridade, em virtude da impossibilidade de o agente conhecer a ilicitude do fato.
E) a coação moral irresistível, em função de não se poder exigir conduta diversa do agente.
34. (FCC – 2008 – TCE/AL – PROCURADOR) A coação moral irresistível e a obediência
hierárquica são causas de exclusão da
A) culpabilidade.
B) antijuridicidade.
C) ilicitude.
D) tipicidade.
E) punibilidade.
35. (FCC – 2010 – MPE-SE – ANALISTA – DIREITO) Desenvolvimento mental incompleto ou
retardado, embriaguez decorrente de caso fortuito e menoridade constituem, dentre outras,
excludentes de
A) tipicidade
B) ilicitude
C) punibilidade
D) antijuridicidade
E) culpabilidade
36. (FCC – 2011 – TER/AP – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Exclui a
imputabilidade penal, nos termos preconizados pelo Código Penal,
A) a embriaguez voluntária pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
B) a emoção e a paixão.
C) a embriaguez culposa pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
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c) III e V.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
41. (FCC - 2013 - TJ-PE - Juiz) A coação moral irresistível e a obediência hierárquica excluem a
a) tipicidade e a culpabilidade, respectivamente.
b) tipicidade.
c) culpabilidade.
d) culpabilidade e a tipicidade, respectivamente.
e) punibilidade e a ilicitude, respectivamente.
42. (vunesp – 2019 – iss-guarulhos – auditor)
Assinale a alternativa correta, no que tange ao tratamento que o CP dá à imputabilidade penal
(arts. 26 a 28).
A) Aplicar-se-á exclusivamente medida de segurança se, em virtude de perturbação de saúde
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado o agente não era inteiramente
capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
B) É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
C) Os menores de 21 (vinte e um) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas
estabelecidas na legislação especial.
D) A emoção ou a paixão excluem a imputabilidade penal para os delitos que exigem especial
fim de agir.
E) A embriaguez culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos, exclui a imputabilidade
penal.
43. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) A respeito da imputabilidade penal, é correto afirmar
que tal instituto
(A) figura como um dos elementos da culpabilidade.
(B) cuida da capacidade física do agente de praticar o ilícito.
(C) figura como um dos requisitos da punibilidade.
(D) não exclui da aplicação da lei penal fato praticado durante a embriaguez involuntária
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior.
(E) não exclui a menoridade (criança e adolescente) da aplicação da lei penal.
44. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) De acordo com o Estatuto Penal brasileiro, são
elementos da culpabilidade a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e a
exigibilidade de conduta diversa. Sobre a imputabilidade, assinale a alternativa correta.
(A) O conceito de imputabilidade penal compreende a capacidade mental do indivíduo,
considerando-se apenas a sua idade ao tempo do crime.
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b) Tício é inimputável, sendo isento de pena, pois praticou o crime em estado de completa
embriaguez, decorrente de caso fortuito.
c) Tício é imputável, pois a embriaguez completa decorreu de culpa. Entretanto, faz jus à redução
da pena.
d) Tício é imputável, sendo punido de forma agravada, em vista da embriaguez pré-ordenada.
e) Tício, por ser maior de 18 anos, é imputável, sendo irrelevante a circunstância de ter praticado
o crime em estado de completa embriaguez.
48. (VUNESP – 2015 – MPE/SP – ANALISTA DE PROMOTORIA) Assinale a alternativa correta a
respeito da imputabilidade penal.
(A) Comprovada a doença mental ou o desenvolvimento mental incompleto ou retardado, o
agente será considerado inimputável para os efeitos legais.
(B) Aos inimputáveis e aos semi-imputáveis, comprovada essa condição por perícia médica, será
substituída a pena por medida de segurança consistente em internação em hospital de
custódia e tratamento psiquiátrico.
(C) A imputabilidade é um dos elementos da culpabilidade, ao lado da potencial consciência
sobre a ilicitude do fato e a exigibilidade de conduta diversa.
(D) A imputabilidade, de acordo com o Código Penal, pode se dar por doença mental,
imaturidade natural ou embriaguez do agente.
(E) A emoção e a paixão, além de não afastarem a imputabilidade penal do agente, podem ser
consideradas como circunstâncias agravantes no momento da fixação da pena.
49. (VUNESP – 2015 – PC/CE – ESCRIVÃO) No tocante às disposições do Código Penal relativas
à culpabilidade e imputabilidade, é correto afirmar que
(A) a pena pode ser reduzida de um a dois terços se o agente, por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
(B) a embriaguez culposa pelo álcool ou substância de efeitos análogos exclui a imputabilidade
penal.
(C) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem,
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
(D) a pena pode ser reduzida de um a dois terços se o agente, em virtude de perturbação de
saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era inteiramente
capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
(E) a embriaguez voluntária pelo álcool ou substância de efeitos análogos exclui a imputabilidade
penal.
50. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) No tocante às disposições previstas no Código Penal
relativas à culpabilidade, é correto afirmar que
(A) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
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(B) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, é punível o autor da coação ou da ordem tendo o
autor do fato a pena diminuída de um a dois terços.
(C) o fato cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, não excluiu a culpabilidade do autor do fato.
(D) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, mesmo que
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
(E) se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, mesmo que
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, é punível o autor da coação ou da ordem tendo o
autor do fato a pena diminuída de um a dois terços.
51. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) Nos termos do Código Penal, a imputabilidade penal
é excluída pela
(A) emoção.
(B) doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, que torna o autor, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
(C) embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, que privou o autor, ao tempo da
ação ou da omissão, da plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
(D) embriaguez completa e culposa que torna o autor, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
(E) paixão.
52. (VUNESP – 2014 – PC-SP – DELEGADO DE POLÍCIA) A tese supralegal de inexigibilidade de
conduta diversa, se acolhida judicialmente, importa em exclusão
a) da imputabilidade.
b) da pena.
c) de punibilidade.
d) do crime.
e) de culpabilidade.
53. (VUNESP – 2015 – PC-CE – DELEGADO DE POLÍCIA) Considere que determinado sujeito,
portador de desenvolvimento mental incompleto, ao tempo da ação tinha plena capacidade
de entender o caráter ilícito do fato, mas era inteiramente incapaz de determinar-se de
acordo com esse entendimento – o que fora clinicamente atestado nos autos em perícia
oficial. Em consonância com o texto legal do art. 26 do CP, ao proferir sentença deve o juiz
reconhecer sua
a) inimputabilidade.
b) imputabilidade.
c) semi-imputabilidade, absolvendo-lhe e aplicando-lhe medida de segurança.
d) semi-imputabilidade, condenando-lhe e aplicando-lhe pena diminuída.
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GABARITO
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Alan é bombeiro civil e, atendendo a uma ocorrência, foi retirar um suposto animal selvagem de
um condomínio residencial. Lá chegando, deparou-se com um aparente filhote de onça, o qual
foi recolhido por Alan, que deveria levar o animal ao Centro de Triagem, distante do local onde
encontrado (e que seria o procedimento adequado). Porém, Alan teve a iniciativa de deixar o
felino em uma área de mata próxima ao condomínio, onde imaginava ser o habitat natural do
animal, e, assim, poupar seu tempo.
Carmen, residente no referido condomínio, ao chegar em casa, percebeu que seu gato Bengal
(raça caracterizada por ser muito similar a uma onça) está desaparecido. Ao saber do ocorrido,
percebeu que seu gato foi confundido com um filhote de onça e, por isso, foi levado por Alan e
deixado na área de mata. Assim, Carmen procurou a Delegacia de Polícia e relatou o ocorrido.
Neste caso, como advogado de Alan, é correto afirmar, sobre a conduta de seu assistido, que
houve erro
a) de tipo permissivo, uma vez que Alan pensava agir sob estrito cumprimento de dever legal, e
por isso, sua conduta é lícita, abarcada por excludente de ilicitude.
b) de tipo inescusável, pois Alan efetivamente se confundiu sobre a espécie do animal, mas
deixou de adotar as cautelas devidas, excluindo-se apenas o dolo.
c) de tipo escusável, pois Alan efetivamente não conhecia a espécie do animal apreendido, tendo
adotado todas as cautelas que lhe eram exigidas na situação, de forma a excluir o dolo e a culpa.
d) de proibição, tendo em vista que Alan não conhecia a espécie de animal doméstico,
afastando-se a culpabilidade da sua conduta.
João, pessoa humilde e analfabeta, com 70 anos de idade, residente em zona rural, acabou por
danificar, no exercício de suas atividades diuturnas pessoais, floresta considerada de preservação
permanente. Ao ser ouvido, em juízo, o réu narrou que não sabia que a sua conduta era
penalmente ilícita, considerando que sempre morou no campo e que o seu sustento sempre
esteve ligado à fauna e à flora locais.
Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que NÃO há
crime, em razão do:
João, sabendo que o seu desafeto, José, passa por determinada rua todos os dias por volta das
19h, ao retornar do trabalho, resolve aguardá-lo em uma esquina, para matá-lo. No horário
mencionado, João vê José e efetua cinco disparos de arma de fogo na direção do desafeto. No
entanto, José não é atingido, mas sim Frederico, que surgiu ali repentinamente, e veio a óbito no
local. Acerca dessa situação, podemos afirmar que João responderá por homicídio
b) doloso tentado, uma vez que os disparos não atingiram a vítima pretendida.
d) culposo tentado, uma vez que não ocorreu o resultado por ele planejado.
Eriberto, casado com Filomena, por estar tendo um relacionamento extraconjugal, e desejoso de
viver com a amante, decide matar Filomena. Sabedor de que ela tem o hábito de tomar um copo
de leite de manhã cedo, Eriberto, tarde da noite, adiciona poderoso veneno em sua bebida. Na
manhã seguinte, quando vai se servir do leite envenenado, Filomena o oferece ao filho único do
casal, Júnior, de 7 anos de idade, que, assim como a mãe, bebe o produto. Quando Eriberto
chega na cozinha e encontra a mulher e o filho desfalecidos, aciona o serviço médico de urgência
(SAMU), que logo chega ao local, levando Filomena e Júnior ao hospital. O atendimento médico
evita a morte de Filomena, mas a criança acaba morrendo, em decorrência da intoxicação.
a) responderá, em concurso material, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior, bem
como por tentativa de feminicídio da vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de
veneno;
c) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio doloso em relação à morte de Júnior,
com a qualificadora do emprego de veneno e o aumento de pena decorrente de haver praticado
o delito contra pessoa menor de 14 anos de idade, bem como por tentativa de feminicídio da
vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de veneno;
e) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior,
podendo vir a ser beneficiado com o perdão judicial, bem como por lesão corporal qualificada no
tocante à vítima Filomena, reconhecendo-se o arrependimento eficaz.
Caio e Tício são sócios em uma sociedade empresária. Caio decide matar Tício e, sabedor que
Tício é a primeira pessoa a chegar ao local de trabalho comum pela manhã, planeja uma
emboscada. Caio aguarda Tício e, assim que vislumbra um vulto, que pensa ser o sócio
adentrando a empresa, dispara um projétil de arma de fogo. Posteriormente, verifica-se que o
vulto se tratava de um sequestrador que abordara Tício na porta da empresa e que, no momento
do disparo, mantinha Tício refém, sob arma de fogo. O sequestrador morre em razão do disparo.
Nessas circunstâncias, é correto afirmar que:
a) socorre Caio o exercício regular de direito, pois, mesmo sem ter ciência da ofensa à
integridade de Tício, agiu contra pessoa que invadia os limites de sua empresa, respondendo
apenas por conduta culposa.
c) Caio responderá pela morte do sequestrador, como se contra Tício houvesse atentado.
d) ainda que Caio não tivesse ciência da ação do sequestrador, aplicar-se-á em seu favor a
excludente de ilicitude da legítima defesa de terceiro.
e) a situação equipara Caio ao agente de segurança pública que repele agressão ou risco de
agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.
Perseu, funcionário da loja Olimpo, tem sua atenção chamada para um telefone celular de última
geração, exibido por Medusa, outra funcionária do estabelecimento. Ciente de que o salário que
ambos recebem não permitiria a aquisição do referido aparelho, Perseu passa a questionar a
origem do bem, sendo informado que Medusa o havia recebido de presente de Teseu, seu
namorado. Perseu, então, monta um plano para furtar o celular, aproveitando o término
antecipado do seu expediente para levar a bolsa de Medusa. Chegando em casa, constata que
no interior da bolsa havia uma carteira com cartões e sem dinheiro, maquiagem, guarda-chuva,
óculos de sol, óculos de grau, fones de ouvido e o carregador do celular, vindo a descobrir, por
terceiros, que o telefone estava em poder de Medusa, permanecendo o tempo todo no bolso
traseiro da sua calça.
Durante operação policial, Alberto, ao incursionar por uma viela, se depara com Sérgio portando
um guarda-chuva. Devido à tensão do momento, Alberto pensa que o objeto nas mãos de Sérgio
é uma arma de fogo e, em razão disso, efetua disparo com sua arma, o que leva Sergio a óbito.
Nesse caso, é correto afirmar que a hipótese é de erro de tipo
D) essencial, na modalidade erro de tipo permissivo ou delito putativo por erro de tipo.
Em determinado set de filmagens, Hades, produtor técnico, entrega arma de fogo verdadeira,
devidamente municiada, para o ator Ares, fazendo-o acreditar que se trata de arma cenográfica,
sem potencial de efetuar disparos. Já tendo lido o script e presenciado os ensaios, Hades sabia
previamente que, nas cenas que seriam filmadas, Ares deveria apontar a arma para Atena e, após
breve diálogo, efetuar o disparo para a cena fatal. Querendo a morte de Atena, em razão de
desavenças pretéritas, Hades faz a substituição da arma, fornecendo-a diretamente a Ares,
irrogando o famoso “quebre a perna”. Ares efetua o disparo e ceifa a vida de Atena.
(A) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como autor e o segundo como
partícipe;
(B) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como partícipe e o segundo
como autor;
(D) Ares responderá por homicídio culposo e Hades por homicídio doloso;
(E) Ares não responderá por crime e Hades responderá por homicídio doloso.
9. (FGV/2021/TJSC/NOTÁRIO)
A) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas com causa de diminuição de pena,
pois agiu em erro de proibição evitável;
B) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas apenas na modalidade culposa, pois
agiu em erro de tipo acidental;
C) não poderá ser punido pelo crime imputado, pois estará isento de pena em razão de erro de
proibição inevitável;
D) não praticou o crime imputado, pois atuou em erro de tipo provocado por terceiro;
10. (FGV/2021/TJRO)
Ao lado das hipóteses de erros essenciais figuram os chamados erros acidentais, que, ao
contrário daqueles, incidem sobre elementos não essenciais à configuração do crime, não
afetando a decisão a respeito da imputação. Uma hipótese de erro acidental é:
A) erro de tipo;
C) erro de proibição;
D) descriminantes putativas;
E) erro mandamental.
11. (FGV/2018/MPE-AL)
Durante uma festa rave, Bernardo, 19 anos, conhece Maria, e, na mesma noite, eles vão para um
hotel e mantém relações sexuais. No dia seguinte, Bernardo é surpreendido pela chegada de
policiais militares no hotel, que realizam sua prisão em flagrante, informando que Maria tinha
apenas 13 anos. Bernardo, então, é encaminhado para a Delegacia, apesar de esclarecer que
acreditava que Maria era maior de idade, devido a seu porte físico e pelo fato de que era
proibida a entrada de menores de 18 anos na festa rave. Diante da situação narrada, Bernardo
agiu em
B) erro de tipo, afastando o dolo, mas permitindo a punição pelo crime de estupro de vulnerável
culposo.
12. (FGV/2020/MPE-RJ)
Thiago, pessoa financeiramente humilde, alugou uma bicicleta avaliada em R$ 2.000,00 pelo
período de 2 (duas) horas para ir até uma entrevista de emprego. Após a entrevista, chateado por
não ter conseguido a vaga pretendida, acabou por pegar a bicicleta de outra pessoa que estava
estacionada no mesmo local, acreditando ser a que alugara. Apesar de o modelo e o valor da
bicicleta serem idênticos ao da que havia alugado, as cores eram diferentes. Cinco minutos
depois, Thiago veio a ser abordado por policiais militares que souberam dos fatos, sendo
indiciado, em sede policial, pela prática do crime de furto simples doloso.
A) típica, mas deverá ser reconhecida causa de diminuição de pena em razão do erro de
proibição, que não era inevitável;
B) típica, mas deverá ser imputado o crime contra o patrimônio de natureza culposa, já que o erro
de tipo era evitável;
13. (FGV/2021/FUNSAÚDE)
Por pensar tratar-se de uma arma de fogo e não de um guarda-chuva, Jonathan atira e vem a
matar a vítima, Caio, que saía de casa em direção ao trabalho.
Acerca do erro praticado por Jonathan, assinale a opção que indica a tese de direito material que
poderia ser usada em sua defesa.
A) Erro de proibição, que, se for entendido como inevitável, isenta de pena e se for evitável
poderá reduzi-la de um sexto a um terço, nos termos do Art. 21 do CP.
B) Erro de tipo incriminador, na medida em que errou sobre um elemento constitutivo do crime, o
que poderia, nos termos do Art. 20, caput, do CP, afastar o dolo e permitir a punição por crime
culposo, que existe no caso do homicídio.
C) Erro na execução, na medida em que pensou que Caio estivesse portando uma arma de fogo,
o que faz com que ele seja isento de pena, nos termos do Art. 73 do CP.
D) Erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na medida em que acreditava estar
diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação legítima. Se o erro for tido como
justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como evitável, responderá pelo crime na
modalidade culposa, legalmente prevista no caso do homicídio.
E) Erro sobre o objeto, modalidade de erro acidental na qual o agente confunde um objeto com
outro, o que poderá isentar o réu de pena.
Regina dá à luz seu primeiro filho, Davi. Logo após realizado o parto, ela, sob influência do
estado puerperal, comparece ao berçário da maternidade, no intuito de matar Davi. No entanto,
pensando tratar-se de seu filho, ela, com uma corda, asfixia Bruno, filho recém-nascido do casal
Marta e Rogério, causando-lhe a morte. Descobertos os fatos, Regina é denunciada pelo crime
de homicídio qualificado pela asfixia com causa de aumento de pena pela idade da vítima.
Diante dos fatos acima narrados, o(a) advogado(a) de Regina, em alegações finais da primeira
fase do procedimento do Tribunal do Júri, deverá requerer
B) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, não podendo ser
reconhecida a agravante pelo fato de quem se pretendia atingir ser descendente da agente.
D) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, podendo ser
reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as
características de quem se pretendia atingir.
Ao final das comemorações da noite de Natal com sua família, Paulo, quando deixava o local,
acabou por levar consigo o presente do seu primo Caio, acreditando ser o seu, tendo em vista
que as caixas dos presentes eram idênticas. Após perceber o sumiço do seu presente e
acreditando ter sido vítima de crime patrimonial, Caio compareceu à Delegacia para registrar o
ocorrido, ocasião em que foram ouvidas testemunhas presenciais, que afirmaram ter visto Paulo
==a80b1==
sair com aquele objeto. Paulo, ao tomar conhecimento da investigação, compareceu em sede
policial e indicou onde o objeto estava, sendo o bem apreendido no dia seguinte em sua
residência. Preocupado com sua situação jurídica, Paulo procurou a Defensoria Pública.
B) foi praticado crime de furto, mas deverá ser reconhecida a causa de diminuição de pena do
arrependimento posterior;
C) houve erro sobre a pessoa, devendo ser consideradas as características daquele que se
pretendia atingir;
D) ocorreu erro de tipo, o que faz com que, no caso concreto, sua conduta seja considerada
atípica;
E) houve erro na execução (aberratio ictus), logo a conduta deverá ser considerada atípica.
16. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) Pedro, jovem rebelde, sai à procura de
Henrique, 24 anos, seu inimigo, com a intenção de matá-lo, vindo a encontrá-lo conversando
com uma senhora de 68 anos de idade. Pedro saca sua arma, regularizada e cujo porte era
autorizado, e dispara em direção ao rival. Ao mesmo tempo, a senhora dava um abraço de
despedida em Henrique e acaba sendo atingida pelo disparo. Henrique, que não sofreu
qualquer lesão, tenta salvar a senhora, mas ela falece.
Diante da situação narrada, em consulta técnica solicitada pela família, deverá ser esclarecido
pelo advogado que a conduta de Pedro, de acordo com o Código Penal, configura
A) crime de homicídio doloso consumado, apenas, com causa de aumento em razão da idade da
vítima.
B) crime de homicídio doloso consumado, apenas, sem causa de aumento em razão da idade da
vítima.
D) crime de homicídio culposo consumado, sem causa de aumento pela idade da vítima.
17. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Tony, a pedido de um colega, está
transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem ter conhecimento que
estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu interior. Por outro lado, José
transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. (maconha), pois acreditava que poderia ter
pequena quantidade do material em sua posse para fins medicinais.
Ambos foram abordados por policiais e, diante da apreensão das drogas, denunciados pela
prática do crime de tráfico de entorpecentes.
18. (FGV - 2016 - OAB - XX EXAME DE ORDEM) Wellington pretendia matar Ronaldo, camisa
10 e melhor jogador de futebol do time Bola Cheia, seu adversário no campeonato do bairro.
No dia de um jogo do Bola Cheia, Wellington vê, de costas, um jogador com a camisa 10 do
time rival. Acreditando ser Ronaldo, efetua diversos disparos de arma de fogo, mas, na verdade,
aquele que vestia a camisa 10 era Rodrigo, adolescente que substituiria Ronaldo naquele jogo.
Em virtude dos disparos, Rodrigo faleceu. Considerando a situação narrada, assinale a opção
que indica o crime cometido por Wellington.
19. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) Pedro e Paulo bebiam em um bar da cidade
quando teve início uma discussão sobre futebol. Pedro, objetivando atingir Paulo, desfere contra
ele um disparo que atingiu o alvo desejado e também terceira pessoa que se encontrava no
local, certo que ambas as vítimas faleceram, inclusive aquela cuja morte não era querida pelo
agente.
Para resolver a questão no campo jurídico, deve ser aplicada a seguinte modalidade de erro:
B) aberratio ictus.
C) aberratio criminis.
20. (FGV – 2014 – OAB – XIV EXAME DE ORDEM) Eslow, holandês e usuário de maconha,
que nunca antes havia feito uma viagem internacional, veio ao Brasil para a Copa do Mundo.
Assistindo ao jogo Holanda x Brasil decidiu, diante da tensão, fumar um cigarro de maconha nas
arquibancadas do estádio. Imediatamente, os policiais militares de plantão o prenderam e o
conduziram à Delegacia de Polícia. Diante do Delegado de Polícia, Eslow, completamente
assustado, afirma que não sabia que no Brasil a utilização de pequena quantidade de maconha
era proibida, pois, no seu país, é um hábito assistir a jogos de futebol fumando maconha.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a principal tese defensiva.
a) Eslow está em erro de tipo essencial escusável, razão pela qual deve ser absolvido.
b) Eslow está em erro de proibição direto inevitável, razão pela qual deve ser isento de pena.
c) Eslow está em erro de tipo permissivo escusável, razão pela qual deve ser punido pelo crime
culposo.
d) Eslow está em erro de proibição, que importa em crime impossível, razão pela qual deve ser
absolvido.
a) Para a teoria normativa que surgiu com o finalismo, houve a migração do dolo e da culpa para
a tipicidade, passando a culpabilidade a ser um juízo de valor que se faz sobre a conduta típica e
ilícita.
c) No erro de proibição o erro recai sobre a ilicitude do fato, imaginando o agente ser lícito o que
é ilícito, podendo atenuar a culpabilidade, nunca, porém, a excluindo.
d) Para a teoria limitada da culpabilidade, o erro de tipo permissivo exclui o dolo; se o erro for
vencível há crime culposo se previsto em lei.
e) A coação moral irresistível pode ser exercida diretamente sobre o agente ou sobre um terceiro,
somente respondendo o autor da coação.
22. (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB) Jaime, brasileiro, passou a morar em um país
estrangeiro no ano de 1999. Assim como seu falecido pai, Jaime tinha por hábito sempre levar
consigo acessórios de arma de fogo, o que não era proibido, levando-se em conta a legislação
vigente à época, a saber, a Lei n. 9.437/97. Tal hábito foi mantido no país estrangeiro que, em
sua legislação, não vedava a conduta. Todavia, em 2012, Jaime resolve vir de férias ao Brasil.
Além de matar as saudades dos familiares, Jaime também queria apresentar o país aos seus dois
filhos, ambos nascidos no estrangeiro. Ocorre que, dois dias após sua chegada, Jaime foi preso
em flagrante por portar ilegalmente acessório de arma de fogo, conduta descrita no Art. 14 da
Lei n. 10.826/2003, verbis : “Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda
ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar”.
23. (FGV - 2010 - OAB - Exame de Ordem Unificado - 3 - Primeira Fase (Fev/2011) Joaquim,
desejoso de tirar a vida da própria mãe, acaba causando a morte de uma tia (por confundi-la
com aquela). Tendo como referência a situação acima, é correto afirmar que Joaquim incorre em
erro
A) de tipo essencial escusável – inevitável – e deverá responder pelo crime de homicídio sem a
incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (haja vista que a vítima, de
fato, não era a sua genitora).
B) de tipo acidental na modalidade error in persona e deverá responder pelo crime de homicídio
com a incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (mesmo que a
vítima não seja, de fato, a sua genitora).
C) de proibição e deverá responder pelo crime de homicídio qualificado pelo fato de ter
objetivado atingir ascendente (preserva-se o dolo, independente da identidade da vítima).
D) de tipo essencial inescusável – evitável –, mas não deverá responder pelo crime de homicídio
qualificado, uma vez que a pessoa atingida não era a sua ascendente.
24. (FGV – 2013 – OAB – XII EXAME DE ORDEM) Bráulio, rapaz de 18 anos, conhece Paula
em um show de rock, em uma casa noturna. Os dois, após conversarem um pouco, resolvem
dirigir-se a um motel e ali, de forma consentida, o jovem mantém relações sexuais com Paula.
Após, Bráulio descobre que a moça, na verdade, tinha apenas 13 anos e que somente
conseguira entrar no show mediante apresentação de carteira de identidade falsa.
C) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de tipo essencial.
D) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de proibição direto.
25. (FGV – 2010 – OAB – II EXAME DE ORDEM) Arlete, em estado puerperal, manifesta a
intenção de matar o próprio filho recém-nascido. Após receber a criança no seu quarto para
amamentá-la, a criança é levada para o berçário. Durante a noite, Arlete vai até o berçário, e,
após conferir a identificação da criança, a asfixia, causando a sua morte. Na manhã seguinte, é
constatada a morte por asfixia de um recém-nascido, que não era o filho de Arlete.
Diante do caso concreto, assinale a alternativa que indique a responsabilidade penal da mãe.
(B) Crime de homicídio, pois, uma vez que o art. 123 do CP trata de matar o próprio filho sob
influência do estado puerperal, não houve preenchimento dos elementos do tipo.
Daniel, com 18 anos de idade, conhece Rebeca, com 13 anos de idade, em uma festa e a
convida para sair. Os dois começam a namorar e, cerca de 6 meses depois, Rebeca decide perder
a virgindade com Daniel. O rapaz, mesmo sabendo da idade da jovem e da proibição legal de
praticar conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos, ainda que com seu
consentimento, mantém relação sexual com Rebeca, acreditando que o fato de namorarem seria
uma causa de justificação que tornaria a sua conduta permitida, causa essa que, na verdade, não
existe. Ocorre que os pais de Rebeca, ao descobrirem sobre o relacionamento de sua filha com
Daniel, comunicaram os fatos à polícia. Daniel é denunciado pelo delito de estupro de vulnerável
e a defesa alega que ele agiu em erro. De acordo com a teoria limitada da culpabilidade, Daniel
incorreu em erro
A) de tipo.
B) sobre a pessoa.
C) de proibição direto.
D) de proibição indireto.
E) de tipo permissivo.
a) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
c) não isenta o agente de pena, mas esta será diminuída de um sexto a um terço.
28. (FCC – 2018 – DPE-AM – DEFENSOR PÚBLICO) No Direito Penal brasileiro, o erro
a) sobre os elementos do tipo impede a punição do agente, pois exclui a tipicidade subjetiva em
todas as suas formas
b) determinado por terceiro faz com que este responda pelo crime.
30. (FCC – 2017 – POLITEC-AP – PERITO MÉDICO LEGISTA) Após uma discussão em um bar,
Pedro decide matar Roberto. Para tanto, dirige-se até sua residência onde arma-se de um
revólver. Ato contínuo, retorna ao estabelecimento e efetua um disparo em direção a Roberto.
Contudo, erra o alvo, atingindo Antônio, balconista que ali trabalhava, ferindo-o levemente no
ombro. Diante do caso hipotético, Pedro praticou, em tese, o(s) crime(s) de
c) na coação moral irresistível o coator responde por dolo e o coacto por culpa.
b) descriminante putativa.
c) erro de tipo.
33. (FCC – 2015 - TCE-CE - Procurador de Contas) A diferença entre erro sobre elementos do
tipo e erro sobre a ilicitude do fato reside na circunstância de que
34. (FCC – 2015 - TJ-PE - JUIZ SUBSTITUTO) Em matéria de erro, correto afirmar que
a) o erro sobre a ilicitude do fato exclui a culpabilidade, por não exigibilidade de conduta diversa
b) o erro sobre elemento constitutivo do tipo penal não exclui a possibilidade de punição por
crime culposo.
e) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena, considerando-se
as condições ou qualidades da vítima, e não as da pessoa contra quem o agente queria praticar o
crime.
35. (FCC – 2015 – TJ-SE – JUIZ) A, cidadão americano, vem para o Brasil em férias, trazendo
alguns cigarros de maconha. Está ciente que mesmo em seu país o consumo da substância não é
amplamente permitido, mas, como possui câncer em fase avançada, possui receita médica
emitida por especialista americano para utilizar substâncias que possuam THC. Ao passar pelo
controle policial do aeroporto, é detido pelo crime de tráfico de drogas. Nesta situação, é
possível alegar que A encontrava-se em situação de erro de:
a) tipo.
b) tipo permissivo.
c) proibição direto.
d) proibição indireto.
e) tipo indireto.
36. (FCC – 2015 – TRT9 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Maria, a fim de cuidar do machucado de
seu filho que acabou de cair da bicicleta, aplica sobre o ferimento da criança ácido corrosivo,
pensando tratar-se de uma pomada cicatrizante, vindo a agravar o ferimento. A situação descrita
retrata hipótese tratada no Código Penal como:
a) erro de proibição.
b) erro na execução.
c) estado de necessidade.
e) erro de tipo.
37. (FCC – 2015 – TCE-AM – AUDITOR) O erro sobre a pessoa contra a qual o crime é
praticado
b) exclui o dolo.
d) não isenta de pena o agente, porém deve sempre ser considerado na sentença.
e) é um crime impossível
A) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
E) extingue a punibilidade
40. (FCC – 2011 – TRT 1°RG – TÉCNICO JUDICIÁRIO – SEGURANÇA) O erro inevitável sobre
a ilicitude do fato
41. (FCC - 2011 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Técnico Judiciário - Segurança) O erro inevitável
sobre a ilicitude do fato
42. (FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário - Área Administrativa) A dispara seu revólver e
mata B, acreditando tratar-se de um animal. A respeito dessa hipótese é correto afirmar que se
trata de
C) erro de proibição, que gera apenas a diminuição da pena, posto que inescusável.
I. Casar-se com pessoa cujo cônjuge foi declarado morto para os efeitos civis, mas estava vivo.
II. Aplicar no ferimento do filho ácido corrosivo, supondo que está utilizado uma pomada.
III. Matar pessoa gravemente enferma, a seu pedido, para livrá-la de mal incurável, supondo que
a eutanásia é permitida.
IV. Ingerir a gestante substância abortiva, supondo que estava tomando um calmante.
A) I, II e III.
B) I e III.
C) I, III e IV.
D) II e III.
E) II e IV.
44. (FCC – 2009 – TJ/PA – OFICIAL DE JUSTIÇA) O erro de proibição quando escusável exclui
a
A) imputabilidade.
B) culpabilidade.
C) punibilidade.
D) antijuridicidade.
E) conduta.
b) que recai sobre a existência de situação de fato que justificaria a ação, tornando-a legítima, é
tratado pelo Código Penal como erro de proibição, excluindo-se, pois, a tipicidade da conduta.
d) de proibição é irrelevante para o Direito Penal, pois, nos termos do caput do art. 21 do Código
Penal, "o desconhecimento da lei é inescusável".
e) de proibição exclui a consciência da ilicitude, que, desde o advento da teoria finalista, integra
o dolo e a culpa.
d) extingue a punilidade.
e) exclui o dolo, mas permite a punção por crime culposo, se previsto em lei.
b) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos seis anos da
data supra mencionada (01.07.2014).
c) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos quatro anos
da data supra mencionada (01.07.2014).
49. (VUNESP – 2014 – TJ-SP – JUIZ) Para o Código Penal (art. 20, § 1.º), quando a
descriminante putativa disser respeito aos pressupostos fáticos da excludente, estamos diante
de:
a) Excludente de antijuridicidade.
b) Erro de tipo.
c) Erro de proibição.
d) Excludente de culpabilidade.
50. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Imagine que João confunda seu
aparelho de telefone celular com o de seu colega Pedro e, descuidadamente, leve para sua casa
o aparelho de Pedro. Ao perceber o equívoco, João imediatamente comunica-se com Pedro e
informa o ocorrido.
No dia seguinte, João devolve o aparelho ao colega sem qualquer dano. Analisando a hipótese
narrada, é possível afirmar que João
a) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto da desistência voluntária.
c) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto da
desistência voluntária.
d) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto do arrependimento eficaz.
e) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto do
arrependimento eficaz.
GABARITO
1. ALTERNATIVA B
2. ALTERNATIVA A
3. ALTERNATIVA C
4. ALTERNATIVA E
5. ALTERNATIVA C
6. ALTERNATIVA A
7. ALTERNATIVA D (ANULÁVEL)
8. ALTERNATIVA E
9. ALTERNATIVA D
10. ALTERNATIVA B
11. ALTERNATIVA A
12. ALTERNATIVA E
13. ALTERNATIVA D
14. ALTERNATIVA B
15. ALTERNATIVA D
16. ALTERNATIVA B
17. ALTERNATIVA C
18. ALTERNATIVA C
19. ALTERNATIVA B
20. ALTERNATIVA B
21. ALTERNATIVA C
22. ALTERNATIVA A
23. ALTERNATIVA B
24. ALTERNATIVA C
25. ALTERNATIVA C
26. ALTERNATIVA A
27. ALTERNATIVA A
28. ALTERNATIVA B
29. ALTERNATIVA E
30. ALTERNATIVA E
31. ALTERNATIVA D
32. ALTERNATIVA C
33. ALTERNATIVA B
34. ALTERNATIVA B
35. ALTERNATIVA D
36. ALTERNATIVA E
37. ALTERNATIVA A
38. ALTERNATIVA A
39. ALTERNATIVA D
40. ALTERNATIVA A
41. ALTERNATIVA A
42. ALTERNATIVA D
43. ALTERNATIVA E
44. ALTERNATIVA B
45. ALTERNATIVA A
46. ALTERNATIVA A
47. ALTERNATIVA D
48. ALTERNATIVA A
49. ALTERNATIVA B
50. ALTERNATIVA B