Introdução a Programação
de PLC
ENTRADAS
• Entrada Digital
• Este tipo de interface tem a função de informar à CPU, da presença ou ausência de sinal de
tensão ou corrente, em um circuito, abertura ou fechamento de um contato, que pode ser de
uma botoeira, de um fim de curso, sensor, etc. Por exemplo, quando uma entrada digital está
sendo alimentada por um sinal de 24V, a CPU interpreta como nível alto “1” e quando o sinal é
desligado é interpretado como nível baixo “0”.
• As entradas digitais contemplam uma gama muito grande de opções de operação. Um contato
externo ao controlador pode estar conectado a vários níveis de tensão, que pode ir de 5V a
220V.
ENTRADAS DIGITAIS
• Sinais digitais ou discretos
• É simplesmente um sinal de “1” ou “0”, verdadeiro ou falso, ver gráfico 1. Ou seja, as chaves
são exemplos destes dispositivos que proporcionam um sinal discreto de tensão ou corrente
em que um determinado “range” corresponde a “ON” (verdadeiro), em outro a “OFF” (falso). Por
exemplo, um CLP opera com 24Vcc nas interfaces de entrada e saídas onde valores superiores
à 22Vcc representam “ON”, e valores inferiores a 2Vcc representam “OFF”.
PARÂMETROS DE UM SINAL DIGITAL
• Altura do pulso (nível elétrico);
• Duração (tamanho do pulso);
• Frequência de repetição (velocidade de pulsos por segundo).
No gráfico 1 é possível identificar essas características
Gráfico 1 - Característica de um sinal digital.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016).
Nos CLP's, as interfaces de entrada digital se encarregam de converter a tensão ou corrente que recebe dos
sensores, fim de curso, pulsadores, etc., em níveis apropriados para operação da CPU,
conforme diagramas 1 e 2.
Diagrama 1 – circuito conversor AC-DC de uma entrada digital.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016).
Diagrama 2 – circuito conversor DC-DC de uma entrada digital.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016).
Como exemplo de ligação de uma entrada digital veja uma interpretação do CLP que será estudado nesta
aula. Trata-se de um CLP da Siemens (conforme figuras 1 e 2), cuja família é Simaitc S7-1200 e, portanto,
observe a ligação nos terminais de entrada deste CLP:
Em primeiro lugar observe sempre a referência do CLP, neste caso, Simatic S7-1200, CPU 1214C DC/DC/DC:
Em primeiro lugar observe sempre a referência do CLP, neste caso, Simatic S7-1200, CPU 1214C DC/DC/DC:
Figura 01 - Ilustração do CLP Siemens S7 1200.
Em seguida é importante saber o esquema de ligação para ativar uma entrada digital (I0 0)
através de uma botoeira:
Figura 02 - Esquema de ligação das entradas do CLP Siemens S7 1200.
• Observações
1. Como a própria referência já diz, sua alimentação é em 24Vdc;
2. Caso queira conectar sensores, sua ligação também deverá ser a mesma referência 24Vdc do
CLP;
3. Existe uma referência para o estado das ligações, ou seja, 1M é ligado em 0V (-) para, assim, a
entrada I0 ser ativa com 24V (+) ambos mesmo referencial do CLP;
Portanto, a ligação ilustrada serve para ativar a entrada digital (I0). Mais adiante, veremos que
podemos usar essa configuração de entrada para “ligar uma lâmpada”, por exemplo.
Mas atenção! A entrada só será ativada com os referenciais todos interligados. Isso é de extrema
importância!
SAÍDA DIGITAL
• Da mesma maneira que ocorre na entrada, a interface de saída permite que sinais em baixa
amplitude, originada na CPU, comandem contatores, solenoides, relés, etc. Basicamente são
três os tipos de saídas: A triac (diagrama 3), a transistor (diagrama 4) e a relé (diagrama 5), esta
última mais utilizada:
Diagrama 3 - Circuito conversor DC-AC de uma saída digital.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016).
Diagrama 4 - Circuito DC-DC de uma saída digital a transistor.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016).
Diagrama 5 - Circuito conversor DC-AC de uma saída digital.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016).
Observações:
1. No caso das saídas a relé, o bloco “normalmente aberto (NA)” se comporta como um contato
seco, ou seja, quando a saída for ativada o contato fecha. Observe que podemos colocar uma
carga CC ou AC;
[Link] todos os aspectos as saídas dos CLP's são usadas para implementação do comando da
máquina, tendo em vista que essas saídas suportam no máximo 8A. “Portanto, não é recomendado
conectar cargas elevadas nas saídas dos CLPs para não correr o risco de queimá-las”;
[Link] características, tanto das entradas quanto das saídas, estão indicadas no modelo do CLP (é a
referência), basta consultar o manual do fabricante e então terá acesso às suas características;
Cabe ao programador decidir qual o melhor custo benefício na escolha da melhor saída, a qual
lhe proporcione confiabilidade do sistema a ser automatizado.
Como exemplo de ligação, observe a figura 3, uma continuação do CLP S7-1200,
só que desta vez com uma ligação de uma lâmpada utilizando uma saída Q0:
• Observações
[Link] mostra a ilustração, a saída também é 24Vdc;
[Link] ativar o sinal de saída é preciso alimentar a saída com o
mesmo referencial do CLP;
[Link] a lâmpada da ilustração é 24Vdc;
[Link] necessite ligar uma carga com uma tensão em 220V é
fundamental o uso de relés.
Atividade 01
[Link] a ilustração da figura 4 de um CLP WEG, identifique suas entradas e saídas e suas
características. Observe que suas saídas são a relé, como poderíamos ligar uma lâmpada
cuja tensão é 220Vac?
ENTRADAS ANALÓGICAS
As entradas analógicas permitem que os controladores trabalhem com atuadores de controle analógico e leiam sinais analógicos, como é o caso da leitura de
temperatura mostrada na figura 6. Além da temperatura, outras variáveis também trabalham com sinais analógico tais como pressão, vazão, nível, tensão,
intensidade de corrente, etc.
Figura 06 - Representação de um sinal analógico, oriundo de um sensor de temperatura.
Fonte: CARRILHO (2005)
ENTRADAS ANALÓGICAS
• Os módulos de entradas analógicas convertem um sinal analógico em um número que fica
depositado na memória interna do CLP, onde essa conversão é feita através de conversores
AD dedicados, tendo em vista que a CPU só trabalha com sinais digitais. Essa conversão é
realizada com precisão ou resolução (dependendo do número de bits) a cada intervalo de
tempo. O processo de aquisição do sinal analógico segue as seguintes etapas:
1. Filtro: Em ambientes industriais ocorre muitas interferências harmônicas, o que pode
ocasionar ruído no sinal enviado pelo sensor, para tanto é necessário filtrar esse sinal;
2. Conversão: Uma vez que o sinal está limpo, ou seja, sem interferência, um circuito eletrônico
se encarrega de converter o sinal analógico em sinal digital para que, assim, possa ser
enviado à memória;
3. Memória interna: Perceba que cada fração da onda do sinal analógico é convertido em sinal
digital e que cada fração obtida é armazenada para que a CPU possa fazer a interpretação do
mesmo.
SINAIS ANALÓGICOS
• Os sinais analógicos mais comumente usados são:
• Sinais de tensão
o 0 a 10V
o -10 a +10V
• Sinais de corrente
o 4 a 20mA
o 0 a 20mA
• Um exemplo disso é o controle de velocidade de um motor através de um “potenciômetro” onde sua escala varia de “0 a 10V”.
Sinal analógico
À medida que a complexidade vai aumentando, é necessário contar com outro tipo de interface que possa interpretar sinais analógicos provenientes do
processo e emitir como saídas.
Esses sinais são como “controles de volume” com um range de valores entre “0” e o “topo da escala”, normalmente representados com valores inteiros
pelo CLP, com vários ranges de precisão, dependendo dos dispositivos utilizados. Variáveis como pressão, temperatura, vazão e peso, são normalmente
representados como sinais analógicos. Os sinais analógicos podem usar tensão ou intensidade de corrente (4 a 20mA) com magnitude proporcional ao
valor do sinal que é processado, conforme mostra o gráfico 2.
Grafico 2 - Características de um sinal analógico.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016).
SAÍDA ANALÓGICA
• Os módulos de saída analógicos permitem que o valor de uma unidade numérica, armazenada
e processada pela CPU do CLP, converta-se em tensão ou intensidade de corrente através de
uma conversão digital analógica (D/A). Geralmente, quando a entrada analógica foi em nível de
tensão “0 a 10V”, a saída também é processada em “0 a 10”, o mesmo ocorre com intensidade
de corrente, conforme mostra a figura 7.
ENVIO DE SINAL ANALÓGICO
1. Conversão digital analógica: Uma vez que a CPU pegou o sinal contido na memória ele processa esse
sinal e em seguida entrega sua resposta para o Conversor Digital Analógico;
2. Circuitos de amplificação: O conversor recebe o sinal em baixa potência. Para elevar o sinal a níveis
desejados há um circuito eletrônico que amplifica esse sinal;
3. Proteção eletrônica da saída: Para evitar sinais de retorno por interferência, uma proteção eletrônica é
requisitada a fim de evitar a queima do circuito de saída do CLP.
Figura 07 - Representação de um sinal analógico, oriundo de um sensor de temperatura.
Fonte: CARRILHO (2005)
MÓDULOS DE FUNÇÕES ESPECIAIS
• Todas as interfaces (entradas ou saídas) descritas têm a tarefa de converter sinais de entrada em valores aceitáveis à CPU, seja ele digital ou analógico, ou
converter os sinais entregues pela CPU em valores convenientes para os atuadores de saída.
• Porém, existem processos ou máquinas que requerem tarefas mais complexas, por exemplo, controle de velocidade superior à varredura do equipamento,
resolução de equações matemáticas para sincronismo de motores, dentre outros controles. Essas tarefas podem resultar em limitações que são dadas pela
falta de capacidade dos módulos encontrados nos CLP's. Para esses tipos de módulos são atribuídas funções especiais, específicas a cada tipo de aplicação.
Esses módulos possuem seu processamento embarcado, possibilitando, assim, alto desempenho de trabalho. Podemos citar alguns exemplos, tais como:
• Módulo de entrada de pulsos de alta velocidade:
Permitem conectar ao sistema dispositivos que produzem trem de pulso rápido, para que o CLP possa reagir ou realizar contagens. Por exemplo, em
turbinas, tacômetros, etc.;
• Módulo de controle de eixos:
Permite controlar a posição ponto a ponto de servomotores. Por exemplo, em sistema de empacotamento de produtos;
• Módulo de entrada termoacoplada:
Fornecem alta precisão na leitura de temperaturas usando termopare. Podem ser usadas em grau Celsius ou Fahrenheit;
• Módulo de entrada de termoresistencia:
Também usados para medir temperaturas, onde mediante a leitura de um valor de resistência há uma conversão também para graus Celsius, Fahrenheit,
Ohm ou valor numérico.
MÓDULOS DE EXPANSÃO
• É comum em processos de automação a instalação ocorrer em etapas, tendo em vista que o
custo poderá ser significante a ponto de eleger as etapas de instalação e, em momento
propício, ir acrescentando funções ao processo. Através dos módulos de expansão, como
mostra a figura 8, a estrutura do sistema pode ser adaptada em função das necessidades de
cada aplicação, podendo ser facilmente expandido. Desta forma os custos acabam sendo
reduzidos sem perdas de funcionalidades. A combinação de módulos pode ser feita
livremente. Essa é uma das grandes vantagens de sistemas automatizados.
MÓDULO DE EXPANSÃO
Figura 8a – Unidade básica do CLP simatic S7 juntamente com seu módulo de expansão.
Figura 8b - Unidade básica do CLP Omron juntamente com seus módulos de expansão.
COMO SELECIONAR UM CLP
Sempre em projetos de automação de máquinas é necessária a “compra” ou aquisição do CLP e comumente nos deparamos com a
seguinte pergunta: Qual CLP devo comprar? Qual CLP é o mais apropriado para as funções da máquina que eu quero que sejam
desempenhadas? Lembre-se: Você é o responsável pelo projeto, portanto é obrigatório saber como a máquina opera ou irá operar. Para
entendermos melhor como funciona essa seleção vejamos o exemplo de projeto a seguir:
Deseja-se projetar um sistema para armazenamento de glucose em um tanque elevado cuja planta do processo é ilustrada na figura 9:
Figura 09 - Detalhe do layout da planta de um tanque de aquecimento.
Fonte: Elaborado pelo Autor (2016)
NA PLANTA TEMOS
• A bomba para carregamento do tanque de glucose;
• Uma válvula solenoide para consumo dessa glucose;
• Sensor de nível para indicar o nível da glucose;
• Resistência elétrica para aquecimento;
• Sensor de temperatura.
MODO DE FUNCIONAMENTO
1. O carregamento de glucose é feito por meio de uma bomba de lóbulo que é acionada por chave de
partida direta. O acionamento acontece quando chega uma “carreta” carregada de glucose e precisa
descarregá-la, então o operador “aciona” a bomba;
1. O sensor de nível serve para indicar (em modo de alarme luminoso) que o tanque está cheio ou seco.
Ele trabalha com sinal de 4 a 20 mA, ou seja, quando ele envia 4mA o tanque está seco e 20mA o tanque
está cheio;
2. O sistema de aquecimento serve para manter a temperatura da glucose em um valor constante (tipo
60°C) e funciona com um sensor tipo termopar em conjunto com uma resistência elétrica. Quando a
temperatura da glucose está fora do “set point” a resistência “liga” ou “desliga”;
3. E, por último, quando é preciso consumir essa glucose, uma válvula solenoide permite a passagem ou o
bloqueio da mesma. Ela está aberta totalmente ou fechada totalmente.
Dessa forma, para o projeto de um sistema de armazenamento de glucose em um tanque elevado, iremos
precisar dos seguintes elementos:
• Para o acionamento da bomba precisaremos de duas entradas digitais (Liga/desliga) e uma saída
digital (bomba);
• Para o alarme do nível: de uma entrada analógica de 4 a 20mA para receber o sinal proveniente do
sensor de nível e duas saídas digitais para os alarmes (“tanque cheio” e “tanque seco”);
• Para o controle de temperatura: uma entrada para termopar para o sensor de temperatura e uma
saída digital para liga/desliga da resistência;
• E por último, para consumir a glucose, duas entradas digitais e uma saída digital para a válvula
solenoide.
• Portanto, para o projeto acima utilizaremos um CLP com no mínimo 6 entradas digitais, 5 saídas digitais,
1 entrada analógica de 4 a 20mA e uma entrada (termoacoplada) para termopar.