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Características do Transtorno Borderline

1. O transtorno borderline caracteriza-se por instabilidade emocional, impulsividade e perturbações nas relações interpessoais. 2. Os sintomas incluem raiva, depressão, ansiedade, medo de abandono e atos impulsivos como abuso de substâncias. 3. Há diversas teorias sobre a classificação e tratamento do transtorno borderline, mas ele geralmente causa grande sofrimento aos pacientes e desafios na sua vida diária e relacionamentos.
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Características do Transtorno Borderline

1. O transtorno borderline caracteriza-se por instabilidade emocional, impulsividade e perturbações nas relações interpessoais. 2. Os sintomas incluem raiva, depressão, ansiedade, medo de abandono e atos impulsivos como abuso de substâncias. 3. Há diversas teorias sobre a classificação e tratamento do transtorno borderline, mas ele geralmente causa grande sofrimento aos pacientes e desafios na sua vida diária e relacionamentos.
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Personalidade Boderline

Diversos autores o utilizam o termo borderline, h mais de um sculo, para se referir a um grupo de pacientes que se caracterizam, basicamente, por apresentar uma alterao na fronteira (ou na borda) entre a neurose e a psicose. Como acontece sempre em psiquiatria com outros diagnsticos, o termo Transtorno Borderline tem uma longa histria, passando por diversos conceitos e denominaes ao logo do tempo. A primeira vez que aparece o termo borderline em 1884. Nesse ano, Hughes (psiquiatra ingls) designa assim aos estados borderline da loucura, definindo assim essas pessoas que passaram toda sua vida de lado a outro da linha da sanidade. Alguns autores da poca usavam esse diagnstico quando havia sintomas neurticos graves. Bleuler considerava os pacientes portadores de uma esquizofrenia latente como se fossem estados borderline. Freud, em O homem dos lobos, descreve um caso diagnosticado como neurose obsessiva, mas que luz das investigaes atuais e a reviso psicopatolgica poderia ser entendido como um caso de patologia borderline. Henry Claude falava de esquizomanias, Merenciano (Francisco Marco Merenciano, Psicosis Mitis Los enfermos mentales que consultan al internista) introduz o termo psicose mitis para descrever esses pacientes, Wilhelm Reich usa o termo carter impulsivo. Em 1927 Franz Alexander classifica os estados borderline dentro do que denomina de carter neurtico, e realmente, na poca de Alexander tudo o que parecia fortemente constitucional, irremovvel, sabiamente era chamado de problemas de carter. Stern, em 1938, finalmente formaliza o termo borderline. Refere-se a uma espcie de hemorragia mental, desencadeada por grande intolerncia frustrao. Os enfermos tm o sentimento permanente de estar magoados, injuriados e feridos emocionalmente. Em 1947, Melita Schmideberg enfatiza a grande instabilidade desses pacientes, ressaltando ser o trao mais caracterstico a falta de sentimentos normais e o profundo transtorno da pessoalidade. Fenichel utiliza o termo esquizofrenia marginal, Hoch e Polatin falam em esquizofrenia pseudoneurtica e, na mesma linha, Henri Ey usa o termo esquizoneurose. Em 1967, Grinker e outros descrevem a sndrome borderline, cujas caractersticas seriam: 1. - Sentimento de raiva como afeto nico ou essencial; 2. - Anclise como transtorno nas relaes objetais (aderncia patolgica veja Depresso Anaclnica); 3. - Ausncia de auto-identidade consistente (instabilidade); 4. - Depresso sem sentimento de culpa, sem auto-acusao ou remorso. Mahler faz uma a classificao evolutiva entre duas apresentaes de Borderline:

1. - Estados borderline aparentemente bem adaptados, que geralmente no procuram ajuda especializada; 2. - Sndrome borderline, com sintomas de depresso de abandono, fixao oral e medo ou preocupao obsessiva de abandonado. Gunderson explora cinco reas na avaliao do Transtorno Borderline: 1. - A adaptao social: aparentemente sem dificuldades; 2. - Impulsos e aes: atitudes impulsivas, drogadio, lcool, auto-agresso, promiscuidade, bulimia; 3. - Afetividade: depresso, raiva, ansiedade e desespero; 4. - Eventuais surtos psicticos: normalmente breves, reativos e pouco severos; 5. - Relaes interpessoais: no suportam a solido e o abandono, necessitam do outro em tempo integral, a todo o momento, so francamente dependentes, masoquistas e manipuladores.
- Grinker RR Sr.- Diagnosis of borderlines: a discussion, Schizophr Bull. 1979;5(1):47-52. - Gunderson JG, Kolb JE, Austin V - The diagnostic interview for borderline patients, Am J Psychiatry 1981; 138:896-903 - Mahler MS - Significance of the separation and individuation process for the evaluation of borderline phenomena, Psyche (Stuttg). 1975 Dec;29(12):1078-95

Carlos Paz realiza uma experincia psicanaltica no tratamento do transtorno borderline. Encontra: 1. - Transtornos na relao com a realidade, na qual ha alteraes grosseiras ainda que transitrias, sem perda do juzo da realidade. 2. - Transtornos do pensamento sob a forma de idias de referncia e parania, 3. - Transtornos no controle dos impulsos com exploses de raiva, violncia e agresso. 4. - Transtornos da sexualidade com fantasias sexuais sadomasoquistas, atividade masturbatrias com fantasias erticas perversas, promiscuidade e, eventualmente, impotncia. 5. - Presena de ansiedades confusionais; 6. - Vnculo com o terapeuta caracterstico, com viscosidade, aderncia e manipulao. Nos casos mais graves esses fenmenos de transferncia problemtica so bastante primitivos e intensos, chamados por alguns autores de transferncia delirante, ou ainda de transferncia psictica. H pessoas, simpticas e agradveis aos outros, que se comportam de maneira totalmente diferente com as pessoas de sua intimidade. So explosivas, agressivas, intolerantes, irritveis, com tendncia a manipular pessoas.... So pessoas com Transtorno Borderline da Personalidade. Outros conseguem ser desarmnicos dentro e fora do lar; podem ser os Sociopatas. A patologia borderline, hoje em dia , sem dvida, uma problemtica psicossocial importante, j que freqentemente se associam a quadros de drogadio, alcoolismo e violncia. Certos autores comparam ao paciente borderline atual com os histricos do final do sculo XIX e princpios do sculo XX. Consideram as patologias equivalentes e no sem uma boa dose de razo, considerando a histeria dita de carter.

Uma classificao bastante didtica divide o Transtorno Borderline em 4 grupos clnicos: Grupo A: Borderline com predomnio de caractersticas esquizides e/ou paranides, mais prxima das psicoses. Grupo B: Borderline com predomnio de caractersticas distmicas e afetivas. Grupo C: Borderline com predomnio de caractersticas anti-sociais e perversas (corresponderiam ao grupo de Transtorno de Pessoalidade Borderline, propriamente dito, satisfazendo quase todos os critrios do DSM IV). Grupo D: Borderline com predomnio de caractersticas neurticas (obsessivocompulsivas, histricas e fbicas) graves. Esta classificao tem objetivo mais didtico que prtico, porquanto na prtica cotidiana observamos com maior freqncia a ocorrncia de casos mistos. Na CID.10 Na atual classificao da Organizao Mundial de Sade (CID.10), o distrbio denominado Personalidade Borderline est includo no captulo dos Transtornos de Personalidade Emocionalmente Instvel. Este transtorno se subdivide em 2 tipos; o Tipo Impulsivo e o Tipo Borderline. O subtipo Impulsivo sinnimo do que conhecemos por Transtorno Explosivo e Agressivo da Personalidade. Primeiramente vejamos do que se trata o Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instvel. A CID.10 diz que se trata de um transtorno de personalidade, no qual h uma tendncia marcante a agir impulsivamente e sem considerao das conseqncias, juntamente com acentuada instabilidade afetiva. Nessas pessoas a capacidade de planejar pode ser mnima e os acessos de raiva intensa podem, com freqncia, levar exploses comportamentais e de violncia. Essas exploses costumam ser facilmente precipitadas, principalmente quando esses atos impulsivos so criticados ou impedidos por outros. Duas variantes desse transtorno de personalidade so especificadas e ambas compartilham esse tema geral de impulsividade e falta de autocontrole; o Tipo Impulsivo e o Tipo Borderline. O Tipo Impulsivo se traduz por instabilidade emocional e falta de controle de impulsos. Aqui os acessos de violncia ou comportamento ameaador so comuns, particularmente em resposta a crticas de [Link], particularmente, no vejo muita diferena entre esse Tipo Borderline do Emocionalmente Instvel e o Transtorno Explosivo Intermitente de Personalidade. Enfim, vamos descrever aqui o tipo [Link] Tipo Borderline ou Limtrofe vrias caractersticas de instabilidade emocional esto presentes. Somado impulsividade, h perturbao varivel da auto-imagem, dos objetivos e das preferncias internas, incluindo a sexual. O paciente Borderline freqentemente se queixa de sentimentos crnicos de vazio. H sempre uma propenso a se envolver em relaciona-mentos intensos mas instveis, os quais podem causar nessas pessoas, repetidas crises emocionais. A CID.10 diz ainda que esses pacientes se esforam excessivamente para evitar o abandono, podendo haver quanto a isso, uma srie de ameaas de suicdio ou atos de auto-leso.

No [Link] Mas, como sempre, a melhor descrio da Personalidade Borderline est em outra classificao; no [Link] (Manual de Diagnstico e Estatstica das Doenas Mentais) da Associao Norte-Americana de Psiquiatria. Pelo [Link] v-se que a caracterstica essencial do Transtorno da Personalidade Borderline um padro comportamental de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos afetos. H uma acentuada impulsividade, a qual comea no incio da idade adulta e persiste indefinidamente.

Caractersticas do Ego e do Comportamento Patologicamente podemos dizer que a pessoa portadora de Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicticos, so muito mais complexas que os neurticos, embora no apresentem deformaes de carter tpicas das personalidades sociopticas. Na realidade, o Borderline tem sria limitao para usufruir as disponibilidades de opo emocional diante dos estmulos do cotidiano e, por causa disso, pequenos estressores so capazes de enfurec-lo. So indivduos sujeitos a acessos de ira e verdadeiros ataques de fria ou de mau gnio, em completa inadequao ao estmulo desencadeante. Essas crises de fria e agressividade acontecem de forma inesperada, intempestivamente e, habitualmente, tem por alvo pessoas do convvio mais ntimo, como os pais, irmos, familiares, amigos, namoradas, cnjuges, etc. Embora o Borderline mantenha condutas at bastante adequadas em grande nmero de situaes, ele tropea escandalosamente em certas situaes triviais e simples. O limiar de tolerncia s frustraes extremamente susceptvel nessas pessoas. Este curto-circuito agressivo expresso pelo Borderline, sob forma de crise, pode desempenhar vrias funes psicodinmica, como por exemplo, aliviar o excedente de tenso interna, impedir maior conflito e frustrao, ressaltar a presena do paciente, ainda que de forma desagradvel e ineficaz, melhorar a auto-afirmao, obrigar o ambiente a reconhecer sua importncia, ainda que para se lhe opor ou confrontar. O Borderline tambm est sujeito a exuberantes manifestaes de instabilidade afetiva, oscilando bruscamente entre emoes como o amor e dio, entre a indiferena ou apatia e o entusiasmo exagerado, alegria efusiva e tristeza profunda. A vida conjugal com essas pessoas pode ser muito problemtica, pois, ao mesmo tempo em que se apegam ao outro e se confessam dependentes e carentes desse outro, de repente, so capazes de maltrat-lo cruelmente. Os indivduos com Transtorno da Personalidade Borderline se esforam freneticamente para evitarem um abandono, seja um abandono real ou imaginado. A perspectiva da separao, perda ou rejeio podem ocasionar profundas alteraes na auto-imagem, afeto, cognio e no comportamento. O Borderline vive exigindo apoio, afeto e amor continuadamente. Sem isso, aflora o temor solido ou a incapacidade de ficar s, em presena de si mesmo. Esses indivduos so muito sensveis s circunstncias ambientais e o intenso temor de abandono, mesmo diante de uma separao exigida pelo cotidiano e por tempo limitado, so muito mal vivenciadas pelo Borderline. Esse medo do abandono est relacionado a

uma grande intolerncia solido e necessidade de ter outras pessoas consigo. Seus esforos frenticos para evitar o abandono podem incluir aes impulsivas, tais como comportamentos de auto-mutilao ou ameaas de suicdio. A tendncia a alguma forma de adio, como o lcool, remdios, drogas, ou mesmo o trabalho desenfreado, o sexo insistentemente perseguido, o esporte, alguma crena, etc., refletem uma busca desenfreada de "um algo mais" que lhe complete e lhe d sossego. Segundo Marco Aurlio Baggio, quem melhor descreve o Ego desses pacientes, os Borderlines so pouco capazes de se empenharem numa tarefa com persistncia e acuidade. Desistem do esforo e circulam em torno daquilo que preciso fazer mas no fazem. Em relao ao contacto inter-pessoal, eles tm uma tendncia a atacar o outro do qual dependem, como forma de camuflar a grande necessidades de dependncia. So habilidosos em estimular o outro a lhes propiciar aquilo que precisam, mas recebem tudo o que lhe fazem como quem nada deve. A personalidade do Borderline uma pea de teatro onde os atores coadjuvantes esto sempre esperando ele, o ator principal. Trata-se de um ego que no tolera o vazio, a separao, a ausncia, no sabe superar com equilbrio os conflitos.

Caractersticas de Personalidade e Comportamento Os indivduos com Transtorno da Personalidade Borderline tm um padro de relacionamentos instvel e, ao mesmo tempo, intenso. Na vida a dois, eles podem desenvolver intenes de protetores ou amantes j no primeiro ou no segundo encontro, exigir que passem muito tempo juntos e compartilhem detalhes extremamente ntimos ainda na fase inicial de um relacionamento. Essas pessoas podem sentir empatia e carinho por outras pessoas, entretanto, tais sentimentos so frutos exclusivos da expectativa de que a outra pessoa estar l para atender suas prprias necessidades de apoio, carinho e ateno. Pode haver no Borderline, uma rpida passagem da idealizao elogiosa para sentimentos de desvalorizao, por achar que a outra pessoa no se importa o suficiente com ele, no d o bastante de si, no se mobiliza o suficiente. Portanto, so insaciveis em termos de ateno. Eles so inclinados a mudanas sbitas em suas opinies sobre os outros. A inconstncia do Borderline se observa tambm em relao ao juzo que tem de si mesmo e de sua vida. Ele pode ter sbitas mudanas de opinies e planos acerca de sua carreira, sua identidade sexual, seus valores e mesmo sobre os tipos de amigo ideal. Os indivduos com este transtorno exibem impulsividade em reas potencialmente prejudiciais para si prprios, tais como nos esportes, nos jogos de azar, no consumo de tabaco, lcool, drogas, etc. Eles podem jogar, fazer gastos irresponsveis, comer em excesso, abusar de substncias, engajar-se em sexo inseguro ou dirigir de forma imprudente. As pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline podem apresentar comportamento, gestos ou ameaas suicidas ou comportamento auto-mutilante . O suicdio completado costuma ocorrer em 8 a 10% desses indivduos impulsivos, e os atos de auto-mutilao tambm impulsivos, como por exemplo, cortes ou queimaduras

tambm so comuns. Esses atos auto-destrutivos geralmente so precipitados por ameaas de separao ou rejeio, por expectativas de que assumam maiores responsabilidades ou mesmo por frustraes banais. Os indivduos com Transtorno da Personalidade Borderline podem apresentar instabilidade afetiva, devido a uma acentuada reatividade do humor, como por exemplo, euforia ou depresso (disforia) episdica, irritabilidade ou ansiedade, em geral durando apenas algumas horas. O humor disfrico (euforia ou depresso) dos indivduos com Transtorno da Personalidade Borderline muitas vezes acompanhado por perodos de raiva, pnico ou desespero. Essas pessoas ficam facilmente entediadas, no aceitam bem a constncia ou mesmo a serenidade, e podem estar sempre procurando algo para fazer. Os sentimentos agressivos dessas pessoas no costumam ser dissimulados e eles freqentemente expressam raiva intensa e inadequada ou tm dificuldade para controlar essa raiva. Eles podem exibir extremo sarcasmo, persistente amargura ou exploses verbais. Por outro lado, essas expresses de raiva freqentemente so seguidas de vergonha e culpa e contribuem para o sentimento de baixa auto-estima.

Curso e Prevalncia O Transtorno da Personalidade Borderline diagnosticado predominantemente em mulheres, as quais compes cerca de 75% dos casos. Quanto prevalncia, estima-se em cerca de 2% da populao geral, ocorrendo em cerca de 10% dos pacientes de consultrios psiquitricos e em cerca de 20% dos pacientes psiquitricos internados. Entre os portadores de Transtornos da Personalidade em geral, a prevalncia do Transtorno da Personalidade Borderline varia de 30 a 60%. O curso do Transtorno da Personalidade Borderline instvel, comeando esse distrbio no incio da idade adulta, com episdios de srio descontrole afetivo e impulsivo. O prejuzo resultante desse transtorno e o risco de suicdio so maiores nos anos iniciais da idade adulta e diminuem gradualmente com o avano da idade. Durante a faixa dos 30 e 40 anos, a maioria dos indivduos com o transtorno adquire maior estabilidade em seus relacionamentos e funcionamento profissional. Tambm se sabe que o Transtorno da Personalidade Borderline cerca de cinco vezes mais freqente entre parentes biolgicos em primeiro grau tambm com o transtorno do que na populao geral. QUADRO CLNICO conveniente explicitar o marco terico referencial no qual nos baseamos para o diagnstico. Este est sustentado pelos aportes de distintas escolas, entre elas, a psicanaltica americana, britnica e francesa. A escola americana pe nfase na labilidade do Ego ou do self e na difuso da identidade. Melita Schmideberg admite que o Borderline apresenta transtornos em quase todas as reas da pessoalidade, principalmente nas relaes interpessoais, na profundidade (qualidade) dos sentimentos, na identificao e na empatia, na atitude social, no controle da vontade (volio), na capacidade para o trabalho, na necessidade

de prazer, na vida sexual, no controle das emociones, na vida das fantasias, na elaborao e valorao dos ideais e no planejamento das metas da vida. Suas relaes com o objeto so superficiais, carecendo de profundidade de sentimentos, de constncia, empatia e considerao pelos demais. Tambm apresenta transtornos de carter de nvel variado e os sintomas clnicos so: 1. - Angustia crnica e difusa. Trata-se de um afeto contnuo e surdo mas que, no obstante, pode se manifestar como uma crise de angstia aguda e com sintomas somticos correspondentes. Pode sobrevir uma crise histrica com comprometimento de todas as funes psquicas, juntamente com manifestaes somticas variadas, tais como vertigem, taquicardia e outros caractersticos do Transtorno de Ansiedade Aguda. A desrealizao e a despersonalizao aparecem como extremos dessas crises, tambm acompanhadas de sintomas somticos. uma angstia ligada perda de sentido, tal como foi observada por Freud quando diante de perspectivas ou ameaas de separao. 2. - Incapacidade para sentir s vezes o paciente experimenta a conscincia de um vazio afetivo, despersonalizao e incapacidade para sentir emoes. Outras vezes encenam episdios do tipo histrico, com reaes emocionais exageradas, ingerem lcool ou drogas, cometem delitos ou tm relaes sexuais patolgicas para libertar-se da sensao de vazio existencial. Ainda que no consigam experimentar emoes genunas, tambm no podem suportalas caso existam. Protegem-se contra os sentimentos mantendo as relaes em um nvel superficial ou mudando freqentemente de trabalho, de amigos ou do lugar onde vivem. Isso pode explicar a grande instabilidade dos pacientes Borderlines. Schmideberg disse que os Borderlines so, fundamentalmente, no sociais e alguns, declaradamente anti-sociais. Uma das manifestaes da instabilidade a instabilidade afetiva, que pode perturbar suas relaes sociais. No plano ocupacional tambm se mostram instveis. Mesmo que esses pacientes tenham condies intelectuais normais, falta-lhes capacidade para a concentrao, para a perseverana e para o desejo para um esforo mais firme. Outros fatores que contribuem para a instabilidade ocupacional so sua baixa tolerncia frustrao, hipersensibilidade s crticas e a expectativa de conseguir recompensas totalmente desproporcionais. Tambm deve ser destacada a incapacidade para os Borderlines aceitar as regras e a rotina. Por tudo isso eles acabam sendo despedidos de seus empregos ou que eles mesmos pedem demisso. 3. - Depresso A depresso do Borderline se caracteriza, basicamente, por sentimentos de vazio e solido. A diferena do que ocorre no verdadeiro depressivo, no qual existe medo da

destruio do objeto amado, no caso do Borderline ha exploses de ira ou raiva contra o objeto considerado frustrante. 4. - Intolerncia solido A modalidade de relao com o objeto do tipo anacltica (procure por Depresso Anaclnica). A intolerncia a estar s se manifesta como um af de prender-se vorazmente, atravs da voz ou da presena fsica do outro, ou em determinados casos por intermdio do objeto droga, lcool ou alimento, segundo seja a adico, como tentativa frustrada de supresso da falta. Na realidade, toda tenso de separao intolervel ao Borderline, produzindo as condutas de aderncia exagerada ao objeto. 5. - Anedonia a incapacidade de sentir prazer (veja). Existe sempre no paciente Borderline uma insatisfao permanente e manifesta, uma frustrao constante e os objetivos de prazer que pretendem nunca chegam consegui-los, so para eles, inalcanveis. Ou, pior ainda, quando so alcanados, perdem valor imediatamente. No pacientes Borderline a tendncia a evitar o desprazer se faz mais forte que a busca do prazer. 6. - Neurose poli-sintomtica O paciente borderline pode apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas: a) Fobias mltiplas, geralmente graves, especialmente a agorafobia. A relao com o objeto est submetida regulao da distncia com mecanismos agorafbicos e claustrofbicos. Essas sensaes associadas a tendncias paranides, originam serias inibies sociais. b) Sintomas obsessivos-compulsivos. Normalmente esses sentimentos, muito repudiados pelo portador de TOC, so Ego Sintnicos no paciente Borderline, inclusive com tendncia a racionalizao. c) Mltiplos sintomas de converso (histricos), geralmente crnicos. d) Reaes dissociativas (histricas). e) Transtornos de conscincia, Estados Crepusculares, fugas e amnsias. f) Hipocondria e exagerada preocupao por a sade e temor crnico a enfermar. Refere-se no s ao corpo, mas tambm mente. Descrevem minuciosamente seu malestar, com reaes e sensaes esdrxulas. comum o medo de enlouquecerem. g) Tendncias paranides com idias delirides persecutrias. h) Descontrole dos impulsos. Este descontrole impulsivo pode ser ego diatnico ou ego sintnicos. O alcoolismo, drogadio, bulimia, compras descontroladas, cleptomania, so sintomas impulsivos comuns entre os Borderlines. 8. - Tendncias sexuais no-normais (Parafilias)

Podem coexistir varias tendncias em forma de fantasias ou de aes. As formas bizarras de sexualidade, principalmente as que manifestam agresso ou substituio primitiva dos fins genitais, tais como atitudes eliminatrias (urinar, defecar). s vezes a homossexualidade pode funcionar como defesa contra a sensao e a ansiedade de abandono. A homossexualidade costuma representar a busca de gratificao das necessidades orais. Pode tambm manifestar relaes homossexuais sadomasoquistas e promscuas. 9. - Episdios Psicticos Breves Aqui se incluem a desrealizao e despersonalizao. As idias de auto-referncia e os quadros paranides predominam nesses Episdios Psicticos Breves. As manifestaes clnicas seriam: transtornos paranides, depresses com idias de suicdio, Episdios Manacos, quadros de automutilao. Esses episdios agudos costumam ser reativos, normalmente ruptura de algum vnculo 10) Adaptao social Existem vrias possibilidades para o contacto social borderline. A evitao, por exemplo, acontece nos casos do borderline esquizide e depressivo, mas o relacionamento interpessoal tambm pode ter caractersticas anti-sociais. Em geral, as relaes interpessoais costumam estar prejudicadas e nas reaes paranides, to comuns entre esses pacientes, a conduta social pode ser agressiva.
Critrios Diagnsticos para F60.31 - 301.83 Transtorno da Personalidade Borderline Um padro invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que comea no incio da idade adulta e est presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critrios: (1) esforos frenticos para evitar um abandono real ou imaginado. Nota: No incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critrio 5 (2) um padro de relacionamentos interpessoais instveis e intensos, caracterizado pela alternncia entre extremos de idealizao e desvalorizao (3) perturbao da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self (4) impulsividade em pelo menos duas reas potencialmente prejudiciais prpria pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substncias, direo imprudente, comer compulsivamente). Nota: No incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critrio 5 (5) recorrncia de comportamento, gestos ou ameaas suicidas ou de comportamento automutilante (6) instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., episdios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias) (7) sentimentos crnicos de vazio (8) raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por ex., demonstraes freqentes de irritao, raiva constante, lutas corporais recorrentes) (9) ideao paranide transitria e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos

Aspectos mdico-legais do Borderline O Transtorno Borderline da Personalidade considerado um transtorno fronteirio ou limtrofe entre uma modalidade no-normal da personalidade relacionar-se com o mundo e um estado que pode ser considerado francamente patolgico. Assim sendo, cada caso de paciente dito borderline deve ser considerado parte. O paciente borderline pode ser objeto de apreciao jurdica e legal quando a gravidade de seu transtorno de personalidade importante o suficiente para produzir um srio transtorno psquico de insanidade e incapacidade de auto-determinar-se. A capacidade civil de uma pessoa deve estar condicionada sua maturidade mental. Classicamente, Krafft-Ebing (Krafft-Ebing, Medicina legal, Espaa Moderna Madrid, 1992.) distingue 3 elementos fundamentais para que a pessoa seja considerada capaz e, atravs dessa capacidade possa adquirir os direitos e deveres da vida em sociedade:

a) "conhecimento e conscincia" dos direitos e deveres sociais e das regras da vida em sociedade. b) "juzo crtico" suficiente para a aplicao do item anterior. c) "firmeza de vontade (volio)" para decidir com liberdade. Conforme se v na prtica, e mesmo de acordo com o curso e evoluo do Transtorno Borderline referido na literatura internacional, no se pode dizer que esses pacientes sejam considerados insanos, quer pela carncia de sintomas psicticos, quer pela carncia de prejuzo do juzo crtico, ambos necessrios para atestar-se a insanidade. Entretanto, atualmente tem-se enfatizado no apenas as caractersticas psicopatolgicas do paciente (ru) em apreo mas, sobretudo, uma srie de circunstncias vivenciais de alguma forma atreladas ao ato delituoso. Circunstncias atenuantes, por exemplo, encontramos no caso da embriaguez habitual ou uso de estupefacientes. Nesses casos, a pessoa poder inabilitar-se judicialmente, caso estejam expostos a perpetrar atos jurdicos prejudiciais a si prprio ou ao patrimnio. Na justia espanhola, essa questo de eventual prejuzo do patrimnio, visa a proteo econmica (e social) dos familiares do Borderline. Trata-se da doutrina da semicapacidade, uma soluo tcnica do direito contemporneo para atenuar os efeitos da alterao psquica de certas pessoas em relao ao prejuzo sobre demais pessoas mas, nem sempre, atenuando a punibilidade em relao sua prpria pessoa. Como se v, a figura de inabilitao e semicapacidade tem menor alcance que a declarao de incapacidade por demncia e, na prtica, representa um recurso de proteo mais patrimonial que pessoal. Essa atitude tem como um dos objetivos, prevenir a dilapidao do patrimnio familiar pelo Borderline, com freqncia viciado em jogo, drogas, lcool, etc. O direito penal se relaciona com a psiquiatria forense atravs do conceito de imputabilidade. Imputar significa atribuir algo a uma pessoa e esta, s ser imputvel, quando se encontra em condies de valorizar e ajuizar seus atos e as conseqncias que deles resultam. Resumindo, podemos dizer que a pessoa imputvel quando responsvel sobre a culpabilidade de seus atos. Alguns autores (Nestor Ricardo Stingo, Maria Cristina Zazzi, Liliana Avigo, Carlos Luis Gatti) acham que a pessoa Borderline pode ser inimputvel nos casos onde haveria um estado de inconscincia, notadamente por intoxicao por drogas ou lcool ou, ainda, devido a alterao mrbida das faculdades mentais. Este ltimo caso, quase exclusivamente diante da presena de sintomas psicticos. Evidentemente existem situaes muito mais difceis de se atestar o grau de responsabilidade da pessoa Borderline. Essas se relacionam, basicamente, com os episdios de descontrole impulsivo. Nesses casos estaria em jogo no a questo psiquitrica (de diagnstico) mas, a questo psicolgica da circunstncia. O dilema dessas questes est, exatamente, no fato dessas pessoas entenderem e compreenderem a gravidade de seus atos mas, no obstante, serem incapazes de auto-controlarem suas condutas.

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