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Il manuale è dedicato a familiari e caregiver di persone con malattia di Alzheimer in fase iniziale, fornendo informazioni sui sintomi e le difficoltà di memoria associate all'invecchiamento. Viene sottolineato che il diagnosi di Alzheimer è complesso e avviene per esclusione di altre cause di demenza, con un'accuratezza superiore al 90% nei centri specializzati. Il documento affronta anche il dilemma di informare il paziente sul proprio stato, evidenziando le diverse prospettive dei caregiver e dei pazienti riguardo alla comunicazione del diagnosi.
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Manual do cuidador
Doenga de Alzheimer
na fase leve #@Manual do cuida
Doenga de Alzheimer
na fase leve 3
Dr. Pauto H.F. Berrouucc!
CCoonoensvon oo Nuciso oe Ewvetnecintnro Centssat (NUDEC),EPM-UNIFESP
Com a melhora nas condi¢oes de vida e os progressos da medicina, as pesso-
as estdo vivendo mais, um fato cada vez mais evidente, mesmo nos palses em
desenvolvimento. Se por um lado isso é bom, porque significa aproveitar a
vida por mais tempo, significa também que mais pessoas estdo sujeitas as
doengas associadas ao envelhecimento. Quando se fala das doencas associa-
das ao envelhecimento, é inevitavel falar da doenca de Alzheimer. Este manual
& dedicado a familiares e cuidadores de pessoas com doenca de Alzheimer.
Nao existe aqui a pretensao de esgotar o assunto, mas de tratar de alguns as-
pectos que freqiientemente trazem divida a quem, como familiar ou cuidador,
esta préximo de alguém que comecou a apresentar sintomas desta moléstia.
Este manual € dirigido aos que convivem com pessoas com doenca de Alzhei-
mer que esto em uma fase inicial da doenga e, portanto, muitas alteracdes
que podem ocorrer ao longo de sua evolucao nao serdo abordadas aqui.|. eee
Gaeta
Alteragies em todos os sistemas do organismo
so esperadas com o avancar da idade: a pele
fica mais fina e seca, os ossos mais frageis, os
colhos tém difculdade em adaptar-se para curta
distancia, requerendo éculos para letra. E cla
ro que essas alteragdes podem variar de pessoa
para pessoa, estando quase ausentes em algu:
‘mas e sendo muito marcadas em outras. Com
© cérebro nao ¢ diferente: © envelhecimento
acarreta alteragdes anatémicas e funcionais
‘Assim, por exame de tomografia ou ressondin
cia magnética, é possivel verificar que ha uma
reducio de volume, isto é, 0 cérebro fica me
‘or. Diferentemente do que se pensa, isto nio
acontece sé por perda de neurénios, e essa re
ducdo varia bastante de uma regido cerebral
para outra. Em paralelo, ocorrem também alte
rages no medo como 0 cérebro funciona. Isso
bem evidente em relacao & meméria. A queixa
de dificuldade de meméria ¢ feeqlente entre
idosos, e levantamentos em diferentes regides
do mundo mostram que mais da metade das
pessoas com mais de 65 anos afirma que sua
meméria declinou com 0 envelhecimento. O
processo de memorizagao pode ser mais dificil
para uma pessoa idosa porque a velocidade de
rocessamento diminui, é mais dificil inibires.
timulos confltantes e a estratégia de organiza
‘fo da informacio € menos eficiente, isto é, 0
idoso precisa mais tempo para apreenderfme.
morizar, pode ser mais facilmente distraido ene
quanto tenta prestar atengdo a0 que quer me:
morizar e tem mais difculdade em relacionar
as informagdes entre si, o que facilitaria a me
morizacio. Apesar disso, ¢ sempre bom lem
brar que hd uma grande diferenca entre memé:
ria mais lenta, que pode acontecer no envelhe-
cimento, e nenhuma meméria, que pode ser
consequncia de diferentes doencas, e precisa
ser avaliada,
SE VOCE ME
DER MAIS 45
MINUTOS, Vou
LEMBRAR o
NOME DO FILME,
Gitte eee
Dificilmente um idoso saudével, ainda que te-
‘nha as alteracoes referidas acima, vai procurar
ajuda, pela boa razo que no haveré muita
mudanga no seu dia-a-dia, ou seja, as mudan:
‘G25 no s0 tao profundas, e sao graduais 0
bastante para permitir uma adaptacao. Muito
diferente € 0 que acontece, por exemplo, no
idoso deprimido que, além da perda de inte-
esse e tendéncia a isolar-se, pode ainda ter
dificuldade adicional da meméria, ou naquele
que toma dose excessiva de tranquilizante, por
isso tem dificuldade de atencao e nao conse-
gue memorizar. Como se pode perceber, que
1a de dificuldade de memoria € um sintoma, €
pode significar coisas muito diferentes, do
mesmo modo como uma febre pode indicar
ieee
“Deméncia® é um termo usado para descrever:
pessoas com progressiva alteracao da memé-
fia, geralmente meméria para fatos recentes
‘que, além disso, tém também dificuldade em
‘outras areas, como a capacidade de planeja
‘mento e a linguagem. Deméncia é, portanto,
‘uma sindrome, ou seja, um conjunto de sinais
€ sintomas que pode ter diferentes causas. A
‘causa mais comum de deméncia 6 a doenca de
um resfriado banal ou uma grave infeccio ge-
neralizada. Nao nos interessa aqui falar sobre
outras possiveis raz0es para um idoso perder
‘a meméria, algumas das quais estao listadas
no quadro, mas falar um pouco sobre a doenga
de Alzheimer.
Alzheimer, que & a causa em 50% a 70% do to-
tal de pessoas com deméncia, Assim, todas as
pessoas com doenga de Alzheimer tem demén-
cia, mas nem todas as pessoas com deméncia
tem doenca de Alzheimer. A causa pode ser ou-
tra, por exemplo, pode ser consequéncia de is-
‘quemia cerebral repetida, causando pequenas
Testes que vao se somando, no que ¢ conheci
do como "deméncia vascular”.
© | Hants Oam tte tne 98ees
Esclerose” vern do grego escleros, que significa
‘endurecimento. A idéia aqui ¢ que algumas
pessoas apresentam endurecimento das arté-
rias cerebrais e, com isso, menor quantidade
de sangue chegando ao cérebro. Por falta de
sangue, 0 cérebro passa a atrofia. Esta idéia
«, portanto, 0 termo “esclerose" ~ so equivo-
ceados por varias razBes: alteragio da crculagao
cerebral como causa de deméncia s6 ocorre em
uma parte das pessoas com deméncia. Entre as
Cert:
Esta é uma davida frequente e compreensivel,
{quando se pensa em como essa doenca pode
‘evolu. € importante lembrar que, na situacao
atual, o Unico modo de afirmar que uma pessoa
com certeza tern doenga de Alzheimer é através
do estudo de tecido cerebral. Isto significa que,
para efeito de diagnostico em vida, seria neces.
sério uma biépsia cerebral, um exame comple-
x0 € que pode ter complicagies, como hemor.
ragia cerebral. Por esta razio, 0 diagnéstico de
doenca de Alzheimer ¢ feito por exclusio, isto
6, diante de alguém com demeéncia, tendo sido
excluidas outras causas, fla-se em PROVAVEL
doenga de Alzheimer. Portanto, quando alguém
recebe 0 diagnéstico de doenca de Alzheimer,
pessoas com doenca de Alzheimer ~ como jf
vimos, a maior causa de deméneia ~ no gy
‘em geral,alteracto signifcativa da. circulago
cerebral. Além disso, essa idéia pode suger =
que 0 uso de medicacao que melhore a ciculas |
20 cerebral pode melhorar os sintomas, o que
na realidade nao acontece. E ainda, aclassficae
20 de “esclerosado” adquiriu um sentido pej
rativo, Por estas razbes, é preferivel usar o ter.
que é mais correo.
eee
'sto significa alguém com progressiva alteragao
da meméria e de outras fungBes, para quem
outras possiveis causas foram excluldas. & clae
Yo que existe uma margem de erro, mas com
Profissionais experientes e em bons centros de
atendimento a deméncias, os acertos $40 supe-
Fiores @ 90%. Mesmo nos casos de erro, com
requéncia trata-se de outras degeneragbes CE
rebrais para as quais 0 tratamento nao seria
muito diferente daquele indicado para doenga
de Alzheimer. © diagnéstico ¢ de “provavel”
doenca de Alzheimer porque nao existe hoje
lum exame que mostre alteracdes especificas
para essa doenca, excluindo, é claro, 0 exame
de tecido cerebral. Para excluir outras causes
de deméncia, outros exames podem ser neces:
sirios. Que exames devem ser solicitados de-
pende muito do tempo de doenca, dos resulta:
dos da avaliacao do estado mental e da experi
{ncia do médico. Se uma pessoa tem uma his:
téria e resultados da avaliagao do estado men-
tal tipicas para a doenga de Alzheimer, poucos
Toe
A avaliag
Como dito acima, para 0 diagnéstico de de-
méncia 6 necessario demonstrar que a pessoa
tem falha da meméria e de outras funcoes,
Podso cizeR
QUE SUA MEMORIA
ESTK NORMAL!
jetivo — deprimidos e pessoas muito exigentes
Por detect aeroies isda memécia, um exame objetivo éesencial,
exames serdo necessérios, provavelmente ape-
nas uma tomografia ou ressonancia magnética
de crinio e alguns exames de sangue. Por outro
lado, cas0s muito atipicos, por exemplo, pesso-
1s cuja deméncia tenha se iniciado mais cedo
ou progredide mais rapido, vao exigit uma ava:
liaggo mais extensa.
como a capacidade de planejamento e a lingua-
gem. Uma pessoa queixar-se da inguagem ésub>
«
;
:consigo mesmas quehamse da meméria €
muitas vezes tém desempenho normal na ava
iagio desta area, Por outro lado, pessoas com
demeéncia nada véem de errado com a propria
‘meméria, ainda que as falhas sejam evidentes
para quem convive com elas. Para esclarecer
este tipo de situacdo, é necessério realizar ava
liagao do estado mental, A avaliacao do estado
mental 6 feita pela aplicagao de escalas que
testam a meméria, atenco, linguagem, capa
cidade de planejamento, capacidade de realizar
seqléncias de movimentos (praxia) e outras
teas, Testes curtos para este fim podem ser
aplicados pelo proprio médico, mas uma ava
liagio mais detalhada devers ser realizada por
psicélogo com formacao em neuropsicologia.
‘Do mesmo modo como acontece com os exa-
mes de laboratério, diante de alguém com alte.
ragaes evidentes da meméria e de outas fune
oes, 2 avaliagio para efeito de diagnéstico
pode ser desnecessiris, ov apenas uma avalae
Go mais curta pode ser sufciente. Mas, em
particular para quem esté numa fase bem ii-
Cal da doenga, ou para pessoas com ato nivel
de escolaidade, mesmo uma avaliagio deta:
Inada pode trazer resultados duvidosos.E por
isso ave, para algumas pess0as, o diagnéstico
no € feito de imediato, apenas ap6s avai
oes repetidas com intervalo de alguns meses
énive si, que mostram que, de fato est acons
tecendo um decinio , portanto, pode-se falar
em deméncia
‘Uma vez que a familia ¢ informada do diagnos
tico, uma das primeiras dividas é se a pessoa
deve serinformada sobre seu diagnéstco, Este
dilema faz sentido apenas se 0 diagnéstico 6
feito precocemente, a que, em uma fase mais
avangada, a pessoa com doenca de Alzheimer
indo consegue aprender o significado de estar
com essa doenga. A situacao & muito parecida
com a do cancer até os anos 1960, quando re-
ceber o diagnéstico, pela frequente falta de tra
tamento eficiente, podia significar uma conde
nacido & morte ~ esta é uma das razdes pelas
uals pessoas mais idosas falam em “aquela
doenga” ou em “doenga ruim", mas nunca dic
zem a palavra “cancer”. Com os avancos no
tratamento, 0 diagnéstico de cancer passou a
ser tratado com muito mais naturalidade - 0s
rmédicos passaram a dizer © diagndstico e os
pacientes, mais bem informados, passaram
do apenas a exigir o diagnéstico, mas tame
bém a ter urna participacio mais ativa nas de«
cisdes sobre o tratamento, Mais recentemente,
¢S0UM
REMEDINGO.
2 us0
NAO SE SABE
ATEQUANDO!
TEN EFEITeS,
CoLATERAIS!
E EsouM
REREDINHO??,
4 doenga de Alzheimer vem chegando 20 mes-
‘mo ponto, com 0 surgimento de formas de tra
tamento que podem fazer diferenca nos sinto-
mas dessa doenca, ou seja, nao se trata mais
de uma situagao onde nada hd para fazer. A
tendéncia da famflia¢ prefer que 0 diagnésti-
co nio seja revelado, com a idéia de que tal
revelacio poderd destrur a esperanga e a mo-
tivagdo da pessoa ¢ langé-la numa limitaglo
ainda maior. Um estudo com cuidadores de ¥€
pessoas com doenca de Alzheimer mostrou
que 83% deles nao gostariam que o diagnésti-
co fosse revelado a seus familiares. Por outro
lado, 71% dos mesmos cuidadores gostariam 3
de saber 0 diagndstico, se tivessem a doenca.
Esta é uma atitude do tipo “eu sou mais forte
que voce”, E dificil saber qual seria a atitude
preferida pela propria pessoa com doenca de
Alzheimer, & que, mesmo em uma fase inicial,
pode haver algum prejuizo da capacidade de
compreensio e de avaliacto das implicacdes
do diagnéstico, E signifcativo que, entre ido-
05 nao demenciados, nove entre dez gosta
riam de saber, se fosse o caso.
Nio existe uma resposta simples & pergunta
“contar ou néo conta?” A principal razao para
io contar, como apontado acima, €@ possivel
feito danoso sobre a pessoa com a doenca
Raz0es para contar apontadas por cuidadores
so: resisténcia a esconder algo de seu familar,
a percepcao de que ele acabara descobrindo dequalquer modo e a necessidade de prepararse
para o futuro, Adicionalmente, quando a deci
‘do é nao contar, devemos pensar no desgaste
de envolver toda a familia em uma conspiracao
de segredo para manter 0 diagndstico ocult.
Existem dois pontos que devem ser considerados:
+ se um médico receber a pergunta direta do
proprio paciente “O que eu tenho?” ou “O que
eu tenho nao é Alzheimer)”, a resposta terd
que ser sincera, ou a relacio médico-paciente,
baseada na conffanca, serd abslads;
+= quando ¢ feito 0 diagndstico de doenca de
Alzheimer, muito provavelmente o médico ten:
tard tratamento com medicacao especifica. A
decisio pode serndo contar, mas nesse caso serd
A resposta a esta pergunta pode parecer sim:
ples ~ 0 diagndstico de doenca de Alzheimer
significa prejulzo a capacidades essenciais para
dir de modo seguro, portanto essa atividade
deve ser suspensa. Infelizmente a decisio no
6 tdo simples. Em geral, as pessoas diminuem
© tempo de directo e param de dirigir com 0
avancar da idade ~ em um levantamento, meta
de das pessoas haviam parado de dirigit antes
do diagndstico de doenca de Alzheimer, mas
para muitos dirigir faz parte da manutencio da
independéncia e é essencial para a realizacio
Mee ee
recessério encontrar uma boa explicagle para
convencer alguém que supostamente no tem
nada sério a tomar, por ternpo indefnide, medi
cagdo com possibilidade de efeitos colaterais.
Finalmente, contar ou nao contar no é uma
decisto do tipo tudo ou nada, isto ¢, existem
maneiras de contar. Um modo possivel de
descrever a “doenca de Alzheimer" € “uma
atrofia de partes do eérebro, principalmente
das dreas da meméria, maior que a esperada
no envelhecimento normal, onde a tendéncia
6 que as difculdades se tornem mais inten:
sas". Uma das implicacoes do diagnéstico € a
decisio sobre a capacidade para atividades
mais complexas do dia-a-dia
Wei uees
de muitas atividades. Sobre a decisto de parar
e dri, dois aspectos devern ser considerados:
+ se uma pessoa nao tem condigées para di
gir, mas continua 2 fazé-lo, sua vida e a de ou-
tras pessoas podem ser colacadas em risco;
+ se uma pessoa tem condicoes para dirig,
mas 6 impedida, sua independéncia ¢ injusta
mente prejudicada,
Relatos de maior taxa de acidentes automobi-
listicos entre motoristas com doenga de Alzhe-
‘mer levaram a sugestdo de que o diagndstico
dda doenca de Alzheimer deveria implicar em
suspendera licenca para dirigir. Na reaidade, a
comparacio entre pessoas da mesma idade
‘com e sem doenca de Alzheimer no mostrou
que esse diagnéstico aumentasse a probabil-
dade de acidentes, pelo menos em uma fase
inicial da doenca.
‘A doenga de Alzheimer pode prejudicar a efi
{ncia do dirigir por diferentes mecanismos:
«+ pela desorientaczo espacial, trajetos menos
usados podem ser dificeis de seguir e 0 moto-
rista pode encontrar-se inexplicavelmente per-
dido, Embora aborrecido, este aspecto nao
apcesenta riscos de seguranca;
+ 05 miltiplos deficits cognitivos, comprome-
tendo a atengio, habilidade viso-espacial, pro-
cesso de tomada de decisio etc., podem dif
cultar a percepgao de situacdes especifcas no
trinsito e a resposta a elas em tempo adequa-
do, Este € 0 aspecto do dirigir que apresenta
riscos. Nao ha teste de avaliagao mental que
tenha uma boa correlacao com a capacidade de
dirigir, por isso a decisao sobre dirigir ou no
deve ser felta de outro modo.
Dirigir supe aspectos “técnicos”, como a mu:
danca de marcha e precisao ao tirar o carro da
‘garagem e estacionar. Supe também adesio
4s normas de transito, como respeito aos si
nals luminosos e cuidado ao entrar em urna via
preferencial. Adicionalmente existem situacoes
ue exigem ainda mais, como decidir se uma
Ultrapassagem é segura ou nao.
[Nao existe no Brasil legislacao especifica para
10 | Htc Oe tttene te 3direcdo e doenga de Alzheimer, e a decisio re-
caiem geral sobre a familia que, paraisso, pode
pedir o auxlliodo médico. A observacao da ma-
neira como o carro ¢ usado pode ser uti
‘A melhor maneira de testar a capacidade para
dirigir€ um teste real, isto 6, a realizaczo de um
trajeto sob a observagao de um motorista expe-
Fiente, que deve fcar em siléncio, observando 0
modo de dirigir e a adesao as leis de transito.
Esta 6 uma atitude que deverd ser repetida pe-
riodicamente. Supondo que fque claro que @
competéncia nao é plena, a decisio sobre nao
irigir nao é obrigatoriamente do tipo tudo ou
nada ~ 0 motorista que seria um risco numa
‘estrada ou via expressa, pode sairse bem num
trajeto muito familiar e de pouco movimento. €
claro que deve haver garantia de que dirgir sera
apenas nos trajetos combinados e que a capa
cidade para dirigie sera reavaliada eventualmen:
te. Nem sempre a restrigao gradual a dirigir ¢
possivel, mas, de um modo geral, a restricao
‘gradual é mais bem aceita que a suspensao to
tal da possibilidade de dirigit.
GE ees
Com as mudancas nas expectativas sobre o en:
velhecimento, muitas pessoas continuam geri
do as propriasfinangas e muitas continuam tra
balhando e tomando decisBes que implicam em
importante responsabilidade financeira, O con
trole das financas exige no apenas meméria,
mas também capacidade para avalar alternat
vas, tomar decisoes prever suas consequéncias
¢ implementélas. Essas capacidades, que em
Conjunto recebem © rome de “funcdo executi-
va’, estdo afetadas precocemente na doenga de
Alzheimer, ¢ muitas vezes & necessério decidir
se alguém com doenga de Alzheimer pode con:
tinvar administrando 0 préprio dinheiro, Evidén
cias de que falhas esto ocorrendo nessa rea
‘sfo compras desnecessarias acontecendo cons
tantemente, decisdes desastrosas, contas dese-
quilibradas. Esta ¢ uma area difll de abordar,
porque a tentativa de ajudar pode ser interpreta:
dda como intromissi0 ou, pior ainda, como ten
tativa de apossar-se de recursos financeiros. A
‘menos quehaja eros gritantes, falhasnesta Srea
6 serio percebidas com observacio atenta,
Existem escalas,raramente utilizadas, que per-
rmitem avaliar a capacidade de perceber opgoes,
fe tomar decisbes. Alternativamente, a observa-
fo de determinados padrées pode ajudar a
perceber falhas nesta drea
Determinar a competéncia para decisdes fi
rnanceiras & importante porque, ainda que
posteriormente a mesma seja demonstrada,
difcilmente ¢ possivel uma anulacdo retroati-
va, isto 6, difclmente & possivel anular deci-
s8es anteriores 4 determinacdo legal de inca-
pacidade. Infelizmente nao € raro que pessoas
inescrupulasas, percebendo as dificuldades,
se aproveitem para obter vantagens finance
ras. Quando ndo ha seguranga sobre a com:
peténcia para gerir nancas, deve ser ofereci-
da ajuda & pessoa com doenga de Alzheimer.
Algumas atitudes podem facilitar esta ajuda,
‘Uma vez que se decida que a supervisio nas f-
Nee aniere eX,nnaneas 6 necesséria, de comum acordo entre fa
milla e paciente, deve ser escolhide um ou no
‘maximo dois supervisores ~ muitas pessoas cul
dando do mesmo assunto nio €a situagio ideal,
porque isto pode confundir a pessoa com doenca
de Alzheimer. Finangas sempre sio um assunto
delicado e, nesta etapa, a conversa deve ser fran-
2, deixando claro, por exemplo, até onde vai a
autonomia do supervisor sem necessidade de re
portarse aos outros membros da familia e como
deverd ser feita a prestacdo de contas. Algumas
vezes a incapacidade para gerir plenamente as
finangas pode levar a que um sécio ou um ou
‘mais membros da familia se aproveiter da situ
ado em prejuizo do paciente. De um modo ge-
ral, a solugao é declaracao legal de incapacidade
para geri 0 proprio dinheiro e tomar decisées a
esse respeito. Isto feito através de peticao ence.
rminhada por um advogado a um juiz, que nor
malmente requer uma avalacio do estado men.
tal para determinar o nivel de competéncia. Em
geral esta avaliagao ¢ feita por um perito oficial
‘mas, caso persistam daividas, tanto 0 juiz quanto
© advogado podem solcitarinformacbes adicio
nais dos profissionais de saiide que acompa
rnham o paciente, Caso se conclua pelo prejuizo a
;omar decisdes, 0 proprio juiz
determinaré quem sera o curador, isto 6, o repre
sentante legal do paciente. Este & um processo
que pode ser constrangedor e penoso para o pa:
ciente, mas algumas vezes ¢ inevitavel
CComperENcin FINANCEIRA =
PONTOS A OBSERVAR:
#0 BALANGO BANCARIO TENDE A ESTAR
+ NKo € possiveL OFTERMINAR ONDE £
= COMPRAS DESNECESSARIAS OU EM QUANTI:
+ empatstimos MAL ExPLICADOS?
sETIDAMENTE DECISOES CLARAMENTE
EQUIVOCADAS?
+ SE possivél, DUAS PESSOAS SE RESPON:
SABILIZAM PELA AJUDA NO CONTROLE DAS
FINANGAS~ ISSO DIMINU! A 10614 DE QUE.
‘+ CONTATO Com UM CERENTE/FUNCIONARIO
RESPONSAVEL NO BANCO DEVE SER FEITO,,
PARA EXPLICAR A SITUAGKO}
CADERNO ACESSIVEL A PESSOA COM BOEN-
SADE ALZHEIMER,
{+ CADA VEZ QUE HOUVER OUVIDA QUANTO.
‘AO DESTINO 00 DINHEIRO, AS ANOTACOES
DEVEM SERVIR OF BASE PARA RESOLVE:LAL
1S SUCESTOES DE CASTOS 00 INTERESSADO
[NUNCA DEVEM SER DESCARTADAS DE CARA,
MAS DISCUTIOAS, POR MAIS INVIAVEIS QUE
StyaM, AS CONSEQUENCIAS DOS CASTOS
EVEN SER APONTADAS COM CLAREZAS
‘+ UMA PEQUENA QUANTIDADE BE BINHEIRO.
DEVE SER DEIXADA COM © INTERESSADO.
1550 FODE PARECER I@RELEVANTE, MAS E
IMPORTANTE COMO SIMBOLO DE INDE
PEnoencia,
(© tratamento da doenga de Alzheimer tem
dois aspectos: © medicamentoso eo nao medi
camentoso, ¢ ambos sto igualmente impor
tantes. Na doenga de Alzheimer ocorre uma
perda de neurOnios, mas isso nao ocorre da
‘mesma maneira em todo 0 cérebro~ no inicio
da doenca sto perdidos principalmente neuré:
nies que usam como mensageiro quimico um
neurotransmissor chamado acetil-colina, tal
perda, ne inicio, ocorrendo principalmente nas
areas da meméria e nas responsaveis por al-
guns aspectos do comportamento, o que expli
ca algumas das primeiras alteragoes que se
verificam nessa doenca. Como todo neuro:
transmissor, a acetil-colina é produzida, ocupa
‘seu receptor para produzir um efeito e é degra-
dada, A perda de neurdnios que produzem a
acetilcolina faz com que menor quantidade
esteja disponivel. Para corrigir essa deficiéncia
6 possivel aumentar a produgao nos neurénios
remanescentes, diminuir a degradaca0 ou au:
mentar a afinidade do neurotransmissor pelo
receptor. As tentativas de aumentar a produ:
‘#0 de acetitcolina administrando, por exem-
plo, lectina nao apresentaram bom efeito na
doenca de Alzheimer. Por outro lado, medica-
mentos que inibem a degradacio, aumentan-
do a quantidade de acetil-colina disponivel,
mostraram algum resultado. Esse tipo de me-
Gmaouen
4 WEURONIO
Ach=AceTiL-coLinn
CAT = CoLima~ACETIL-TRANSFERASE
ACKE=ACETIL~ COLINA-ESTERASE
idicamento é classficado como inibidor da ace-
tikcolinesterase, isto 6, da enzima que degrada
a acetil-colina, Atualmente estio disponiveis
trés medicamentos com esta acto: donepezil,
galantamina e rivastigmina, Embora tenham
agao semelhante, estas drogas também tém
diferengas, por exemplo, a galantamina, adi
cionalmente, aumenta a afinidade da acetlco-
lina pelo receptor. Nao ha prova de que, flan
Cee
Se houver a decisio de tratar com um inibidor
da degradacao da acetil-colina, ¢ importante
ter em mente algumas informagbes:
‘mesmo que a resposta seja muito boa, e mais
acetil-colina fque disponivel, 0 niveis nao se-
Fo 0s mesmos da fase anterior & doenga, ou
Seja, ndo se deve esperar o desaparecimento
de todos os sintomas;
+ algumas pessoas nao respondem a este tipo
de medicacio. Quando isso ocorre, a familia
observa que as dificuldades continuam au
mentando. Qutras apresentam alguma me-
Ihora, sem voltar a0 que eram antes, ¢ entio
‘estabilizam. A maior parte no apresenta urna
nitida melhora, mas estabiliza. Pode parecer
desanimador pensar em nenhuma melhora
como resposta mas, se lembrarmos que a do-
enca de Alzheimer é progressiva, com tendén
do de um modo geral, uma das trés drogas seja
Superior &s outras duas, embora individual
‘mente uma pessoa possa responder melhor a
uma que a outra, © fato de uma pessoa nao
responder ou perder a resposta a uma delas
no quer dizer que nio possa responder a ou:
tra e, portanto, faz sentido, se este for 0 caso,
‘mudar de uma droga para outra se nao houver
resposta ou se a resposta for perdida,
Cia a piora continua, prar de piorar ou redu
Zita velocidade da deterioracio sem davida &
um ganho}
+ € necesséria uma dose minima para que a
rmedicacao tenha algumefeit, Devido aos efei-
tos colaterais, para qualquer das tes drogas &
recomendéveliniciar com dose abaixo da min
mma eaumentar devaga.€necessério pacincia
nesta etapa, mas nio esquecer que medicacdo
fem dose abao da minima no tem remota
possibilidade de tazer qualquer benefcio;
+ aresposta pode ser avalada a partir da repe-
tigdo de testes para avaliaglo da meméria ede
outrasfungBes que apresentam a vantagem da
objetividade. De un mado geralos testes tém
correlagdo com 0 que a familia observa em
asa, mas algurnas vezes nfo € 0 que se verifi
2, isto 6 ainda que uma pessoa mostre esta
A iNUA,
sy intact
ReMtDio ESTA FuNcioNANDO?
hi
A estabilegae dos sitomes La resporte mas prouével com oratament,
bilizagao ou melhora nos testes, isto ndo quer
dizer que também vai ocorrer estabilizacdo ou
‘melhora em suas atividades didrias. € claro
ue ninguém é tratado para melhorat em tes-
Cee
AA primeira coisa para melhorar sua observacao
sobre uma possivel resposta ¢ evitar 0 “efeito
de saliéncia”, Para o que estamos vendo aqui
feito de salitncia é um acontecimento inusi-
tado que pode influenciar nossa avaliagdo so:
bre 0 desempenho da pessoa com doenca de
tes, © por isso as observacoes da familia s30
‘to importantes. As informagoes de um fami-
liar s20, até certo ponto, subjetivas, mas sua
precisao pode ser melhorada,
Alzheimer, sto pode acontecer tanto no senti
do negativo como no positivo. Vamos imaginar
alguém que vem tendo muita difculdade para
usar o telefone, mas que, dois dias antes da
consulta, faz um telefonema sem nenhuma he-
sitagdo. Quando o médico pergunta “Vocé acha
3
i
i
i
.
ique houve alguma diferenga com a medica
‘¢d0”, levado por esta impressio, o familiar
responde que houve melhora. Na situacio con-
traria, imaginemos alguém que no tem dificul
dade para usar 0 telefone, mas que, um pouco
antes da avaliagio, atrapalha-se ao tentar fazer
tuma ligagdo. Impressionado com este fato, 0
familiar responde que esti observando uma
piora. Nos dois casos a resposta éfalsa, porque
se baseou em um fato isolado, que nao esté de
acordo com 0 que se observa durante a maior
parte do tempo. Para melhorar a precisdo das
observagbes, uma boa técnica ¢ escolher alguns
aspectos, por exernplo, os que sto mais incémo-
dos ou chamativos, e tentar verificar se esta ha:
Cite eee
Como referido acima, 0 tratamento da doenca
de Alzheimer ndo envolve apenas medicacio.
Enquanto algumas habilidades estio prejudica
das pela doenca, outras estio preservadas. &
possivel usar capacidades preservadas para su:
pri, pelo menos em parte, as que estdo prejudi
cadas. Pode ser itil a ajuda de psicélogos ou
terapeutas ocupacionals para fazer isso. € im
portante que 0 profssional tenha experiéncia
ra reabilitagao desta doenca, que € progressi
va, pois as técnicas sio diferentes daquelas
usadas em outras condigoes, por exemplo, no
vendo uma mudanga na intensidade e frequen.
cia com que ocorrem.
Com estes pontos em mente, sua resposta &
pergunta "Houve alguma mudanga?" serd
mais confével.
tratamento das sequelas de acidente vascular
cerebral, onde as difculdades sto estaveis. Al
gumas coisas vocé pode fazer por conta pré-
pria, Em primeirissimo lugar, nao trate alguém
na fase inicial da doenca de Alzheimer como
lum invalido. Seu objetivo deveria ser manter a
vida 0 mais normal possivel e, dentro do que
estiver a0 seu aleance, preservar a independén-
cia de seu familia, Preservar a independéncia
tem dois efeitos positivos: contribui para man:
tera dignidade e auto-estima do paciente e di
‘minui sua carga de trabalho. O familiar pode
ndo estar muito disposto a fazer coisas de que
ainda & capaz, e cabe a voce estimuléslo. Para
isso, esteja atento ~ algumas coisas podem re
almente estar fora de seu alcance e, neste caso,
a insisténcia s6 produzird frustrac2o, ou pior,
uma reacdo catastrofica, que & uma crise de
choro ou uma explosdo de raiva que algunas
pessoas com doenga de Alzheimer apresentam
quando se sentem pressionadas a fazer algo
que no conseguem. Geralmente a reaca0 ca
tastréfica ¢ precedida por crescente reclamaca0
sobre a tarefa ou inquietude. Quando estes si-
nis aparece e se acentuam & hora de ofere-
cer alguma ajuda ou mudar de atividade,
SAR
eee
iat conten
FAZER JAROIMAGEM?
(© segundo ponto importante ¢ a escolha das
atividades ~ & essencial que a atividade seja
agradavel e tenha algum significado. Para sele-
cionar as atividades, ajuda muito lembrar dos
interesses prévios, porque nao hé razdo para
{que se modifiquem no inicio da doenga de Alzhei-
mer. Isto quer dizer que, se uma mulher jamais
gostou de tricd ou um homem nunca se inte-
ressou por artesanato, no hd razao alguma
para acreditar que isso tenha se modificado por
‘starem na fase inical da doenca de Alzheimer.
Por outro lado, atividades que nunca haviam
sido praticadas anteriormente, por exemplo,
‘modelagem com argila ou pintura, podem ter
i
i
i
i
i
z
7resultados altamente satisfatrios. Dentro da
atividade escolhida, o nivel de complexidade
deve ser adequado ~ nem excessivamente dif:
cil (ver a0 lado), nem muito facil, porque pode
levar a atividades infantilizadas, percebidas
como tal pela pessoa com doenca de Alzhe':
‘mer, que com toda razao pode deprimir-se ou
invtar-se, Muitas pessoas na fase inicial da do-
tenga de Alzheimer ainda estio trabalhando e
copoem-se a parar. Para algumas atividades, por
‘exemplo, para um médico, se constatada dif.
culdade de memeéria e julgamento para o exer
cicio pleno da atividade, isto ndo mais seré
possivel, pelo potencial prejizo que possa ira
(Oi kee eek eeu
Esta é uma pergunta frequente entee fihos de
pessoas com doenca de Alzheimer, assim que
ficam sabendo do diagnéstico. Aqui € necessé
rio distinguir duas coisas: doenca de Alzheimer
familiar e aspectos genéticos da doenca de Alz
heimer, Em relacdo a estes aspectos ¢ neces
rio ainda entender o que ¢ fator de risco e 0 que
ator causal. Comegando por este iltimo pon:
to, para entender a diferenga entre um fator e
‘outro, podemos pensar em uma pneumonia
‘causada por uma determinada bactéria. A bac
téria € fator causal da pneumonia, mas desen
volver ou ndo esta pneumonia pode ser fait
ser ocasionado. Para outras atividades é possi-
vel a continuaga0, mas pode ser necessdriaal-
guma forma de supervisio e, neste caso, um
acordo deve ser feito ~ a atividade continuaré,
desde que a supervisdo seja aceita
o por outros fatores ~ se uma pessoa est des:
rutrida ou tem baixa imunidade, as chances de
esenvolver a pneumonia sio maiores. € claro
que uma pessoa pode estar em boas condigdes:
gerais de sate e ainda assim tera pneumonia,
assim como nem todas as pessoas desnutridas
vao tera pneumonia,
‘A maior parte das pessoas com doenca de Alz:
heimer tern a forma esporddica da doenga, que
se inicia mais tarde (depois dos 65 anos) ena
{ual ndo existe um padrio claro de heranca ge:
niética. A forma familiar da doenga de Alzheimer
muito mais rara, cortespondendo a mals ou
BA. ‘+.
fe
RaREERE
DA. ESPORADICA
ki
x
eee
GESEM ALZHEIMER Hl COM ALZHEIMER,
menos 89% dos casos de doenca de Alzheimer.
Esta forma é mais precoce, se iniciando antes
dos 65 anos de dade, e tem um padedo gent
0 claro, do tipo autossomico dominante. As
implicagbes de ter um dos pais com doenca de
Altheimer sao completamente diferentes, de
ppendendo do fato dea doenca de Alzheimer ser
familar ou esporidica, Na doenga de Alzheimer
esporiica, ter um dos pais com a doenga é um
{ator de isco, ou sea, este maior chance de
também desenvolver a doenga (embora os re-
sultados de pesquisas sobre este assunto no
sejam totalmente concordants). Isto quer di-
er que os fos ndo vao tera doenga,obrigato-
‘iamente, do mesmo modo que nio ter pais
‘com doenga de Alzheimer ndo garante que uma
pessoa nao venta atéla. Na doenca de Alzhei-
‘mer familiar, por outro lado, um dos pais tem
‘uma mutagio, que €fator causal da doenga, ou
seja, se herdada, vai evar a seu desenvolvimen-
to. Sendo uma forma autossémica dominante,
as chances de que um filho herde a mutagio €
desenvolva a doenga sto de 50%.
Identiicar mutagbes para a doenca de Alzhei-
mer familiar 6 6 Unico modo, atualmente, de
determinar quem ird ter doenga de Alzheimer,
mas este tipo de exame 56 ¢ feito em poucos
lugares do mundo e, de qualquer modo, as for
‘mas familiares da doenca sio relativarente ra
1as.€ preciso lembrar ainda que mais ou menos
‘metade das familias com esta forma da doenga
no teve sua mutagdo identificada,
B | se secre Oars tiene atten 9K‘Ainda em relacio a genética da doenga de Alz
heimer, existe uma idéia equivocada a respeito
a apoliproteina E. A apoliproteina E é respon:
sével pelo transporte de colesterol no sangue.
Como acontece com varias outras protelnas, 0
gene que codifica a producao da apoliproteina E
tem diferentes alelos, sto 6, diferentes apresen:
tages. Foram identificados trés alelos para a
apoliproteina E: E2, E3 e £4. Como herdamos
tum alelo de cada genitor, podemos ter diferen:
tes combinagdes, por exemplo, E2E2, E2E3,
ESE4, E4E4 e assim por diante. Pesquisas em
grupos de pessoas com e sem doenca de Alz-
heimer mostraram que aqueles com um ou os
dois alelos €2 tém menor chance de desenvol:
vera doenga, enquanto os que tém um ou, mais
ainda, os dois alelos E4 tém maior chance de
ter a doenga. Como a forma E4 € um fator de
Tisco, € no um fator causal, mesmo pessoas
E2E2 podem vir a ter doenca de Alzheimer e
mesmo pessoas E4E4, apesar do risco mais
elevado, podem ndo apresenté-la. Podemos en-
{Wo concluir que a tipagem da apoliproteina Eé
ul para identifiear grupos com maior ou me-
nor risco para a doenca de Alzheimer, mas tem
‘pouco valor como teste individual. A conelusio
& que, fazer a tipagem como tentativa de prever
© diagnéstico da doenga de Alzheimer antes
{que apatecam os sintomas, no tem muita uti
lidade. Adicionalmente, muitas pessoas que to:
maram conhecimento de que tém um ou 05
dois alelos E4 passaram por significatvo abalo
‘emacional e depressao,
Estao sendo realizados estudos com um gran
de numero de familias com casos de doenga de
Alzheimer esporidica, tentando identificar ©
maior nero possivel de mutacdes envolvidas
nesta doenca. € altamente provavel que sejam
tencontradas muitas mutacBes, o que quer dizer
que nio haverd um teste simples para a detec:
‘fo desta doenca antes que os primeiros sinto-
mas aparecam. Isso s6 confirma que esta doen=
2 provavelmente ¢ consequéncia da interagdo
de miltiplos fatores genéticos e muitos fatores
ambientais que s6 agora estamos comegando a
pesquisar e entender. Embora nao seja impos-
sivel, a descoberta de um gatilho dnico, que
seja responsével por todos ou pela maioria dos
‘casos de doenca de Alzheimer esporadica, nfo
previsivel, pelo menos num futuro préximo,
Tenho como evitar a doenca de Alzheimer?
‘Como no saberos o que desencadeia a doen:
{ga de Alzheimer, nao existe um método para
realmente evitar a doenca, mas existem muitas
atitudes que podem adiar seu inicio, A doenga
de Alzheimer ataca inicialmente as sinapses,
isto é, 05 pontos de contato que permite que
(5 neurdnios se comuniquem entre sie que no:
vas memérias sejam formadas. Pessoas com
atividade intelectual intensa estabelecem mais
sinapses e, portanto, formam uma espécie de
reserva. Por causa das sinapses extras, estas
pessoas precisam perder mais volume cerebral
antes que aparecam os primeiros sintomas da
doenga. € por essa razdo que pessoas alta-
mente intelectualizadas tendem a ter doenga
de Alzheimer mais tarde e, pelo menos numa
primeira fase, 0s sintomas progridem mais
devagar. Como fica claro, a atividade intelectu-
al ndo é uma vacina contra a doenga de Alzhel-
‘mer ~ uma extensa lista de pessoas altamente
intelectu
izadas, inclusive ganhadores do
prémio Nobel, tiveram a doenga, mas a ma
reira como ela se apresenta pode ser menos
danosa que o habitual.
‘A outra maneira de adiar a doenga de Alzhel-
‘mer ¢ poupar 0 cérebro de danos por outras
razdes, Isso pode ser feito mantendo a circu:
lacdo cerebral na melhor condicdo possivel, 0
que significa, quando for o caso, tratar de
modo rigoroso hipertensio arterial, diabetes
‘ alteragdes do colesterol. Neste mesmo sen-
tido, a atividade fisica regular também ajuda,
utras atitudes que podem auxiliarincluem 0
tratamento da depressio e evitar 0 abuso de
4lcool. Resumidamente, um estilo de vida
TEATRO?
CLARO;
2 | meet mentation K1 | entero en $6
saudavel, do mesmo modo como acontece
com varias outras doencas, pode fazer com
{que a evolugdo da doenga de Alzheimer seja
mais favordvel. Ainda se discute se existem
‘drogas que podem diminuir a chance de ter a
doenca de Alzheimer. Talvez voce ja tenha ou-
Voce pode ter percebido que, em nenhum mo:
‘mento 20 longo deste testo, falamos em "pa
ciente de Alzheimer" ou “paciente com doenga
de Alzheimer”. Tecnicamente nio estaria err
do falar em “paciente com doenca de Aizhei-
et", mas evitamos esta expressio deliberada-
‘mente, para enfatizar que alguém com doenga
de Alzheimer no ¢ apenas um “paciente”, € a
vido falar do uso da vitamina E em alta dose
‘com esta fnalidade. Os primeiros estudos
rmostraram um efeito modesto, mas uma and-
lise dos resultados de virios estudos mostrou
que ndo existe efeito consistente com esse
tipo de tratamento.
mesma pessoa, mas com as alteragbes que
cesta doenga provoca. Por maiores que sejam as
alteracoes, ealgumas vezes elas s30 muito pro-
fundas, um olhar atento pode mostrar a persis.
téncia de tracos de como a pessoa era original
‘mente, Tavez 0 grande papel do cuidador seja
este: presevar seus préprios tragas originals @
ajudar seu familiar a fazer 0 mesmo.
oat a
Bertolt Ia eee tos Sn
eS
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